quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Escolas públicas cariocas: chapa quente!

41 graus em sala do Colégio Pedro II, em São Cristovão, 21/2/2011 foto: Paulo Alvadia, Ag O Dia.




Quando voltamos para Rio, em 2009, minha filha mais velha estudou em uma excelente escola pública, cuidada com muito carinho pela direção do estabelecimento. Apesar da incrível professora Márcia, um exemplo de dedicação, existiam duas condições que tornavam a tarefa de facilitadora do aprendizado quase impossível: o calor insuportável e o descaso dos pais com a continuidade da educação no ambiente doméstico.

Para o calor, não existe fórmula mágica. Com o que se gasta para comprar e abastecer os carros dos parlamentares estaduais seriam possível instalar unidades de condicionamento de ar em todas as escolas da rede pública, municipais e estaduais. Se incluirmos as verbas de publicidade, seria possível refrigerar até as bibliotecas. Mas nem os colégios federais instalados no Rio de Janeiro, como o Pedro II possuem o equipamento para o corpo discente, instalando-os apenas nas salas da diretoria. Me mostre um lugar no planeta Terra no qual alunos consigam estudar sem perder a atenção sob um calor de 41 graus e ainda assim conseguirem excelência acadêmica e eu paro de reclamar.

O segundo problema é mais grave. Convivi com muitos pais que, quando muito, apareciam nas reuniões da escola para reclamar da rigidez na avaliação das crianças (a professora não concordava com o regime de aprovação automática, que formou uma horda de analfabetos funcionais) e com a exigência do trabalho de casa e da leitura semanal de livros.

Uma das crianças que era de convivência mais próxima relatava as pressões que sofria em casa par largar os livros, que eram "bobagem". Esse menino, inteligente e perspicaz era incentivado por seu pai, zelador de um prédio na vizinhança, a jogar video game (sim, tinha um PS2) e frequentar Lan Houses para usar o Orkut e MSN, mas não gostava que o menino dedicasse tempo para ler. O menino tem agora 9 anos.

O motivo desse comportamento era o fato do pai ser analfabeto e acreditar que um filho "letrado" questionasse seu poder de pai. A mesma história repetia-se em toda a escola, sendo ainda mais cruel com o elemento feminino. As meninas que não se enquadravam no comportamento lascivo precoce, estimulado pela cultura do funk (as "novinhas" que citei em um post anterior), eram sumariamente excluídas do convivio com as demais. Sem maquiagem carregada, pulseirinha do sexo e roupinha cravada. Lembrem que estou falando de meninas de 9, 10 anos. Nada contra o funk para adultos, mas acho crueldade uma criança em formação ser bombardeada com valores sexistas. Quando a escola decidiu que não teriam funk durante as festas juninas, quase houve uma rebelião...Das mães!

Felizmente, as exceções existiam. A mãe de uma amiguinha de Lia, também casada com um zelador e guerreira ao extremo no que diz respeito a formação cultural da filha (e inteligente o bastante para ter apenas uma filha, de acordo com a renda do casal). Incentiva atividades extra classe, pesquisa, cuida da cultura geral da filha com boa música e estimulando um aprendizado saudável.

Ou seja, não é a origem de uma pessoa ou suas posses que vai determinar o comprometimento da mesma com a educação de sua prole. Mas esses exemplos precisam ser divulgados e estimulados. Espero que um dia sejam o lugar comum.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para não passar em branco

Aos que foram vítimas de agressões como a sofrida por minha filha, o respaldo legal para reclamar seus direitos:

Lei 7716

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

Pena: reclusão de um a três anos.
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.

Com o agravante:

Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço).

Ou seja, o comunicado presume que a vítima seja intimidada. Não será.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rio de Janeiro, uma cidade intolerante

Como alguns cariocas têm cultivado o ódio e a intolerância. A cidade supostamente liberal, mostra sua cara retrógrada a cada ato racista e proconceituoso. Cabe as vítimas gritar para terem os seus direitos respeitados.

Ontem, mais um caso de intolerância chocou a cidade.

O Rio vive sob um manto pseudo liberal que mal consegue atravessar o túnel Rebouças. Isso moçada, gritem para serem respeitados. Caso contrário, aquele discurso "bati pois achei que era puta" ou "queimei sim, era mendigo" vai perpetuar-se.

Não vou deixar que as coisas continuem assim.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Para entender como as crianças pensam o conceito de "raça"

A pesquisadora americana Rob Bernstein dedicou boa parte de sua vida a estudar como inventamos o conceito de "criança" e o mercantilizamos ao longo dos últimos dois séculos.

Ela escreveu o livro Racial Innocence: Performing Childhood in Black And White.

Um artigo de Abril de 2010 sobre seus estudos pode ser lido aqui.

Como tapar o sol com a peneira

Demitiram a agressora. Basta?

Dora 5 anos: a alegria antes da ocorrência.

compartilha com os velhos e novos amigos do blog a parte boa do aniversário de 5 anos de Dora, na noite do dia 16/2, no Leme. A molequinha estava muito feliz com a festa surpresa, ao lado dos amigos e parentes. Até aquela mulher estragar tudo.




Pintando para esquecer.





Minhas bonequinhas passaram o dia com pincéis, telas e tintas. Assim, parte da tristeza se foi, muito dela transportada para o temas das telas. Bola para frente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pérolas aos porcos

Muita solidariedade, repleta de reflexões pertinentes, chegou a minha caixa postal. Agradeço aqueles que me ajudaram e a minha família a superar o momento ruim. Ganhamos força para lutar.

AOs que se exaltaram em suas manifestações preconceituosas e descabidas, resta a forma da lei. IPs anotados e páginas de comentários salvas. A internet não é uma terra sem lei. E um recanto genial onde pessoas de bem podem expor ideias controversas de forma civilizada, como a maioria dos que por aqui passaram ontem e hoje.

Aos demais, desejo que o aprendizado chegue antes que seja tarde.

De volta à programação normal a partir de amanhã.

E a vida continua

não gosto de flames, ainda mais em 2011.

Centenas de leitores foram solidários e agradeço a todos com coração aberto.

BO em andamento e as medidas legais serão tomadas

Mas, claro, existem aqueles que endossam o racismo e a vergonha.

Para estes, esclareço: ainda que fossem crianças de rua, maltrapilhas que estivessem, não deveriam ser enxotadas como párias. Aquele quiosque é uma concessão em um lugar público, a praia. Caso as supostas crianças estivessem sendo inconvenientes, uma conversa amiga, na altura dos olhos, resolveria a questão. Sem a violência da suposta superioridade social. Minhas filhas estavam em silêncio e sem nada nas mãos. BO em andamento e a vida segue.

Espero que aqueles que comentaram de forma acintosa nunca passem por nenhum tipo de violência ou intolerância.

Mas, se sofrerem, podem contar com a minha solidariedade.

Ontem, dia de aniversário de 5 anos de minha filha, mataram um pouco de nós

Bom dia,

Nunca imaginei que depois de tanto colaborar com o EU-REPORTER, tivesse que viver na pele a dor de um cidadão agredido com sua família em um dia de festa.

Escolhemos o quiosque Espaço OX, no Leme para comemorarmos o aniversário de 5 anos de minha filha mais nova, com amigos e familia, num total de 20 pessoas. Reservamos e chegamos, com as crianças, as 19h00. Realizamos a comemoração comas minhas filhas, Lia e Dora, que durante todo o tempo brincaram nas dependências do quiosque as vistas dos funcionários.

Todos os convidados consumiram regiamente e pagaram suas despesas com tranquilidade.
Aos nos prepararmos para ir embora, as 22h30, a funcionária Loi impediu minhas filhas, Lia(9 anos) e a aniversariante Dora (5 anos) de entrarem no quiosque ao retornarem do banheiro.
O motivo: alegou que seriam crianças de rua, por serem negras e terem cabelos crespos. Para encurtar uma longa historia: minha filha mais velha, de apenas 9 anos, está em choque. As alegações da funcionária não apenas são racistas e incidem em constrangimento ilegal e cerceamento do direito de ir e vir, como denotam a falta de atenção dedicada aos consumidores que frequentam o espaço. Vou entrar com medidas legais contra o estabelecimento e um processo por constrangimento ilegal, injuria, difamação e crime de racismo contra a funcionária.

Não queiram saber a dor de um pai ao vivenciar tais cenas em um dia de festa. A dor não vai embora quando fecho os olhos. Me vem a imagem de minha filha, minutos antes extasiada de alegria e em seguida chocada com uma realidade distorcida.

Estou sentindo muita dor. Uma dor que não vai embora.

A funcionária tinha a obrigação de observar quem estava na mesa mais numerosa do estabelecimento, estávamos minutos antes cantando parabéns e repartindo um bolo.

Impossível não ver a alegria que minhas filhas viviam em meio a amigos e família.

Loi estragou tudo com seu preconceito e despreparo para lidar com o publico. Precisa ser punida de forma exemplar.

Minha filha, uma crianca que é o que existe de mais valioso em minha vida, está DESTRUÍDA, achando-se culpada por não ter a aparência "certa" para poder ir e vir.

Espero que tal comportamento não seja uma norma do Grupo OX e da Orla Rio.

Esta carta está sendo copiada aos principais jornais do Brasil e publicações do segmento de turismo no Brasil e no exterior, em inglês.

Felipe Barcellos
Jornalista (ex-Folha, ex-editora Abril) e pai.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Volta às aulas. De novo.

Costurei a camiseta furada da mais velha. Fiz o lanche. Pendurei as roupas no cabide: sutiã, short-saia e meias. Conversei sobre as novidades. Sobre as obrigações e responsabilidades. Deixei a pequena colocar as meias de cores trocadas dentro do tênis. As mochilas novas repletas de sonhos. Volta às aulas é muito legal.

sábado, 22 de janeiro de 2011

"Igual ao Lula"

Noite calorenta, e Dani tentando fazer um velho circulador de ar funcionar sem barulho, sem sucesso. Ao quase esbarrar na hélice a mãe reclama que com uma besteira dessa poderia perder o dedo. E Dora solta essa: "Igual ao presidente Lula?"

Yogo Girl Frenzy



Amigas e filhotas juntas em uma tarde calorenta, aqui no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Bom motivo para começar o ano com deliciosos sorvetes de iogurte e toppings de frutas. Um bom 2011 para todo mundo!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Crianças, Sexo e Dinheiro: a vida (e a morte) pós-trafico em comunidades pacificadas


Tem filha? Então digite “bonde das novinhas”, “novinhas do funk” ou “novinhas metendo” no Google ou no You Tube. Vá, pense fora da caixa e faça isso. Agora imagine uma das meninas que você viu, com cerca de 13 idade anos do Complexo do Alemão (isso vale para outras comunidades e até mesmo bairros classe média da Zona Sul carioca) cobra cerca de R$100,00  por programa (camisinha, esqueça - é moeda de troca fazer sem preservativos, chegando a dobrar o cachê), sendo que R$ 40,00 ficam para ela e R$ 60,00 para o cafetão ou cafetina (em muitos casos, membro da família). 


Esqueçam os dias livres. Quando muito, um dia de folga para ir ao Shopping. Obviamente, os dias de menstruação são resolvidos fazendo sexo com diafragma ou praticando apenas sexo oral ou anal. Elas não querem descansar. 

Agora convença essa menina que vive cercada de miséria que ela poderia largar essa vida e ganhar em um mês metade do que ganha por semana lavando banheiros no McDonalds do shopping mais próximo ou trabalhando como empregada doméstica. Ela vai rir de você, leitora. Shopping para ela é um lugar para passear com as amigas, azarar, conseguir alguns clientes (praças de alimentação, em qualquer shopping, são palco de um tipo muito interessante de trottoir)  e torrar os R$1500,00 que ela ganha por semana, trepando cinco vezes com estranhos (ou parentes, ou conhecidos, ou vizinhos, ou amigos da escola).

Muito bom que o Estado tenha resolvido arcar com o custo social de melhorar as condições de vida em área dominadas pelo tráfico. Mas existe uma seara onde ele não consegue entrar: na vida privada.

Famílias que cresceram sem planejamento e sem esteio moral jamais conseguirão dar suporte emocional e educacional para crianças em formação em um ambiente onde o estimulo do “sucesso” fácil é diário. Menos pela mídia - jovens carentes passam menos tempo diante da TV do que os sociólogos antiquados acreditam -, mais pelos códigos da própria comunidade. A indústria do funk criou uma base sólida para a exploração sexual precoce. 

Crianças pequenas dançam e cantam letras de conteúdo sexual perverso, se não na forma (mulheres que assumem o papel de brinquedos sexuais dos homens da comunidade, sem culpa) na falta de diálogo para contextualizar o que repetem como um mantra, aos 8, 9 anos de idade. Basta escutar a programação vespertina de rádios como a FM O DIA, para terem a dimensão do que estou dizendo.

Em áreas onde gravidez adolescente apresenta características de epidemia, fica difícil encontrar em uma mãe ou uma avó algum suporte que fuja ao estereótipo. Se antes elas eram “educadas” cada vez mais cedo para serem as escolhidas como mulheres dos traficantes dominantes, agora, com a guerra o tráfico, elas vão migrar em massa para a prostituição, seja nas ruas locais, seja virtual (mais difícil de combater) oferecendo seus serviços via MSN e Orkut. 

Enquanto fora do Brasil os pais estão preocupados com o “sexting”, aqui no Brasil as meninas aproveitam os recursos de comunicação e criação de imagens dos celulares para vender seus corpos  e produzirem imagens de sua nudez, a qual é precocemente valorizada nas relações pessoais e de comércio sexual. Não, crianças não podem ter privacidade digital, como já comentei em outro texto.

Visite um cinema multiplex da zona oeste carioca ou a praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, para entender a dimensão do problema. Uma garota com um celular na mão e acesso remoto (longe de casa e dos olhos protetores da família - quando existem) a redes sociais é uma empresa do sexo, capaz de comunicação eficiente e discreta com sua clientela.

Elas não são criminosas. São vítimas. E o pior: vítimas em uma faixa etária na qual acham que estão repletas de razão. Um garota que ganhe R$ 75 mil ou R$ 80 mil reais por ano, livre de impostos, não é vista como algo indesejável em uma família onde a renda combinada dos pais não chega R$ 2 mil mensais. E para justificar a “renda extra” daquele núcleo familiar, basta que a menina faça algumas apresentações como dançarina em um baile funk. Vira “artista” e lava o dinheiro da prostituição. Está fechado o círculo vicioso.

Já a turma da cafetinagem leva entre R$ 375 mil e R$ 500 mil por ano, sem ter que trocar tiros com a polícia ou criar logística de quadrilha para armazenar e proteger drogas, vender gás clandestinamente ou criar centrais de TV a cabo pirata. É o dinheiro sujo mais fácil que alguém pode ganhar. Cada vez mais os traficantes e milicianos estão migrando para a exploração da prostituição infantil e adolescente como fonte de renda sem dor de cabeça.

E essa dor, essas vidas perdidas precocemente, os tiros, carros blindados e rasantes de helicóptero não serão capazes de “libertar”.

Aqui, a solução para o problema está para frente, nos próximos 10 anos.  Assim que a hipocrisia do Estado cessar e o foco passar a ser planejamento familiar e esforço sócio educacional como moeda de troca em políticas de distribuição de renda. Chega de gerar massa de manobra, corpos dóceis e eternamente agradecidos à bolsa-miséria. É hora de bolar uma geração oriunda da pobreza capaz de tomar as rédeas desse pais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Miniputas

Sabem o resultado de ser irmã da Miley Cirrus (antiga Hanna Montana) e filha de uma mulher que trai seu amado (e careta) pai com o Brett Michaels (lembram dele)?

Você dai dar uma festinha de pole dancing e lançar uma coleção de lingerie sexy para crianças aos 9 anos de idade. Celebridade precoce com destino de vida.

Pode guardar a vaga dela na clínica Betty Ford.

Porra, deixem as crianças serem crianças! Parem de vender seus filhos como pedaços de carne.

Faz um 21...

Uma leitora de 21 anos me pergunta o que fazer para reaproximar-se do pai. Eu não sei. Não confiou em terapeutas e suas "linhas", portanto não vou emular um e dar respostas fáceis. Não sei como foi a mecânica dessa relação que em em pouco tempo fez da magia da paternidade um abismo entre esse pai e essa moça.

O que sei é que tenho medo. Muito medo. Medo de fazer tudo certo e minhas filhas acharem que fiz tudo errado. Mas não abro mão da linha que tracei, de não fazer concessões desnecessárias, de não abreviar a infância e de ter o caminho do diálogo aberto desde já.

Vai funcionar? Não tenho como afirmar. Eu posso morrer antes dela chegar na idade "de dar problemas". O pepino ficaria para a mãe. Mas pode ser que eu possa ter nela uma grande companheira de surf, de livros, de descobertas. Pode ser que eu seja um "colo" para sempre, para todas as roubadas da vida, um porto seguro depois de cada toco ou frustração. Um porto seguro nos momentos felizes, de vitória, de conquista, de realização pessoal.

Eu poderia dizer à leitora para chamar o pai para conversar, expor seus anseios e, sim, pedir o seu colo. Mas não farei. Tenho visto coisas, diariamente, que me fazem duvidar de certas paternidades.

Alguém consegue explicar um pai chutando a cabeça de sua filha de 15 anos até a morte, apenas por ela estar namorando na praça, escondida? Brasil, 22 de novembro de 2010. Foi preso. Já soltaram. A igreja dele não permitia o namoro. Aos 41, já não tenho muita paciência com humanismos politicamente corretos. Cansei deles. Eu mataria esse homem se pudesse, da mesma maneira que ele matou a menina.

Sou devoto da paternidade responsável, mas sei que a vida não é linear. Altos e baixos acontecem. Mas, se decidimos ter filhos, temos a obrigação de zelarmos pelas crias. Obrigação! Não é opcional. Ninguém pediu para nascer. Nós trouxemos essas pessoas para cá. Sendo assim, antes de qualquer merda acontecer em nossas vidas temos que zelar pelo bem estar de nossas crias. Ainda mais meninas, que já crescem sob um manto de submissão, controladas em sua essência para comportarem-se como a sociedade quer e não como elas mesmas são.

De que adianta comemorar um dia de Não Violência Contra a Mulher em um mundo repleto de Valeskas Popozudas, Mulheres Melancia, Sabrinas e afins? Respondo: nada! Enquanto as mulheres decidirem se auto-agredir em sua essência, pouco vai melhorar a maneira como as identidades masculinas em formação enxergam a figura da mulher. Se uma mulher ganha dinheiro e divulga sua imagem pública chamando-se de buraco e a maior parte de seus seguidores são outras mulheres, algumas prestes a serem mães, sabemos que a luta pelo respeito e igualdade não vai terminar tão cedo.

É preciso mostrar para essas meninas, desde cedo, que elas vivem um uma sociedade supostamente igualitárias, gerida pelo "livre arbítrio", mas que muito da liberdade propagada é moldada pela visão e mundo dos homens. Moldada na construção delas como objetos de desejo. Peças de consumo.

É preciso educar essas meninas para que não tenham conflitos precoces entre suas práticas e ideias da vida privada com a postura que se espera delas na esfera publica. Se minha filha gosta de masturbar-se com pensamentos submissos ela precisa saber que não precisa viver com culpa ao ter que adotar uma postura diferente na vida social, acadêmica e profissional.

Tirar a culpa da cabeça da mulher, ou dar espaço para que elas verbalizem suas confusões desde cedo pode criar mulheres mais fortes, menos sucetíveis aos caprichos masculinos mais nefastos, que ainda fazem vítimas diárias nas mais diversas classes sociais e modos de vida.

Eu, você, todos nós conhecemos uma mulher que apanha (fora dos limites da sexualidade, como falei acima -a velha discussão do sexo violento consentido entre adultos- eu gosto) de marido, de amante, de namorada (sim, lésbicas, as vezes, não se respeitam como mulheres - vão tapar o sol com a peneira?) e permanecem caladas por anos a fio. Pelas crianças, pelo casamento, "mas eu não tenho para onde ir", "o que meus subordinados vão pensar". E assim, a essência do feminino continua sendo jogada no lixo. Pelas próprias mulheres.

A leitora que disparou o post, desejo toda a coragem para descobrir o ponto de convergência entre ela e o pai. Torço para que tenham algo em comum que possa ser explorada na retomada de uma relação cordial. Mas se perceber que é tarde demais, faça o foco em seus objetivos de vida e siga adiante. Sua vida vale mais do que tudo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Na escola não. Nunca. Na sua casa, o problema é seu. Depois não diga que não avisei.



existe uma visão estúpida de achar que no terreno pantanoso do sexo entre adultos e jovens, quando é com meninos, tudo bem. Tem pai e mãe que chegam a relatar tais casos com orgulho. "Afinal ele ja é um homenzinho, já tem 15 anos", dizem. É preciso separar as coisas: na escola, com professores ou funcionários, não. Sob o risco de não conseguirmos mais discutir com eles normas de conduta em sociedade. Depois choramos as consequências da "largação".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filhos não precisam de privacidade digital. Nós precisamos de olhos abertos.

Mais uma semana e mais um caso de meninas adolescentes que partem para encontros com desconhecidos combinados via internet, dessa vez na Bahia e no Paraná. Seja em salas de chat, seja por redes sociais, seja por mensagens instantâneas (MSN e afins) a molecada está na alça de mira de sacanas de todo o tipo. Muitas vezes amigos da família. Muitas vezes, familiares. Se bancarmos os modernos e fizermos vista grossa à vida digital de nossos filhos vai dar merda, claro.

Tudo por que essa geração de crianças é cria direta de pais usuários de internet que dão pouca ou nenhuma atenção ao fato de que, sim, existe gente que sabe da vulnerabilidade de uma pessoa em formação diante de uma liberdade total de expressão. E a equação é simples: uma criança ou adolescente que passe mais de 2 hors diárias em frente ao computador ou dispositivo portátil trocando mensagens ou consumindo (sim, consumindo - a maioria não produz conteúdo relevante.) é devido a uma carência de atenção paternal.

Não existe rede social apra crianças. Aliás, nenhuma delas coloca em seus disclaimers que assume a responsabilidade de serem babeas do que seus filhos fazem na rede. Criança não precisa de celular. Criança não precisa de comunicador instantâneo. Mas a ansiedade paternal de querer ver o filho inserido na modernidade -um must nas conversas de pais que gostam de exaltar os "superpoderes" dos filhos- está expondo nossas crianças e adolescentes cada vez mais aos impulsos nefastos de predadores sexuais habilidosos em identificar fraquezas, apostando em um misto de curiosidade, impulsividade e carência de afeto e atenção típicos dos pais de nossos tempos.

A coisa piora quando entra em jogo o conceito de privacidade. Primeiro, crianças não devem ter privacidade em sua comunicação com estranhos, sejam eles de que idade forem. Os controles parentais disponíveis em toda e qualquer ferramenta de comunicação digital, incluindo ai os videogames com acesso à rede, estão lea para serem usados. Não são enfeites.

Precisamos, sim verificar os logs de mensagens e saber quais sites nossos filhos frequentam e que tipo de conteúdo estão tendo contato. São influências, boas ou ruins, mas que possuem um canal direto para as cabeças da garotada, sem filtros. Compre, tenha, seja mais do que o outro. seja sexy. seja superior. Como diz Washington Olivetto na coluna de Daniel Castro na Folha de São Paulo publicada em 22 de novembro de 2010, "É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade".

Se levarmos em conta que os principios que aprendemos em publicidade para seduzir e criar consumidores cegos, com corpos dóceis e vontades manipuláveis, podem e são portados para as relações humanas, fica claro que o cenário de vulnerabilidade de nossos filhos é real e vasto. Nossa obrigação é prepará-los para separarem o joio do trigo.

Quando um predador sexual, homem ou mulher, chega próximo à fragilidade emocional de nossos filhos a ponto de faze-los burlar nossa vigilância e confiança (quando existem) para aventuras que, via de regra, se traduzem em situações trágicas para as crianças é por que não cumprimos nosso papel de protetores como deveríamos. Sem desculpas.

A perigosa inversão de valores, demonstrada pela prática de deixar às crianças o duvidoso posto de capitães da tecnologia em casa ("nem sei ligar, não tenho paciência para isso, mas Fulaninho sabe tudo de informática"), como se isso fosse trazer algum benefício para suas formações sócio-psíquicas-, agrava esta situação de exposição aos perigos, não só para as crianças, como para todo o núcleo familiar.

Uma criança ou um adolescente magoado e complexado em busca de reconhecimento em seu grupo social pode facilmente revelar detalhes da rotina e do patrimônio familiar de forma a alertar meliantes de todo o tipo para ações nefastas. Quando produzi o documentário SEQUESTRO, tive depoimentos de vários sequestradores que procuravam suas vítimas em redes sociais. Na maioria dos casos, adolescentes exibicionistas.

Sem alarmismo, mas com os pés no chão, vale pensar em com a prática da liberdade digital em casa deve ser pensada em um cenário como o de hoje.Uma conversa franca sobre limites, que pode ser benéfica ao expor os assuntos que passam pela cabeça dos filhos, mas raramente tornam-se pautas de conversas familiares.

Nossas experiências online boas e ruins no campo social, erótico-afetivo e profissional devem ser analisadas e delas podemos tirar uma boa conclusão do que podemos proporcionar aos nossos filhos em termos de segurança e responsabilidade com as informações pessoais.

Uso a web e outros meios digitais para todo tipo de relacionamento desde 1994. Tive muitos blind dates onde eu era o sedutor, aquele que proporcionaria a experiência extraordinária, que não poderia ser evitada sob pena de arrependimento eterno. Menti para muitas mulheres apenas para ter prazer imediato, para servir ao meu desejo de conquista. E ter como alvo pessoas incapazes de discernir entre o adequado ou não, independentemente de formação acadêmica ou sócio-cultural era a coisa mais simples do mundo. Na época não havia defesa. Essas pessoas poderiam ser vítimas por carta. Mas eram mulheres adultas e eu não era um bandido sociopata. Mal menor.

Hoje já sabemos como identificar e desestimular os perpetradores de engenharia social com fins duvidosos.

Agora é hora de ensinarmos aos nossos filhos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pede para Sair

Não vai demorar até algum pai ou mãe sem noção transformar Tropa de Elite 2 em tema de festa de aniversário. Imagino toda as crianças com fuzis de brinquedo e fantasiadas de soldados do BOPE, cantando palavras de ordem durante a festinha e fazendo simulações de tortura. Minha filha mais nova chegou da escola cantando a trilha do filme. Não tenho dúvidas que alguém assistiu ao filme com o filho a tiracolo. Isso numa escola com linha educacional piagetiana. Fico imaginando na escola municipal onde minha mais velha estudou em 2009 como as coisas não estarão lá a maioria dos alunos mora em áreas controladas por milicianos. Eu mesmo presenciei uma criança s de uns 3 ou 4 anos acompanhado do pai no cinema. Triste.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Da ansiedade do pai provedor

Já faz mais de dois anos que não sou o pai provedor. Sai do mercado e achei que seria fácil voltar, mas a meninada sabe tanto quanto eu e aceita ganhar menos. O resultado é que minha mulher assumiu as rédeas das contas. E por mais que tenhamos mudado nesses últimos 100 anos, nós, homens, ainda sofremos ao não conseguirmos atender ao desejo de um filho, pagar as contas em dia e comprar comida. Eu choro, muito. Sozinho. Envergonhado. Mas não paro de lutar. Já escondi de minhas filhas a minha condição atual de gênio midiático sem trabalho fixo. Um projeto atrás do outro, mas que trazem pouca grana, apesar da satisfação pessoal.

De um tempo para cá decidi não esconder mais. Acho que é preciso ter os pes no chão se queremos construir uma família baseada na verdade e na justiça. Minhas filhas merecem uma pai que não se esconde atrás de subterfúgios. Que sabe que está em falta com elas, mas não desiste nunca.

Minha hora de voltar ao topo está chegando. E quando acontecer, vou dividir com elas e com todos aqueles que me deram força durante o trajeto. E en†ano, poderemos rir juntos dos tempos difíceis.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Parto Humanizado no interir de São Paulo

Ainda em duvida sobre as vantagens para a mulher de optar pelo parto humanizado? dia 11/11 vai rolar um encontro gratuito em Sumaré, SP com o grupo MadreSer.

Se estiver or perto, não deixe de ir.

DVD sobre amamentação

Muitas amigas estão começando a amamentar suas crias, mas enfrentam problemas para encontrar informação simples e direta para esclarecerem suas dúvidas. É muito fácil cair em prantos, vítima dos palpiteiros familiares ou vítima daquelas que fazem apologia às "maravilhas divinas" da amamentação mas esquecendo os percalços do caminho. Pode ser bom, pode doer pra caralho. Mas, acima de tudo, é fundamental para a criança e para os seus hormônios começarem a entrar nos eixos.

Esse DVD lançado pelo GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) pode ajudar bastante.

http://www.maternidadeativa.com.br/aleitamento/index.html

Como matar seu filho

Não existe justificativa para levar um bebê em uma scooter ou moto, ainda mais sem capacete e pilotando com apenas uma mão. Em caso de queda, ela morre na hora, a cabecinha esmagada. O pai ainda fica vivo para chorar pelo homicídio. Além de ferir a lei, coloca em risco desnecessário, diariamente, uma criança sem defesa.



O cruzamento da Genaro de Carvalho com Eunice Godin é um dos mais perigosos do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A classe média brasileira mata suas crianças por conveniência.

foto: Felipe B

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Miley Cyrus - Who Owns My Heart (Official Music Video)



Acho que a grande vantagem de nossas filhas de 16 anos mergulharem no sexo dyke é o fato de poderem deixar as camisinhas de lado, poderem se trancar no quarto com as amigas sem levantar suspeita e não terem que aturar papo chato de marmanjos se acham o máximo. Claro, nem tão cedo teremos gravidez em casa...Prazer sem culpas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Kirikou: um pequeno herói para elevar a auto-estima das crianças negras (e encantar todas as outras)

recomenda a quem tem filhos pequenos e, como eu fiz, mandaram a TV por assinatura catar coquinho na ladeira: "Kirikou et la sorcière", um filme de 1998, dirigido por Michel Ocelot. Belo exemplo de animação inteligente, com uma trilha primorosa de Youssou N'Dour. Agora saiu o DVD dublado em português, pela Paulinas Multimedia. Primoroso.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ELMO GOT AN ERECTION

Elmo got an erection. E a direção do Sesame Street achou conveniente não veicular o vídeo na TV, depois que alguns pais reclamaram do top de Kate Perry. Eu gostei. Do top, dos joelhos de codorna e da cor do cabelo.

No Brasil a chapa era mais quente. Em Vila Sésamo, vestida com calças boca-de-sino ou mini-saias, Sônia Braga alimentava a libido infantil.

Além do mais, já fui "torturado" umas 123 vezes com essa música na voz de esquilos cantores que frequentam uma high school, um dos filmes favoritos aqui em casa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Violência médica contra a mulher

Me pergunto onde estão agora os defensores intransigentes da cesariana. O que aconteceu no Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista, demonstra como os profissionais estão desleixados no trato com as gestações.

Acusam aqueles que optam pelo parto normal de estarem correndo riscos. Nunca soube de um parto em casa no qual tenha acontecido tamanho absurdo.

Um médico cortar as costas de um bebê com o bisturi durante o parto, não importando em que posição este estivesse, demonstra claramente imperícia. Rompeu a coluna vertebral do frágil recém-nascido. Descaso com a vida.

Pior ainda é colocar o bebê morto junto à mãe, como se nada tivesse acontecido.

Por pouco ela não foi acusada de ser a culpada da morte.

Que o CREMESP seja rigoroso na apuração desse fato, assim como a Polícia Civil e o Ministério Público.

sábado, 14 de agosto de 2010

Crime e Castigo

Gostaria muito de não ter mais que escrever sobre pais que matam crianças. Não em 2010. Não no Rio de Janeiro. Não ao assassinato cometido por pessoas supostamente esclarecidas.

Que a morte dessa menina seja investigada a fundo e que não fique duvida sobre os culpados.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia dos pais é o caralho (para ser gentil)

Nos últimos 15 anos a turma da publicidade tornou quase insuportável o mês de agosto, com essa onda de Dia dos Pais. Um saco, uma palhaçada sem tamanho. Me expliquem os motivos que levam uma pessoa a desejar ganhar furadeiras, cuecas e meias, passar horas na fila de um restaurante carioca, cheio de cariocas que falam aos berros e enchem a cara sem noção, para comemorar um dia, que se fosse de fato nosso, deveria ser utilizado para fazermos o que desejarmos, sem interrupção. Querem me dar presente, me paguem uma massagem e tá ótimo.

Mais bizarro é ter que que decidir a programação desse dia "festivo e especial" com uma semana de antecedência. Porra, e se der onda (e vai dar - to monitorando ess swell e não vou perder). E se eu acordar sem vontade de falar com ninguém? Vou ter que ir lá, todo pimpão, fazer festinha? Não. Chega. É o meu dia e vou fazer o que eu quiser.

O pior é o bombardeio nas crianças. Até na escola, que se diz preocupada com a consciência crítica das pequenas, inventaram um jeito de arrancar mais dinheiro da gente, criando um passeio para os pais, a 76 reais por cabeça. Uma visita guiada ao Maracanã e uma churrascaria na sequência. Ou seja, reprodução de estereótipos, pai macho, fá de futebol e churrasco. Eu nem sou amante de futebol e não compactuo com a existência daquele elefante branco, caindo aos pedaços.

Os sem noção esquecem que a escola fica em um bairro com duas reservas ecológicas, que poderiam ser tema de um passeio, uma caminhada, uma confraternização simples e gratuita. Mas não, as toupeiras preferem encher um ônibus fumacento, gerar um puta fooprint de carbono em um domingo, perder duas horas em deslocamento por regiões feias da cidade, te levam uma grana e ainda chamam isso de homenagem, Só podem estar de sacanagem.

Vou ter que conversar com minhas filhas. Não quero ve-las frustradas, mas não vou dizer que gosto de algo apenas para agradar a duplinha. Tivemos um mês ótimo, grudados. Viajamos juntos para um hotel-fazenda. enfim, verdadeiros dias dos pais (e filhos), sem obrigações comerciais e publicitárias.

Acredito que a escola deveria conversar com os pais antes de propor passeios para as crianças, gerando uma ansiedade absurda. Tô puto. E se os pais estiverem duros? E se o restaurante escolhido for de qualidade duvidosa? E se eu não quiser conversar com outros pais naquele dia? Vou reclamar formalmente.

Essas datas são todas um saco e desnecessárias, não acrescentam nada no ponto de vista social (se quero ver alguém, pego o telefone e combino um chope - não preciso que me digam quando devo ver os meus queridos e queridas).

Minhas filhas saberão onde me encontrar: na praia. E quem quiser me ver (ou homenagear) está convidado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pelo direito de nascer sem sustos

Me choca a virulência e distorção da realidade nas palavras dos obstetras contra as doulas, reveladas em cartas para a Revista O GLOBO, em resposta a matéria publicada em 18 de Julho.
Não vejo tanta força ao criticar os próprios colegas médicos que deixam bebês morrerem enquanto ficam aos tapas no centro cirúrgico. Não vejo tanta força na hora de criticar a indústria do parto no Brasil, onde gestantes de primeira viagem são estimuladas a fazer cirurgias, ainda que tenham a vontade de fazer as coisas da maneira para a qual forem concebidas.

A medicalização do parto no Brasil trouxe excessos que precisam ser coibidos, principalmente no Rio de Janeiro, uma cidade onde se programam cesáreas como se fosse uma cirurgia plástica ou outro procedimento estético.

Não é a toa que os médicos obstetras brasileiros levaram o Brasil ao triste índice de recordista mundial em cirurgias cesarianas desnecessárias, de acordo com a OMS. Superamos o Chile, vejam só!

No Brasil 79,7% dos partos realizados na rede privada são cesarianas, segundo relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com o mesmo estudo, o índice é de 27% na rede pública.

Os índices recomendados pela Organização Mundial da Saúde, e praticados em nações culturalmente avançadas, ficam entre 10% e 15% do total de partos, mesmo assim em casos de extrema necessidade.

Aberração é parto com hora marcada ou mentiras em momento de fragilidade emocional sobre não dilatação, ausências de contrações ou a mais terrível e favorita dos médicos: enrolamento de cordão umbilical.

Falar em segurança para o bebê e propor anestesia é ignorar que ambiente hospitalar (pode ser chique, mas é muito mais sujeito a infecções graves) e anestesia aumentam em mais de 10 vezes os riscos para mãe e bebê.

Médicos sérios e com formação atualizada respeitam a mulher e a criança. Parece um cenário distante dos açougueiros natais cariocas.

Para ser primeiro mundo é preciso devolver as mulheres das próximas gerações o direito de escolha consciente, de informar-se antes de entrar na faca sem necessidade.

Sou pai de duas meninas, a primeira nascida de uma cesariana desnecessária. A segunda, nascida em casa, com todo o cuidado e carinho. E com a presença de uma equipe médica. E de uma doula fantástica.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pai de Menina na OVI Store

aqueles que usam celulares NOKIA agora poderão contar com uma maneira fácil de acompanhar as discussões e novidades do Pai de Menina. Nossa app está disponível -gratuitamente- na OVI store.

Basta clicar no link ao aldo para curtir Pai de Menina em qualquer lugar: http://store.ovi.com/content/48240

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A lição de respeito e amor ao próximo da Argentina

Enquanto no Brasil, gente letrada, informada e mesmo alguns infelizes leitores ocasionais deste do blog que se dizem da "area da saúde" (medo e vergonha alheia dessa gente que não se identifica de forma clara quando se comunica) ainda são mal-informados a ponto de atribuir AIDS e outras enfermidades a escolha sexual ou ao comportamento coletivo de um etnia, nossos vizinhos argentinos deram hoje um exemplo de civilidade e respeito ao ser humano, ao legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

POr aqui, os homossexuais ainda são assassinados sem muita punição, como se fosse um missão divina exterminar quem busca um cainho próprio para sua sexualidade. Cada vez que surge uma igreja oferecendo "cura" para homossexuais, meu nojo cresce. Será quem em 2010 ainda temos que aceitar que nossos filhos convivam com gente preconceituosa? Gente capaz de aceitar a morte de alguém apenas pelo fato dessa pessoa ter uma opnião ou opção sexual diferente?

Não. Não aceito.

Casais gays podem ser pais fantásticos: amorosos, respeitosos, gentis e humanos. Pais gays podem fazer muito mais por uma criança do que país biológicos que jogam filhos no lixo, literalmente. Não existe em nenhum país, com exceção da China, onde os relatos diários de crianças recém-nascidas encontradas em latas de lixo estejam no jornais e telejornais.

Facilitem a adoção por casais gays. Lutemos por isso.

Tomara quem breve sejamos capazes de decisões legais tão maduras e civilizadas como os argentinos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E um peitinho de 16 anos revela outra faceta da hipocrisia brasileira


vê o fantasminha da censura passear pelos corredores mais conservadores da Nação. Querem proibir a atriz Malu Rodrigues, 16 anos e emancipada pelos pais, de mostrar o peitinho direito (só o direito) na peça Despertar da Primavera, em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo.

No Rio, foi a mesma palhaçada.

Onde estava o Ministério Público na hora de proibir meninas de 7 anos de dançarem funk, Tchan e afins? Onde estava o Ministério Público na hora de punir a prostituição infantil na Rocinha e no Complexo do Alemão (ainda ativa, HOJE, 9 de julho de 2010 ?

E em São Paulo, onde está o Ministério Público que não vê pedintes de 16 anos seminuas trocando o corpo por crack na região da Rua Santa Ifigênia.

Um bando de hipócritas. Vão proibir o gozo e a siririca diária saudável de todas as meninas de 16 anos também? Coisa de quem não enxerga a vida dentro de suas próprias casas, e não acompanha a maturidade sexual de suas próprias filhas.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

águas passadas

com as meninas crescendo rapidamente, cada vez mais espertas e curiosas, fica difícil não pensar em como protegê-las nos dias em que vivemos. Lembro que quando moleque eu estudava a mais de 30km de cas, andava de trem e ônibus pelos subúrbios cariocas (só fui morar na zona sul aos 14 anos de idade) e não existia o temor de ser violentado. Os meus maiores medo eram a mulher loira do banheiro e o bandido Mão Branca.

Não existia coleguinha armado na sala de aula e nada de funk sexista na voz das meninas. Talvez eu esteja ficando saudosista. Mas eu gostaria muito que as minha meninas pudessem viver a infância delas sem pressa e sem medo, como eu vivi.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dos relacionamentos abertos e suas consequências para os filhos: quando as coisas não dão certo

Essas últimas semanas tiveram o noticiário recheado de matérias sobre casais expondo seus filhos publicamente devido a problemas em suas condutas erótico-afetivas.

Uma preocupação comum em quem não adota o modelo monogâmico em seus casamentos é que as outras partes envolvidas tenham a mesma preocupação em manter o sigilo e o cuidado que as relações atípicas requerem.

Os homens, de forma geral, acabam comentado com alguém suas aventuras e suas conquistas. Algumas mulheres não agem de forma diferente ou com menor cuidado. O resultado do descuido pode ser uma exposição indesejável e pública de suas práticas íntimas.

Eu procuro deixar claro que não sou monogâmico. Não faço alarde nem apologia comportamental, mas tenho pouca paciência para lidar com hipocrisia. A parte chata é que nem sempre a outra parte envolvida tem liberdade ou transparência em suas relações. Isso acarreta em muitos desencontros quanto as intenções.

Vivenciamos um envolvimento intenso com uma mulher casada e popular no meio blogueiro. COm o agravante de estabelecermos uma relação de amizade entre as famílias. Evidentemente, havia intensidade erótica e estimulante baseada na premissa de que o cônjuge dela não sabia de nosso envolvimento. Contribuindo para o desastre, o bom e velho vacilo de manter registros de conversas digitais apimentadas, para lembrar depois (um erro básico).

Sim, nós homens e muitas mulheres apreciam esse jogo dúbio, de recriminar, mas brincar com o mito da traição. O problema surgiu quando eu passei a ser o responsável pela manutenção do segredo, uma vez que que sua prole poderia ser prejudicada caso o marido descobrisse.

Não seria totalmente descabido se eu fosse o único amante (como eu, ingenuamente, acreditava).

Não. Eram vários os amantes, mas apenas eu tinha o compromisso de manter o sigilo.

Não tenho problemas em deixar claro em minha estrutura familiar que namoramos outras pessoas, Mas com a história vivida, aprendi que, na medida do possível, é preciso averiguar se a outra parte tem as mesmas premissas de vida, de transparência em suas relações.

Longe de mim querer expor os filhos alheios ao escárnio público dos falsos moralistas. Mas não acredito ser justo engolir minhas verdades para ser guardião da mentira alheia.

Minha dica é: se quiserem brincar de viver sua sexualidade de forma livre, certifiquem-se de que os prováveis parceiros -principalmente se tiverem filhos-, estejam em sintonia quanto a forma de abordar a questão caso a relação seja revelada ou descoberta pelos filhos, parentes e amigos.


Manual de sobrevivência ao escândalo:

1) se descoberto, não negue. Tome as rédeas e afirme sua identidade no discurso.

2) se seus filhos tiverem idade para compreender, converse. Elabore o que vai dizer e assegure seu direito de viver sua sexualidade como quiser.

3) parentes tendem a julgar mais do que estranhos. Imponha limites claros a invasão. Para evitar a fofoca generalizada, proponha uma conversa aberta, sem acusações ou suposições. A vida e práticas sexuais do casal dizem respeito apenas ao casal.

4) se algo saiu da esfera pessoal e tornou-se público, mantenha a calma e não tente atitudes desesperadas de "limpar seu nome". A propagação é inevitável e diretamente proporcional às tentativas de apagar seus rastros. Assuma.

5) não produza provas contra você. antes e depois do problema. Acredite: nenhum vídeo, foto, texto, conversa em celular ou telefone fixo, torpedo e afins é seguro. Nenhum. Se você fez um vídeo de teor erótico e seus filhos já usam a internet é questão de tempo até terem contato com sua imagem "escondida". O mesmo vale para casais que utilizam sites de relacionamento para adultos ou frequentam ambientes liberais,como casa de swing e festas privadas. Alguém, sempre, vai registrar sua imagem e não adianta culpar os outros pela violação da sua privacidade.

6) um erro grave é achar que nossos filhos não tem interesse em assuntos sexuais ou práticas extremas. Se eles descobrirem de forma a sentirem-se traídos (o ciúme e repulsa em relação as sexualidade dos pais já existe mesmo que seja uma relação de monogamia tradicional), estabeleça o emprego de todos os recursos para recuperar a confiança deles. Isso inclui a ajuda de profissionais ligados a comportamento, como psicólogos e terapeutas familiares. Abandoná-los a própria sorte não trará benefício algum a nenhuma das partes envolvidas.

7) Nunca prometa que não repetirá suas práticas, sob pena de comprometer ainda mais a relação de confiança. Seja verdadeiro: se faz parte de sua existência um comportamento sexual diferente e particular, assuma. Não é preciso descer aos detalhes, mas mostre-se pleno no direito de viver sua vida de acordo com suas crenças.

8) Procure auxílio jurídico/legal se estiver sendo pressionado ou chantageado. Nunca negocie uma extorsão.

9) caso a ocorrência chegue ao ambiente profissional, não espere as diversas versões tomarem corpo. procure seu chefe direto e o departamento de recursos humanos da empresa para unificar a versão e seu posicionamento quanto ao ocorrido. Se você não feriu a lei ou as normas da empresa, aqueles que o colocarem em situação vexatória é que poderão sofrer algum tipo de advertência.

10) viva e deixe viver. Todos nós temos telhado de vidro. Evite atirar a primeira pedra, para que ela não se transforme em um bumerangue.

sábado, 12 de junho de 2010

de volta ao básico.

toda mulher tem o direito de viver. isso significa que nenhum homem pode matá-las por sentir-se perseguido. nenhum homem pode sair no tapa com outro na sala de parto (médicos? não, assassinos) para ter o direito ao repasse do SUS para fazer partos. nenhum homem pode deixar uma maca de hospital quebrada levar a vida de seu recém-nascido jogado de cabeça no chão frio da maternidade.

cesariana com a frequência que se faz no Brasil é doença. ter filho virou coisa de grife. e, infelizmente, as mulheres mais simples acabam copiando modelos de comportamento classe média.

no Rio de Janeiro é ainda pior. Falar em parto normal por aqui é absurdo. falar em parto domiciliar, te poe como alvo.

então, sou eu o louco por não querer que meu filho corra risco de infecção hospitalar ao nascer? sou eu o louco por não querer expor meu filho numa vitrine aquecida como se fosse um bife?

defendo as escolhas, lógico. mas também defendo a educação. o direito da mulher saber que cesearea é opcional em 95∞ dos casos. o direito de uma mãe humilde saber que não precisa gastar os tubos para medicalizar algo que é natural.

não queremos fingir que somos primeiro mundo? então, tá ai uma boa maneira de começarmos, banindo a cesárea desnecessária desse paizinho de merda, como já fizeram na Europa e nos EUA.

domingo, 6 de dezembro de 2009

boobs

E o primeiro sutia a gente nunca esquece. Parabens, filha amada.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Disque M para matar...mosquitos


seus problemas com mosquitos acabaram, desde que você tenha um...celular. to usando um programa chamado AntiGnat. ele emite uma frequencia em ultrasom que deixa os mosquitos e outrosnojentinhos longe de você. sem cheiro, sem química e sem o bla-bla-bla dos idiotas da secretaria de saúde do rio de janeiro. botei no quarto das meninas também. obntem dormir sem camisa(noossa) e de janela aberta.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dos malas digitais



tem uns malas que usam a internet e são especializados em reviews de equipamentos eletrônicos, principalmente câmeras digitais. seu job é encontrar defeitos e concordarem uns com os outros que os melhores equipamentos são aqueles que ninguém pode comprar. preferem punhetar as máquinas com testes de performance e afins, num fetiche digital besta, do que sair e fotografar as dores e delícias do mundo. procuram pêlo em ovo. ruído na imagem, foco automático lento, fallta de estabilização de imagem, etc, etc. já imaginaram se cartier-bresseon fosse pensar nisso? jamais teria tirado uma foto sequer, perdendo tempo com ajustes e perfumaria.

uma das principais reclamções é sobre o grande número de tipos de cartões de memória utilizados em câmeras e dispositivos digitais. hoje em dia, todos amam o SDHC. minha câmera dSLR usa cartão CF (muito rápido para gravar e transferir imagens e robusto em campo) e xD (lento e raro, essa cria d Fuji Film e da Olympus está caindo em desuso). a câmera, uma Olympus E-420, tem dois slots para uso simultâneo. qual é a utilidade disso, perguntam os chatos, em tempos de cartões SDHC com 32 Gb?

como não sou burro para fotografar 32gb antes de fazer back up (uso cartões de 4gb, mais confiáveis e me fazem pensar antes de fotografar qualquer coisa, para não acumular lixo visual), fujo deste modismo. e descobri a utilidade do segundo slot (ausente da maioria das câmeras top de linha para amadores avançados, sejam point and shoot ou dSLR).

1) back up instântaneo - é quase impossível dois cartões darem pau ao mesmo tempo.

2) multiusuário -quando saio com minha filha e ela pede a câmera, faço ela usar o cartão xD, para preservar meu material e facilitar na hora da edição, quando basta ela copiar o que fotografou para a área de trabalho dela no macbook.

3) cabos esquecidos: meu leitor de cartões está com o slot do CF quebrado e sempre levo comigo o cabo específico da câmera, para backups e edições em trânsito. hoje (sábado) esqueci o cabo. como me salvei? copiei o material, na própria câmera, de um cartão para o outro. voilá.

além de ser a menor e mais leve dSLR do mundo (a Panasonic G1 não é uma dSLR - não tem prisma ou espelho -, como as revistas "especializadas" brasileiras andam bostejando), a olympus E-420 é uma ferramenta essencial para o fotógrafo de rua que não deseja ficar na mão em momentos cruciais. me permite fazer fotos de pessoas e coisas em movimento, impossíveis para as câmeras point and shoot (muito lentas) e sem viewfinder. é muito mias fácil ficar incognito na paisagem com a câmera perto do olho do que com o braço esticado lá na frente para fazer o enquadramento e a composição pelo LCD.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Padres católicos não ligam no dia seguinte: estão sempre presos.

Mais um padre preso por abuso de menores. E ainda tentou dar carteirada...Depois dizem que eu sou chato e recorrente, mas já fizeram a estatística de qual foi a categoria profissional que mais cometeu abuso sexual contra menores em 2009? Os padres ganham direto!!

Padre é preso e acusado de abusar de adolescente em Recife - O Globo
Source: oglobo.globo.com
RECIFE - Um padre foi preso na tarde desta quarta-feira no Terminal Integrado de Passageiros (TIP), no bairro do Curado, zona oeste do Recife. De acordo com a polícia, ele teria abusado de um menino de 14 anos. Josean Dantas Rolim, 51...

Mantos sagrados



Esses mantos, a camisa do Flamengo e o vestidinho da Totem representam formas de transmitir aspectos emocionais de geração em geração.

Fruto do trabalho genial de Fred D`Orey, um dos caras que eu mais admiro no planeta, o vestidinho Lia usou em seu terceiro aniversário e agora a mesma peça, com a mesma qualidade, veste Dora.

Fred sempre foi um cara original e convicto em suas escolhas e opniões. Essas pecas refletem não apenas seu carater, mas também suas viagens e exoeriências ao redor do mundo, asim como o respeito com quem entra em suas lojas para comprar. Nota 10.

Já o Flamengo...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Capotagens





Que tarde bizarra.

chuva intensa e vontade zero de ir até o centro da cidade buscar os celulares, ambos sendo reparados por uma loura opulenta que, em 2008, largou a formação em recursos humanos e descobriu um insuspeito talento para modificar celulare,s ao mesmo tempo em que rebola ouvindo funk aos berros no camelódromo da Uruguaiana, Centro do Rio.

Quando tomei coragem de sair da zona litorâneo-rural na qual resido (e finjo ser a Nova Zelândia) a chuva apertou. Decidi que iria assim mesmo. Pegaria o ônibus amarelo com ar condicionado gelado e janelas panorâmicas, que me permitiriam fotografar o infortúnio dos transeuntes, semi-afogados nas águas de julho.

Devorei uma barra de chocolate e esperei o glorioso ônibus amarelo, no seu ponto final.
Faço isso para não perder a chance de sentar no único banco me oferece a combinação de acomodar meu corpinho generoso e uma fantástica janela, quase imune a reflexos (as últimas fotos de praia que publiquei foram feitas através dessa janela).

Dez minutos dentro do ônibus e o motorista grita: “Caralho!”.

Tive tempo de ver uma sombra cinza voando, em um el rollo digno de Mike Stewart em “How To Bodyboarding” (lembram, velharada?) sobre os demais carros, sobre duas pistas da Avenida das Américas, em sucessivas cambalhotas, em uma espetacular capotagem.

Morte, com certeza. OK. desci do ônibus, sob a chuva. Câmera em punho.

Era um ator da Globo. Jovem estrela do cinema brasileiro. Um ator que eu admiro. Sou fã.

Sério. Sou fã de alguém que não sou eu.


Poxa, o cara estava em apuros. Apesar da gravidade do acidente, no qual seu carro (na verdade, era um Clio Sedã, não um carro), ficou totalmente destruído, saiu andando, ileso, como um piloto de F1 sob os gritos de Galvão Bueno.

Saquei minhas câmeras e comecei a clicar. Não chegaria a tempo de resgatar meus preciosos celulares. Precisava tornar o recém-criado engarrafamento em algo rentável, pois.

Algumas fotos de carro amassado depois, percebi que estava fotografando em RAW. Uhmmm, menos agilidade para editar e vender as fotos para os jornais cariocas.

E já eram 16:30. Os fechamentos são as 19:00. Correria. Tinha umas 200 pratas em fotos ali, quase o valor do reparo os celulares.

Começaram as dúvidas. O ator em questão era preto e talentoso demais para sair na Caras, na Contigo, na Ti-ti-ti, na Capricho ou outra publicação fútil qualquer.

Restavam os jornais diários e o RJ TV. Então, com a outra câmera, comecei a fazer uns videos, na medida certa para uma edição estúpida de telejornal. Poxa, já seriam 400 reais numa tarde de sexta. Nada mal para uma quase morte.

Logo percebi que o formato escolhido era 640x480. Droga! Eu tenho um compromisso formal em jamais gravar nada que não seja nativamente widescreen. Pausa para trocar os ajustes. Pronto. 854x480. HD de pobre.

Melhor agora. Vamos procurar ferimentos e o rosto assustado do ator que tanto admiro, nesse momento já sendo atendido na viatura do SAMU. Os PMs e paramédicos atrapalhando minha sightview.

Por trás de mim, xingamentos hipócritas sobre minha atividade: “paparazzo”, “urubu” (não sei se pela pele, por ser flamenguistas ou por espreitar a desgraça alheia com minhas lentes).

No final de semana anterior, tinha lido com gosto uma matéria sobre o talento do rapaz acidentado e sua recente devoção ao filho pequeno. A lembrança me fez procurar a cadeirinha no bacno traseiro. Dramático (criança, bicho, mulher nua.=jornalismo diário)

Tomei notas mentais sobre o local, hora e possíveis causas do acidente. Uma fatalidade.

Terminei a sessão de fotos e preparei-me para tentar vender aos coleguinhas das editorias de fotografia o material oportuno.

Ooops, com transmitir 700 MB de imagens? Sem o celular com 3G, sem o Blackberry e sem acesso público de alta velocidade.

Consegui mais algumas imagens tristes do ator, travei um breve diálogo com ele sobre seu estado de saúde e emocional e tomei outro ônibus, da mesma linha das janelas enormes e condicionador de ar gélido.

Lembrei do meu acidente, em 2004, no Paraná, em meu primeiro mês como editor-chefe de Quatro Rodas NITRO, também minha estréia em revistas, na Editora Abril, quando quase morri. Ao me perceber vivo e na ânsia de demonstrar responsabilidade, liguei para a redação. Atendeu o PCG. Claro e direto, perguntou como eu estava e pediu que eu não esquecesse de fotografar o carro destruído.

Teria sido melhor não fotografar. Passei meses sendo acusado pelos meusleitores de conduta irreponsável ao volante.

Decidi que não seria sacana com a história do acidente do ator.

A estratégia era editar as fotos no ônibus, conseguir uma conexão aberta enre um ponto de ônibus e outro e transmitir o conteúdo para cobrar depois.
Metadados ok, rating de imagens ok e conversão para JPEG ok.

Mas nada de conexão. Nem pensar em usar os créditos do SkypeOut. Shit!

Decidi esperar chegar em Copacabana, quando poderia transmitir as imagens de dentro do ônibus, utilizando para isso a rede pública de alta velocidade da praia, fantástica.

Editei as imagens, e comecei a preparar o texto de referência. “Jovem ator da Globo...”.

Ooops 2. Não tinha certeza do nome do cara. Não vejo muita TV. E, na verade, aquele jovem ator negro poderia ser outro cara. Da TV Record, talvez.

Sim, eu não sabia o nome de meu ídolo. Trouble.

A chuva apertou e o engarrafamento transformou-se em um happening inerte. Não chegaria mesmo no Centro a tempo de pegar os celulares, visitar as redações de O DIA e O GLOBO, e ainda mandar material para o RJ TV. Merda.

Desci no Leblon, na esperança de encontrar um bar com wifi, tomada 220 e chope preto gelado. Peregrinei na Ataulfo e sentei na boa e velha Pizzaria Guanabara. Tinha tomada, tinha chope preto, tinha Jack Daniels com pizza calabreza de botequim carioca, mas nada de wifi funcionando.

Em minha frente, um casal trocava saliva copiosamente, para desgosto da acompanhante deles, entediada por sua vida sexual sabotada por um corpo sem atrativos.

Ao meu lado, simpáticos cinquentões teciam os tradicionais comentários sobre a caretice da juventude atual. Só faltava aparecer o Domingos de Oliveira e aquela gostosa com quem ele contraiu matrimônio.

Relaxei.

Decidi que não venderia porra nenhuma. Já eram 19:30 quando parti atrás de um café. Achei uma loja do Vanilla Café, que em São Paulo SEMPRE está com o wifi ligado.

No Rio...Rá. Fala sério.

Escrevi estas linhas tortuosas e ainda não sei o nome do ator. Os coleguinhas das redações devem estar descendo no elevador, com máscaras no rosto contra a gripe suína, prontos para tomar chope e cheirar umas carreiras de cocaína.

Eu, espero o trânsito voltar ao normal e ir para casa.

São 20:20. Quando chegar em casa, quem vai capotar sou eu.

Boa noite.

PS - o ator é o genial e discreto Alexandre Rodrigues. Fica bem aí, cara.

PS1- o Rio Design Leblon tem um ótimo acesso rápido, jazz e poltronas de couro. Publiquei daqui. O chato é acharem que sou gringo. Saco.

PS2 - puta video game divertido.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

deus, o vaticano e a CNBB amam, veneram e protegem os padres pedófilos. você também?

temos filhos pequenos e gostamos de proteger nossa cria. alguns recorrem à palavra divina, a deus, a igreja, na tentativa de estabelecer relações entre o bem estar dos pequenos e a espiritualidade controlada pela empresa multinacional Vaticano Inc A.K.A, igreja católica para gente que ama deus.

meses atrás, alguns leitores, também pais, questionaram, com virulência típica de quem passou a vida sendo enganado e abusado, o meu posicionamento quanto ao ensino religioso institucional. quando falei mal do arcebispo que queria excomungar a familia e a menina de 9 anos que fora engravidada após sucessivos estupros no ambiente familiar.
na ocasião, o mesmo facínora religioso defendia o agressor.

ao mesmo tempo, sucessivos casos de violência sexual praticada por padres católicos, em todo o Brasil, tomaram conta do noticiário nos primeiros meses de 2009. Lembro que, tradicionalmente, o que chega a imprensa é apenas a ponta do iceberg, a cabecinha...

feito o levantamento dos últimos 10 anos apenas, vivemos um cenário de epidemia de violência sexual ligada ao ministério religioso. culpa apenas da igreja? não. culpa dos pais mal instruidos, que entregam a vida e integridade de seus filhos nas mãos de deus (ou em troca de perdão divino, cesta básica e alguns trocados para o crack e a cachaça).

ontem mais um padre pedófilo foi pego EM FLAGRANTE. Sul do Brasil.

o que o Estado brasileiro está esperando para romper com a igreja? para decretar uma profunda investigação nas instituições religiosas? rabo preso.

não é possível que tantos casos envolvendo apenas uma ocupação sejam tratados apenas como ponto fora da curva.
é sistemático. algo na formação desses doentes, ou ate mesmo na doutrina celibatária leva esses monstros de batina a treparem com os seu filho, a molestarem nossas filhas. sistematicamente.

onde estão os defensores dos direitos humanos, que adoram fazer passseatas, vestidos de branco (com a foto do filho mortinho estampada no peito) na orla carioca e abraçar a Lagoa pedindo o fim da violência contra a inocente classe média?

cade essa gente para ir as ruas protestar contra a violência da igreja contra as crianças brasileiras? será que ao serem violentadas por padres, elas foram menos vítimas ou sofreram violência menor do que o garoto arrastado pela rua preso a porta do carro roubado por meninos bandidos?

a turma que cresceu sob a batina vai esperar uma criança morrer empalada na pica de um padre famoso para fazer seu manifesto. tarde demais, como sempre.

hoje, é mais interessante fazer passeatas em favor dos iranianos. claro, não está acontecendo nada aqui no Brasil que justifique qualquer tipo de manifestação. está tudo bem com nossas crianças, protegidas pelas cercas elétricas das creches e condomínios e aconchegadas no banco de treas de nossos Tucsons enquanto dirigimos imprudentemente falando ao celular, espreitando o mundo real, (repleto de pretos perigosos, de funk e de coisas ruins) pelas frestas dos vidros escurecidos ou a prova de balas.

graças a deus

enquanto isso, a turma que não paga imposto, vive da exploração da pobreza, cultiva a ostentação e o luxo e goza (goza? sim, goza...) de e na nossa cara e de nossos filhos continua seu papel histórico de subjugar o próximo. com o seu apoio. com o seu dinheiro. com as missas que você frequenta e encomenda. com as aulas de catecismo que você financia, com o curso de batismo, com os casamentos de branco que não duram um ano.

tem vilão nessa história. nós sabemos quem são. está na hora de dar o troco. eu não vou ficar de braços cruzados esperando.

os omissos e covardes que esperem a putaria dos padres da igreja católica chegar até a pia batismal, na frente de vocês. com o filho de vocês.

amém.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os coleguinhas gostam de tragédias...

e esquecem de comentar que a pandemia de gripe suína acaba de atingir um nível de mutação inédito e toma conta da China.

A OMS vai declarar essa semana a perda e controle total sobre a doença.

Mas vamos chorar pela Air France antes....

terça-feira, 2 de junho de 2009

Apertem os cintos...o bom senso sumiu



Dani não gosta quando sugiro viajarmos separados com as crianças, quando o transporte é aéreo.
Sempre cedi, mas agora vai virar regra: cada um viaja com uma filha.
Por essa terras é tabu falar em morte, em precauçoes e prevenção. Traz energia, diriam os medrosos ou esotéricos de novela das 8.

Eu não quero que meus filhos fiquem orfãos de pai e mãe ao mesmo tempo.

Outras dirão: - mas pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar....

Pode. Mas não vai. Não sou qualquer um. Bilhete aéreo é caro pra cacete.

Nos últimos 30 anos a indústria aeronautica, aliada as companhias aéreas e a novidadeira indústria do turismo, gastaram os tubos tentanado nos convencer da segurança das viagens aéreas dentro de uma tempestade sobre o Oceano Atlântico.

Nunca foi seguro.

Bombardeados pela propaganda, que impoe aos leigos o mito da sofisticação tecnológica dos aviões como guardiã de nossa vida, achamos normal voar para la e para cá em grandes latas ocas de alumínio e plástico, recheadas,com gente e bagagem. Sustentando tudo isso, mais alumínio oco e cheio de gasolina de aviação. As asas...

Na cabine, tres figuras sobre as quais nada sabemos, até o speech antes da decolagem. Não tenho como saber se ele ou ela beberam antes de checar os sistemas do avião, se discutiram no trânsito, se estão com TPM, ou se descobriram algum caroço terminal ao lado de seus ativos e glamurosos genitais.

Os caras da Lei Seca deveriam fazer uma blitz nos hotéis nos quais se hospedam as tripulações, pouco antes de partirem para o comando de seus voos...

O fato é que comandantes de aeronaves trabalham muito e ganham pouco. As jornadas são absurdas, para a responsabilidade imposta ao cargo. E no caso do A330 (pioor no A350 E NO A380), por mais heroicos que sejam, sua ingerencia é limitada.

Mesmo bem treinado em emergências, no simulador, um piloto de A330 nada pode fazer se a aeronave perde o controle.
Os computadores assumem tudo. Ja vimos isso de perto, aqui em São Paulo (A320).


E semana passada uma turbulência fez um destes brinquedos de voar europes machucar 21 pessoas em voo da TAM vindo de Miami, muitos com fraturas sérias.

Projetado pelos europeus para ser mais barato, carregar mais gente e carga e gastar menos combustível, o A330 não pode se deixar levar pela razão humana. Ele é exato. Digital. 0 ou 1.

Não que eu seja purista, mas eu gosto da sensação e conforto que me traz enxergar dois manches tradicionais na cabine de um Boeing. Gosto de Boeings. Se eu pudesse, não voaria de Airbus.


- Pelo menos ele tentou me salvar, penso, agarrado ao meu salva-vidas laranja, lamentando o infortúnio do piloto e já ensaiado meu voice-over, sorumbático e fora de sincronia, para um documentário do Discovery Chanel.

No Airbus não tem jeito. São dois joysticks, como os de video game. A ligação com as superficies que fazem o avião voar são meramente digitias. Isso, Como esse teclado e seu mouse.

E você já deve ter percebido como os humanos costumam errar ao digitar...Mas o A330 não tem Maçã+Z nem Control+Alt+Del.



Minha mãe e minhas sobbrinhas são clientes desse voo da Air France, que sai do Brasil as 19h00. Nos últimos três meses fizeram esse trecho quatro vezes. Coisas de família que mora longe. MInha irmã mais velha e seus três filhos moram em Paris.

Não tem jeito, nem baldeação em Deodoro para o ramal Japeri. A solução é encarar o Galeão algumas vezes por ano.

Pelas estatísticas do setor aéreo, mais um trecho ainda em 2009 e entraremos no grupo de risco. Não é emocionante?

Minha mãe não liga.

Aos 83 anos, diz ter pouco a perder. Mas ela é café-com-leite, manhosa nesse negócio de voar, ano passado fez voo livre e alguns anos atrás embarcou naquele teco-teco que voa sobre o Everest, a meca do ar rarefeito, que mal tem oxigenio para fazer a explosão com a gasolina, para fazer funcionar o motor e para manter pressão negativa sob as asas.

Mas eu sou paranóico. Sim, vou viajar separado, com um dos filhos ao meu lado. O seguro de vida é do Bradesco, bonzinho mesmo.

Paradoxos. Na cabine de um A330 não existe nenhum aviso do tipo `COMO ESTOU DIRIGINDO? LIGUE PARA...`


Podemos esculachar o motorista do 584, do bbuzão da CVC (no meu tempo, era Soletur) mas temos um respeito idiota pelos caras e moças de quepe e uniforme com divisas. Como se não falhassem aos nos conduzir, respirando ar reciclado por 12 horas, comendo jantar requentado a 10 mil pes, sobre milhares de quilômetros de água.



É tão bacana morrer voando.

PS - Obama, Sarkozy e Lula, além do Papa, é claro, não mandaram condolências para as famílias das centenas de vítimas dos acidentes rodoviários com transportes coletivos que aconteceram no Brasil em 2009.

Alguém sabe o motivo? Deve ser o preço da passagem, que dá caráter diplomático ao cadáver, com protocolo oficial incluido e passagem (de volta) para o céu pela agência do Vaticano.

É mesmo chique morrer voando.

UPDATE - o jornal New York Times acaba de publicar uma reportagem na mesma sintonia do texto que escrevi. Não sou o único que sabe, e fala, dos riscos de voar o A330. Quem trabalha sendo conduzido por aquela "coisa" morre de medo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Papai, posso ir?



As meninas estão aproveitando, de forma intensa e motivada, as possibilidades de diversão e convivência na nova casa, na nova vizinhança. Agraciadoscom a melhor praia da cidade, boa parte dos moradores do bairro pretende evitar que o clima Miami (o qual detonou a Barra da Tijuca) destrua a qualidade de vida que encontramos no Recreio dos Bandeirantes.

Para aproveitar melhor os deslocamentos sem o uso de veiculos poluentes, Lia ganhou da avó materna uma nova bicicleta, aro 24. A diferença foi incrível. Acostumada a sua pequena aro 12, na qual pedalava em modo `mico de circo`, Lia agora vai para a escola de bike, evitando os ônibus mal cuidados e mal conduzidos.

Os sete quilômetros diários que ela pedala serão transformados em saúde e tempo para reflexão, coisa que toda menina precisa.

Mais uma forma de complemnetar uma vida mais saudável com a maturidade necessária para exercer o direito de ir e vir, aqui no violento Rio de Janeiro. Aos 8 anos de idade, minha mocinha já está apredendo que viver reclusa não é o melhor caminho para exercer sua cidadania.
Quem também ficou feliz foi Dora, que herdou uma bike com pedl, para substituir o seu bichiclo

Os próximos passos serão as aulas na escolinha de surfe e os treinos de Krav Maga, em um clube local.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para quando as tietes de Obama tornarem-se viúvas




Desde 2007 eu venho alertando a turma para o absurdo hiperdimensional da eleição de Obama. Cada vez mais as pessoas parecem não ter nocão de como se faz uma eleição nos EUA, e caem feito patinhos nas armadilhas midiáticas.

Para parar de falarem besteira, sugiro a leitura de "Packagin the Presidency", escrito por Kathleen Hall Jamieson, Ph.D e que custa apenas 22 dólares na Amazon.com. No link acima vocês podem ler de graça. Sem desculpas então para continuar falando bobagem.


Aliás, o instituto para o qual esse mulher brilhante trabalha também estuda os efeitos maléficos da mídia sobre a formação intelectual e moral de nossos filhos.

Mesmo que você tenha respostas prontas do tipo "mas eu cresci vendo meu pai bater na minha mãe, foder a minha irmã mais nova, a porrada, racismo, homofobia e trairagem comendo solta no pica-pau, tom e jerry, coyote e trapalhões e sou uma ótima pessoa, não sou racista nem violento", vale a pena ler os artigos e refletir sobre aquilo que lhe parece óbvio, mas está longe de ser espontâneo.

Escrevam para o seu comentarista de política externa no seu jornal favorito e perguntem se ele já leu. Se a resposta for evasiva, saiba que vai continuar lendo e relendo bobagens pelas quais você paga 2 reais toda manhã na banca mais próxima.

Vários posts depois, o homem está eleito e aidna vejo brasileiros vestindo em seus fihotes camisetas com a estampa do presidente POP, como se fosse um santo salvador.

Burrice.

Obama é apenas o novo retrato da escravidão, da submissão travestida de poder, caminhando na corda bamba para cumprir a agenda branca da chefia.

Como já lembrei, sua primeira mediada foi intensificar a guerra no Afeganistão, aos custo de bilhões de dólares. Dinheiro esse que a máquina de guerra, dominad por oligarquias brancas (me apresentem um entre os 100 maiores fabricantes de armas de guerra do mundo que tenha seu board de diretores e conselheiros formado por negros e hispânicos democratas...perda de tempo, não vão achar).

Minha filha mais velha estava prestes a completar 8 anos ao ser contaminada pela sanha de tietagem que assolou o Brasil, mas pude conversar a tempo e explicar que Obama não é um herói dos pretos. E muito menos para os pretos brasileiros.

Joaquim Barbosa, nosso ministro no STJ, esse sim merece loas pelo seu posicionamento como homem, cidadão e magistrado. Mas não aprecia a ribalta, as luzes vazias da fama. Está certo ele. O melhor que ele pode fazer é tentar ajudar a educar esse país pela palavra e pelo trabalho.

Cade os designers brasileiros para fazerem uma estampa vetorial deste homem preto? Ah, ninguém? Pois é....Hype de preto gringo é mais style...



A última do escravão, que é odiado por parte da sociedade influente e pelo governo paralelo americano, (leia-se agências de informação - ainda traduzidas como de "intelgência" pelo tosco jornalismo tupiniquim - militares de alto escalão e a direita mais ortodoxa) é negar ao mundo e aos americanos o direito de ver as imagens que a suposta guerra ao teror produziu: torturta sádica, com pouco efeito na obtebção de informações valiosas para deter a suposta ameaça terrorista orquestarda pelo islamismo radical e bárbaro.

Os agentes do Islã são bárbaros. Nós não. Nós fizemos isso por você!!!! Essa é a mensagem de Obama.

Obama só não é mais pateta do que Lula, Chavez e Castro. É um alento.

Assim, quando converso com minha filha sobre o nosso papel no mundo, tenho a dura tarefa de não deixar que ela cultue mitos vazios, facilmente estampados em camisetas antes de mesmo de sequer terem trabalhado em prol de mehoras significativas para o seu próprio povo.

O cara acabou de completar 100 dias de governo e a mídia brasileira foi incapaz de tecer comentários relevantes sobre a nova geopolitica sob a luz de um mundo sem medo dos EUA. Sabe o que os grandes jornais fizeram? Mandaram os correspondentes internacionais fazerem fichamento dos semanários americanos.

Para o dia a dia, mais fácil é comprar o direto de artigos publicados no New York Times e Washington Post.

vou propor um exercício simples, para situar o leitor quando a importância do jornalismo brasileiro e suas opniões no mundo.

Visitem o site dos dois jornais citados e vejam quantas mateerias e reportagens de diários brasileiros foram publicadas e tiveram seus direitos comprados. Comparem agora com o jornal diário que você lê. Faça a mesma coisa: anote as matérias estrangeiras.

Conclusão: o jornalismo brasileiro é incapaz de ajudar seus leitores em formação a pensar o mundo. Nossas crianças vivem com a ilusão de que fazem parte de uma comunidade global. Acam isso só porque viram cenas de guerra em seu videogame favorito ambientadas em cidades brasileiras.

Ou será que é por causa do Google ter página em português e o Orkut ser dominado por brasileiros de cueca?

Um mundo onde pretos da Somália desafiam barco de guerra das mais poderosas nações do mundo e sequestram, toda semana, navios mercantes que navegam no oceano índico.
Puxa, que dor de cabeça para os professores que ensinam criancas que cresceram vendo no Fantástico e no Globo Repórter as criancas da Somália morrendo de fome e toneladas de ajuda obtidas em shows de rock gigantescos, regados a cocaína em bom mocismo de mullet, como aquele praticado pelo tosquinho do Bono Vox.

Aqueles pretinhos magricelos cresceram com acesso a técnicas de combate, desejos de consumo e acesso a internet.

Mas aqui no Brasi, país rico e culto, benchmark de nação bem sucedida, assuntos espinhosos não devem chegar a mesa das famílias. Devem ficar escondidos em notinhas no jornal de embrulhar peixe, com espaço menor do que a meningite estio "CARAS" do filho da Claudia Leite.

As fotos que ilustram esse post mostram a tortura que tanto abominamos em nosso discurso sendo praticada pelos criadores das marcas e hábitos de consumo que sustentamos nos últimos 40 anos.

We love the american way of life.