quinta-feira, 24 de março de 2011

Bilionários por Acaso: o livro é uma lamentável ode a misoginia em pleno século 21

Acabei de ler "Bilionários por Acaso", de Ben Mezrich. Surpreso e um tanto enojado pelo fato de, em 2009 (data de lançamento do livro), TODAS as mulheres retratadas no livro serem loucas, interesseiras, alívio sexual para os "gênios" de Harvard e do Vale do Silício.


Não existe uma mulher no livro que seja destacada por sua criatividade, talento ou competência intelectual. Mais: as asiáticas são apresentadas -SEMPRE- como "comidinha" fácil para os nerds que não conseguem as loiras da Ivy League.

Nem vou perguntar o que o autor acha de negras e latinas no mundo acadêmico top dos EUA. Lamentável. Se querem saber mais sobre a criação do Facebook como negócio revolucionário, sugiro o livro de David Kirkpatrick, “The Facebook Effect". Bom demais para virar filme blockbuster.

Fico imaginando uma menina de 14 ou 15 anos lendo esse livro, na ânsia de descobrir as entranhas do espaço online que toma a maior parte de seu dia conectada, e tentando projetar seu futuro fazendo diferença no mercado de tecnologia de informação de alto nível, nas melhores universidades do planeta. Além de matar um leão por dia, essas meninas terão que lidar com o estigma de não poderem ser bonitas, atraentes e charmosas sob risco de serem confundidas com "putas" dos campi. Imagem distorcidas, difíceis de serem modificadas.

Vale atenção paterna com essa leitura.

sábado, 19 de março de 2011

Como São Paulo quer acabar com a saúde das parturientes



Caros, o belo curso de obstetrícia da USP Leste está sendo extinto. Parteiros (sim, formou homens qualificados para ajudar mulheres no parto) e parteiras em formação, que ajudariam a reduzir o número imbecil de 99,42% dos partos em ambiente hospitalar em São Paulo, ficarão sem concluir o curso.

Os alunos estão putos, e com razão.

Tentei explicar isso para colegas europeus, asiáticos e americanos e o eles, chocados, perguntam se brasileiro ama hospital. É, ainda temos um logo caminho para melhorar a saúde da mulher por aqui, mas o "lobby das tesouras" não quer deixar.

Outros cursos serão remanejados. O único extindo será o de obstetrícia.

Não vou ficar quieto. Grite aqui.
http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/8452/1

quarta-feira, 16 de março de 2011

Viagem de volta aos anos 70

Minha filhota mais velha (faz 10 anos em Abril) tem assistido desenhos e programas de TV com referências aos anos 70 e à era da "disco music", como Bob Esponja, Lazy Town, HSM, a animação dinamarquesa
 "Disco Ormone" (no Brasil, Barry e a Banda das Minhocas, estragando um ótimo título).
Disco_Ormene_Plakat_800x600.jpg

Curiosa, ela quis saber mais. Pensei em Saturday Night Fever, mas era muito barra pesada. Daí lembrei de um filme que vi moleque (1981), quase na idade dela, em um cinema-poeira em Guadalulpe, um bairro na pouco glamourosa zona oeste do Rio, onde cresci e vivi até os 14 anos de idade, antes de cair nas maravilhas do Jardim Botânico. 

Era "Até Que Enfilm é Sexta-Feira (Thank God it's Friday, de Robert Klane, 1978), uma produção da Motown (isso mesmo, a gravadora Soul).  No elenco, Debra Winger (acho que foi o primeiro longa dela), fazendo uma mulher "careta" maravilhosa, Jeff Goldblum (primeiro papel de destaque dele - acho que é o ator cuja carreira acompanho a mais tempo seguido, adoro) como dono de boate pegador, Donna Summer como a cantora de NY querendo um espaço em LA, os Commodores como os amigos do DJ (na época, discotecário). O resto do elenco sumiu nas sombras. As "valley girls", que roubam o dinheiro do irmão e vão para a Los Angeles disputar o concurso de dança também são clássicas.
"Let's Dance" (levou o Oscar de Melhor Canção) é o clássico do momento "ressurreição do herói" no filme, interpretado por Donna Summer no papel de Tina Sims. Mas durante uma cena com o Goldblum toca um cover em roupagem disco de "Je Taime Mon Amour", do fantástico Serge Gainsbourg acompanhado de Brigitte Bardot. A versão é uma merda, mas curti assim mesmo.

TGIF (é, o nome da rede de lanchonetes vem dessa corruptela) é um filme simpático e sintetiza bem as situações que poderiam acontecer em um clube noturno. As roupas, as músicas, as gírias, os costumes, está tudo lá e de ma forma não muito agressiva. Eu lembrava de cada frase do filme, cada momento bobo. E da hora do concurso de dança. Não aguentei e levantei para dançar com Lia. Ela morreu de rir, mas entrou na onda. Afinal, eu fora obrigado a aprender as coreografias de HSM 1, HSM 2 e MSM 3. Foi a minha vingança. Tive apenas que tourear as cenas onde uma mulher abandona a amiga (a caretona interpretada por Debra Winger) e vai para uma festinha no apê de um maluco, com mais 7 caras. Nada explícito, mas para mim, tudo muito claro. Também tem uma cena onde uma dentista alopra o marido careta de outra mulher (a que está xavencando Jeff Goldblum)  com seu kit de pílulas (bolinhas, na verdade: anfetaminas e calmantes), que me fizeram lembrar o colega de MTV, Luis Thunderbird, o odontólogo mais louco que conheci. Mas prefiro explicar do que ficar com cara de trouxa daqui a alguns anos.

Foi legal ver, com ela, como o mundo, os xavecos, as situações da vida eram resolvidas sem celular, sem internet, sem redes sociais. Mas que alguns valores. "micos" e anseios continuam os mesmos 30 anos depois.

Um mês antes tínhamos assistido juntos ao filme BIG, QUERO SER GRANDE (BIG), com Tom Hanks. Constatei que no meio da década de 80 o tema mais importante para a molecada era o sexo. Crescer para trepar. Não me causa surpresa. A cena deles passando pelos puteiros de NYC é forte, assim como a situação no hotel. E todo mundo fumava!!! Filmes juvenis de hoje jamais chegariam tão longe.

Ter esse elo de ligação com o meu passado, com minhas referências pop é uma forma legal de fazê-la perceber um dos elementos que fizeram parte da construção da minha identidade.

Fico imaginando Lia mostrando Lady Gaga, Paramore, Restart e Justin Bieber para os filhos dela.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Gerações

Lia e o avô curtindo uma sessão de slides dos anos 70, em plena segunda-feira de Carnaval.

foto: Felipe B


Na parede, calças bocas de sino e a infância da mãe. Como a simplicidade pode trazer poesia para a vida em um mundo repleto de traquitanas tecnológicas.

Garota Radical...Mesmo!



deve ser um babaca. Chorou com o trailer de "Soul Surfer". Gostar de Bethany Hamilton é fácil. Difícil é imaginar isso acontecer com sua filha quando ela está fazendo a coisa que mais gosta no mundo. Aqui em casa os filmes Blue Crush e Nalu são inspiradores. "Soul Surfer" não ficará atrás.

Em tempo: por aqui também temos um exemplo de superacão, dentro e fora do mar. O surfista Pauê, hoje fisioterapeuta e triatleta, passou pelo drama de perder as pernas para um trem.

A história dele está nesse link.

valeu pela dica, Raquel.

O Filho do "Animal"

Fiquei feliz hoje ao ler uma notícia dos bastidores de um desses camarotes de cervejaria.

O irascível jogador Edmundo, que carregou a alcunha de "Animal" por suas atitudes dentro e foram de campo, demonstrou que ser homem é muito mais do que sair por ai brandindo conquistas.

Ao afirmar o seu amor pelo filho, que se declara homossexual e por isso não tem o carinho da mãe, Edmundo abre um espaço importante de reflexão junto a um público que acha ser aceitável maltratar pessoas por suas opções sexuais.

Para um filho, ler uma declaração como essa pode mudar muita coisa. Assegura umm caminho em busca da auto aceitação, da auto estima.

Para mim, o melhor gol da vida pública de Edmundo. Curti.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Devolva-me

amo. foto: Felipe B, 2010.




















O assunto veio à tona em comentário sobre os mitos da amamentação no blog da amiga Zel. Pensar fora da caixa faz muita gente ficar fora do eixo e esquecer de colocar em foco assuntos importantes na vida conjugal.

Tendo passado por esse processo duas vezes, com reações e aprendizados diferentes em cada ocasião, acredito que cabe iniciar uma reflexão a respeito (no pun intended).

Com exclusão dos casais homossexuais masculinos (que não enfrentam os dilemas do pós parto e amamentação, seja em barrigas de aluguel, seja em adoção), todas as outras combinações conjugais passam pelos dissabores da posse do bico do seio.

Mais do que sabido é o fato das mudanças hormonais provocarem modificações físicas e emocionais importantes. Em muitos casos, nem a penetração pode ser cogitada, tal o estado de ∂úvida ao qual o corpo é submetido. A quem ele pertence? Ao bebê? Ao pai? A escrutínio alheio?

"Esse corpo, esse peito, essa buceta são meus, mulher e mãe! Devolva-me!", gostaria de vê-las gritar.

Mas não é fácil. Sabemos que não.

Naturalmente, devemos leva-las em consideração. Mas existem aspectos culturais que estão profundamente enraizados e que fazem homens e mulheres perpetuarem mitos, mesmo que não queiram.

Quando a mulher recusa acesso ao bico do peito de forma erótica existem desculpas prontas para não faze-lo: higiene, dor, falta de sensibilidade, dedicação total ao rebento, nojo. Muitos cônjuges, homens e mulheres (no caso de casais lésbicos), notadamente os mais jovens, tendem a introjetar conceitos semelhantes: se deixam levar pelas alterações físicas de cor e forma para justificar sua aversão ao toque, seja com a boca, seja com as mãos, pênis ou vagina.

Grande parte daquela erotização do casal, que levou à gestação ou ao pacto entre duas mulheres de recorrer a inseminação artificial acaba perdida em meio a pensamentos antiquados e preconceituosos.

E a parte fêmea dessa equação acaba sendo penalizada. Primeiro, por não ter a clareza de como ou quando deseja retomar o uso do próprio corpo e não considerar essa discussão algo pertinente a casal. Por outro lado, alguns cônjuges vão se deparar com situações atípicas na sexualidade pré gestação.

Casais que tiveram vida sexual ativa até o parto, mesmo com lactação precoce, podem ter soluções divertidas e interessantes para compartilharem. Mas e o tabu de conversar sobre sexo? Sobre vida feliz? Sobre prazer? Como tem gente que enxerga na barriga dilatada fantasmas que coibem o desejo.

Pode ser que nem queiram saber o quanto e como você gozou durante a gravidez. Pena.

Algumas mulheres ficam menos sensíveis e desenvolvem o gosto por toques mais vigorosos, que estimulem de forma mais intensa os mamilos. Até a nova forma dos mesmos ajuda a construir uma nova personificação erótica, que pode ficar submetida a um rigor moral. Aquele fantasminha da vergonha de ser classificado como curtidor de BDSM fica rondando...

Se conversar sobre toques no grelo e outros aspectos da sexualidade ainda são tabu para alguns casais mesmo antes da gestação, imagine o choque de alguns parceiros(as) ao perceberem suas mulheres interessadas em uma nova forma de usar o corpo, fora dos padrões aos quais estavam acostumados.

Sim, existe prazer na relação com a dor. Nem todas ficam mais sensíveis e rejeitam o toque. Aquelas que o fazem, talvez estejam querendo outra forma de interação, de troca, de estímulos. Se a dor e sensibilidade extra as incomodam, precisam ser respeitadas, ouvidas em sues desejos -alguns insuspeitos- e não desestimuladas aos jogos eróticos.

Acusar o outro de sabotador no auge da sensibilidade não parece ser uma medida inteligente sob nenhum aspecto, tendo em vista a busca por uma família harmônica.

É preciso entender que existem mulheres que desligam o modo “erótico” dos seis por uma questão de praticidade. O caso de amamentar em público é um desses. Se a noção coletiva de respeito ao “estado” da lactante parece ser senso comum, no íntimo sabemos que existem muitos homens e mulheres que apreciam uma mama cheia, com mamilos proeminentes, túrgida, bela em suas formas ampliadas. E nem todos (as) conseguem desviar o olhar. Se a mãe não se sente confortável com isso, é natural que crie defesas. É um direito dela.

Outra distorção moderna que pode atrapalhar de forma cruel é o mito da estética do peito. Motivada pelas imagens de celebridades cujo os peitos nunca caem, existem moças que logo ao pararem de amamentar entram na paranóia de clarear os bicos de forma artificial ou fazer cirurgia estética das mamas. Pressão de mães, amigas (?), de maridos e “maridas” (sim, leitora, no mundo das moças, alguns arquétipos também estão presentes, e de forma bem intensa e conservadora) para que se chegue ao que o outro considera o corpo “ideal”.

Perde-se a essência de vivenciar o corpo da parceira transformado pela geração de vida. Busca-se desesperadamente o “estágio anterior” da relação através da retomada do corpo antigo. Se não um erro em sua essência, tal comportamento mergulha no tanque dos equívocos.

A mulher é soberana para decidir sobre o destino e o uso de seu corpo. Mas não deve ficar soterrada sob teorias e conceitos arcaicos, que em nada ajudarão na relação dela com o filho ou parceiro(a).

Que fique claro desde cedo que “mamãe goza e quer ser feliz”. E se tiver que usar o peito “sagrado” para isso, logo, durante a amamentação, que assim seja.

Seja feliz com seus bicos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Mochilas: a casa nas costas

Nem bem foi completado um mês de aulas e as mochilas das meninas já viraram um mafuá. A política de colocar tudo dentro delas "para não esquecer as coisas" revelou-se um equívoco. O peso que carregam e a falta crônica de espaço útil faz com que o simples ato de colocá-las nas costas seja um estorvo.

O colégio possui armários, mas cobra um aluguel patético para o uso. O melhor então será ver com as molecas o que realmente será preciso carregar diariamente.

Vou torcer para não encontrar nada bizarro dentro das mochilas hoje a tarde, como pontas de lápis (tá rindo? minha filha coleciona!), chicletes, areia e todo tipo de material sem classificação.

Depois posto o resultado das análises.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um pedido humilde e ingênuo no país de pais assassinos.

Como Pai de Menina, de criança, eu tenho o sonho ingênuo de ver minhas filhas crescerem ser ter que construir a dureza de um soldado ou a astúcia de um agente policial apenas para poderem existirem, vivenciando suas infâncias como eu pude.


Se existisse alguma entidade para a qual eu pudesse apelar, terrena ou não, eu teria pedidos.

Pediria que de hoje até o fim dos dias que nenhuma criança fosse assassinada, seja em guerras, seja por terrorismo, seja no trânsito (sem contar os motoristas bêbados, todo dia vejo filhos da classe média no colo de um adulto, no banco da frente. Ou sem cadeirinha adequada no banco de trás), seja por vingança, como essa menina de 6 anos, no Rio de Janeiro.


Pediria que nenhuma criança fosse jogada em valões e latas de lixo ao nascerem.

Pediria que ao invés de bolsas-familia e outros tapa-buracos com objetivo eleitoral, que investíssemos em educação para tirar a maior parte de nossa população da Idade Média.

Tente explicar a quantidade de crianças achadas no lixo diariamente (apenas os casos publicados em jornais) no Brasil a um amigo que more em um lugar civilizado. Vai ser chamado de mentiroso sensacionalista.

Em uma semana o Rio de Janeiro viu três assassinatos de crianças. Todas poderiam estar vivas. Não existe justificativa para essas mortes e os responsáveis, pais e mães, devem ser responsabilizados. Todas as mortes envolveram familiares.

Enquanto isso a presidenta vai fazer omelete na TV.

Sintomático.

terça-feira, 1 de março de 2011

E SE FOSSE A SUA FILHA? OU COMO A COVARDIA CRIA RAÍZES

Estou puto com o caso do criminoso de Porto Alegre, ainda mais agora que a edião do dia 28/2 do Jornal Nacional praticamente inocentou o sujeito (dica: jamais trate seus problemas juridicos - civeis ou penais-, na TV, a não ser que seja ao vivo. Edições podem destruir seus argumentos).

E ciente da memória curta do brasileiro para crimes de gente poderosa, lembro que o monstro Pimenta Neves ainda está livre. Enojam os depoimentos em seu site (isso mesmo: assassino com site - veja só!) que tentam justificar o assassinato covarde, a tiros, de uma mulher. O fisiologismo das redações revelado de forma crua, já que beneficiados por sua imensa bondade em imbróglios trabalhistas veem nele um herói. Mulheres inclusive.

A pergunta que fica é: e se fossem suas filhas assassinadas com tiros nas costas, sem chance de defesa? Você defenderia esse monstro para deixá-lo em liberdade?

Por isso defendo minhas meninas com unhas e dentes. E, sim, quero fazê-las acreditar em justiça o Brasil. Mas está difícil...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Violência sobre rodas

só tinha visto imagens abjetas como essa
durante a recente revolução no Egito, quando carros e caminhões atropelaram revolucionários de forma cruel e desumana. Motivações diferentes, modus operandi exatamente igual. O desprezo pela coletividade impera e mostra sua cara -de forma global-, em 2011. Vamos mudar isso. Impedir que se torne uma imagem comum no cotidiano de nossa molecada, cada vez mais bombardeada com imagens assim, em um momento onde temos cada vez menos controle sobre o grande volume de conteúdo que os atingem diariamente, principalmente quando estão longe de nossa presença, nosso filtro.


Toda vida ao movimento Massa Crítica.

UPDATE: Ricardo José Neif. Favor colocar no dicionário como sinônimo para "assassino serial". Se esse homem sair impune, com acreditaremos em justiça nessa país? Como deixaremos a molecada sair tranquila de bike, sabendo que gente assim fica impune?

QUEREMOS UM MUNDO MAIS BACANA PARA NOSSA MOLECADA MAS TEM GENTE QUE ODEIA A IDEIA.

Tenho falado sobre intolerância. Gostaria de falar apenas sobre como criar um mundo mais bacana para minhas meninas crescerem. Mais solidário, menos poluído. Mais consciente que devemos, todos, ter um papel ativo na busca por qualidade de vida.

Mas tem gente que não parece acreditar nisso, em a despeito de saber que pode ser identificado, coloca o ódio e a vontade de matar na frente de toda e qualquer civilidade.
foto: Fernando Gomes

Este imbecil de Porto Alegre jogou o carro deliberadamente contra cliclistas membros do Massa Crítica, braço local do movimento que defende o uso da bicicleta como transporte individual e uma solução viária para cidades enlouquecidas.

Ele fez isso diante dos oficiais que ajudam na organização e deslocamento dos ciclistas.

Buzinou antes. Tentou forçar passagem. E atropelou, ferindo mais de 10 ciclistas do grupo.

Que as autoridades gaúchas tomem providências.

O covarde abandonou o carro, mas foi identificado. Cadeia.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ESPELHOS QUEBRADOS

Para quem acha que a luta é fácil, veja o que mais ainda tenho que enfrentar. Uma jovem mulher negra, Lívia Zaruty, que depois de passar dois dias fazendo comentários insultosos e distorcendo fatos, resolveu postar em seu blog (não me darei ao trabalho de fazer uma análise crítica do conteúdo) os mesmos insultos publicados antes na forma de comments.

Não satisfeita em alterar lugar, características físicas de minhas filhas, exibir uma visão tão preconceituosa da existência de uma pessoa, ainda incorreu em injúria, calúnia e difamação.

Como se vê, uma mulher negra e jovem também pode incutir nos mesmo erros que a atendente do estabelecimento no qual aconteceu a ocorrência.

Nesse caso, ainda pior. A moça em questão construiu um fato e desenvolve sua tese distorcida arraigada a essa visão.

Reproduzo aqui um trecho do "discurso", textualmente, conforme publicado:

"Gente,vi as fotos da filinha dele no dia e afirmo era previsivel confundirem..
Ensine a REALIDADE e busque clareza de seus direitos..
A maioria da poluçao negra,mora no LEME?
Qual o perfi da Maioria da crianças de rua da Zona sul?
Vou ensinar a minha filha,primeiro a ter conciencia que estamos em um pais onde o NEGRO e visto NEGATIVAMENTE por culpa do proprio negro...
Por isso devemos ao maximo evitar qualquer aproximaçao de Semelhança de comparaçao de uma minoria ociosa desse pais...
Prenda o cabelo da MENOR,vista de um modo adequado,ainda infelizmente como negros nao podemos nos dar o luxo de andar nas ruas da Zona Sul como se estivéssemos no quintal de casa!
Criar um blog com a imagem da filha,para um finalidade sem um obejtivo?sinceramente nao entendo?"

Ou seja, liberdade de expressão a parte, incutir em desinformação e visão distorcida, quando temos fotos e testemunhas pr provar o ocorrido torna tudo ainda mais triste. Tenho que ter forças para mais essa. A visão que a moça tece de minha filha me parece um daqueles casos de espelhos quebrados. Qual seria o motivo de tanto ódio colocado de forma torpe? Um mistério.

A Sra Lívia Zaruty desfila seu preconceito de forma pouco coerente e ofensiva. Mas ela parece não perceber o alcance de sua retórica.

Naturalmente, não posso postar meus comentários no blog de Lívia Zaruty, que deliberadamente apagou minha postagem exigindo a reparação de como ela entende que se deu a ocorrência, sem mesmo estando lá.

Sendo assim, em meio a uma questão judicial, já deverei iniciar outra.

O caso é grave.

Aos que nos apoiaram

Em respeito aqueles que ofereceram suporte e solidariedade a nossa família após a ocorrência aqui divulgada, comunico que estaremos amanhã diante da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RJ, compartilhando o acontecido e em busca de orientação. Muito obrigado a todos pelo apoio solidário.

Dos comentários infelizes

Ao escrever inverdades, deliberadamente, em seus comentários uma certa moça me obriga a realizar mais um defesa, por enquanto via texto, como regem as normas legais vigentes no Brasil.

Peço desculpas sinceras a todos os leitores e leitoras e modificarei o sistema de comentários para preservá-los de discussões equivocadas.

Para esclarecer a uma comentarista infeliz, que fez seu último comentário no post "Dora 5 anos: a alegria antes da ocorrência", de uma vez por todas, espero:

1) As crianças estavam voltando do banheiro com a mãe e adiantaram-se para me encontrar. A mãe estava a dois metros atrás delas. Eu estava a um metro delas quando aconteceu a ocorrência. Se tivesse lido com atenção, eu não precisaria repetir. As crianças não relataram o ocorrido: e presenciei. E ainda fui tratado com ironia pela funcionária "tadinha" que, ao perceber que eu era o pai, tentou justificar-se de forma ainda pior.

2) 22h30, hora da ocorrência é um horário normal para o encerramento de uma comemoração de aniversário iniciada as 19h00. Minhas filhas,  em dias normais, dormem as 20h00.

O EXIF das fotos tem data e horário, assim como coordenadas GPS e não pode ser modificado, consistindo em prova legal válida. O mesmo vale para os vídeos feito na ocasião.

3) A funcionária em questão fez nossa reserva por telefone e recebeu o grupo, crianças incluídas, na noite do dia 16/02. Como gerente, tinha a responsabilidade de saber e zelar pelo bem estar de clientes que escolheram aquele espaço e o reservaram justamente por contar com um espaço dedicado às crianças, com destaque no site da empresa. Uma leitura atenta aos fatos evitaria que você cometesse o ato de propagar inverdades, agravado pelo fato de não estar presente. Os fatos aconteceram depois que pagamos a conta o que demonstra ainda mais a falta de preparo daquele estabelecimento ao lidar com seus clientes.

4) O patrio poder me reserva o direito de defender minhas filhas de qualquer agressão, sem com isso incorrer em outra. Dentro da prerrogativa legal, procurei a autoridade policial. Pais respondem por seus filhos menores, Livia, segundo a lei de qualquer pais civilizado e signatário do tratado de Haia.

5) Lia vestia short e camiseta de grifes renomadas, roupas novas e em ótimo estado. Dora não trajava vestido (cuidado com a difamação, senhora Livia) e sim um macaquinho cm corte balonê e pernas saint tropez. Não consigo imaginar de onde tirou a ideia de que era maior do que ela. Basta olhar as fotos para ver os trajes.

Em tempo: mesmo que fossem crianças de rua não poderiam ser barradas em espaço que é uma concessão em área pública, incidindo em crime de cerceamento do direito de ir e vir e constrangimento ilegal de menor, ambos crimes tipificados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

6) Descabelada (novamente, difamação - basta ver as fotos). Quando você era criança e brincava (será?) provavelmente tinha um séquito de empregados para arrumar suas madeixas a cada minuto do folguedo. Minhas filhas estavam como as demais crianças que usavam o parquinho do quiosque.

Ainda que descabeladas estivessem, pelo motivo supracitado jamais poderia ser sequer tocadas pela funcionária em questão, muito menos agredidas verbalmente. Você as está agredindo também ao negar aos seus olhos o que as fotos revelam. O pior cego é o que não quer ver.

7) Presumo que esteja ciente de estar incorrendo em seguidas inverdades em um espaço democrático, mas regido pela legislação brasileira e pelas normas de conduta do Google. ao assinar o serviço concordou com as mesmas e está sujeita as implicações legais sobre suas palavras.

8) Onde você leu que eu estava pedindo a prisão da agressora? Mais uma vez incute em difamação e em injúria ao imputar-me uma palavra que não usei.

9) Para evitar sensacionalismo e compreensão equivoca, foquei minha reclamação em redes sociais, blogs e jornais. Em meios escritos é possível refletir sobre fatos de forma ponderada. Preservei as meninas e até mesmo a vitima ao não polemizar em TV, imediatista por natureza, recusando polidamente os pedidos de entrevistas.

 Como os leitores sensatos podem ver, nem todos entendem isso e extrapolam em sua maneira de comentar. 

Tive toda a paciência e respeito com você, presumindo ser uma leitora consciente e capaz de expor seu ponto de vista sem agir como uma energúmena.

Aqui é o meu espaço de expressão. Você tem o seu. Use-o.

Minhas filhas são educadas com esmero e de forma holística, justamente para serem pessoas melhores e capazes de estabelece relações para lidar com o mundo. Pena que nem todo pai tenha conseguido educar sues filhos da mesma forma. 

Certamente o seu pai não obteve sucesso na empreitada de educá-la. 

Ainda não consigo entender seu ódio direcionado a mim. Não conheço você, não lhe procurei par acusá-la ou agredi-lá e sequer tenho interesse em sua existência. Prezo o meu direito de continuar assim.

Mas, certamente, não vou esperar por desculpas, de forma que tomarei as medidas que me cabem como cidadão. Por enquanto, baseado em todas as mensagens aqui postadas, baseio no código penal e vejo claramente a violação dos artigos 138 e 139. Espero, sinceramente, que não chegue ao 140.

Com pesar, mais uma vez,
Felipe Barcellos

Escolas públicas cariocas: chapa quente!

41 graus em sala do Colégio Pedro II, em São Cristovão, 21/2/2011 foto: Paulo Alvadia, Ag O Dia.




Quando voltamos para Rio, em 2009, minha filha mais velha estudou em uma excelente escola pública, cuidada com muito carinho pela direção do estabelecimento. Apesar da incrível professora Márcia, um exemplo de dedicação, existiam duas condições que tornavam a tarefa de facilitadora do aprendizado quase impossível: o calor insuportável e o descaso dos pais com a continuidade da educação no ambiente doméstico.

Para o calor, não existe fórmula mágica. Com o que se gasta para comprar e abastecer os carros dos parlamentares estaduais seriam possível instalar unidades de condicionamento de ar em todas as escolas da rede pública, municipais e estaduais. Se incluirmos as verbas de publicidade, seria possível refrigerar até as bibliotecas. Mas nem os colégios federais instalados no Rio de Janeiro, como o Pedro II possuem o equipamento para o corpo discente, instalando-os apenas nas salas da diretoria. Me mostre um lugar no planeta Terra no qual alunos consigam estudar sem perder a atenção sob um calor de 41 graus e ainda assim conseguirem excelência acadêmica e eu paro de reclamar.

O segundo problema é mais grave. Convivi com muitos pais que, quando muito, apareciam nas reuniões da escola para reclamar da rigidez na avaliação das crianças (a professora não concordava com o regime de aprovação automática, que formou uma horda de analfabetos funcionais) e com a exigência do trabalho de casa e da leitura semanal de livros.

Uma das crianças que era de convivência mais próxima relatava as pressões que sofria em casa par largar os livros, que eram "bobagem". Esse menino, inteligente e perspicaz era incentivado por seu pai, zelador de um prédio na vizinhança, a jogar video game (sim, tinha um PS2) e frequentar Lan Houses para usar o Orkut e MSN, mas não gostava que o menino dedicasse tempo para ler. O menino tem agora 9 anos.

O motivo desse comportamento era o fato do pai ser analfabeto e acreditar que um filho "letrado" questionasse seu poder de pai. A mesma história repetia-se em toda a escola, sendo ainda mais cruel com o elemento feminino. As meninas que não se enquadravam no comportamento lascivo precoce, estimulado pela cultura do funk (as "novinhas" que citei em um post anterior), eram sumariamente excluídas do convivio com as demais. Sem maquiagem carregada, pulseirinha do sexo e roupinha cravada. Lembrem que estou falando de meninas de 9, 10 anos. Nada contra o funk para adultos, mas acho crueldade uma criança em formação ser bombardeada com valores sexistas. Quando a escola decidiu que não teriam funk durante as festas juninas, quase houve uma rebelião...Das mães!

Felizmente, as exceções existiam. A mãe de uma amiguinha de Lia, também casada com um zelador e guerreira ao extremo no que diz respeito a formação cultural da filha (e inteligente o bastante para ter apenas uma filha, de acordo com a renda do casal). Incentiva atividades extra classe, pesquisa, cuida da cultura geral da filha com boa música e estimulando um aprendizado saudável.

Ou seja, não é a origem de uma pessoa ou suas posses que vai determinar o comprometimento da mesma com a educação de sua prole. Mas esses exemplos precisam ser divulgados e estimulados. Espero que um dia sejam o lugar comum.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para não passar em branco

Aos que foram vítimas de agressões como a sofrida por minha filha, o respaldo legal para reclamar seus direitos:

Lei 7716

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

Pena: reclusão de um a três anos.
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.

Com o agravante:

Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço).

Ou seja, o comunicado presume que a vítima seja intimidada. Não será.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rio de Janeiro, uma cidade intolerante

Como alguns cariocas têm cultivado o ódio e a intolerância. A cidade supostamente liberal, mostra sua cara retrógrada a cada ato racista e proconceituoso. Cabe as vítimas gritar para terem os seus direitos respeitados.

Ontem, mais um caso de intolerância chocou a cidade.

O Rio vive sob um manto pseudo liberal que mal consegue atravessar o túnel Rebouças. Isso moçada, gritem para serem respeitados. Caso contrário, aquele discurso "bati pois achei que era puta" ou "queimei sim, era mendigo" vai perpetuar-se.

Não vou deixar que as coisas continuem assim.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Para entender como as crianças pensam o conceito de "raça"

A pesquisadora americana Rob Bernstein dedicou boa parte de sua vida a estudar como inventamos o conceito de "criança" e o mercantilizamos ao longo dos últimos dois séculos.

Ela escreveu o livro Racial Innocence: Performing Childhood in Black And White.

Um artigo de Abril de 2010 sobre seus estudos pode ser lido aqui.

Como tapar o sol com a peneira

Demitiram a agressora. Basta?