quinta-feira, 24 de março de 2011

Bilionários por Acaso: o livro é uma lamentável ode a misoginia em pleno século 21

Acabei de ler "Bilionários por Acaso", de Ben Mezrich. Surpreso e um tanto enojado pelo fato de, em 2009 (data de lançamento do livro), TODAS as mulheres retratadas no livro serem loucas, interesseiras, alívio sexual para os "gênios" de Harvard e do Vale do Silício.


Não existe uma mulher no livro que seja destacada por sua criatividade, talento ou competência intelectual. Mais: as asiáticas são apresentadas -SEMPRE- como "comidinha" fácil para os nerds que não conseguem as loiras da Ivy League.

Nem vou perguntar o que o autor acha de negras e latinas no mundo acadêmico top dos EUA. Lamentável. Se querem saber mais sobre a criação do Facebook como negócio revolucionário, sugiro o livro de David Kirkpatrick, “The Facebook Effect". Bom demais para virar filme blockbuster.

Fico imaginando uma menina de 14 ou 15 anos lendo esse livro, na ânsia de descobrir as entranhas do espaço online que toma a maior parte de seu dia conectada, e tentando projetar seu futuro fazendo diferença no mercado de tecnologia de informação de alto nível, nas melhores universidades do planeta. Além de matar um leão por dia, essas meninas terão que lidar com o estigma de não poderem ser bonitas, atraentes e charmosas sob risco de serem confundidas com "putas" dos campi. Imagem distorcidas, difíceis de serem modificadas.

Vale atenção paterna com essa leitura.

sábado, 19 de março de 2011

Como São Paulo quer acabar com a saúde das parturientes



Caros, o belo curso de obstetrícia da USP Leste está sendo extinto. Parteiros (sim, formou homens qualificados para ajudar mulheres no parto) e parteiras em formação, que ajudariam a reduzir o número imbecil de 99,42% dos partos em ambiente hospitalar em São Paulo, ficarão sem concluir o curso.

Os alunos estão putos, e com razão.

Tentei explicar isso para colegas europeus, asiáticos e americanos e o eles, chocados, perguntam se brasileiro ama hospital. É, ainda temos um logo caminho para melhorar a saúde da mulher por aqui, mas o "lobby das tesouras" não quer deixar.

Outros cursos serão remanejados. O único extindo será o de obstetrícia.

Não vou ficar quieto. Grite aqui.
http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/8452/1

quarta-feira, 16 de março de 2011

Viagem de volta aos anos 70

Minha filhota mais velha (faz 10 anos em Abril) tem assistido desenhos e programas de TV com referências aos anos 70 e à era da "disco music", como Bob Esponja, Lazy Town, HSM, a animação dinamarquesa
 "Disco Ormone" (no Brasil, Barry e a Banda das Minhocas, estragando um ótimo título).
Disco_Ormene_Plakat_800x600.jpg

Curiosa, ela quis saber mais. Pensei em Saturday Night Fever, mas era muito barra pesada. Daí lembrei de um filme que vi moleque (1981), quase na idade dela, em um cinema-poeira em Guadalulpe, um bairro na pouco glamourosa zona oeste do Rio, onde cresci e vivi até os 14 anos de idade, antes de cair nas maravilhas do Jardim Botânico. 

Era "Até Que Enfilm é Sexta-Feira (Thank God it's Friday, de Robert Klane, 1978), uma produção da Motown (isso mesmo, a gravadora Soul).  No elenco, Debra Winger (acho que foi o primeiro longa dela), fazendo uma mulher "careta" maravilhosa, Jeff Goldblum (primeiro papel de destaque dele - acho que é o ator cuja carreira acompanho a mais tempo seguido, adoro) como dono de boate pegador, Donna Summer como a cantora de NY querendo um espaço em LA, os Commodores como os amigos do DJ (na época, discotecário). O resto do elenco sumiu nas sombras. As "valley girls", que roubam o dinheiro do irmão e vão para a Los Angeles disputar o concurso de dança também são clássicas.
"Let's Dance" (levou o Oscar de Melhor Canção) é o clássico do momento "ressurreição do herói" no filme, interpretado por Donna Summer no papel de Tina Sims. Mas durante uma cena com o Goldblum toca um cover em roupagem disco de "Je Taime Mon Amour", do fantástico Serge Gainsbourg acompanhado de Brigitte Bardot. A versão é uma merda, mas curti assim mesmo.

TGIF (é, o nome da rede de lanchonetes vem dessa corruptela) é um filme simpático e sintetiza bem as situações que poderiam acontecer em um clube noturno. As roupas, as músicas, as gírias, os costumes, está tudo lá e de ma forma não muito agressiva. Eu lembrava de cada frase do filme, cada momento bobo. E da hora do concurso de dança. Não aguentei e levantei para dançar com Lia. Ela morreu de rir, mas entrou na onda. Afinal, eu fora obrigado a aprender as coreografias de HSM 1, HSM 2 e MSM 3. Foi a minha vingança. Tive apenas que tourear as cenas onde uma mulher abandona a amiga (a caretona interpretada por Debra Winger) e vai para uma festinha no apê de um maluco, com mais 7 caras. Nada explícito, mas para mim, tudo muito claro. Também tem uma cena onde uma dentista alopra o marido careta de outra mulher (a que está xavencando Jeff Goldblum)  com seu kit de pílulas (bolinhas, na verdade: anfetaminas e calmantes), que me fizeram lembrar o colega de MTV, Luis Thunderbird, o odontólogo mais louco que conheci. Mas prefiro explicar do que ficar com cara de trouxa daqui a alguns anos.

Foi legal ver, com ela, como o mundo, os xavecos, as situações da vida eram resolvidas sem celular, sem internet, sem redes sociais. Mas que alguns valores. "micos" e anseios continuam os mesmos 30 anos depois.

Um mês antes tínhamos assistido juntos ao filme BIG, QUERO SER GRANDE (BIG), com Tom Hanks. Constatei que no meio da década de 80 o tema mais importante para a molecada era o sexo. Crescer para trepar. Não me causa surpresa. A cena deles passando pelos puteiros de NYC é forte, assim como a situação no hotel. E todo mundo fumava!!! Filmes juvenis de hoje jamais chegariam tão longe.

Ter esse elo de ligação com o meu passado, com minhas referências pop é uma forma legal de fazê-la perceber um dos elementos que fizeram parte da construção da minha identidade.

Fico imaginando Lia mostrando Lady Gaga, Paramore, Restart e Justin Bieber para os filhos dela.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Gerações

Lia e o avô curtindo uma sessão de slides dos anos 70, em plena segunda-feira de Carnaval.

foto: Felipe B


Na parede, calças bocas de sino e a infância da mãe. Como a simplicidade pode trazer poesia para a vida em um mundo repleto de traquitanas tecnológicas.

Garota Radical...Mesmo!



deve ser um babaca. Chorou com o trailer de "Soul Surfer". Gostar de Bethany Hamilton é fácil. Difícil é imaginar isso acontecer com sua filha quando ela está fazendo a coisa que mais gosta no mundo. Aqui em casa os filmes Blue Crush e Nalu são inspiradores. "Soul Surfer" não ficará atrás.

Em tempo: por aqui também temos um exemplo de superacão, dentro e fora do mar. O surfista Pauê, hoje fisioterapeuta e triatleta, passou pelo drama de perder as pernas para um trem.

A história dele está nesse link.

valeu pela dica, Raquel.

O Filho do "Animal"

Fiquei feliz hoje ao ler uma notícia dos bastidores de um desses camarotes de cervejaria.

O irascível jogador Edmundo, que carregou a alcunha de "Animal" por suas atitudes dentro e foram de campo, demonstrou que ser homem é muito mais do que sair por ai brandindo conquistas.

Ao afirmar o seu amor pelo filho, que se declara homossexual e por isso não tem o carinho da mãe, Edmundo abre um espaço importante de reflexão junto a um público que acha ser aceitável maltratar pessoas por suas opções sexuais.

Para um filho, ler uma declaração como essa pode mudar muita coisa. Assegura umm caminho em busca da auto aceitação, da auto estima.

Para mim, o melhor gol da vida pública de Edmundo. Curti.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Devolva-me

amo. foto: Felipe B, 2010.




















O assunto veio à tona em comentário sobre os mitos da amamentação no blog da amiga Zel. Pensar fora da caixa faz muita gente ficar fora do eixo e esquecer de colocar em foco assuntos importantes na vida conjugal.

Tendo passado por esse processo duas vezes, com reações e aprendizados diferentes em cada ocasião, acredito que cabe iniciar uma reflexão a respeito (no pun intended).

Com exclusão dos casais homossexuais masculinos (que não enfrentam os dilemas do pós parto e amamentação, seja em barrigas de aluguel, seja em adoção), todas as outras combinações conjugais passam pelos dissabores da posse do bico do seio.

Mais do que sabido é o fato das mudanças hormonais provocarem modificações físicas e emocionais importantes. Em muitos casos, nem a penetração pode ser cogitada, tal o estado de ∂úvida ao qual o corpo é submetido. A quem ele pertence? Ao bebê? Ao pai? A escrutínio alheio?

"Esse corpo, esse peito, essa buceta são meus, mulher e mãe! Devolva-me!", gostaria de vê-las gritar.

Mas não é fácil. Sabemos que não.

Naturalmente, devemos leva-las em consideração. Mas existem aspectos culturais que estão profundamente enraizados e que fazem homens e mulheres perpetuarem mitos, mesmo que não queiram.

Quando a mulher recusa acesso ao bico do peito de forma erótica existem desculpas prontas para não faze-lo: higiene, dor, falta de sensibilidade, dedicação total ao rebento, nojo. Muitos cônjuges, homens e mulheres (no caso de casais lésbicos), notadamente os mais jovens, tendem a introjetar conceitos semelhantes: se deixam levar pelas alterações físicas de cor e forma para justificar sua aversão ao toque, seja com a boca, seja com as mãos, pênis ou vagina.

Grande parte daquela erotização do casal, que levou à gestação ou ao pacto entre duas mulheres de recorrer a inseminação artificial acaba perdida em meio a pensamentos antiquados e preconceituosos.

E a parte fêmea dessa equação acaba sendo penalizada. Primeiro, por não ter a clareza de como ou quando deseja retomar o uso do próprio corpo e não considerar essa discussão algo pertinente a casal. Por outro lado, alguns cônjuges vão se deparar com situações atípicas na sexualidade pré gestação.

Casais que tiveram vida sexual ativa até o parto, mesmo com lactação precoce, podem ter soluções divertidas e interessantes para compartilharem. Mas e o tabu de conversar sobre sexo? Sobre vida feliz? Sobre prazer? Como tem gente que enxerga na barriga dilatada fantasmas que coibem o desejo.

Pode ser que nem queiram saber o quanto e como você gozou durante a gravidez. Pena.

Algumas mulheres ficam menos sensíveis e desenvolvem o gosto por toques mais vigorosos, que estimulem de forma mais intensa os mamilos. Até a nova forma dos mesmos ajuda a construir uma nova personificação erótica, que pode ficar submetida a um rigor moral. Aquele fantasminha da vergonha de ser classificado como curtidor de BDSM fica rondando...

Se conversar sobre toques no grelo e outros aspectos da sexualidade ainda são tabu para alguns casais mesmo antes da gestação, imagine o choque de alguns parceiros(as) ao perceberem suas mulheres interessadas em uma nova forma de usar o corpo, fora dos padrões aos quais estavam acostumados.

Sim, existe prazer na relação com a dor. Nem todas ficam mais sensíveis e rejeitam o toque. Aquelas que o fazem, talvez estejam querendo outra forma de interação, de troca, de estímulos. Se a dor e sensibilidade extra as incomodam, precisam ser respeitadas, ouvidas em sues desejos -alguns insuspeitos- e não desestimuladas aos jogos eróticos.

Acusar o outro de sabotador no auge da sensibilidade não parece ser uma medida inteligente sob nenhum aspecto, tendo em vista a busca por uma família harmônica.

É preciso entender que existem mulheres que desligam o modo “erótico” dos seis por uma questão de praticidade. O caso de amamentar em público é um desses. Se a noção coletiva de respeito ao “estado” da lactante parece ser senso comum, no íntimo sabemos que existem muitos homens e mulheres que apreciam uma mama cheia, com mamilos proeminentes, túrgida, bela em suas formas ampliadas. E nem todos (as) conseguem desviar o olhar. Se a mãe não se sente confortável com isso, é natural que crie defesas. É um direito dela.

Outra distorção moderna que pode atrapalhar de forma cruel é o mito da estética do peito. Motivada pelas imagens de celebridades cujo os peitos nunca caem, existem moças que logo ao pararem de amamentar entram na paranóia de clarear os bicos de forma artificial ou fazer cirurgia estética das mamas. Pressão de mães, amigas (?), de maridos e “maridas” (sim, leitora, no mundo das moças, alguns arquétipos também estão presentes, e de forma bem intensa e conservadora) para que se chegue ao que o outro considera o corpo “ideal”.

Perde-se a essência de vivenciar o corpo da parceira transformado pela geração de vida. Busca-se desesperadamente o “estágio anterior” da relação através da retomada do corpo antigo. Se não um erro em sua essência, tal comportamento mergulha no tanque dos equívocos.

A mulher é soberana para decidir sobre o destino e o uso de seu corpo. Mas não deve ficar soterrada sob teorias e conceitos arcaicos, que em nada ajudarão na relação dela com o filho ou parceiro(a).

Que fique claro desde cedo que “mamãe goza e quer ser feliz”. E se tiver que usar o peito “sagrado” para isso, logo, durante a amamentação, que assim seja.

Seja feliz com seus bicos.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Mochilas: a casa nas costas

Nem bem foi completado um mês de aulas e as mochilas das meninas já viraram um mafuá. A política de colocar tudo dentro delas "para não esquecer as coisas" revelou-se um equívoco. O peso que carregam e a falta crônica de espaço útil faz com que o simples ato de colocá-las nas costas seja um estorvo.

O colégio possui armários, mas cobra um aluguel patético para o uso. O melhor então será ver com as molecas o que realmente será preciso carregar diariamente.

Vou torcer para não encontrar nada bizarro dentro das mochilas hoje a tarde, como pontas de lápis (tá rindo? minha filha coleciona!), chicletes, areia e todo tipo de material sem classificação.

Depois posto o resultado das análises.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um pedido humilde e ingênuo no país de pais assassinos.

Como Pai de Menina, de criança, eu tenho o sonho ingênuo de ver minhas filhas crescerem ser ter que construir a dureza de um soldado ou a astúcia de um agente policial apenas para poderem existirem, vivenciando suas infâncias como eu pude.


Se existisse alguma entidade para a qual eu pudesse apelar, terrena ou não, eu teria pedidos.

Pediria que de hoje até o fim dos dias que nenhuma criança fosse assassinada, seja em guerras, seja por terrorismo, seja no trânsito (sem contar os motoristas bêbados, todo dia vejo filhos da classe média no colo de um adulto, no banco da frente. Ou sem cadeirinha adequada no banco de trás), seja por vingança, como essa menina de 6 anos, no Rio de Janeiro.


Pediria que nenhuma criança fosse jogada em valões e latas de lixo ao nascerem.

Pediria que ao invés de bolsas-familia e outros tapa-buracos com objetivo eleitoral, que investíssemos em educação para tirar a maior parte de nossa população da Idade Média.

Tente explicar a quantidade de crianças achadas no lixo diariamente (apenas os casos publicados em jornais) no Brasil a um amigo que more em um lugar civilizado. Vai ser chamado de mentiroso sensacionalista.

Em uma semana o Rio de Janeiro viu três assassinatos de crianças. Todas poderiam estar vivas. Não existe justificativa para essas mortes e os responsáveis, pais e mães, devem ser responsabilizados. Todas as mortes envolveram familiares.

Enquanto isso a presidenta vai fazer omelete na TV.

Sintomático.

terça-feira, 1 de março de 2011

E SE FOSSE A SUA FILHA? OU COMO A COVARDIA CRIA RAÍZES

Estou puto com o caso do criminoso de Porto Alegre, ainda mais agora que a edião do dia 28/2 do Jornal Nacional praticamente inocentou o sujeito (dica: jamais trate seus problemas juridicos - civeis ou penais-, na TV, a não ser que seja ao vivo. Edições podem destruir seus argumentos).

E ciente da memória curta do brasileiro para crimes de gente poderosa, lembro que o monstro Pimenta Neves ainda está livre. Enojam os depoimentos em seu site (isso mesmo: assassino com site - veja só!) que tentam justificar o assassinato covarde, a tiros, de uma mulher. O fisiologismo das redações revelado de forma crua, já que beneficiados por sua imensa bondade em imbróglios trabalhistas veem nele um herói. Mulheres inclusive.

A pergunta que fica é: e se fossem suas filhas assassinadas com tiros nas costas, sem chance de defesa? Você defenderia esse monstro para deixá-lo em liberdade?

Por isso defendo minhas meninas com unhas e dentes. E, sim, quero fazê-las acreditar em justiça o Brasil. Mas está difícil...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Violência sobre rodas

só tinha visto imagens abjetas como essa
durante a recente revolução no Egito, quando carros e caminhões atropelaram revolucionários de forma cruel e desumana. Motivações diferentes, modus operandi exatamente igual. O desprezo pela coletividade impera e mostra sua cara -de forma global-, em 2011. Vamos mudar isso. Impedir que se torne uma imagem comum no cotidiano de nossa molecada, cada vez mais bombardeada com imagens assim, em um momento onde temos cada vez menos controle sobre o grande volume de conteúdo que os atingem diariamente, principalmente quando estão longe de nossa presença, nosso filtro.


Toda vida ao movimento Massa Crítica.

UPDATE: Ricardo José Neif. Favor colocar no dicionário como sinônimo para "assassino serial". Se esse homem sair impune, com acreditaremos em justiça nessa país? Como deixaremos a molecada sair tranquila de bike, sabendo que gente assim fica impune?

QUEREMOS UM MUNDO MAIS BACANA PARA NOSSA MOLECADA MAS TEM GENTE QUE ODEIA A IDEIA.

Tenho falado sobre intolerância. Gostaria de falar apenas sobre como criar um mundo mais bacana para minhas meninas crescerem. Mais solidário, menos poluído. Mais consciente que devemos, todos, ter um papel ativo na busca por qualidade de vida.

Mas tem gente que não parece acreditar nisso, em a despeito de saber que pode ser identificado, coloca o ódio e a vontade de matar na frente de toda e qualquer civilidade.
foto: Fernando Gomes

Este imbecil de Porto Alegre jogou o carro deliberadamente contra cliclistas membros do Massa Crítica, braço local do movimento que defende o uso da bicicleta como transporte individual e uma solução viária para cidades enlouquecidas.

Ele fez isso diante dos oficiais que ajudam na organização e deslocamento dos ciclistas.

Buzinou antes. Tentou forçar passagem. E atropelou, ferindo mais de 10 ciclistas do grupo.

Que as autoridades gaúchas tomem providências.

O covarde abandonou o carro, mas foi identificado. Cadeia.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ESPELHOS QUEBRADOS

Para quem acha que a luta é fácil, veja o que mais ainda tenho que enfrentar. Uma jovem mulher negra, Lívia Zaruty, que depois de passar dois dias fazendo comentários insultosos e distorcendo fatos, resolveu postar em seu blog (não me darei ao trabalho de fazer uma análise crítica do conteúdo) os mesmos insultos publicados antes na forma de comments.

Não satisfeita em alterar lugar, características físicas de minhas filhas, exibir uma visão tão preconceituosa da existência de uma pessoa, ainda incorreu em injúria, calúnia e difamação.

Como se vê, uma mulher negra e jovem também pode incutir nos mesmo erros que a atendente do estabelecimento no qual aconteceu a ocorrência.

Nesse caso, ainda pior. A moça em questão construiu um fato e desenvolve sua tese distorcida arraigada a essa visão.

Reproduzo aqui um trecho do "discurso", textualmente, conforme publicado:

"Gente,vi as fotos da filinha dele no dia e afirmo era previsivel confundirem..
Ensine a REALIDADE e busque clareza de seus direitos..
A maioria da poluçao negra,mora no LEME?
Qual o perfi da Maioria da crianças de rua da Zona sul?
Vou ensinar a minha filha,primeiro a ter conciencia que estamos em um pais onde o NEGRO e visto NEGATIVAMENTE por culpa do proprio negro...
Por isso devemos ao maximo evitar qualquer aproximaçao de Semelhança de comparaçao de uma minoria ociosa desse pais...
Prenda o cabelo da MENOR,vista de um modo adequado,ainda infelizmente como negros nao podemos nos dar o luxo de andar nas ruas da Zona Sul como se estivéssemos no quintal de casa!
Criar um blog com a imagem da filha,para um finalidade sem um obejtivo?sinceramente nao entendo?"

Ou seja, liberdade de expressão a parte, incutir em desinformação e visão distorcida, quando temos fotos e testemunhas pr provar o ocorrido torna tudo ainda mais triste. Tenho que ter forças para mais essa. A visão que a moça tece de minha filha me parece um daqueles casos de espelhos quebrados. Qual seria o motivo de tanto ódio colocado de forma torpe? Um mistério.

A Sra Lívia Zaruty desfila seu preconceito de forma pouco coerente e ofensiva. Mas ela parece não perceber o alcance de sua retórica.

Naturalmente, não posso postar meus comentários no blog de Lívia Zaruty, que deliberadamente apagou minha postagem exigindo a reparação de como ela entende que se deu a ocorrência, sem mesmo estando lá.

Sendo assim, em meio a uma questão judicial, já deverei iniciar outra.

O caso é grave.

Aos que nos apoiaram

Em respeito aqueles que ofereceram suporte e solidariedade a nossa família após a ocorrência aqui divulgada, comunico que estaremos amanhã diante da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RJ, compartilhando o acontecido e em busca de orientação. Muito obrigado a todos pelo apoio solidário.

Dos comentários infelizes

Ao escrever inverdades, deliberadamente, em seus comentários uma certa moça me obriga a realizar mais um defesa, por enquanto via texto, como regem as normas legais vigentes no Brasil.

Peço desculpas sinceras a todos os leitores e leitoras e modificarei o sistema de comentários para preservá-los de discussões equivocadas.

Para esclarecer a uma comentarista infeliz, que fez seu último comentário no post "Dora 5 anos: a alegria antes da ocorrência", de uma vez por todas, espero:

1) As crianças estavam voltando do banheiro com a mãe e adiantaram-se para me encontrar. A mãe estava a dois metros atrás delas. Eu estava a um metro delas quando aconteceu a ocorrência. Se tivesse lido com atenção, eu não precisaria repetir. As crianças não relataram o ocorrido: e presenciei. E ainda fui tratado com ironia pela funcionária "tadinha" que, ao perceber que eu era o pai, tentou justificar-se de forma ainda pior.

2) 22h30, hora da ocorrência é um horário normal para o encerramento de uma comemoração de aniversário iniciada as 19h00. Minhas filhas,  em dias normais, dormem as 20h00.

O EXIF das fotos tem data e horário, assim como coordenadas GPS e não pode ser modificado, consistindo em prova legal válida. O mesmo vale para os vídeos feito na ocasião.

3) A funcionária em questão fez nossa reserva por telefone e recebeu o grupo, crianças incluídas, na noite do dia 16/02. Como gerente, tinha a responsabilidade de saber e zelar pelo bem estar de clientes que escolheram aquele espaço e o reservaram justamente por contar com um espaço dedicado às crianças, com destaque no site da empresa. Uma leitura atenta aos fatos evitaria que você cometesse o ato de propagar inverdades, agravado pelo fato de não estar presente. Os fatos aconteceram depois que pagamos a conta o que demonstra ainda mais a falta de preparo daquele estabelecimento ao lidar com seus clientes.

4) O patrio poder me reserva o direito de defender minhas filhas de qualquer agressão, sem com isso incorrer em outra. Dentro da prerrogativa legal, procurei a autoridade policial. Pais respondem por seus filhos menores, Livia, segundo a lei de qualquer pais civilizado e signatário do tratado de Haia.

5) Lia vestia short e camiseta de grifes renomadas, roupas novas e em ótimo estado. Dora não trajava vestido (cuidado com a difamação, senhora Livia) e sim um macaquinho cm corte balonê e pernas saint tropez. Não consigo imaginar de onde tirou a ideia de que era maior do que ela. Basta olhar as fotos para ver os trajes.

Em tempo: mesmo que fossem crianças de rua não poderiam ser barradas em espaço que é uma concessão em área pública, incidindo em crime de cerceamento do direito de ir e vir e constrangimento ilegal de menor, ambos crimes tipificados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

6) Descabelada (novamente, difamação - basta ver as fotos). Quando você era criança e brincava (será?) provavelmente tinha um séquito de empregados para arrumar suas madeixas a cada minuto do folguedo. Minhas filhas estavam como as demais crianças que usavam o parquinho do quiosque.

Ainda que descabeladas estivessem, pelo motivo supracitado jamais poderia ser sequer tocadas pela funcionária em questão, muito menos agredidas verbalmente. Você as está agredindo também ao negar aos seus olhos o que as fotos revelam. O pior cego é o que não quer ver.

7) Presumo que esteja ciente de estar incorrendo em seguidas inverdades em um espaço democrático, mas regido pela legislação brasileira e pelas normas de conduta do Google. ao assinar o serviço concordou com as mesmas e está sujeita as implicações legais sobre suas palavras.

8) Onde você leu que eu estava pedindo a prisão da agressora? Mais uma vez incute em difamação e em injúria ao imputar-me uma palavra que não usei.

9) Para evitar sensacionalismo e compreensão equivoca, foquei minha reclamação em redes sociais, blogs e jornais. Em meios escritos é possível refletir sobre fatos de forma ponderada. Preservei as meninas e até mesmo a vitima ao não polemizar em TV, imediatista por natureza, recusando polidamente os pedidos de entrevistas.

 Como os leitores sensatos podem ver, nem todos entendem isso e extrapolam em sua maneira de comentar. 

Tive toda a paciência e respeito com você, presumindo ser uma leitora consciente e capaz de expor seu ponto de vista sem agir como uma energúmena.

Aqui é o meu espaço de expressão. Você tem o seu. Use-o.

Minhas filhas são educadas com esmero e de forma holística, justamente para serem pessoas melhores e capazes de estabelece relações para lidar com o mundo. Pena que nem todo pai tenha conseguido educar sues filhos da mesma forma. 

Certamente o seu pai não obteve sucesso na empreitada de educá-la. 

Ainda não consigo entender seu ódio direcionado a mim. Não conheço você, não lhe procurei par acusá-la ou agredi-lá e sequer tenho interesse em sua existência. Prezo o meu direito de continuar assim.

Mas, certamente, não vou esperar por desculpas, de forma que tomarei as medidas que me cabem como cidadão. Por enquanto, baseado em todas as mensagens aqui postadas, baseio no código penal e vejo claramente a violação dos artigos 138 e 139. Espero, sinceramente, que não chegue ao 140.

Com pesar, mais uma vez,
Felipe Barcellos

Escolas públicas cariocas: chapa quente!

41 graus em sala do Colégio Pedro II, em São Cristovão, 21/2/2011 foto: Paulo Alvadia, Ag O Dia.




Quando voltamos para Rio, em 2009, minha filha mais velha estudou em uma excelente escola pública, cuidada com muito carinho pela direção do estabelecimento. Apesar da incrível professora Márcia, um exemplo de dedicação, existiam duas condições que tornavam a tarefa de facilitadora do aprendizado quase impossível: o calor insuportável e o descaso dos pais com a continuidade da educação no ambiente doméstico.

Para o calor, não existe fórmula mágica. Com o que se gasta para comprar e abastecer os carros dos parlamentares estaduais seriam possível instalar unidades de condicionamento de ar em todas as escolas da rede pública, municipais e estaduais. Se incluirmos as verbas de publicidade, seria possível refrigerar até as bibliotecas. Mas nem os colégios federais instalados no Rio de Janeiro, como o Pedro II possuem o equipamento para o corpo discente, instalando-os apenas nas salas da diretoria. Me mostre um lugar no planeta Terra no qual alunos consigam estudar sem perder a atenção sob um calor de 41 graus e ainda assim conseguirem excelência acadêmica e eu paro de reclamar.

O segundo problema é mais grave. Convivi com muitos pais que, quando muito, apareciam nas reuniões da escola para reclamar da rigidez na avaliação das crianças (a professora não concordava com o regime de aprovação automática, que formou uma horda de analfabetos funcionais) e com a exigência do trabalho de casa e da leitura semanal de livros.

Uma das crianças que era de convivência mais próxima relatava as pressões que sofria em casa par largar os livros, que eram "bobagem". Esse menino, inteligente e perspicaz era incentivado por seu pai, zelador de um prédio na vizinhança, a jogar video game (sim, tinha um PS2) e frequentar Lan Houses para usar o Orkut e MSN, mas não gostava que o menino dedicasse tempo para ler. O menino tem agora 9 anos.

O motivo desse comportamento era o fato do pai ser analfabeto e acreditar que um filho "letrado" questionasse seu poder de pai. A mesma história repetia-se em toda a escola, sendo ainda mais cruel com o elemento feminino. As meninas que não se enquadravam no comportamento lascivo precoce, estimulado pela cultura do funk (as "novinhas" que citei em um post anterior), eram sumariamente excluídas do convivio com as demais. Sem maquiagem carregada, pulseirinha do sexo e roupinha cravada. Lembrem que estou falando de meninas de 9, 10 anos. Nada contra o funk para adultos, mas acho crueldade uma criança em formação ser bombardeada com valores sexistas. Quando a escola decidiu que não teriam funk durante as festas juninas, quase houve uma rebelião...Das mães!

Felizmente, as exceções existiam. A mãe de uma amiguinha de Lia, também casada com um zelador e guerreira ao extremo no que diz respeito a formação cultural da filha (e inteligente o bastante para ter apenas uma filha, de acordo com a renda do casal). Incentiva atividades extra classe, pesquisa, cuida da cultura geral da filha com boa música e estimulando um aprendizado saudável.

Ou seja, não é a origem de uma pessoa ou suas posses que vai determinar o comprometimento da mesma com a educação de sua prole. Mas esses exemplos precisam ser divulgados e estimulados. Espero que um dia sejam o lugar comum.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para não passar em branco

Aos que foram vítimas de agressões como a sofrida por minha filha, o respaldo legal para reclamar seus direitos:

Lei 7716

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador.

Pena: reclusão de um a três anos.
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público.

Com o agravante:

Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço).

Ou seja, o comunicado presume que a vítima seja intimidada. Não será.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rio de Janeiro, uma cidade intolerante

Como alguns cariocas têm cultivado o ódio e a intolerância. A cidade supostamente liberal, mostra sua cara retrógrada a cada ato racista e proconceituoso. Cabe as vítimas gritar para terem os seus direitos respeitados.

Ontem, mais um caso de intolerância chocou a cidade.

O Rio vive sob um manto pseudo liberal que mal consegue atravessar o túnel Rebouças. Isso moçada, gritem para serem respeitados. Caso contrário, aquele discurso "bati pois achei que era puta" ou "queimei sim, era mendigo" vai perpetuar-se.

Não vou deixar que as coisas continuem assim.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Para entender como as crianças pensam o conceito de "raça"

A pesquisadora americana Rob Bernstein dedicou boa parte de sua vida a estudar como inventamos o conceito de "criança" e o mercantilizamos ao longo dos últimos dois séculos.

Ela escreveu o livro Racial Innocence: Performing Childhood in Black And White.

Um artigo de Abril de 2010 sobre seus estudos pode ser lido aqui.

Como tapar o sol com a peneira

Demitiram a agressora. Basta?

Dora 5 anos: a alegria antes da ocorrência.

compartilha com os velhos e novos amigos do blog a parte boa do aniversário de 5 anos de Dora, na noite do dia 16/2, no Leme. A molequinha estava muito feliz com a festa surpresa, ao lado dos amigos e parentes. Até aquela mulher estragar tudo.




Pintando para esquecer.





Minhas bonequinhas passaram o dia com pincéis, telas e tintas. Assim, parte da tristeza se foi, muito dela transportada para o temas das telas. Bola para frente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pérolas aos porcos

Muita solidariedade, repleta de reflexões pertinentes, chegou a minha caixa postal. Agradeço aqueles que me ajudaram e a minha família a superar o momento ruim. Ganhamos força para lutar.

AOs que se exaltaram em suas manifestações preconceituosas e descabidas, resta a forma da lei. IPs anotados e páginas de comentários salvas. A internet não é uma terra sem lei. E um recanto genial onde pessoas de bem podem expor ideias controversas de forma civilizada, como a maioria dos que por aqui passaram ontem e hoje.

Aos demais, desejo que o aprendizado chegue antes que seja tarde.

De volta à programação normal a partir de amanhã.

E a vida continua

não gosto de flames, ainda mais em 2011.

Centenas de leitores foram solidários e agradeço a todos com coração aberto.

BO em andamento e as medidas legais serão tomadas

Mas, claro, existem aqueles que endossam o racismo e a vergonha.

Para estes, esclareço: ainda que fossem crianças de rua, maltrapilhas que estivessem, não deveriam ser enxotadas como párias. Aquele quiosque é uma concessão em um lugar público, a praia. Caso as supostas crianças estivessem sendo inconvenientes, uma conversa amiga, na altura dos olhos, resolveria a questão. Sem a violência da suposta superioridade social. Minhas filhas estavam em silêncio e sem nada nas mãos. BO em andamento e a vida segue.

Espero que aqueles que comentaram de forma acintosa nunca passem por nenhum tipo de violência ou intolerância.

Mas, se sofrerem, podem contar com a minha solidariedade.

Ontem, dia de aniversário de 5 anos de minha filha, mataram um pouco de nós

Bom dia,

Nunca imaginei que depois de tanto colaborar com o EU-REPORTER, tivesse que viver na pele a dor de um cidadão agredido com sua família em um dia de festa.

Escolhemos o quiosque Espaço OX, no Leme para comemorarmos o aniversário de 5 anos de minha filha mais nova, com amigos e familia, num total de 20 pessoas. Reservamos e chegamos, com as crianças, as 19h00. Realizamos a comemoração comas minhas filhas, Lia e Dora, que durante todo o tempo brincaram nas dependências do quiosque as vistas dos funcionários.

Todos os convidados consumiram regiamente e pagaram suas despesas com tranquilidade.
Aos nos prepararmos para ir embora, as 22h30, a funcionária Loi impediu minhas filhas, Lia(9 anos) e a aniversariante Dora (5 anos) de entrarem no quiosque ao retornarem do banheiro.
O motivo: alegou que seriam crianças de rua, por serem negras e terem cabelos crespos. Para encurtar uma longa historia: minha filha mais velha, de apenas 9 anos, está em choque. As alegações da funcionária não apenas são racistas e incidem em constrangimento ilegal e cerceamento do direito de ir e vir, como denotam a falta de atenção dedicada aos consumidores que frequentam o espaço. Vou entrar com medidas legais contra o estabelecimento e um processo por constrangimento ilegal, injuria, difamação e crime de racismo contra a funcionária.

Não queiram saber a dor de um pai ao vivenciar tais cenas em um dia de festa. A dor não vai embora quando fecho os olhos. Me vem a imagem de minha filha, minutos antes extasiada de alegria e em seguida chocada com uma realidade distorcida.

Estou sentindo muita dor. Uma dor que não vai embora.

A funcionária tinha a obrigação de observar quem estava na mesa mais numerosa do estabelecimento, estávamos minutos antes cantando parabéns e repartindo um bolo.

Impossível não ver a alegria que minhas filhas viviam em meio a amigos e família.

Loi estragou tudo com seu preconceito e despreparo para lidar com o publico. Precisa ser punida de forma exemplar.

Minha filha, uma crianca que é o que existe de mais valioso em minha vida, está DESTRUÍDA, achando-se culpada por não ter a aparência "certa" para poder ir e vir.

Espero que tal comportamento não seja uma norma do Grupo OX e da Orla Rio.

Esta carta está sendo copiada aos principais jornais do Brasil e publicações do segmento de turismo no Brasil e no exterior, em inglês.

Felipe Barcellos
Jornalista (ex-Folha, ex-editora Abril) e pai.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Volta às aulas. De novo.

Costurei a camiseta furada da mais velha. Fiz o lanche. Pendurei as roupas no cabide: sutiã, short-saia e meias. Conversei sobre as novidades. Sobre as obrigações e responsabilidades. Deixei a pequena colocar as meias de cores trocadas dentro do tênis. As mochilas novas repletas de sonhos. Volta às aulas é muito legal.

sábado, 22 de janeiro de 2011

"Igual ao Lula"

Noite calorenta, e Dani tentando fazer um velho circulador de ar funcionar sem barulho, sem sucesso. Ao quase esbarrar na hélice a mãe reclama que com uma besteira dessa poderia perder o dedo. E Dora solta essa: "Igual ao presidente Lula?"

Yogo Girl Frenzy



Amigas e filhotas juntas em uma tarde calorenta, aqui no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Bom motivo para começar o ano com deliciosos sorvetes de iogurte e toppings de frutas. Um bom 2011 para todo mundo!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Crianças, Sexo e Dinheiro: a vida (e a morte) pós-trafico em comunidades pacificadas


Tem filha? Então digite “bonde das novinhas”, “novinhas do funk” ou “novinhas metendo” no Google ou no You Tube. Vá, pense fora da caixa e faça isso. Agora imagine uma das meninas que você viu, com cerca de 13 idade anos do Complexo do Alemão (isso vale para outras comunidades e até mesmo bairros classe média da Zona Sul carioca) cobra cerca de R$100,00  por programa (camisinha, esqueça - é moeda de troca fazer sem preservativos, chegando a dobrar o cachê), sendo que R$ 40,00 ficam para ela e R$ 60,00 para o cafetão ou cafetina (em muitos casos, membro da família). 


Esqueçam os dias livres. Quando muito, um dia de folga para ir ao Shopping. Obviamente, os dias de menstruação são resolvidos fazendo sexo com diafragma ou praticando apenas sexo oral ou anal. Elas não querem descansar. 

Agora convença essa menina que vive cercada de miséria que ela poderia largar essa vida e ganhar em um mês metade do que ganha por semana lavando banheiros no McDonalds do shopping mais próximo ou trabalhando como empregada doméstica. Ela vai rir de você, leitora. Shopping para ela é um lugar para passear com as amigas, azarar, conseguir alguns clientes (praças de alimentação, em qualquer shopping, são palco de um tipo muito interessante de trottoir)  e torrar os R$1500,00 que ela ganha por semana, trepando cinco vezes com estranhos (ou parentes, ou conhecidos, ou vizinhos, ou amigos da escola).

Muito bom que o Estado tenha resolvido arcar com o custo social de melhorar as condições de vida em área dominadas pelo tráfico. Mas existe uma seara onde ele não consegue entrar: na vida privada.

Famílias que cresceram sem planejamento e sem esteio moral jamais conseguirão dar suporte emocional e educacional para crianças em formação em um ambiente onde o estimulo do “sucesso” fácil é diário. Menos pela mídia - jovens carentes passam menos tempo diante da TV do que os sociólogos antiquados acreditam -, mais pelos códigos da própria comunidade. A indústria do funk criou uma base sólida para a exploração sexual precoce. 

Crianças pequenas dançam e cantam letras de conteúdo sexual perverso, se não na forma (mulheres que assumem o papel de brinquedos sexuais dos homens da comunidade, sem culpa) na falta de diálogo para contextualizar o que repetem como um mantra, aos 8, 9 anos de idade. Basta escutar a programação vespertina de rádios como a FM O DIA, para terem a dimensão do que estou dizendo.

Em áreas onde gravidez adolescente apresenta características de epidemia, fica difícil encontrar em uma mãe ou uma avó algum suporte que fuja ao estereótipo. Se antes elas eram “educadas” cada vez mais cedo para serem as escolhidas como mulheres dos traficantes dominantes, agora, com a guerra o tráfico, elas vão migrar em massa para a prostituição, seja nas ruas locais, seja virtual (mais difícil de combater) oferecendo seus serviços via MSN e Orkut. 

Enquanto fora do Brasil os pais estão preocupados com o “sexting”, aqui no Brasil as meninas aproveitam os recursos de comunicação e criação de imagens dos celulares para vender seus corpos  e produzirem imagens de sua nudez, a qual é precocemente valorizada nas relações pessoais e de comércio sexual. Não, crianças não podem ter privacidade digital, como já comentei em outro texto.

Visite um cinema multiplex da zona oeste carioca ou a praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, para entender a dimensão do problema. Uma garota com um celular na mão e acesso remoto (longe de casa e dos olhos protetores da família - quando existem) a redes sociais é uma empresa do sexo, capaz de comunicação eficiente e discreta com sua clientela.

Elas não são criminosas. São vítimas. E o pior: vítimas em uma faixa etária na qual acham que estão repletas de razão. Um garota que ganhe R$ 75 mil ou R$ 80 mil reais por ano, livre de impostos, não é vista como algo indesejável em uma família onde a renda combinada dos pais não chega R$ 2 mil mensais. E para justificar a “renda extra” daquele núcleo familiar, basta que a menina faça algumas apresentações como dançarina em um baile funk. Vira “artista” e lava o dinheiro da prostituição. Está fechado o círculo vicioso.

Já a turma da cafetinagem leva entre R$ 375 mil e R$ 500 mil por ano, sem ter que trocar tiros com a polícia ou criar logística de quadrilha para armazenar e proteger drogas, vender gás clandestinamente ou criar centrais de TV a cabo pirata. É o dinheiro sujo mais fácil que alguém pode ganhar. Cada vez mais os traficantes e milicianos estão migrando para a exploração da prostituição infantil e adolescente como fonte de renda sem dor de cabeça.

E essa dor, essas vidas perdidas precocemente, os tiros, carros blindados e rasantes de helicóptero não serão capazes de “libertar”.

Aqui, a solução para o problema está para frente, nos próximos 10 anos.  Assim que a hipocrisia do Estado cessar e o foco passar a ser planejamento familiar e esforço sócio educacional como moeda de troca em políticas de distribuição de renda. Chega de gerar massa de manobra, corpos dóceis e eternamente agradecidos à bolsa-miséria. É hora de bolar uma geração oriunda da pobreza capaz de tomar as rédeas desse pais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Miniputas

Sabem o resultado de ser irmã da Miley Cirrus (antiga Hanna Montana) e filha de uma mulher que trai seu amado (e careta) pai com o Brett Michaels (lembram dele)?

Você dai dar uma festinha de pole dancing e lançar uma coleção de lingerie sexy para crianças aos 9 anos de idade. Celebridade precoce com destino de vida.

Pode guardar a vaga dela na clínica Betty Ford.

Porra, deixem as crianças serem crianças! Parem de vender seus filhos como pedaços de carne.

Faz um 21...

Uma leitora de 21 anos me pergunta o que fazer para reaproximar-se do pai. Eu não sei. Não confiou em terapeutas e suas "linhas", portanto não vou emular um e dar respostas fáceis. Não sei como foi a mecânica dessa relação que em em pouco tempo fez da magia da paternidade um abismo entre esse pai e essa moça.

O que sei é que tenho medo. Muito medo. Medo de fazer tudo certo e minhas filhas acharem que fiz tudo errado. Mas não abro mão da linha que tracei, de não fazer concessões desnecessárias, de não abreviar a infância e de ter o caminho do diálogo aberto desde já.

Vai funcionar? Não tenho como afirmar. Eu posso morrer antes dela chegar na idade "de dar problemas". O pepino ficaria para a mãe. Mas pode ser que eu possa ter nela uma grande companheira de surf, de livros, de descobertas. Pode ser que eu seja um "colo" para sempre, para todas as roubadas da vida, um porto seguro depois de cada toco ou frustração. Um porto seguro nos momentos felizes, de vitória, de conquista, de realização pessoal.

Eu poderia dizer à leitora para chamar o pai para conversar, expor seus anseios e, sim, pedir o seu colo. Mas não farei. Tenho visto coisas, diariamente, que me fazem duvidar de certas paternidades.

Alguém consegue explicar um pai chutando a cabeça de sua filha de 15 anos até a morte, apenas por ela estar namorando na praça, escondida? Brasil, 22 de novembro de 2010. Foi preso. Já soltaram. A igreja dele não permitia o namoro. Aos 41, já não tenho muita paciência com humanismos politicamente corretos. Cansei deles. Eu mataria esse homem se pudesse, da mesma maneira que ele matou a menina.

Sou devoto da paternidade responsável, mas sei que a vida não é linear. Altos e baixos acontecem. Mas, se decidimos ter filhos, temos a obrigação de zelarmos pelas crias. Obrigação! Não é opcional. Ninguém pediu para nascer. Nós trouxemos essas pessoas para cá. Sendo assim, antes de qualquer merda acontecer em nossas vidas temos que zelar pelo bem estar de nossas crias. Ainda mais meninas, que já crescem sob um manto de submissão, controladas em sua essência para comportarem-se como a sociedade quer e não como elas mesmas são.

De que adianta comemorar um dia de Não Violência Contra a Mulher em um mundo repleto de Valeskas Popozudas, Mulheres Melancia, Sabrinas e afins? Respondo: nada! Enquanto as mulheres decidirem se auto-agredir em sua essência, pouco vai melhorar a maneira como as identidades masculinas em formação enxergam a figura da mulher. Se uma mulher ganha dinheiro e divulga sua imagem pública chamando-se de buraco e a maior parte de seus seguidores são outras mulheres, algumas prestes a serem mães, sabemos que a luta pelo respeito e igualdade não vai terminar tão cedo.

É preciso mostrar para essas meninas, desde cedo, que elas vivem um uma sociedade supostamente igualitárias, gerida pelo "livre arbítrio", mas que muito da liberdade propagada é moldada pela visão e mundo dos homens. Moldada na construção delas como objetos de desejo. Peças de consumo.

É preciso educar essas meninas para que não tenham conflitos precoces entre suas práticas e ideias da vida privada com a postura que se espera delas na esfera publica. Se minha filha gosta de masturbar-se com pensamentos submissos ela precisa saber que não precisa viver com culpa ao ter que adotar uma postura diferente na vida social, acadêmica e profissional.

Tirar a culpa da cabeça da mulher, ou dar espaço para que elas verbalizem suas confusões desde cedo pode criar mulheres mais fortes, menos sucetíveis aos caprichos masculinos mais nefastos, que ainda fazem vítimas diárias nas mais diversas classes sociais e modos de vida.

Eu, você, todos nós conhecemos uma mulher que apanha (fora dos limites da sexualidade, como falei acima -a velha discussão do sexo violento consentido entre adultos- eu gosto) de marido, de amante, de namorada (sim, lésbicas, as vezes, não se respeitam como mulheres - vão tapar o sol com a peneira?) e permanecem caladas por anos a fio. Pelas crianças, pelo casamento, "mas eu não tenho para onde ir", "o que meus subordinados vão pensar". E assim, a essência do feminino continua sendo jogada no lixo. Pelas próprias mulheres.

A leitora que disparou o post, desejo toda a coragem para descobrir o ponto de convergência entre ela e o pai. Torço para que tenham algo em comum que possa ser explorada na retomada de uma relação cordial. Mas se perceber que é tarde demais, faça o foco em seus objetivos de vida e siga adiante. Sua vida vale mais do que tudo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Na escola não. Nunca. Na sua casa, o problema é seu. Depois não diga que não avisei.



existe uma visão estúpida de achar que no terreno pantanoso do sexo entre adultos e jovens, quando é com meninos, tudo bem. Tem pai e mãe que chegam a relatar tais casos com orgulho. "Afinal ele ja é um homenzinho, já tem 15 anos", dizem. É preciso separar as coisas: na escola, com professores ou funcionários, não. Sob o risco de não conseguirmos mais discutir com eles normas de conduta em sociedade. Depois choramos as consequências da "largação".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filhos não precisam de privacidade digital. Nós precisamos de olhos abertos.

Mais uma semana e mais um caso de meninas adolescentes que partem para encontros com desconhecidos combinados via internet, dessa vez na Bahia e no Paraná. Seja em salas de chat, seja por redes sociais, seja por mensagens instantâneas (MSN e afins) a molecada está na alça de mira de sacanas de todo o tipo. Muitas vezes amigos da família. Muitas vezes, familiares. Se bancarmos os modernos e fizermos vista grossa à vida digital de nossos filhos vai dar merda, claro.

Tudo por que essa geração de crianças é cria direta de pais usuários de internet que dão pouca ou nenhuma atenção ao fato de que, sim, existe gente que sabe da vulnerabilidade de uma pessoa em formação diante de uma liberdade total de expressão. E a equação é simples: uma criança ou adolescente que passe mais de 2 hors diárias em frente ao computador ou dispositivo portátil trocando mensagens ou consumindo (sim, consumindo - a maioria não produz conteúdo relevante.) é devido a uma carência de atenção paternal.

Não existe rede social apra crianças. Aliás, nenhuma delas coloca em seus disclaimers que assume a responsabilidade de serem babeas do que seus filhos fazem na rede. Criança não precisa de celular. Criança não precisa de comunicador instantâneo. Mas a ansiedade paternal de querer ver o filho inserido na modernidade -um must nas conversas de pais que gostam de exaltar os "superpoderes" dos filhos- está expondo nossas crianças e adolescentes cada vez mais aos impulsos nefastos de predadores sexuais habilidosos em identificar fraquezas, apostando em um misto de curiosidade, impulsividade e carência de afeto e atenção típicos dos pais de nossos tempos.

A coisa piora quando entra em jogo o conceito de privacidade. Primeiro, crianças não devem ter privacidade em sua comunicação com estranhos, sejam eles de que idade forem. Os controles parentais disponíveis em toda e qualquer ferramenta de comunicação digital, incluindo ai os videogames com acesso à rede, estão lea para serem usados. Não são enfeites.

Precisamos, sim verificar os logs de mensagens e saber quais sites nossos filhos frequentam e que tipo de conteúdo estão tendo contato. São influências, boas ou ruins, mas que possuem um canal direto para as cabeças da garotada, sem filtros. Compre, tenha, seja mais do que o outro. seja sexy. seja superior. Como diz Washington Olivetto na coluna de Daniel Castro na Folha de São Paulo publicada em 22 de novembro de 2010, "É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade".

Se levarmos em conta que os principios que aprendemos em publicidade para seduzir e criar consumidores cegos, com corpos dóceis e vontades manipuláveis, podem e são portados para as relações humanas, fica claro que o cenário de vulnerabilidade de nossos filhos é real e vasto. Nossa obrigação é prepará-los para separarem o joio do trigo.

Quando um predador sexual, homem ou mulher, chega próximo à fragilidade emocional de nossos filhos a ponto de faze-los burlar nossa vigilância e confiança (quando existem) para aventuras que, via de regra, se traduzem em situações trágicas para as crianças é por que não cumprimos nosso papel de protetores como deveríamos. Sem desculpas.

A perigosa inversão de valores, demonstrada pela prática de deixar às crianças o duvidoso posto de capitães da tecnologia em casa ("nem sei ligar, não tenho paciência para isso, mas Fulaninho sabe tudo de informática"), como se isso fosse trazer algum benefício para suas formações sócio-psíquicas-, agrava esta situação de exposição aos perigos, não só para as crianças, como para todo o núcleo familiar.

Uma criança ou um adolescente magoado e complexado em busca de reconhecimento em seu grupo social pode facilmente revelar detalhes da rotina e do patrimônio familiar de forma a alertar meliantes de todo o tipo para ações nefastas. Quando produzi o documentário SEQUESTRO, tive depoimentos de vários sequestradores que procuravam suas vítimas em redes sociais. Na maioria dos casos, adolescentes exibicionistas.

Sem alarmismo, mas com os pés no chão, vale pensar em com a prática da liberdade digital em casa deve ser pensada em um cenário como o de hoje.Uma conversa franca sobre limites, que pode ser benéfica ao expor os assuntos que passam pela cabeça dos filhos, mas raramente tornam-se pautas de conversas familiares.

Nossas experiências online boas e ruins no campo social, erótico-afetivo e profissional devem ser analisadas e delas podemos tirar uma boa conclusão do que podemos proporcionar aos nossos filhos em termos de segurança e responsabilidade com as informações pessoais.

Uso a web e outros meios digitais para todo tipo de relacionamento desde 1994. Tive muitos blind dates onde eu era o sedutor, aquele que proporcionaria a experiência extraordinária, que não poderia ser evitada sob pena de arrependimento eterno. Menti para muitas mulheres apenas para ter prazer imediato, para servir ao meu desejo de conquista. E ter como alvo pessoas incapazes de discernir entre o adequado ou não, independentemente de formação acadêmica ou sócio-cultural era a coisa mais simples do mundo. Na época não havia defesa. Essas pessoas poderiam ser vítimas por carta. Mas eram mulheres adultas e eu não era um bandido sociopata. Mal menor.

Hoje já sabemos como identificar e desestimular os perpetradores de engenharia social com fins duvidosos.

Agora é hora de ensinarmos aos nossos filhos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pede para Sair

Não vai demorar até algum pai ou mãe sem noção transformar Tropa de Elite 2 em tema de festa de aniversário. Imagino toda as crianças com fuzis de brinquedo e fantasiadas de soldados do BOPE, cantando palavras de ordem durante a festinha e fazendo simulações de tortura. Minha filha mais nova chegou da escola cantando a trilha do filme. Não tenho dúvidas que alguém assistiu ao filme com o filho a tiracolo. Isso numa escola com linha educacional piagetiana. Fico imaginando na escola municipal onde minha mais velha estudou em 2009 como as coisas não estarão lá a maioria dos alunos mora em áreas controladas por milicianos. Eu mesmo presenciei uma criança s de uns 3 ou 4 anos acompanhado do pai no cinema. Triste.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Da ansiedade do pai provedor

Já faz mais de dois anos que não sou o pai provedor. Sai do mercado e achei que seria fácil voltar, mas a meninada sabe tanto quanto eu e aceita ganhar menos. O resultado é que minha mulher assumiu as rédeas das contas. E por mais que tenhamos mudado nesses últimos 100 anos, nós, homens, ainda sofremos ao não conseguirmos atender ao desejo de um filho, pagar as contas em dia e comprar comida. Eu choro, muito. Sozinho. Envergonhado. Mas não paro de lutar. Já escondi de minhas filhas a minha condição atual de gênio midiático sem trabalho fixo. Um projeto atrás do outro, mas que trazem pouca grana, apesar da satisfação pessoal.

De um tempo para cá decidi não esconder mais. Acho que é preciso ter os pes no chão se queremos construir uma família baseada na verdade e na justiça. Minhas filhas merecem uma pai que não se esconde atrás de subterfúgios. Que sabe que está em falta com elas, mas não desiste nunca.

Minha hora de voltar ao topo está chegando. E quando acontecer, vou dividir com elas e com todos aqueles que me deram força durante o trajeto. E en†ano, poderemos rir juntos dos tempos difíceis.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Parto Humanizado no interir de São Paulo

Ainda em duvida sobre as vantagens para a mulher de optar pelo parto humanizado? dia 11/11 vai rolar um encontro gratuito em Sumaré, SP com o grupo MadreSer.

Se estiver or perto, não deixe de ir.

DVD sobre amamentação

Muitas amigas estão começando a amamentar suas crias, mas enfrentam problemas para encontrar informação simples e direta para esclarecerem suas dúvidas. É muito fácil cair em prantos, vítima dos palpiteiros familiares ou vítima daquelas que fazem apologia às "maravilhas divinas" da amamentação mas esquecendo os percalços do caminho. Pode ser bom, pode doer pra caralho. Mas, acima de tudo, é fundamental para a criança e para os seus hormônios começarem a entrar nos eixos.

Esse DVD lançado pelo GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) pode ajudar bastante.

http://www.maternidadeativa.com.br/aleitamento/index.html

Como matar seu filho

Não existe justificativa para levar um bebê em uma scooter ou moto, ainda mais sem capacete e pilotando com apenas uma mão. Em caso de queda, ela morre na hora, a cabecinha esmagada. O pai ainda fica vivo para chorar pelo homicídio. Além de ferir a lei, coloca em risco desnecessário, diariamente, uma criança sem defesa.



O cruzamento da Genaro de Carvalho com Eunice Godin é um dos mais perigosos do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A classe média brasileira mata suas crianças por conveniência.

foto: Felipe B

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Miley Cyrus - Who Owns My Heart (Official Music Video)



Acho que a grande vantagem de nossas filhas de 16 anos mergulharem no sexo dyke é o fato de poderem deixar as camisinhas de lado, poderem se trancar no quarto com as amigas sem levantar suspeita e não terem que aturar papo chato de marmanjos se acham o máximo. Claro, nem tão cedo teremos gravidez em casa...Prazer sem culpas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Kirikou: um pequeno herói para elevar a auto-estima das crianças negras (e encantar todas as outras)

recomenda a quem tem filhos pequenos e, como eu fiz, mandaram a TV por assinatura catar coquinho na ladeira: "Kirikou et la sorcière", um filme de 1998, dirigido por Michel Ocelot. Belo exemplo de animação inteligente, com uma trilha primorosa de Youssou N'Dour. Agora saiu o DVD dublado em português, pela Paulinas Multimedia. Primoroso.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ELMO GOT AN ERECTION

Elmo got an erection. E a direção do Sesame Street achou conveniente não veicular o vídeo na TV, depois que alguns pais reclamaram do top de Kate Perry. Eu gostei. Do top, dos joelhos de codorna e da cor do cabelo.

No Brasil a chapa era mais quente. Em Vila Sésamo, vestida com calças boca-de-sino ou mini-saias, Sônia Braga alimentava a libido infantil.

Além do mais, já fui "torturado" umas 123 vezes com essa música na voz de esquilos cantores que frequentam uma high school, um dos filmes favoritos aqui em casa.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Violência médica contra a mulher

Me pergunto onde estão agora os defensores intransigentes da cesariana. O que aconteceu no Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista, demonstra como os profissionais estão desleixados no trato com as gestações.

Acusam aqueles que optam pelo parto normal de estarem correndo riscos. Nunca soube de um parto em casa no qual tenha acontecido tamanho absurdo.

Um médico cortar as costas de um bebê com o bisturi durante o parto, não importando em que posição este estivesse, demonstra claramente imperícia. Rompeu a coluna vertebral do frágil recém-nascido. Descaso com a vida.

Pior ainda é colocar o bebê morto junto à mãe, como se nada tivesse acontecido.

Por pouco ela não foi acusada de ser a culpada da morte.

Que o CREMESP seja rigoroso na apuração desse fato, assim como a Polícia Civil e o Ministério Público.

sábado, 14 de agosto de 2010

Crime e Castigo

Gostaria muito de não ter mais que escrever sobre pais que matam crianças. Não em 2010. Não no Rio de Janeiro. Não ao assassinato cometido por pessoas supostamente esclarecidas.

Que a morte dessa menina seja investigada a fundo e que não fique duvida sobre os culpados.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dia dos pais é o caralho (para ser gentil)

Nos últimos 15 anos a turma da publicidade tornou quase insuportável o mês de agosto, com essa onda de Dia dos Pais. Um saco, uma palhaçada sem tamanho. Me expliquem os motivos que levam uma pessoa a desejar ganhar furadeiras, cuecas e meias, passar horas na fila de um restaurante carioca, cheio de cariocas que falam aos berros e enchem a cara sem noção, para comemorar um dia, que se fosse de fato nosso, deveria ser utilizado para fazermos o que desejarmos, sem interrupção. Querem me dar presente, me paguem uma massagem e tá ótimo.

Mais bizarro é ter que que decidir a programação desse dia "festivo e especial" com uma semana de antecedência. Porra, e se der onda (e vai dar - to monitorando ess swell e não vou perder). E se eu acordar sem vontade de falar com ninguém? Vou ter que ir lá, todo pimpão, fazer festinha? Não. Chega. É o meu dia e vou fazer o que eu quiser.

O pior é o bombardeio nas crianças. Até na escola, que se diz preocupada com a consciência crítica das pequenas, inventaram um jeito de arrancar mais dinheiro da gente, criando um passeio para os pais, a 76 reais por cabeça. Uma visita guiada ao Maracanã e uma churrascaria na sequência. Ou seja, reprodução de estereótipos, pai macho, fá de futebol e churrasco. Eu nem sou amante de futebol e não compactuo com a existência daquele elefante branco, caindo aos pedaços.

Os sem noção esquecem que a escola fica em um bairro com duas reservas ecológicas, que poderiam ser tema de um passeio, uma caminhada, uma confraternização simples e gratuita. Mas não, as toupeiras preferem encher um ônibus fumacento, gerar um puta fooprint de carbono em um domingo, perder duas horas em deslocamento por regiões feias da cidade, te levam uma grana e ainda chamam isso de homenagem, Só podem estar de sacanagem.

Vou ter que conversar com minhas filhas. Não quero ve-las frustradas, mas não vou dizer que gosto de algo apenas para agradar a duplinha. Tivemos um mês ótimo, grudados. Viajamos juntos para um hotel-fazenda. enfim, verdadeiros dias dos pais (e filhos), sem obrigações comerciais e publicitárias.

Acredito que a escola deveria conversar com os pais antes de propor passeios para as crianças, gerando uma ansiedade absurda. Tô puto. E se os pais estiverem duros? E se o restaurante escolhido for de qualidade duvidosa? E se eu não quiser conversar com outros pais naquele dia? Vou reclamar formalmente.

Essas datas são todas um saco e desnecessárias, não acrescentam nada no ponto de vista social (se quero ver alguém, pego o telefone e combino um chope - não preciso que me digam quando devo ver os meus queridos e queridas).

Minhas filhas saberão onde me encontrar: na praia. E quem quiser me ver (ou homenagear) está convidado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pelo direito de nascer sem sustos

Me choca a virulência e distorção da realidade nas palavras dos obstetras contra as doulas, reveladas em cartas para a Revista O GLOBO, em resposta a matéria publicada em 18 de Julho.
Não vejo tanta força ao criticar os próprios colegas médicos que deixam bebês morrerem enquanto ficam aos tapas no centro cirúrgico. Não vejo tanta força na hora de criticar a indústria do parto no Brasil, onde gestantes de primeira viagem são estimuladas a fazer cirurgias, ainda que tenham a vontade de fazer as coisas da maneira para a qual forem concebidas.

A medicalização do parto no Brasil trouxe excessos que precisam ser coibidos, principalmente no Rio de Janeiro, uma cidade onde se programam cesáreas como se fosse uma cirurgia plástica ou outro procedimento estético.

Não é a toa que os médicos obstetras brasileiros levaram o Brasil ao triste índice de recordista mundial em cirurgias cesarianas desnecessárias, de acordo com a OMS. Superamos o Chile, vejam só!

No Brasil 79,7% dos partos realizados na rede privada são cesarianas, segundo relatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com o mesmo estudo, o índice é de 27% na rede pública.

Os índices recomendados pela Organização Mundial da Saúde, e praticados em nações culturalmente avançadas, ficam entre 10% e 15% do total de partos, mesmo assim em casos de extrema necessidade.

Aberração é parto com hora marcada ou mentiras em momento de fragilidade emocional sobre não dilatação, ausências de contrações ou a mais terrível e favorita dos médicos: enrolamento de cordão umbilical.

Falar em segurança para o bebê e propor anestesia é ignorar que ambiente hospitalar (pode ser chique, mas é muito mais sujeito a infecções graves) e anestesia aumentam em mais de 10 vezes os riscos para mãe e bebê.

Médicos sérios e com formação atualizada respeitam a mulher e a criança. Parece um cenário distante dos açougueiros natais cariocas.

Para ser primeiro mundo é preciso devolver as mulheres das próximas gerações o direito de escolha consciente, de informar-se antes de entrar na faca sem necessidade.

Sou pai de duas meninas, a primeira nascida de uma cesariana desnecessária. A segunda, nascida em casa, com todo o cuidado e carinho. E com a presença de uma equipe médica. E de uma doula fantástica.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pai de Menina na OVI Store

aqueles que usam celulares NOKIA agora poderão contar com uma maneira fácil de acompanhar as discussões e novidades do Pai de Menina. Nossa app está disponível -gratuitamente- na OVI store.

Basta clicar no link ao aldo para curtir Pai de Menina em qualquer lugar: http://store.ovi.com/content/48240

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A lição de respeito e amor ao próximo da Argentina

Enquanto no Brasil, gente letrada, informada e mesmo alguns infelizes leitores ocasionais deste do blog que se dizem da "area da saúde" (medo e vergonha alheia dessa gente que não se identifica de forma clara quando se comunica) ainda são mal-informados a ponto de atribuir AIDS e outras enfermidades a escolha sexual ou ao comportamento coletivo de um etnia, nossos vizinhos argentinos deram hoje um exemplo de civilidade e respeito ao ser humano, ao legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

POr aqui, os homossexuais ainda são assassinados sem muita punição, como se fosse um missão divina exterminar quem busca um cainho próprio para sua sexualidade. Cada vez que surge uma igreja oferecendo "cura" para homossexuais, meu nojo cresce. Será quem em 2010 ainda temos que aceitar que nossos filhos convivam com gente preconceituosa? Gente capaz de aceitar a morte de alguém apenas pelo fato dessa pessoa ter uma opnião ou opção sexual diferente?

Não. Não aceito.

Casais gays podem ser pais fantásticos: amorosos, respeitosos, gentis e humanos. Pais gays podem fazer muito mais por uma criança do que país biológicos que jogam filhos no lixo, literalmente. Não existe em nenhum país, com exceção da China, onde os relatos diários de crianças recém-nascidas encontradas em latas de lixo estejam no jornais e telejornais.

Facilitem a adoção por casais gays. Lutemos por isso.

Tomara quem breve sejamos capazes de decisões legais tão maduras e civilizadas como os argentinos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E um peitinho de 16 anos revela outra faceta da hipocrisia brasileira


vê o fantasminha da censura passear pelos corredores mais conservadores da Nação. Querem proibir a atriz Malu Rodrigues, 16 anos e emancipada pelos pais, de mostrar o peitinho direito (só o direito) na peça Despertar da Primavera, em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo.

No Rio, foi a mesma palhaçada.

Onde estava o Ministério Público na hora de proibir meninas de 7 anos de dançarem funk, Tchan e afins? Onde estava o Ministério Público na hora de punir a prostituição infantil na Rocinha e no Complexo do Alemão (ainda ativa, HOJE, 9 de julho de 2010 ?

E em São Paulo, onde está o Ministério Público que não vê pedintes de 16 anos seminuas trocando o corpo por crack na região da Rua Santa Ifigênia.

Um bando de hipócritas. Vão proibir o gozo e a siririca diária saudável de todas as meninas de 16 anos também? Coisa de quem não enxerga a vida dentro de suas próprias casas, e não acompanha a maturidade sexual de suas próprias filhas.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

águas passadas

com as meninas crescendo rapidamente, cada vez mais espertas e curiosas, fica difícil não pensar em como protegê-las nos dias em que vivemos. Lembro que quando moleque eu estudava a mais de 30km de cas, andava de trem e ônibus pelos subúrbios cariocas (só fui morar na zona sul aos 14 anos de idade) e não existia o temor de ser violentado. Os meus maiores medo eram a mulher loira do banheiro e o bandido Mão Branca.

Não existia coleguinha armado na sala de aula e nada de funk sexista na voz das meninas. Talvez eu esteja ficando saudosista. Mas eu gostaria muito que as minha meninas pudessem viver a infância delas sem pressa e sem medo, como eu vivi.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dos relacionamentos abertos e suas consequências para os filhos: quando as coisas não dão certo

Essas últimas semanas tiveram o noticiário recheado de matérias sobre casais expondo seus filhos publicamente devido a problemas em suas condutas erótico-afetivas.

Uma preocupação comum em quem não adota o modelo monogâmico em seus casamentos é que as outras partes envolvidas tenham a mesma preocupação em manter o sigilo e o cuidado que as relações atípicas requerem.

Os homens, de forma geral, acabam comentado com alguém suas aventuras e suas conquistas. Algumas mulheres não agem de forma diferente ou com menor cuidado. O resultado do descuido pode ser uma exposição indesejável e pública de suas práticas íntimas.

Eu procuro deixar claro que não sou monogâmico. Não faço alarde nem apologia comportamental, mas tenho pouca paciência para lidar com hipocrisia. A parte chata é que nem sempre a outra parte envolvida tem liberdade ou transparência em suas relações. Isso acarreta em muitos desencontros quanto as intenções.

Vivenciamos um envolvimento intenso com uma mulher casada e popular no meio blogueiro. COm o agravante de estabelecermos uma relação de amizade entre as famílias. Evidentemente, havia intensidade erótica e estimulante baseada na premissa de que o cônjuge dela não sabia de nosso envolvimento. Contribuindo para o desastre, o bom e velho vacilo de manter registros de conversas digitais apimentadas, para lembrar depois (um erro básico).

Sim, nós homens e muitas mulheres apreciam esse jogo dúbio, de recriminar, mas brincar com o mito da traição. O problema surgiu quando eu passei a ser o responsável pela manutenção do segredo, uma vez que que sua prole poderia ser prejudicada caso o marido descobrisse.

Não seria totalmente descabido se eu fosse o único amante (como eu, ingenuamente, acreditava).

Não. Eram vários os amantes, mas apenas eu tinha o compromisso de manter o sigilo.

Não tenho problemas em deixar claro em minha estrutura familiar que namoramos outras pessoas, Mas com a história vivida, aprendi que, na medida do possível, é preciso averiguar se a outra parte tem as mesmas premissas de vida, de transparência em suas relações.

Longe de mim querer expor os filhos alheios ao escárnio público dos falsos moralistas. Mas não acredito ser justo engolir minhas verdades para ser guardião da mentira alheia.

Minha dica é: se quiserem brincar de viver sua sexualidade de forma livre, certifiquem-se de que os prováveis parceiros -principalmente se tiverem filhos-, estejam em sintonia quanto a forma de abordar a questão caso a relação seja revelada ou descoberta pelos filhos, parentes e amigos.


Manual de sobrevivência ao escândalo:

1) se descoberto, não negue. Tome as rédeas e afirme sua identidade no discurso.

2) se seus filhos tiverem idade para compreender, converse. Elabore o que vai dizer e assegure seu direito de viver sua sexualidade como quiser.

3) parentes tendem a julgar mais do que estranhos. Imponha limites claros a invasão. Para evitar a fofoca generalizada, proponha uma conversa aberta, sem acusações ou suposições. A vida e práticas sexuais do casal dizem respeito apenas ao casal.

4) se algo saiu da esfera pessoal e tornou-se público, mantenha a calma e não tente atitudes desesperadas de "limpar seu nome". A propagação é inevitável e diretamente proporcional às tentativas de apagar seus rastros. Assuma.

5) não produza provas contra você. antes e depois do problema. Acredite: nenhum vídeo, foto, texto, conversa em celular ou telefone fixo, torpedo e afins é seguro. Nenhum. Se você fez um vídeo de teor erótico e seus filhos já usam a internet é questão de tempo até terem contato com sua imagem "escondida". O mesmo vale para casais que utilizam sites de relacionamento para adultos ou frequentam ambientes liberais,como casa de swing e festas privadas. Alguém, sempre, vai registrar sua imagem e não adianta culpar os outros pela violação da sua privacidade.

6) um erro grave é achar que nossos filhos não tem interesse em assuntos sexuais ou práticas extremas. Se eles descobrirem de forma a sentirem-se traídos (o ciúme e repulsa em relação as sexualidade dos pais já existe mesmo que seja uma relação de monogamia tradicional), estabeleça o emprego de todos os recursos para recuperar a confiança deles. Isso inclui a ajuda de profissionais ligados a comportamento, como psicólogos e terapeutas familiares. Abandoná-los a própria sorte não trará benefício algum a nenhuma das partes envolvidas.

7) Nunca prometa que não repetirá suas práticas, sob pena de comprometer ainda mais a relação de confiança. Seja verdadeiro: se faz parte de sua existência um comportamento sexual diferente e particular, assuma. Não é preciso descer aos detalhes, mas mostre-se pleno no direito de viver sua vida de acordo com suas crenças.

8) Procure auxílio jurídico/legal se estiver sendo pressionado ou chantageado. Nunca negocie uma extorsão.

9) caso a ocorrência chegue ao ambiente profissional, não espere as diversas versões tomarem corpo. procure seu chefe direto e o departamento de recursos humanos da empresa para unificar a versão e seu posicionamento quanto ao ocorrido. Se você não feriu a lei ou as normas da empresa, aqueles que o colocarem em situação vexatória é que poderão sofrer algum tipo de advertência.

10) viva e deixe viver. Todos nós temos telhado de vidro. Evite atirar a primeira pedra, para que ela não se transforme em um bumerangue.

sábado, 12 de junho de 2010

de volta ao básico.

toda mulher tem o direito de viver. isso significa que nenhum homem pode matá-las por sentir-se perseguido. nenhum homem pode sair no tapa com outro na sala de parto (médicos? não, assassinos) para ter o direito ao repasse do SUS para fazer partos. nenhum homem pode deixar uma maca de hospital quebrada levar a vida de seu recém-nascido jogado de cabeça no chão frio da maternidade.

cesariana com a frequência que se faz no Brasil é doença. ter filho virou coisa de grife. e, infelizmente, as mulheres mais simples acabam copiando modelos de comportamento classe média.

no Rio de Janeiro é ainda pior. Falar em parto normal por aqui é absurdo. falar em parto domiciliar, te poe como alvo.

então, sou eu o louco por não querer que meu filho corra risco de infecção hospitalar ao nascer? sou eu o louco por não querer expor meu filho numa vitrine aquecida como se fosse um bife?

defendo as escolhas, lógico. mas também defendo a educação. o direito da mulher saber que cesearea é opcional em 95∞ dos casos. o direito de uma mãe humilde saber que não precisa gastar os tubos para medicalizar algo que é natural.

não queremos fingir que somos primeiro mundo? então, tá ai uma boa maneira de começarmos, banindo a cesárea desnecessária desse paizinho de merda, como já fizeram na Europa e nos EUA.

domingo, 6 de dezembro de 2009

boobs

E o primeiro sutia a gente nunca esquece. Parabens, filha amada.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Disque M para matar...mosquitos


seus problemas com mosquitos acabaram, desde que você tenha um...celular. to usando um programa chamado AntiGnat. ele emite uma frequencia em ultrasom que deixa os mosquitos e outrosnojentinhos longe de você. sem cheiro, sem química e sem o bla-bla-bla dos idiotas da secretaria de saúde do rio de janeiro. botei no quarto das meninas também. obntem dormir sem camisa(noossa) e de janela aberta.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dos malas digitais



tem uns malas que usam a internet e são especializados em reviews de equipamentos eletrônicos, principalmente câmeras digitais. seu job é encontrar defeitos e concordarem uns com os outros que os melhores equipamentos são aqueles que ninguém pode comprar. preferem punhetar as máquinas com testes de performance e afins, num fetiche digital besta, do que sair e fotografar as dores e delícias do mundo. procuram pêlo em ovo. ruído na imagem, foco automático lento, fallta de estabilização de imagem, etc, etc. já imaginaram se cartier-bresseon fosse pensar nisso? jamais teria tirado uma foto sequer, perdendo tempo com ajustes e perfumaria.

uma das principais reclamções é sobre o grande número de tipos de cartões de memória utilizados em câmeras e dispositivos digitais. hoje em dia, todos amam o SDHC. minha câmera dSLR usa cartão CF (muito rápido para gravar e transferir imagens e robusto em campo) e xD (lento e raro, essa cria d Fuji Film e da Olympus está caindo em desuso). a câmera, uma Olympus E-420, tem dois slots para uso simultâneo. qual é a utilidade disso, perguntam os chatos, em tempos de cartões SDHC com 32 Gb?

como não sou burro para fotografar 32gb antes de fazer back up (uso cartões de 4gb, mais confiáveis e me fazem pensar antes de fotografar qualquer coisa, para não acumular lixo visual), fujo deste modismo. e descobri a utilidade do segundo slot (ausente da maioria das câmeras top de linha para amadores avançados, sejam point and shoot ou dSLR).

1) back up instântaneo - é quase impossível dois cartões darem pau ao mesmo tempo.

2) multiusuário -quando saio com minha filha e ela pede a câmera, faço ela usar o cartão xD, para preservar meu material e facilitar na hora da edição, quando basta ela copiar o que fotografou para a área de trabalho dela no macbook.

3) cabos esquecidos: meu leitor de cartões está com o slot do CF quebrado e sempre levo comigo o cabo específico da câmera, para backups e edições em trânsito. hoje (sábado) esqueci o cabo. como me salvei? copiei o material, na própria câmera, de um cartão para o outro. voilá.

além de ser a menor e mais leve dSLR do mundo (a Panasonic G1 não é uma dSLR - não tem prisma ou espelho -, como as revistas "especializadas" brasileiras andam bostejando), a olympus E-420 é uma ferramenta essencial para o fotógrafo de rua que não deseja ficar na mão em momentos cruciais. me permite fazer fotos de pessoas e coisas em movimento, impossíveis para as câmeras point and shoot (muito lentas) e sem viewfinder. é muito mias fácil ficar incognito na paisagem com a câmera perto do olho do que com o braço esticado lá na frente para fazer o enquadramento e a composição pelo LCD.