quinta-feira, 9 de abril de 2015

E quando as mulheres exercem pequenos poderes nefastos, já tem nome em inglês?

Quando uma mulher...

- impede uma subalterna (ou parceira) de concluir uma frase... (isso, vamos lembrar de relações mãe/filha, orientadora acadêmica/ mestranda, relação "patroa" e faxineiras/ frentistas/ empregadas domésticas/ depiladoras/ atendentes do McDonalds, toda sorte de moças pretas –independentemente da formação intelectual, educacional, classe social, posição profissional e orientação sexual–, e outras mulheres "invisíveis"...)

- apropria-se da ideia e leva créditos por colegas de trabalho de qualquer gênero...

- Faz outras pessoas, de qualquer gênero, sentirem-se como crianças ao receberem uma explicação...

- convence outra pessoa, de qualquer gênero, que ela está louca ou enganada sobre algo do qual tinha certeza...

Chamaremos como? Womanterrupting, womanplagiarism, womanspreading, womanslaping, gaslighting?

Evidentemente, existem especificidades, mas dentro das relações de poder, seja na vida pessoal/seja na vida corporativa, essas questões suplantam as questões de gênero.

Hora de abrir a cabeça, unir forças e pensarmos em soluções globais de melhorias inter sociais duradouras (educação e cultura popular), multiplicáveis (aparelho midiático), sustentáveis (trocas horizontais, sem ódio retroativo, mas mutuamente compreensivas) e respeito entre humanos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Gênio das #Cotas contra a #meritocracia

A menina vê algo reluzente boiando com a merda, no valão de esgoto diante do barraco no qual "vive" (?), alegremente, com oito pessoas em dois cômodos. Ela mergulha na agua fétida e descobre uma lampada mágica. Ciente do mito, que já conhece não dos livros ("coisa inútil, perda de tempo", segundo seu pai...) mas sim do DVD pirateado da Disney, não tarda a esfregar o objeto e invocar o "gênio das #cotas": "Menina tola, obrigado por me libertar. Em troca, lhe darei o direito de passar o dia na LAN house só jogando e nas redes sociais, sem fazer cursos livres e buscar informações. Também vou dar-lhe o direito de entrar na universidade sem ter que ler nenhum livro ou ser capaz de interpretar textos. Por último, vou considerá-la incapaz de estudar por conta própria e obter capacidade intelectual para resolver os problemas de sua vida e percalços de sua trajetória, balizada por seus próprios méritos. Use seu gênero,  sua origem e a cor da pele como desculpa para não ascender e livrar-se da guetificação, do corpo e das ideias. A partir de hoje você será "vitima" para o resto de sua vida.".

É. Estão construindo um país com essas premissas. A turma que tapa o sol com a peneira conseguiu transformar a #meritocracia em problema. Sintomático.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A caça às bruxas da sexualidade do adolescente

Existe algum pai ou mãe que consiga impedir que suas filhas de 11/12 anos gozem e "mamem" de pé, de joelhos ou até sentadas? Só na ilusão. Afinal é para isso que existe o "vou dormir ma casa da minha amiga".

Cabe aos país orientarem quanto aos riscos sociais, legais e psicológicos da exposição publica da intimidade sexual e na prevenção contra DSTs, mesmo que as "mamadas" sejam apenas entre meninas supostamente saudáveis (sim, existe transmissão de HPV e outras DS em atividades sáficas).

Vergonha é criança recém nascida jogada em caçamba de lixo. Vamos focar, TFP do Facebook, vamos focar!!!

sábado, 29 de novembro de 2014

Mulheres cientistas: o mito da igualdade de gênero (e de unidade estética) na Índia propagado por uma foto. E o que podemos aprender com o equívoco


Toda vez que vejo uma mulher defender #Gandhi, a tristeza toma conta de mim. Um homem que textualmente usava a desculpa de sua religião para culpar a mulher por todos os males de uma determinada comunidade de castas inferiores. Ele, de casta superior, sempre foi segregacionista e nunca, em hipótese alguma, cogitou aceitar a igualdade entre gêneros e cidadãos de origens diferentes.

Um trecho do paper "Science and Society: The perspective of an Indian woman scientist”, da cientista e ensaísta indiana Anita Mehta, deixa claro o que quero dizer.

(…) On the contrary, it is often, unfortunately, those who are themselves discriminated against, who transmit this discrimination to people more vulnerable than themselves. Two examples, both from a social rather than a scientific background, come to mind: one concerns Mahatma Gandhi's statement when he was told that a certain villager (an untouchable, or 'Harijan', as Gandhi termed members of this caste) epitomized the lowest of the low in India, being poor and socially at the bottom of the pyramid. No, said Gandhi, it was not this villager who epitomized the lowliest of the low in India, but the villager's wife…. (…)

Ao contrário do odioso Ghandi, Dr. B. R. Ambedkar, o grande jurista e defensor dos direitos humanos na India (mas que não atingiu o status arquetípico e globalizado de “bondade” de Gandhi) sempre pontuou que o domínio do hinduísmo foi a derrocada do feminino na India. E esse triste legado está vivo até hoje.

O papel de Gandhi foi fundamental na aceitação global e na manutenção do sistema de castas como algo "natural" na cultura indiana. Não é. Em 2500 A.C. antes da religião HIndu tomar conta do país, o sistema de castas não existia. Os homens eram mestres dos serviços domésticos e dividiam tarefas com as mulheres. Mais: a sexualidade livre de ambos tinha importante papel nas relações sociais de igualdade, não sendo assunto "proibido". A educação, conhecimento e paticipação política e social das mulheres era igualitária a dos homens.

O sistema de castas sepultou a igualdade. E até hoje as mulheres indianas sofrem uma forte opressão. Pior: tornam-se opressoras quando pertencem às castas superiores (ou quando sendo de castas inferiores, conseguem romper as barreiras e ocupar espaços junto à elite científica) e nada fazem para mudar a história. São 250 milhões de Dalits. A maioria, mulheres. Imaginem uma população do tamanho da brasileira sendo oprimida? É a India hoje. 

A grande maioria das mulheres cientistas da India, incluindo aquelas que apareceram na foto icônica que correu o mundo, são de castas que oprimem as demais. Mesmo com os processos de #açãoafirmativa (tanto para assegurar o acesso do sexo feminino aos centros de educação superior, quanto para elevar o padrão educacional das castas ditas inferiores e repatriar cérebros), a situação não mudou. 

Pior: para tornar mais fácil o acesso a universidade, muitas mulheres de castas superiores usam nomes e endereços de mulheres de castas inferiores, roubando-lhes as vagas.

Uma vez na improvável situação de dividirem o mesmo espaço na comunidade científica, as mulheres indianas das castas superiores juntam-se aos homens na opressão às mulheres mais pobres, cedendo ao “clubinho fechado da ciência”.

Por isso aquela foto que correu o mundo quando a sonda indiana Mangalyaan chegou à Marte (ingenuamente alavancada pela falta de análise das instituições ocidentais que advogam a maior participação da mulher em todas as atividades humanas) deixou de ser uma excelente oportunidade para a discussão de papéis sociais e sobre como indivíduos comprometidos podem proporcionar mudanças. 


Uma pena que o foco tenha ficado na estética imediata (naturalmente que mulheres cientistas na Suécia, EUA, Inglaterra, Trindad e Tobago, Brasil, China, Japão, Africa do Sul, Nigéria teriam aparência diferente, de acordo com o caldo miscigenatório de cada nação), na aparência física das indianas (outro traço de preconceito, que passou batido. Falarei sobre esse tema da estética feminina em outro texto). Perdeu-se a oportunidade de traçar um paralelo com a nossa cultura (e demais culturas ocidentais que tratam o brilhantismo feminino como exceção, quase como se fosse uma surpresa).

Faltou o cuidado de notar que nenhuma daquelas mulheres da foto poderia ser uma #Dalit ou membro de casta inferior  por exemplo, bastando para isso o cuidado de identificar a postura, os sobrenomes (disponíveis no site da ISRO), trajes, roupas, adereços e acessórios.

Ao compartilharem a foto, muitas mulheres esqueceram de ler o texto que a acompanhava. A engenharia de sistemas espaciais Minal Sampath, diz: “I forget I am a woman sometimes, working in such an organisation”, falando de seu trabalho junto aos homens na Indian Space Research Organisation. 

Está claro: apesar da aparência, a sensação delas, mesmo pertencendo às castas superiores, é de que precisam anular-se como mulheres, mero reflexo do sistema social no qual estão inseridas. As mulheres, que são vitais por seu conhecimento aliado a características vitais para o trabalho em tecnologia, como a inteligência emocional e atenção ao detalhe, são apenas 20% da força de trabalho entre os cientistas. Nenhuma delas é Dalit.

Em 2009, uma pesquisa através do Web of Science (WoS), banco de dados científicos da agência Thomsom-Reuters, avaliou 9.957 papers publicados pelos principais institutos de ciência acadêmicos da India. Apenas 340 tinham sido produzidos apenas por mulheres. 4.671 papers eram colaborações entre homens e mulheres cientistas, mas com participação menor delas. E dos papeis que tiveram circulação internacional, 

Mas nem tudo está perdido. A história social da ciência precisa dessa análise e vontade de entendermos como NÃO é impossível mudar o jogo, aqui, no continente africano, na India e no resto da Ásia.

Para isso, é preciso despir-se do corporativismo que tem tornado toda mulher "uma igual" no combate a desigualdade e suas consequências. Infelizmente existem muitas mulheres opressoras, inclusive entre aquelas que se dizem progressistas e são consideradas líderes na mudança.

Deixar as distorções no foco esvaziarem a causa não traz benefícios e esvazia as discussões pertinentes as ações que podem ser tomadas em curto e médio prazo, sem depender do Estado ou das instituições. São mudanças que acontecem dentro de casa, na forma como pais passam para suas filhas as melhores formas de combater e superar adversidades, sejam elas impostas pelo gênero ou origem social.

Usar o discurso de “só uma mulher pode saber o que sofre” tampouco ajuda na superação dos problemas, aumentando o isolamento e propondo uma autosegregação baseada em gênero e na coletânea de experiências inatas.

Ainda é possível mudar. 


sábado, 8 de novembro de 2014

Filhos só devem ganhar mesada se souberem o custo real do dinheiro.

Sou contra mesada. Mas, já envolvido nesse modelo, passo a defender a proporcionalidade no caso de país com renda variável. O valor a ser pago ao filho jamais poderá ser sobre receita ‪#‎Ebitda‬ e sim uma porcentagem do lucro líquido dos pais, após impostos, amortização, custos fixos e despesas contabilizadas. Ajuda aos filhos a entenderem quanto custa aos pais freela ganhar algum caraminguá...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sim, nossas filhas gozam e não esperam "príncipes encantados". Como ajudá-las a evitar roubadas sexuais?

Para evitar chororô, mais meninas agredidas e manés de cabeça baixa na delegacia, todas as mães (mais do que os pais... afinal, mulheres tem o papel de multiplicar como devem ser as relações e manifestações de sexualidade com seu próprio gênero) deveriam ensinar para os seus filhos/filhas:

1) Em caso de sexo grupal consentido, se a menina diz NÃO durante a cópula, é óbvio que TODOS devem parar imediatamente. O fato de ser consentido não significa que mudanças de pensamento em meio ao ato não devam ser respeitadas.

2) Em hipótese alguma misture maiores e menores de idade. Ou são todos adultos ou são todos adolescentes, da mesma faixa etária. Não caia na pilha alheia.

3) Produção de imagens, apenas entre adultos e com "claquete" antes do início do ato, com nome e RG, atestando a autorização para o registro fotográfico/ videográfico, independentemente do dispositivo usado para registro. Ainda assim, se pedirem para parar de filmar/ gravar, PAREM!

4) A maioria das imagens amadoras de caráter erótico que são incorretamente compartilhadas em redes sociais/ web são feitas por meninas/ mulheres com seus dispositivos móveis. Saiba dizer NÃO para uma guria, se não quiser ter problemas depois.

5) Álcool, drogas recreativas e putaria raramente resultam em decisões sensatas quando utilizados simultaneamente aos jogos sexuais. Sim, não custa nada ensinar a um filho pateta a NÃO praticar asfixia erótica e outros malabarismos quando ele (s) ou a(s) menina(s) estiverem chapados. Obviamente, vai dar merda. Depois dos 18, façam como achar melhor.

6) Sabemos que vocês, nossos filhos e filhas, trepam. Não pretendemos interferir em suas preferências e descobertas de formas de prazer, mas temos responsabilidade legal pelas suas cagadas na vida. Sendo assim, entendam que quando um burro fala o outro abaixa a orelha. Não apenas devemos tocar no assunto (além do "papo camisinha" + DSTs + gravidez) como devemos deixar claro que sabemos o que acontece.

7) Amamos vocês incondicionalmente, mas ajudem, né? Não precisa ser nenhum Albert Einstein para perceber quando uma situação de prazer está prestes a virar uma grande roubada. Sejam espertos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Mutilação Genital Feminina: um crime contra a humanidade que fingimos não ver. Por Felipe B. #FGM

Esses 60 casos de mutilação genital descobertos só esse ano em uma escola na Suécia deixam claro que é preciso que os imigrantes entendam que se um país os aceita, suas bizarrices culturais, crenças religiosas e convenções sociais devem ficar no aeroporto. Entrou no país, respeite as leis da nação hospedeira. O segundo ponto é o papel das mulheres, que não apenas aceitam como são coniventes (e auxiliam) a realização dessas práticas.

Um manto de silêncio e a conveniência de usar o raciocínio "eu passei por isso, estou viva e tenho um marido provedor" estão acabando com a vida de meninas que vivem em outros países mas não podem usufruir da cultura e de sua existência plena.


Barbárie

Não custa lembrar que mutilação genital NÃO TEM nenhuma função útil. Não previne doenças, não impede violência sexual (pelo contrário) e provoca toda sorte de traumas psicológicos e físicos, além de enfermidades na vagina, útero e bexiga que podem levar ao óbito. A única função é a de tratar mulher como propriedade privada e perpetuar a dominação social e negação do gênero através do uso do corpo.

Quer viver a barbárie cultural? Permaneça em seu país de origem. Muitas dessas meninas foram mutiladas durante as férias, quando seus pais retornam com elas aos países de origem e aproveitam para fazer a mutilação, arrancando grelos, costurando vaginas, impedindo que essas meninas usem seus corpos para ter prazer. Na Suécia, mutilação genital da até 4 anos de cadeia, mesmo se realizada por cidadãos do país no exterior. Fico imaginando o que não acontece com certas meninas estrangeiras aqui mesmo no Brasil.



Vejam, 60 casos em apenas UMA escola. Se as autoridades da Suécia continuarem (e vão) suas buscas, encontrarão muito mais, em cidades ao longo do país. Agora multipliquem esse cenário pelos milhões de meninas em mais de 30 países que adotam a mutilação genital feminina como prática corrente e dentro da lei.


Alienação


Vi gente batendo palmas essa semana, na #2014FIFAWORLDCUPBRAZIL, para times de países que adotam a prática, como Costa do Marfim e Camarões. Muitos daqueles homens em campo não apenas acham aceitável, como apoiam a "tradição". Pior: Gana está aumentando a prática, com os homens da nova geração estimulados para perpetuá-la. E 1/4 das 130 milhões de mulheres em todo o planeta Terra. que sofrem mutilação genital vivem na Nigéria, a maior quantidade em apenas um país. Então, vão bater palmas para esses times também?   

Os países que apoiam as práticas de mutilação genital feminina deveriam ser banidos de toda e qualquer competição desportiva internacional. Da mesma forma, o mesmo tratamento deveria ser direcionado aos países que impedem a presença de mulheres em arenas esportivas, como o Irã.

Ficar calado e fingir que nada está acontecendo com mais de 100 milhões de mulheres é o melhor caminho? Duvido muito.

Em apenas uma escola, foram descobertos 60 casos de mutilação genital feminina na Suécia.