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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Parto domiciliar NÃO MATA! Ignorância e jornalismo irresponsável, sim.

Entendam: quem faz o parto é a mulher. Não é o médico. O bombeiro. A parteira. O taxista. O Herói masculino. Todos ajudam. Mas quem faz o parto é a mulher. Assim, fica mais fácil entender a grande besteira publicada no Globo.com no dia 01/02/2012. Caroline Lovell
, defensora do parto humanizado, morreu ao dar a luz. Ela vive na Austrália, país com ótimos índices sociais, mas ainda tão capenga quanto o Brasil e o Chile (tristes recordistas mundias de cesarianas eletivas) na questão do parto, com um índice de 21% de cesarianas eletivas no sistema público de saúde. O indice aceitável, de acordo com a Organização Mundial de Saúde é de 15%. No Brasil, o número de cesáreas no SUS está em 40%. Na medicina privada, 90%. Os planos de saúde praticamente obrigam os casais a concluírem a gestação em um hospital. Quando sabemos que no Brasil 80% das mortes de mães e bebês no pós-parto são provocadas por infecção hospitalar pós cesariana, o alarme precisa ser ligado. Assim, o Daily Mail, um jornal conhecido por apoiar causas corporativas em detrimento da isenção editorial, publicou uma matéria sensacionalista, que foi replicada pela Globo.com, com sempre sem a devida contextualização.
Ora, a maioria dos leitores de manchete de portal mal conhece a idoneidade das fontes e não tem tempo ou interesse em aprofundar-se. Se foi publicado, muita gente vê como verdade absoluta. Assim, quando o "jornalista" não dá o "outro lado", fundamental para que se forme opinião consciente e isenta, a moça australiana que morreu fica parecendo uma radical inconsequente. Não pode existir erro maior. O número de mulheres e bebês, oriundos de TODAS AS CLASSES SOCIAIS, que morrem devido a complicações de cesarianas eletivas é ABSURDAMENTE maior do que o número de mulheres e bebês que morrem em partos domiciliares. Um portal sério mostraria os indices de morte de mães durante o parto durante e após cesarianas comparando com os índices de mortalidade em partos humanizados. Chocaria aos mais sensíveis e inteligentes o açougue insalubre no qual as maternidades, mesmo as mais chiques, foram transformadas. A infecção hospitalar, com agentes patogêncios resistentes aos antibióticos mais fortes, é a maior causa de mortes de mães e bebês no parto e pós-parto de cesáreas. Em casa, não existem esses microorganismos que provocam as infecções hospitalares mais resistentes. Nos países onde saúde da mulher, cidadania e saúde pública são levados a sério, a opção pela cesariana inconveniente não é considerada como saudável. Quantos mais partos naturais e fora do ambiente hospitalar, mais desenvolvido socialmente é um país. Quanto a segurança do parto domiciliar, inclusive para mulheres que fizeram uma cesariana na primeira gestação, pode ser atestada por esse estudo canadense. Leiam com carinho, dediquem um tempo para adquirir informação de qualidade, principalmente se estiverem em processo de pensar em gestação e parto. No país onde a nova classe média copia as práticas sociais das classes mais abastadas é preciso ficar atento ao que os meios de comunicação publicam para, pelo menos, tentarmos equilibrar as informações erradas e tendenciosas com conteúdo de qualidade e referências que possam ser entendidas por uma parcela maior da população. Parto natural é bom e saudável. Jovens mães precisam de informação direta e desmistificada sobre como ter seus bebês sem drama, como enfrentar médicas e médicos que inventam posições esdrúxulas quem impediriam o parto normal. É preciso acabar com o terror médico colocado como pressão sobre a gestante. O mesmo vale para romper o mito criado pela industria farmaceútica de que algumas mulheres não produzem "leite bom" ou não podem amamentar. Mesmo que você tenha mamilo invertido, você vai poder amamentar, porra! Vai doer pra caralho, vai ser incomodo, mas deixar seu rebento livre de doenças e bem nutrido, de graça! Se vocês soubessem a quantidade de mulheres que faz a opção de cesariana eletivas para permanecerem "apertadinhas" ficariam chocados. Mais um mito: que o parto natural e a amamentação "estragam" a mulher. E isso em 2012. Temos muita coisa para melhorar em termos de educação social da mulher. A igualdade social passa pelo DIREITO de escolher a opção mais simples para o nascimento de um filho. Maridos e maridas, apoiem suas mulheres nessa escolha.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pede para Sair

Não vai demorar até algum pai ou mãe sem noção transformar Tropa de Elite 2 em tema de festa de aniversário. Imagino toda as crianças com fuzis de brinquedo e fantasiadas de soldados do BOPE, cantando palavras de ordem durante a festinha e fazendo simulações de tortura. Minha filha mais nova chegou da escola cantando a trilha do filme. Não tenho dúvidas que alguém assistiu ao filme com o filho a tiracolo. Isso numa escola com linha educacional piagetiana. Fico imaginando na escola municipal onde minha mais velha estudou em 2009 como as coisas não estarão lá a maioria dos alunos mora em áreas controladas por milicianos. Eu mesmo presenciei uma criança s de uns 3 ou 4 anos acompanhado do pai no cinema. Triste.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

deus, o vaticano e a CNBB amam, veneram e protegem os padres pedófilos. você também?

temos filhos pequenos e gostamos de proteger nossa cria. alguns recorrem à palavra divina, a deus, a igreja, na tentativa de estabelecer relações entre o bem estar dos pequenos e a espiritualidade controlada pela empresa multinacional Vaticano Inc A.K.A, igreja católica para gente que ama deus.

meses atrás, alguns leitores, também pais, questionaram, com virulência típica de quem passou a vida sendo enganado e abusado, o meu posicionamento quanto ao ensino religioso institucional. quando falei mal do arcebispo que queria excomungar a familia e a menina de 9 anos que fora engravidada após sucessivos estupros no ambiente familiar.
na ocasião, o mesmo facínora religioso defendia o agressor.

ao mesmo tempo, sucessivos casos de violência sexual praticada por padres católicos, em todo o Brasil, tomaram conta do noticiário nos primeiros meses de 2009. Lembro que, tradicionalmente, o que chega a imprensa é apenas a ponta do iceberg, a cabecinha...

feito o levantamento dos últimos 10 anos apenas, vivemos um cenário de epidemia de violência sexual ligada ao ministério religioso. culpa apenas da igreja? não. culpa dos pais mal instruidos, que entregam a vida e integridade de seus filhos nas mãos de deus (ou em troca de perdão divino, cesta básica e alguns trocados para o crack e a cachaça).

ontem mais um padre pedófilo foi pego EM FLAGRANTE. Sul do Brasil.

o que o Estado brasileiro está esperando para romper com a igreja? para decretar uma profunda investigação nas instituições religiosas? rabo preso.

não é possível que tantos casos envolvendo apenas uma ocupação sejam tratados apenas como ponto fora da curva.
é sistemático. algo na formação desses doentes, ou ate mesmo na doutrina celibatária leva esses monstros de batina a treparem com os seu filho, a molestarem nossas filhas. sistematicamente.

onde estão os defensores dos direitos humanos, que adoram fazer passseatas, vestidos de branco (com a foto do filho mortinho estampada no peito) na orla carioca e abraçar a Lagoa pedindo o fim da violência contra a inocente classe média?

cade essa gente para ir as ruas protestar contra a violência da igreja contra as crianças brasileiras? será que ao serem violentadas por padres, elas foram menos vítimas ou sofreram violência menor do que o garoto arrastado pela rua preso a porta do carro roubado por meninos bandidos?

a turma que cresceu sob a batina vai esperar uma criança morrer empalada na pica de um padre famoso para fazer seu manifesto. tarde demais, como sempre.

hoje, é mais interessante fazer passeatas em favor dos iranianos. claro, não está acontecendo nada aqui no Brasil que justifique qualquer tipo de manifestação. está tudo bem com nossas crianças, protegidas pelas cercas elétricas das creches e condomínios e aconchegadas no banco de treas de nossos Tucsons enquanto dirigimos imprudentemente falando ao celular, espreitando o mundo real, (repleto de pretos perigosos, de funk e de coisas ruins) pelas frestas dos vidros escurecidos ou a prova de balas.

graças a deus

enquanto isso, a turma que não paga imposto, vive da exploração da pobreza, cultiva a ostentação e o luxo e goza (goza? sim, goza...) de e na nossa cara e de nossos filhos continua seu papel histórico de subjugar o próximo. com o seu apoio. com o seu dinheiro. com as missas que você frequenta e encomenda. com as aulas de catecismo que você financia, com o curso de batismo, com os casamentos de branco que não duram um ano.

tem vilão nessa história. nós sabemos quem são. está na hora de dar o troco. eu não vou ficar de braços cruzados esperando.

os omissos e covardes que esperem a putaria dos padres da igreja católica chegar até a pia batismal, na frente de vocês. com o filho de vocês.

amém.

sábado, 11 de abril de 2009

Ideias selvagens: entre jacarés, piranhas, crimes e comentários carolas.



(Rio, Recreio dos Bandeirantes) - Jacaré no Canal das Tachas, última parada antes da praia deliciosa que minha família curte unida. foto: Felipe B, Abril 2009


Vida entrando no eixos aqui no Rio, e entre mergulhos no mar, esquivando-me das matanças nas ruas da zona sul carioca e dos simpáticos e enormes jacarés nas ruas do meu bairro, agora tenho tempo para voltar aos posts e fazer algumas considerações.

Como devem ter percebido os leitores mais atentos, não faço réplicas aos comentários, tampouco apago as agressões e textos inconvenientes.

O motivo é que acredito ser aquele um espaço dos leitores, ávidos por refletirem sobre o que foi publicado.

Deixar os comentários livres para a leitura de todos também permite que tenhamos contato com a lucidez e livre pensamento de quem usa os meios digitais.

Ao mesmo tempo, constatamos que a livre circulação de idéias não impede que antigos dogmas e crenças sejam o esteio sócio-moral de um número imenso de pessoas, unidas e movidas pelo medo de mudar, de pensar diferente.

Os comentários mais agressivos foram propagados por dogmas e crenças religiosas, que, no Brasil, ganharam força de lei.

Nosso Estado (que deveria ser laico) foi erguido com base na conivência criminosa entre a mão de ferro e impiedosa da igreja católica e o poder político.

Lendo alguns comentários no post sobre o arcebispo de merda que queria destruir a vida e o futuro de uma garotinha de nove anos, vemos em 2009 gerações criadas sob o medo de deus (em caixa baixa, sempre, como notou uma leitora), culminando com o irracional culto à virgindade mariana.

Ela seria uma mulher deplorável ou Jesus (não, não é o da Madonna...é o outro, que parece o Romário, segundo estudos recentes) não seria um homem de valor se ela tivesse gozado muito e sacanamente - com José ou outras Marias - (ter mais de uma esposa era tradicional naquela região) durante a série de relações carnais, sob o céu estrelado (e sob os olhos de deus, vouyer, onipresente), animdas por música pagã e ânforas do excelente vinho local, levando a gloriosa esporrada que gerou o`Cara?

E pior do que o medo e o descarte da biologia da reprodução como algo divino, a cegueira em relação ao livre arbítrio, que gera comportamentos absurdos, tirando de nós a resposabilidade pelos nossos atos.

Gente obtusa, que vive acreditando que "só cristo salva" (maça+S também...), como um ingênuo leitor que, em seus doces comentários, acredita mesmo que balbuciar singelas orações em português diante de uma ameaça de morte violenta poderiam salvá-lo no último momento. Ou ajudar muito naquela prova de matemática para a qual não estudou.

Não temo deus. Tenho pena de gente que faz de algumas religiões, em particular as baseadas no cristianismo, uma bengala doutrinária, que prejudica milhões, que matou outros tantos milhões em nome de seu deus, que ignora a existência humana e geração de conhecimento antes do nascimento de Jesus.

Gente incapaz de entender a cultura judaica, o islã, as manifestaçõe espirituais africanas, polinésias e hindus. Gente que aceita santos cheios de nomes, roupas coloridas, realizações duvidosas, mas rejeita a beleza do animismo e das tradições espirituais matriarcais das culturas ditas pagãs, centralizadas em mulheres da antiguidade que não renegavam seus corpos, seu direto de gerar e manter a vida, de gozar e de comandar povos. Coisas que muitos incautos atribuem ao feminismo e a modernidade pós-industrial.

A igreja católica ajudou, sistematicamente, a apagar parte importante da história social, cultural e da intimidade da humanidade. Apoiou abertamente as principais iniciativas históricas de genocídio. Sim, matou gente em nome de deus.

Criou o papel da "mulher de segunda" na sociedade ocidental moderna.

É possível conceber uma existência na qual a voz da mulher seja de importância secundária? Vou deixar minhas filhas acreditarem em tal sandice? Quando minhas meninas perguntarem o motivo de não existirem mulheres ministrando missas e comandando o sacerdócio católico direi que o motivo é a violência do masculino sobre o feminino do cristianismo praticdo pela igreja (longe daquele que surgiu pelas palavras d`OCara).

Essa gente (?) agora quer atacar também a opção sexual das pessoas.

Justificaram a agressão aos negros e outros povos ao longo da história. Não tinhamos alma. Precisávamos de salvação divina.

Imagina, cultuavamos o sol? Bárbaros que eramos, navegavamos pelo mundo, sabendo ser a terra esférica. Mas não tinhamos alma e podíamos ser escravizados, em nome de deus.

Calaram-se diante da morte em massa de mulheres, crianças e homens judeus, 65 anos atrás. Históricamente, ontem. Hoje.

Calam-se hoje, 2009, aos massacres no Congo e Sudão. Choram pelas igrejas velhas que um fenômeno natural destruiu na Itália essa semana.

Agora, investem pesado naqueles que escolheram amar seus iguais. E aqueles que não conseguem pensar, repetem o preconceito aprendido na igreja, justificando-o como castigo de deus.

E pensar, que na época de meus antepassados, apenas não tinhamos direito a ter alma...

Tudo para não perder o poder, o enclave do Vaticano, a riqueza. A palavra do homem. A aniquilação do feminino.

Assim, eu, abertamente, critico o catolicismo, formalizado de forma cruel pela igreja católica no Brasil.

Os coloco no patamar mais podre de nossa composição social, pois colabora de forma inexorável para um país como o nosso continuar gerando favelas, pobreza, fome, população de rua, burrice, analfabetismo e toda sorte de mazelas que tornam a maior parte da população incapaz de gerar cultura, de pensar por conta própria, de refletir sobre o que lê (quando lê) e sobre o que lhe foi ensinado ao longo da vida. Não. Não podem pensar, imaginar, construir teses e idéias. Antes de tudo, precisam respeitar deus. Fala sério, não é?

Deixa esse povo ficar curtindo supostas noticias de 20 segundos sobre acontecimentos do mundo, do cotidiano, recitadas em forma de jogral por um carismático casal de apresentadores. Boa noite.

A força das palavras dos homens de batina é tanta, que até ícones da cultura popular de massas (que poderia ser rebelde, iconoclasta, iluminadora) como MVBill e o grupo paulistano Racionais, ambos capazes de criar uma revolução sem precedentes em suas comunidades, colocam tudo a perder quando citam deus e jesus em suas músicas, colocando-os acima de tudo (como ensinado pelo medo de seus pais) e mantendo os seus presos ao universo da favela, da pobreza, do gueto.

Como pode um homem negro, hoje, aceitar ser batizado na igreja católica? Lavagem cerebral. O mesmo deus que apoiou e financiou o comércio de escravos, tortura, matança, estupros de nativos negros da Africa.

Que nossos jovens da periferia não esqueçam que aquele deus humilha e manda matar em nome dele. E que esse viés jamais é ensinado nas aulas de catecismo, nas paróquias e pastorais espalhadas pelo mundo.

É dessa forma que encaro aqueles hipócritas que proferem ameaças nos comentários de um blog.

São burros demais para merecerem respostas.

De volta a programação normal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Farra na varanda


ao que leva a criatividade infantil.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Relato de Parto em Casa (publicado originalmente em setembro de 2006)

Volto a postar o relato de parto da Dora, pois tive problemas com o blogger e perdi muitos textos.

Fabi, essa é pra dar força para vocês, na chegada da Laura.

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"Só para lembrar: não existe criança grande demais que não permita parto normal. Parto normal não é causador de problemas para mãe nem para o bebê.
O mesmo vale para a cruel episiotomia. Médicos (as) cortam mulheres para facilitar o próprio trabalho e não para beneficiar mãe e bebê.

Evidentemente, existem situações extremas na qual o parto forçado (cesárea) é útil, mas não faz sentido caso o bebê tenha sido monitorado ao longo de toda a gravidez e tiver apresentado boa saúde.

Curiosamente, a maior parte dos médicos que sugerem o procedimento apontam para as mães supostos problemas de última hora. Até alegar o que o bebê tem unhas grandes ou está bebendo xixi na bolsa é dito as mães, como se isso não fosse algo normal. Tem também a máfia da "bolsa rompida". Gente, o bebê e a mãe podem ficar até 12 horas em trabalho de parto após o rompimento da bolsa, sem risco nenhum.


Com nossa primeira filha fomos ingênuos e acreditamos que mesmo com uma equipe de cirurgião plástico e anestesista a postos, o médico faria uma parto normal. Fomos enganados. Assisti ao parto, por exigência da Dani e cortei o cordão umbilical. Sacanamente, o médico me disse a mentira mais comum nessa hora "Viu, o cordão estava enrolado no pescoço". Minutos depois do parto, me chamou num canto e pediu os acertos para os auxiliares. O dele poderíamos acertar depois. Um pai nessa hora, emocionado e louco para ficar perto da mulher e do filho faz qualquer coisa. E os médicos sabem disso. Triste. Muito triste.

Em janeiro de 2006, o nascimento da Dora, nossa segunda filha, foi em casa, em paz, sem luzes feéricas ou o clima artificial de hotel cinco estrelas da Maternidade Perinatal, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde nasceu nossa filha mais velha.

É uma pena que a medicalização do parto tenha resultado numa certa inversão de valores.

Os planos de saúde reembolsam R$ 400 por parto para os médicos, não importando se é cesárea ou normal.

Vocês acham que os médicos vão escolher o quê?

Ficar horas (a maioria nem leva tanto tempo) esperando o expulsivo ou marcar hora para poder triplicar seus rendimentos por dia (um obstetra faz em média três cesáreas com hora marcada por dia).

Assim, a maioria da cesáreas ocorre em pacientes de classe média alta, nos planos superiores dos seguros de saúde. Justamente aqueles que pagam as internações em maternidades luxuosas...

Mas com o tempo e mais informação disponível, os pais poderão questionar mais os médicos durante o pré-natal, inclusive pedindo os prontuários de acompanhamento médico que justifiquem uma cesárea.

Nós decidimos que o nascimento de Dora seria em casa. No finalzinho da gravidez começamos a freqüentar o GAMA, um grupo de mulheres e mães, algumas profissionais da área da saúde, dedicadas a ensinar a mulher a resgatar o próprio corpo. Um trabalho belíssimo que merece todo o apoio que for possível dar. Nos encontros, outras mães e pais relatavam suas experiências com partos humanizados. Bonito de ouvir e bacana ver as pessoas se ajudando numa cidade gigante como São Paulo. Uma das questões que afligiam os casais era o fato dos planos de saúde não bancarem partos domiciliares. Para estes casos, a melhor opção é fazer uma poupança, assegurando os valores para cobrir os custos.

O médico escolhido por Dani providenciou toda a informação para que pudéssemos nos preparar para a chegada do bebê em casa. Detalhou o procedimento, indicou os exercícios e nos explicou a importância do plano de parto.

Barriga crescendo, os meses passando e muita gente surpresa ao descobrir nossa escolha. As pessoas imaginam um parto em casa como as cenas do antigo seriado Daniel Boone, com tinas de água fumegante, e tocos de madeira para morder (se bem que estes são substituídos pelos pobres braços da doulas na hora da dor).

Para quem não sabe, o parto domiciliar é feito com acompanhamento do obstetra, que trás os equipamentos necessários em caso de emergência. Também é feito um plano de parto, para que possa ser feita uma remoção para um hospital em caso extremo de risco de morte para o bebê e parturiente (o que é raríssimo).

O procedimento em algumas ocasiões é realizado por parteiras. Infelizmente cada vez menos mulheres abraçam essa ocupação tão bonita, que já ajudou a vir ao mundo tanta gente bacana.

É bom ter uma doula para o acompanhamento das necessidades da parturiente. Ajuda pra caramba, das massagens ao chazinho na hora difícil. Encoraja e ampara, num estilo "Lojas Marisa" (de mulher, pra mulher...Marisa, lembram?) deixando os maridos plenos para prover suporte emocional. Gosto de lembrar que doulas não fazem intervenções médicas, mas se um "bebê quiabo" chegar, daqueles que saem sem dor, elas podem segurar.

Em casa basta ter um espaço tranqüilo, arejado, asseado e repleto de amor.


Os futuros pais ficariam assustadas com os índices de infecção hospitalar nas maternidades. Nem mesmo as conceituadas escapam. Falarei sobre isso em outra ocasião. Em casa não existe risco de infecção hospitalar.

Iniciado o trabalho de parto, estar em casa faz com que a mulher fique mais tranqüila, pois não é preciso alterar a rotina e você estará no ambiente que mais gosta, que ajudou a criar. Para não assustar os amados pais com nossa decisão, Dani manteve segredo e importou uma tia do Rio. Sua presença ajudou a trazer tranqüilidade nas horas difíceis. E foram muitas, longas e exaustivas. Repletas de dor.

A vibe de estar entre os queridos também é boa demais. No hospital são tantos partos por dia que é impossível existir uma completa entrega das pessoas que trabalham ali. Tudo é pasteurizado e automático. A competência existe, mas falta carinho e atenção.

Em tempo: nada de toalhas quentes, como assistimos nos filmes. Precisa é de chuveiro bom, pois as dores são fortes pra cacete e não dá para a mulher não gritar. Ah, é bom avisar os vizinhos, se for morar em prédio. Nós esquecemos de avisar, daí já imaginou as especulações sobre a gritaria intermitente madrugada adentro...

Voltando: na madrugada do dia 14 para o dia 15, a bolsa estourou. Bebê mesmo, somente as cinco da manhã do dia 16 de fevereiro de 2006. Na manhã do dia 15 fomos a um hospital fazer a última cardiotoco (mede os batimentos do bebê e atesta que está tudo tranquilo, mesmo com a bolsa rompida), e as enfermeiras não acreditando que o parto seria em casa, desdenhavam, dizendo que Dani deveria ficar internada. Só uma das enfermeiras, uma simpática chilena fã de nosso médico, entendeu a beleza daquele momento.

O expulsivo é rápido e emocionante, mas esteticamente pode assustar alguns. Minha filha, na época com quatro anos, acordou as 4:00 da manhã para assistir tudo. Curtiu pra caramba. Parecia que ela tinha acabado de nascer também, pois estava peladinha, segurando o relógio para marcar a hora do nascimento da irmã.

A futura mãe usa um banquinho para ajudar na expulsão, ficando apoiada de cócoras. Muito mais fácil para sair o bebê. Dani não quis ver a cabecinha saindo. Eu vi.

No hospital te obrigam a ficar deitada, mesmo com muita dor. Nos momentos finais do parto, dificilmente um hospital ou maternidade deixa as pessoas mais queridas ficarem próximas. Algumas maternidades já possuem salas de parto, pagas a parte, onde é possível fazer procedimentos semelhantes.

Em casa outros recursos, como caminhar abraçado em movimentos de quadril ou usar a bola suíça ajudam pra caramba e tirando as contrações, podem ajudar a descontrair.

Rola muito sangue, por isso usamos lençóis descartáveis e é bom forrar o colchão com algo impermeável. Na correria, quando a bolsa estourou eu forrei a cama toda com o conteúdo do primeiro pacote que encontrei. Eram fraldas para o bebê.

Não precisa aspirar nada. O próprio aperto do expulsivo prepara os pulmõeszinhos para receber as primeiras doses ar atmosférico da vida do bebê e tira o muco que veio da vida uterina. É tudo automático e programado em nosso código genético. Quanto menos interferência, melhor.

Após o nascimento (e depois do mais uma vez eu cortar o cordão umbilical) o bebê foi logo para a mãe. Começa a mamar e fica ali, sujinho, bem ao lado dela. Amamentar é importante pois contrai o útero, facilitando a saída da placenta, que é removida completamente com ajuda do médico. Ele guarda o material para análise de laboratório.

Só te digo que chorei pra caramba, é emocionante demais. É ver a vida chegar num ambiente de paz, sem a mercantilização do nascimento. O choro, a respiração...Nossa, nem sei contar, só vendo.

Dani ficou bem fraca com a perda de sangue e o esforço, chegou a virar o olho. Me assustei, liguei para o médico e a doula, mas fui tranquilizado. No dia seguinte ela estava nova.

Se quiser, pode chamar um pediatra, mas não é necessário. Ele pode ver o bebê no dia seguinte.
É bom para quem é iniciante, pois é a hora de aprender a limpar o bebê, e entender as primeiras reações.

O médico deixará com você uma guia para ser preenchida e levada ao cartório atestando que o bebê nasceu de parto domiciliar assistido. Tive dificuldades para registrar, pois a indústria da medicalização do parto atrapalhou até nisso. No momento mais bonito da sua vida, suspeitam que você seqüestrou o recém-nascido. Tive que brigar. Nas maternidades montam até filiais de cartórios para registro.

Pesando tudo, planejar um parto domiciliar é fantástico. Uma família unida em torno de uma idéia, de um direito de minha mulher. A pequena Dora está uma bagunceira saudável, como vocês acompanham no blog e eu sou um cara realizado por ter ajudado minha mulher a vencer a barreira fictícia da impossibilidade do parto normal.

O importante é deixar registrado que mesmo uma mulher que tenha feito uma cesárea pode tentar o parto natural numa segunda gestação.


Quem faz o parto não é o médico. É a mulher. O parto é dela e todas as suas sensações e pedidos devem ser respeitados nessa hora. O hospital roubou da mulher o
direito a ter controle e decisões sobre o final da sua gestação. Daí hoje sabermos (ou sentirmos) tão pouco o que acontece dentro das nossas amadas.

Sei que faltou alguma coisa, não consigo lembrar de tudo. Assim, me autorizo a alterar este post se lembrar de mais detalhes."

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

torre de controle, mãe surtada avisa que vai decolar


voltar a postar sempre é estressante. os filhos mudaram. minhas meninas já são criaturas com personalidades distintas e necessidades exclusivas.

o caminho foi longo, com muito aprendizado. mas também, muita doutrinação.

não, nem tudo foi negativo.

sling, amamentação, dedicação à prole, cuidados com alimentação e educação na primeira infância.

mas porra, não somos máquinas.

fico chocado como mães que lutam por um mundo mais humano para suas crias podem ser tão cruéis com outras mulheres, que precisam achar seu espaço novamente.

no passado escrevi sobre isso, mas é hora de voltar ao tema.

tem gente que fica acuada entre a sogra careta e as amigas radicais.

sabe quando você PRECISA ter o seu peito de volta? quando a escolinha se torna fundamental para que você passe a existir novamente como mulher? naqueles momentos em que você quer ser dona da sua rotina?

pois é. muita gente escreve e palpita quando o assunto é parto natural (que defendo com unhas e dentes), amamentação exclusiva e coisas do gênero.

mas cadê a ajuda na hora de voltar a trepar? de voltar a sentir-se gostosa? de não ser apenas um peito com leite? de ter a liberdade de usar o seu tempo para não fazer nada.

não pense que a dedicação férrea à prole, se questionamentos vai ser 100% positiva.

vocie existe. indivíduo.

seu filho ou filha também.

de um espaço para que seu bebê de quase dois anos possa existir. outras crianças. outras doenças. outra relação com disciplina.

você não é brigada a completar TODAS as lacunas do manual da mãe moderna.

você quer trabalhar, flertar, ler, gozar, tudo isso sem ter o carimbo de mãe na testa.

e você pode.

você deve.

e pode ter certeza que sua cria vai agradecer.

não existe nada pior do que cumprir obrigações maternais quando se está sem saco.

foda-se que vão te olhar torto quando voce der um perdido

na hora do expulsivo ou do corte, na hora do bico rachado encarando os dentinhos, na hora dos cocôs intermináveis e da febre que não para é você ( ele(a)) quem está ali.

ou seja, palpites externos não são sequer bem-vindos.

alguém se oferece para ficar com sua cria enquanto você volta a alimentar sua cabeça com cultura e os outros aspectos da existência humana?

não deixe ninguém patrulhar você.

amamentou 6 meses? não quer mais? retome o seu peito.

ele é seu.

comemore sua menstruação.

celebre a plenitude do feminino, que transcende e não se limita à experiência maternal.

faça dos parceiros cúmplices nessa jornada de retomada do eu.

afinal, ser mãe não é padecer no paraíso.

vá voar, sem medo.

e deixe sua prole voar também