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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sim, nossas filhas gozam e não esperam "príncipes encantados". Como ajudá-las a evitar roubadas sexuais?

Para evitar chororô, mais meninas agredidas e manés de cabeça baixa na delegacia, todas as mães (mais do que os pais... afinal, mulheres tem o papel de multiplicar como devem ser as relações e manifestações de sexualidade com seu próprio gênero) deveriam ensinar para os seus filhos/filhas:

1) Em caso de sexo grupal consentido, se a menina diz NÃO durante a cópula, é óbvio que TODOS devem parar imediatamente. O fato de ser consentido não significa que mudanças de pensamento em meio ao ato não devam ser respeitadas.

2) Em hipótese alguma misture maiores e menores de idade. Ou são todos adultos ou são todos adolescentes, da mesma faixa etária. Não caia na pilha alheia.

3) Produção de imagens, apenas entre adultos e com "claquete" antes do início do ato, com nome e RG, atestando a autorização para o registro fotográfico/ videográfico, independentemente do dispositivo usado para registro. Ainda assim, se pedirem para parar de filmar/ gravar, PAREM!

4) A maioria das imagens amadoras de caráter erótico que são incorretamente compartilhadas em redes sociais/ web são feitas por meninas/ mulheres com seus dispositivos móveis. Saiba dizer NÃO para uma guria, se não quiser ter problemas depois.

5) Álcool, drogas recreativas e putaria raramente resultam em decisões sensatas quando utilizados simultaneamente aos jogos sexuais. Sim, não custa nada ensinar a um filho pateta a NÃO praticar asfixia erótica e outros malabarismos quando ele (s) ou a(s) menina(s) estiverem chapados. Obviamente, vai dar merda. Depois dos 18, façam como achar melhor.

6) Sabemos que vocês, nossos filhos e filhas, trepam. Não pretendemos interferir em suas preferências e descobertas de formas de prazer, mas temos responsabilidade legal pelas suas cagadas na vida. Sendo assim, entendam que quando um burro fala o outro abaixa a orelha. Não apenas devemos tocar no assunto (além do "papo camisinha" + DSTs + gravidez) como devemos deixar claro que sabemos o que acontece.

7) Amamos vocês incondicionalmente, mas ajudem, né? Não precisa ser nenhum Albert Einstein para perceber quando uma situação de prazer está prestes a virar uma grande roubada. Sejam espertos.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Não podemos salvar 1600 sírios mortos. Mas podemos reduzir a morte anual de 300 mil mulheres. Vale? Por Felipe B

Supostamente, um crime de guerra matou 1600 homens, mulheres e crianças sufocados com gás. Ficamos chocados.

Tá.

Estamos escravizados pela noção do valor da vida humana de acordo com o impacto midiático. Não, não se trata de sermos burros ou culpados. O produto midiático é cuidadosamente pensado para ter esse efeito, chocar, anestesiar, nos tornar impotentes, em todas as demografias possíveis.

Assim, sofremos mais com o suposto crime de guerra no qual morreram 1600 pessoas do que com as 300 mil mortes anuais de mulheres com câncer no útero. E o mais impressionante é que, de fato, podemos ajudar a reduzir essa mortalidade feminina absurda. E podemos fazer isso apenas com palavras, até mesmo fora do Facebook e das demais redes sociais.

Para isso, é preciso saber ouvir o outro, entender o que impede essas mulheres de fazer exames preventivos e, a partir dessa compreensão, estabelecer uma empatia que permita sermos "invasivos do bem" e trocar ideias que possam ajudá-las a salvarem suas vidas. E ainda mais importante: que se tornem multiplicadoras, seja em suas próprias famílias, seja em suas comunidades.

E os desafios são muitos. 95% dos casos de câncer no útero demonstram que o vilão é o HPV. 70% deles causados pelas cepas HPV 16 e 18.

E para falar de HPV temos que conversar com mulheres estranhas sobre seus hábitos sexuais. E, muitas vezes, elas tratam os próprios hábitos sexuais como apenas mais uma tarefa doméstica, uma consequência do matrimônio ou da relação estável na qual estão envolvidas.

Nosso cenário: 35% das mulheres brasileiras nunca fizeram exame papanicolau.

Me assusta imaginar quantas não sabem o que é HPV e desconhecem sua relação com o câncer no colo do útero.

Se já é difícil levantar uma questão que envolva sexo e sexualidade com mulheres urbanas, descoladas, educadas, de classe média, imagine então ter que dialogar e ouvir mulheres da zona rural, muitas delas sufocadas por barreiras de cunho religioso e moral?

É uma dificuldade que precisa ser vencida se quisermos ajudar as mulheres a viverem com saúde.

E isso, sim, é mais importante do que especular sobre uma matança na guerra. É uma atitude humanitária que está ao nosso alcance. Conversar e empoderar mulheres de todas as demografias antes do condilomas surgirem.

Para começar, é preciso que se faça um ajuste da linguagem, se queremos quebrar barreiras.

Não tente entrar numa comunidade de prostitutas, por exemplo, e começar a falar de genitais sem empregar termos populares. Se quer ajudar, acostume-se a falar e ouvir sem choque como aquelas mulheres lidam com suas "bucetas", "rachas", "xoxotas", "buracos". Não é para chegarmos lá "cagando regra". É para entendermos como pensam e agem em seus cotidianos para que possamos conversar e disseminar informação útil para que se previnam. Para que possam estabelecer práticas entre seus clientes e parceiros que as preservem.

Vejam bem: para muitas dessas mulheres, o que acontece dos lábios vaginais para dentro é uma incógnita e raramente motivo de preocupação. Elas estão mais preocupadas com o que conseguem enxergar e ainda assim, dão preferências as análises visuais. Feridinhas e manchas. Nelas ou nos parceiros. Ainda assim, contaminam-se com frequência com DSTs que já deveriam estar extintas, como sífilis e gonorréia. E continuam a trabalhar assim.

Ou seja, falar de HPV é quase como falar de astronomia. Precisamos simplificar. E não adianta dar cartilha para quem não sabe ler. Adianta ouvir, atentamente. E a partir daí, conversar longamente. Sem pudores, sem pressa. Em todas as oportunidades possíveis. Até que a importância da prevenção e da higiene entre os atos, além do emprego das barreiras físicas esteja disseminado em seus repertórios, em sua própria linguagem.

Com as religiosas e as que tem barreiras sócio-morais mais rígidas, a situação é complicada, mas não impossível.

Ouvir. Descobrir quais são as brechas. O método de investigação ai é muito próximo daquele usado com mulheres que sofrem abuso sexual doméstico, mas não o percebem dessa forma. Estamos falando de mulheres que, em 2013, jamais questionaram seus marido e companheiros sobre seus hábitos sexuais fora do casamento.

São mulheres que, hoje, não tem estratégias de defesa, esperteza, para evitarem que um pau contaminado chegue da rua,  seja da amante, seja do puteiro, e entre direto dentro de suas bucetas. Não é preciso conflito nem quebra de paradigmas, o que seria uma utopia. Mas podemos, sim, disseminar esse "jogo do eu primeiro".

Se elas, infelizmente, não podem ou não querem dizer não, e se o uso da barreira física é impossível (seja camisinha feminina ou um diafragma, seja camisinha no marido ou companheiro), que usem o banheiro e apliquem um gel vaginal antiviral lá dentro, antes da relação começar. Defesa, defesa, defesa. Sabemos que é difícil. Mas podemos desistir?

Se existe um mínimo de diálogo, que se "insufle" o ego masculino, dizendo que o pau dele vai ficar "mais bonito e maior" se circuncidado. Vejam, não se trata aqui de redefinir os comportamentos íntimos e relações de gêneros. Tampouco de  promover abstinência sexual. Mas o ego masculino (e o machismo por ele gerado) mata mulheres. Ponto.

Trata-se de salvar mulheres, antes de tudo. Sim, pode ser um começo de mudanças nas relações, mas não posso ser ingênuo a ponto de achar que vamos salvar o mundo em um pacote só. Quero primeiro salvar vidas. E não provocar que essas mesmas vidas venham a ser perdidas por um tiro ou facada de um machista.

É importante que essas mulheres construam um "repertório de guerrilha", que salve primeiro os seus corpos e das suas iguais, que possa ser disseminado em toda as oportunidades de conversas femininas, seja na quemese, seja na hora da reunião com a consultora da Avon. Estão sozinhas, podem conversar, que coloquem essas questões em pauta.

Da mesma forma não adianta tentarmos "moralizar" as jovens mulheres que usam o corpo como ferramenta de aceitação social, seja no ambiente urbano (as meninas do funk…), seja no ambiente rural. Precisamos jogar com as palavras dela. Sim, é bacana educação sexual em sala de aula, mas é preciso ouvir essas meninas no ambiente privado, no olho no olho, estabelecer um jogo de confiança e promover a aproximação delas com as mulheres de suas famílias, para que construam mais do que discursos repetidos.

Elas precisam construir estratégias de defesa. Precisa ser normal uma mãe, tia ou irmã mais velha poder dizer para as meninas da família que aquela saída estratégica para uma "mijadinha" depois do ato sexual é uma atitude obrigatória, já entrando naquelas estratégias simples de cuidados pessoais, para livrar-se de secreções masculinas prejudiciais. Obviamente, não "limpa" tudo, mas é melhor do que nada.

E que esse repertório chegue logo aos ouvidos das meninas de 10,11 anos de idade. E que chegue como "boas práticas" aos meninos de 8,9, 10, 11 anos. A única maneira de mudar esse cenário é ter uma geração de homens que não aprenda a ser menos machista conceitualmente, mas sim na prática, no cotidiano. E, principalmente, em sua noção de relações íntimas. Meninos que aprendam, desde cedo, a observarem-se e entenderem que podem estar seguros ou não para ter contato com uma mulher.

Passar de mãe pra filho que higiene é mais importante do que beijar bem. Do que tamanho de pau. Tem que começar em casa. Meninos precisam saber que prevenção contra o HPV é OBRIGAÇÃO DE TODO HOMEM. E quem tem que colocar isso na cabeça dos meninos, desde cedo, é a família.

E, até onde sei, meninos novinhos, bem novinhos, costumam escutar suas mães. Nossos meninos precisam saber (e disseminar, e repetir para os amigos, e tornar esse conhecimento senso comum entre a molecada) que metade dos homens do planeta tem HP e boa parte desses levam consigo o HPV 16 e 18, os vilões invisíveis que matam as mulheres que amamos. E que nos matam também, quando os recebemos de volta, inclusive via sexo oral (câncer na boca e garganta…).

Abro uma digressão para falar de um cenário ainda mais delicado: relações lésbicas, sejam elas dentro de um ambiente urbano repleto de informação ou na obscuridade de um Brasil rural preconceituoso e hermético (tá bom, nossa cena urbana não difere muito nesse sentido).

Convivo intimamente com mulheres lésbicas e bissexuais há 25 anos. Em todos os tipos de relação e conjunção que possam imaginar: casais, trios, mulheres que trepam com outras e outros, mulheres que são fiéis, mulheres que são promíscuas, mulheres envolvidas em relações de poliamor. Em comum a esse caleidoscópio de possibilidades erótico-afetivas está o fato de que todos temos segredos. E em relações lésbicas, alguns segredos beiram o tabu.

Falamos de violência física e moral contra as homossexuais, mas não falamos das intra-violências das relações, como guardar segredo sobre o uso compartilhado de consolos, vibradores ou mesmo penetração com homens fora das relações "oficiais". O jogo do segredo, no campo comportamental não será questionado aqui. Todos temos.

Mas quando a saúde feminina está em jogo, quando existe incerteza quanto à saúde da parceira eventual, manda o bom senso preservar a outra. E nós sabemos que quando a tequila faz efeito, a última coisa que fazemos é um exame detalhado ou checagem de antecedentes. E entre mulheres, aquele "banheirão" ou "perdido" eventual são ainda mais frequentes do que em relações heterossexuais. Sim, aquela dedada inocente na desconhecida e a sacanagem suprema de enfiar a mesma mão na menina que você fica/ namora, que te encheu de orgulho na balada e apimentou a relação de vocês é um comportamento de risco. E, sim, é importante pensar nisso. Muito.

Ah, meninos, ainda na mesma digressão: o HPV também é vilão quando se fala de câncer anal. Não, não fuja do assunto não. É fato. Ou seja, se a sua praia é pau, pulso, brinquedos, cinemão, banheirão, dark room, fique ligado: você sabe que não vai dar conta de adivinhar quem tem e quem não tem, não é mesmo? Porra, brother, tu é inteligente. Morrer de tesão não é o mesmo que deixar o tesão de matar. Pense nisso.

O mesmo vale para as meninas mais novas que envolvem-se em jogos sexuais: realmente acredito que o repertório que assegure a defesa do corpo tenha que ser desenvolvido e disseminado antes que a vida sexual ou os jogos de afirmação social (com sexo, bebida, alteradores de consciência…) se iniciem.

Eu quero que minhas filhas possam trepar com as mulheres e homens que elas escolherem, mas munidas de todas as estratégias para que possam fazer o que quiserem sem perder o prazer espontâneo ou prejudicar a saúde. E que possam disseminar essas boas práticas entre seus parceiros e parceiras.

A gente pode e deve ajudar a reduzir essa mortalidade absurda de mais de 300 000 mulheres por ano. Mas temos que ter coragem. E senso de indignação. O mesmo que demonstramos quando assistimos uma matança como essa na Síria.


domingo, 30 de dezembro de 2012

2012: o ano do feminicídio ainda não terminou

Para ilustrar meu texto da semana passada sobre nossa hipocrisia ao olhar com revolta o estupro http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1208114-estagiaria-de-direito-morre-apos-suposto-estupro-em-sp.shtmlna India.

Somos piores, mas calamos nossas mazelas.

No blog Pai de Menina passei o ano falando sobre o feminicidio sistemático praticado em todas as classes sociais no Brasil.

Queria muito não ter que falar sobre esse tema em 2013.

Mas será impossível.

No caso da vítima de estupro no Brasil, a violência é multiplicada. É muito cruel uma mulher precisar provar que não provocou a agressão, muitas vezes, sendo tratada com desconfiança por outras mulheres.

Pode estar bebada e nua. Pode estar consciente e ter começado uma situação erótica. Não é não. Toda mulher tem o direito de parar o sexo na hora que quiser. Toda mulher tem o direito de não ter seu corpo violado.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Bilionários por Acaso: o livro é uma lamentável ode a misoginia em pleno século 21

Acabei de ler "Bilionários por Acaso", de Ben Mezrich. Surpreso e um tanto enojado pelo fato de, em 2009 (data de lançamento do livro), TODAS as mulheres retratadas no livro serem loucas, interesseiras, alívio sexual para os "gênios" de Harvard e do Vale do Silício.


Não existe uma mulher no livro que seja destacada por sua criatividade, talento ou competência intelectual. Mais: as asiáticas são apresentadas -SEMPRE- como "comidinha" fácil para os nerds que não conseguem as loiras da Ivy League.

Nem vou perguntar o que o autor acha de negras e latinas no mundo acadêmico top dos EUA. Lamentável. Se querem saber mais sobre a criação do Facebook como negócio revolucionário, sugiro o livro de David Kirkpatrick, “The Facebook Effect". Bom demais para virar filme blockbuster.

Fico imaginando uma menina de 14 ou 15 anos lendo esse livro, na ânsia de descobrir as entranhas do espaço online que toma a maior parte de seu dia conectada, e tentando projetar seu futuro fazendo diferença no mercado de tecnologia de informação de alto nível, nas melhores universidades do planeta. Além de matar um leão por dia, essas meninas terão que lidar com o estigma de não poderem ser bonitas, atraentes e charmosas sob risco de serem confundidas com "putas" dos campi. Imagem distorcidas, difíceis de serem modificadas.

Vale atenção paterna com essa leitura.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Devolva-me

amo. foto: Felipe B, 2010.




















O assunto veio à tona em comentário sobre os mitos da amamentação no blog da amiga Zel. Pensar fora da caixa faz muita gente ficar fora do eixo e esquecer de colocar em foco assuntos importantes na vida conjugal.

Tendo passado por esse processo duas vezes, com reações e aprendizados diferentes em cada ocasião, acredito que cabe iniciar uma reflexão a respeito (no pun intended).

Com exclusão dos casais homossexuais masculinos (que não enfrentam os dilemas do pós parto e amamentação, seja em barrigas de aluguel, seja em adoção), todas as outras combinações conjugais passam pelos dissabores da posse do bico do seio.

Mais do que sabido é o fato das mudanças hormonais provocarem modificações físicas e emocionais importantes. Em muitos casos, nem a penetração pode ser cogitada, tal o estado de ∂úvida ao qual o corpo é submetido. A quem ele pertence? Ao bebê? Ao pai? A escrutínio alheio?

"Esse corpo, esse peito, essa buceta são meus, mulher e mãe! Devolva-me!", gostaria de vê-las gritar.

Mas não é fácil. Sabemos que não.

Naturalmente, devemos leva-las em consideração. Mas existem aspectos culturais que estão profundamente enraizados e que fazem homens e mulheres perpetuarem mitos, mesmo que não queiram.

Quando a mulher recusa acesso ao bico do peito de forma erótica existem desculpas prontas para não faze-lo: higiene, dor, falta de sensibilidade, dedicação total ao rebento, nojo. Muitos cônjuges, homens e mulheres (no caso de casais lésbicos), notadamente os mais jovens, tendem a introjetar conceitos semelhantes: se deixam levar pelas alterações físicas de cor e forma para justificar sua aversão ao toque, seja com a boca, seja com as mãos, pênis ou vagina.

Grande parte daquela erotização do casal, que levou à gestação ou ao pacto entre duas mulheres de recorrer a inseminação artificial acaba perdida em meio a pensamentos antiquados e preconceituosos.

E a parte fêmea dessa equação acaba sendo penalizada. Primeiro, por não ter a clareza de como ou quando deseja retomar o uso do próprio corpo e não considerar essa discussão algo pertinente a casal. Por outro lado, alguns cônjuges vão se deparar com situações atípicas na sexualidade pré gestação.

Casais que tiveram vida sexual ativa até o parto, mesmo com lactação precoce, podem ter soluções divertidas e interessantes para compartilharem. Mas e o tabu de conversar sobre sexo? Sobre vida feliz? Sobre prazer? Como tem gente que enxerga na barriga dilatada fantasmas que coibem o desejo.

Pode ser que nem queiram saber o quanto e como você gozou durante a gravidez. Pena.

Algumas mulheres ficam menos sensíveis e desenvolvem o gosto por toques mais vigorosos, que estimulem de forma mais intensa os mamilos. Até a nova forma dos mesmos ajuda a construir uma nova personificação erótica, que pode ficar submetida a um rigor moral. Aquele fantasminha da vergonha de ser classificado como curtidor de BDSM fica rondando...

Se conversar sobre toques no grelo e outros aspectos da sexualidade ainda são tabu para alguns casais mesmo antes da gestação, imagine o choque de alguns parceiros(as) ao perceberem suas mulheres interessadas em uma nova forma de usar o corpo, fora dos padrões aos quais estavam acostumados.

Sim, existe prazer na relação com a dor. Nem todas ficam mais sensíveis e rejeitam o toque. Aquelas que o fazem, talvez estejam querendo outra forma de interação, de troca, de estímulos. Se a dor e sensibilidade extra as incomodam, precisam ser respeitadas, ouvidas em sues desejos -alguns insuspeitos- e não desestimuladas aos jogos eróticos.

Acusar o outro de sabotador no auge da sensibilidade não parece ser uma medida inteligente sob nenhum aspecto, tendo em vista a busca por uma família harmônica.

É preciso entender que existem mulheres que desligam o modo “erótico” dos seis por uma questão de praticidade. O caso de amamentar em público é um desses. Se a noção coletiva de respeito ao “estado” da lactante parece ser senso comum, no íntimo sabemos que existem muitos homens e mulheres que apreciam uma mama cheia, com mamilos proeminentes, túrgida, bela em suas formas ampliadas. E nem todos (as) conseguem desviar o olhar. Se a mãe não se sente confortável com isso, é natural que crie defesas. É um direito dela.

Outra distorção moderna que pode atrapalhar de forma cruel é o mito da estética do peito. Motivada pelas imagens de celebridades cujo os peitos nunca caem, existem moças que logo ao pararem de amamentar entram na paranóia de clarear os bicos de forma artificial ou fazer cirurgia estética das mamas. Pressão de mães, amigas (?), de maridos e “maridas” (sim, leitora, no mundo das moças, alguns arquétipos também estão presentes, e de forma bem intensa e conservadora) para que se chegue ao que o outro considera o corpo “ideal”.

Perde-se a essência de vivenciar o corpo da parceira transformado pela geração de vida. Busca-se desesperadamente o “estágio anterior” da relação através da retomada do corpo antigo. Se não um erro em sua essência, tal comportamento mergulha no tanque dos equívocos.

A mulher é soberana para decidir sobre o destino e o uso de seu corpo. Mas não deve ficar soterrada sob teorias e conceitos arcaicos, que em nada ajudarão na relação dela com o filho ou parceiro(a).

Que fique claro desde cedo que “mamãe goza e quer ser feliz”. E se tiver que usar o peito “sagrado” para isso, logo, durante a amamentação, que assim seja.

Seja feliz com seus bicos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dos relacionamentos abertos e suas consequências para os filhos: quando as coisas não dão certo

Essas últimas semanas tiveram o noticiário recheado de matérias sobre casais expondo seus filhos publicamente devido a problemas em suas condutas erótico-afetivas.

Uma preocupação comum em quem não adota o modelo monogâmico em seus casamentos é que as outras partes envolvidas tenham a mesma preocupação em manter o sigilo e o cuidado que as relações atípicas requerem.

Os homens, de forma geral, acabam comentado com alguém suas aventuras e suas conquistas. Algumas mulheres não agem de forma diferente ou com menor cuidado. O resultado do descuido pode ser uma exposição indesejável e pública de suas práticas íntimas.

Eu procuro deixar claro que não sou monogâmico. Não faço alarde nem apologia comportamental, mas tenho pouca paciência para lidar com hipocrisia. A parte chata é que nem sempre a outra parte envolvida tem liberdade ou transparência em suas relações. Isso acarreta em muitos desencontros quanto as intenções.

Vivenciamos um envolvimento intenso com uma mulher casada e popular no meio blogueiro. COm o agravante de estabelecermos uma relação de amizade entre as famílias. Evidentemente, havia intensidade erótica e estimulante baseada na premissa de que o cônjuge dela não sabia de nosso envolvimento. Contribuindo para o desastre, o bom e velho vacilo de manter registros de conversas digitais apimentadas, para lembrar depois (um erro básico).

Sim, nós homens e muitas mulheres apreciam esse jogo dúbio, de recriminar, mas brincar com o mito da traição. O problema surgiu quando eu passei a ser o responsável pela manutenção do segredo, uma vez que que sua prole poderia ser prejudicada caso o marido descobrisse.

Não seria totalmente descabido se eu fosse o único amante (como eu, ingenuamente, acreditava).

Não. Eram vários os amantes, mas apenas eu tinha o compromisso de manter o sigilo.

Não tenho problemas em deixar claro em minha estrutura familiar que namoramos outras pessoas, Mas com a história vivida, aprendi que, na medida do possível, é preciso averiguar se a outra parte tem as mesmas premissas de vida, de transparência em suas relações.

Longe de mim querer expor os filhos alheios ao escárnio público dos falsos moralistas. Mas não acredito ser justo engolir minhas verdades para ser guardião da mentira alheia.

Minha dica é: se quiserem brincar de viver sua sexualidade de forma livre, certifiquem-se de que os prováveis parceiros -principalmente se tiverem filhos-, estejam em sintonia quanto a forma de abordar a questão caso a relação seja revelada ou descoberta pelos filhos, parentes e amigos.


Manual de sobrevivência ao escândalo:

1) se descoberto, não negue. Tome as rédeas e afirme sua identidade no discurso.

2) se seus filhos tiverem idade para compreender, converse. Elabore o que vai dizer e assegure seu direito de viver sua sexualidade como quiser.

3) parentes tendem a julgar mais do que estranhos. Imponha limites claros a invasão. Para evitar a fofoca generalizada, proponha uma conversa aberta, sem acusações ou suposições. A vida e práticas sexuais do casal dizem respeito apenas ao casal.

4) se algo saiu da esfera pessoal e tornou-se público, mantenha a calma e não tente atitudes desesperadas de "limpar seu nome". A propagação é inevitável e diretamente proporcional às tentativas de apagar seus rastros. Assuma.

5) não produza provas contra você. antes e depois do problema. Acredite: nenhum vídeo, foto, texto, conversa em celular ou telefone fixo, torpedo e afins é seguro. Nenhum. Se você fez um vídeo de teor erótico e seus filhos já usam a internet é questão de tempo até terem contato com sua imagem "escondida". O mesmo vale para casais que utilizam sites de relacionamento para adultos ou frequentam ambientes liberais,como casa de swing e festas privadas. Alguém, sempre, vai registrar sua imagem e não adianta culpar os outros pela violação da sua privacidade.

6) um erro grave é achar que nossos filhos não tem interesse em assuntos sexuais ou práticas extremas. Se eles descobrirem de forma a sentirem-se traídos (o ciúme e repulsa em relação as sexualidade dos pais já existe mesmo que seja uma relação de monogamia tradicional), estabeleça o emprego de todos os recursos para recuperar a confiança deles. Isso inclui a ajuda de profissionais ligados a comportamento, como psicólogos e terapeutas familiares. Abandoná-los a própria sorte não trará benefício algum a nenhuma das partes envolvidas.

7) Nunca prometa que não repetirá suas práticas, sob pena de comprometer ainda mais a relação de confiança. Seja verdadeiro: se faz parte de sua existência um comportamento sexual diferente e particular, assuma. Não é preciso descer aos detalhes, mas mostre-se pleno no direito de viver sua vida de acordo com suas crenças.

8) Procure auxílio jurídico/legal se estiver sendo pressionado ou chantageado. Nunca negocie uma extorsão.

9) caso a ocorrência chegue ao ambiente profissional, não espere as diversas versões tomarem corpo. procure seu chefe direto e o departamento de recursos humanos da empresa para unificar a versão e seu posicionamento quanto ao ocorrido. Se você não feriu a lei ou as normas da empresa, aqueles que o colocarem em situação vexatória é que poderão sofrer algum tipo de advertência.

10) viva e deixe viver. Todos nós temos telhado de vidro. Evite atirar a primeira pedra, para que ela não se transforme em um bumerangue.

quinta-feira, 5 de março de 2009

24 anos fazendo merda em nome de deus

O arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho é um merda.

Um merda.

Poderia até respeitar esse senhor, como um ser humano, mas não o farei.

É um merda. Burro. Nocivo aos brasileiros. Precisa ser contido, antes que seja tarde demais.

Se a nossa imprensa (a qual anda incapaz de compilar registros para o simples ato de informar e dar material para que os leitores reflitam) fizesse um levantamento sobre a vida desse facinora, desse criminoso, mostrariam para a população que esse palhaço já andou respondendo processos por suas injúrias e difamações.

Não pode ser levado a sério.

Ele já está acostumado a falar merda para prejudicar pessoas.

Você não vai encontrar isso nas matérias de jornal e TV essa semana. Uma pena.

Desde que substituiu Don Hélder Câmara (esse, um grande homem, de verdade que devotou sua vida pela liberade de expressão, em plena ditadura militar), como o arcebispo de Olinda e Recife, em 1985, esse bosta expulsou 20 padres progressistas, fechou o seminário Regional e o Instituto de Teologia e ainda acusou uma mulher de adultério (????).

E isso lá é atribuição de arcebispo?


O senhor José Cardoso Sobrinho completa em 2009 a louvável carreira de 24 anos fazendo merda em nome de deus.


É um santo, esse merda desse arcebispo.

Pessoas assim (e suas idéias) precisam ficar longe de minhas filhas, assim como suas doutrinas falaciosas.

Uma menina de 9 anos foi estrupada, seguidamente, pelo padastro. Engravidou. Eram gêmeos.

Frágil.

Franzina.

Fisicamente incapaz de fazer um expulsivo seguro.

Incapaz de entender a agressão recebida. Do padastro e do Arcebispo.

E mesmo que fosse, não é preciso ser muito inteligente para entender que meninas de 9 anos não devem ser mães.

Não devem dar a luz.

Não podem ter suas infâncias ceifadas em nome da "lei de deus". deus é o caralho!

Mas o senhor José Cardoso Sobrinho, um merda, usou seu suposto poder junto aos tacanhos seguidores da doutrina católica para agredir publicamente aqueles que decidiram salvar a vida da menina. Os médicos interromperam a gravidez.

Um direito de qualquer mulher. Básico.

Mas o patético e lamentável senhor José Cardoso Sobrinho acredita que a lei de deus está acima de lei humana.

Lei de deus?

Esse palhaço mora na ilha da fantasia?

Se ele caminhasse pelas ruas do próprio estado onde reside veria como a "lei de deus" trata os humanos.

Teria a coragem e hombriedade de trazer à tona o número de meninas, com menos de 10 anos de idade, que são diariamente violentadas, abusadas dentro de casa, na escola, nas ruas.

Mas o idiota acha que pode usar a "lei de deus" (que nojo) para agredir profissionais da saúde que trabalham sério e com a corda no pescoço para salvar a vida HUMANA. Para salvar uma criança. Como as minhas filhas. Como a sua.

Prefere ficar tomando vinho, contando história da carochinha sobre um nascimento numa manjedoura a partir de uma mãe virgem, vestindo-se com tecidos caros e masturbando-se para imagens banhadas a ouro.

Cade a porra do papa para dar um esporro púbico nesse boçal?

É mais fácil ficar no hype do outro que não acredita no holocausto?

Esse arcebispo queria condenar à morte uma menina de 9 anos de idade. Se fosse homem, pediria desculpas públicas aos médicos, à família e à menina.

Mas nao vai. Vai defender a lei de deus.

A mesma lei de deus que achava normal escravizar meus antepassados.

Gostaria que o suposto deus do senhor José Cardoso Sobrinho lhe desse um forte puxão de orelha.

Ou melhor: que o submetesse ao mesmo tratamento que a menina sofreu de seu padastro.

Sob supervisão de Jack Bauer, para não dar chance ao acaso.

Se bem que o senhor José Cardoso Sobrinho já deve estar acostumado.

Afinal, a instituição que ele tanto defende possui secular experiência na violação do corpo alheio em nome de deus.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

torre de controle, mãe surtada avisa que vai decolar


voltar a postar sempre é estressante. os filhos mudaram. minhas meninas já são criaturas com personalidades distintas e necessidades exclusivas.

o caminho foi longo, com muito aprendizado. mas também, muita doutrinação.

não, nem tudo foi negativo.

sling, amamentação, dedicação à prole, cuidados com alimentação e educação na primeira infância.

mas porra, não somos máquinas.

fico chocado como mães que lutam por um mundo mais humano para suas crias podem ser tão cruéis com outras mulheres, que precisam achar seu espaço novamente.

no passado escrevi sobre isso, mas é hora de voltar ao tema.

tem gente que fica acuada entre a sogra careta e as amigas radicais.

sabe quando você PRECISA ter o seu peito de volta? quando a escolinha se torna fundamental para que você passe a existir novamente como mulher? naqueles momentos em que você quer ser dona da sua rotina?

pois é. muita gente escreve e palpita quando o assunto é parto natural (que defendo com unhas e dentes), amamentação exclusiva e coisas do gênero.

mas cadê a ajuda na hora de voltar a trepar? de voltar a sentir-se gostosa? de não ser apenas um peito com leite? de ter a liberdade de usar o seu tempo para não fazer nada.

não pense que a dedicação férrea à prole, se questionamentos vai ser 100% positiva.

vocie existe. indivíduo.

seu filho ou filha também.

de um espaço para que seu bebê de quase dois anos possa existir. outras crianças. outras doenças. outra relação com disciplina.

você não é brigada a completar TODAS as lacunas do manual da mãe moderna.

você quer trabalhar, flertar, ler, gozar, tudo isso sem ter o carimbo de mãe na testa.

e você pode.

você deve.

e pode ter certeza que sua cria vai agradecer.

não existe nada pior do que cumprir obrigações maternais quando se está sem saco.

foda-se que vão te olhar torto quando voce der um perdido

na hora do expulsivo ou do corte, na hora do bico rachado encarando os dentinhos, na hora dos cocôs intermináveis e da febre que não para é você ( ele(a)) quem está ali.

ou seja, palpites externos não são sequer bem-vindos.

alguém se oferece para ficar com sua cria enquanto você volta a alimentar sua cabeça com cultura e os outros aspectos da existência humana?

não deixe ninguém patrulhar você.

amamentou 6 meses? não quer mais? retome o seu peito.

ele é seu.

comemore sua menstruação.

celebre a plenitude do feminino, que transcende e não se limita à experiência maternal.

faça dos parceiros cúmplices nessa jornada de retomada do eu.

afinal, ser mãe não é padecer no paraíso.

vá voar, sem medo.

e deixe sua prole voar também