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segunda-feira, 18 de junho de 2012

"branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

Filhota de seis anos fazendo aquela pesquisa clássica "branco, negro e índio", que a pedagogia tradicional ainda insiste em usar para "educar" crianças sobre as questões de etnia no Brasil.

Ela pega uma edição qualquer de Época e folheia: "branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

Não posso deixar que ela cresça achando que a solução para a conquista de espaço social e cívico venha através do sistema de cotas.

Posicionem-se, senhores. Criem. Inovem. Saiam das sombras por mérito e não por esmolas.

Ou seus filhos e os filhos de seus filhos farão a mesma pesquisa em 2112, e a garotinha do futuro vai dizer ao receber informações da nuvem globoal em seu dispositivo de exibição de conteúdo: "branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Feminicídio: uma epidemia de assassinatos de mulheres assola o Brasil

Em 72 horas, apenas na região metropolitana de São Paulo, oito assassinatos de mulheres entre 11 e 40 anos, a tiros e facadas, praticados por homens supostamete normais e trabalhadores com atitudes de predadores sexuais.

Nenhum dos casos foi de latrocínio. Feminicídio consciente e aplicado. Pessoas consideradas descartáveis por serem mulheres, sem importar a cor, classe social ou nível educacional. Não combina em nada com o retrato colorido que querem pintar de evolução social nos últimos 12 anos. Se não queremos virar México, Congo, a hora de gritar é agora.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pérolas aos porcos

Muita solidariedade, repleta de reflexões pertinentes, chegou a minha caixa postal. Agradeço aqueles que me ajudaram e a minha família a superar o momento ruim. Ganhamos força para lutar.

AOs que se exaltaram em suas manifestações preconceituosas e descabidas, resta a forma da lei. IPs anotados e páginas de comentários salvas. A internet não é uma terra sem lei. E um recanto genial onde pessoas de bem podem expor ideias controversas de forma civilizada, como a maioria dos que por aqui passaram ontem e hoje.

Aos demais, desejo que o aprendizado chegue antes que seja tarde.

De volta à programação normal a partir de amanhã.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Filhos não precisam de privacidade digital. Nós precisamos de olhos abertos.

Mais uma semana e mais um caso de meninas adolescentes que partem para encontros com desconhecidos combinados via internet, dessa vez na Bahia e no Paraná. Seja em salas de chat, seja por redes sociais, seja por mensagens instantâneas (MSN e afins) a molecada está na alça de mira de sacanas de todo o tipo. Muitas vezes amigos da família. Muitas vezes, familiares. Se bancarmos os modernos e fizermos vista grossa à vida digital de nossos filhos vai dar merda, claro.

Tudo por que essa geração de crianças é cria direta de pais usuários de internet que dão pouca ou nenhuma atenção ao fato de que, sim, existe gente que sabe da vulnerabilidade de uma pessoa em formação diante de uma liberdade total de expressão. E a equação é simples: uma criança ou adolescente que passe mais de 2 hors diárias em frente ao computador ou dispositivo portátil trocando mensagens ou consumindo (sim, consumindo - a maioria não produz conteúdo relevante.) é devido a uma carência de atenção paternal.

Não existe rede social apra crianças. Aliás, nenhuma delas coloca em seus disclaimers que assume a responsabilidade de serem babeas do que seus filhos fazem na rede. Criança não precisa de celular. Criança não precisa de comunicador instantâneo. Mas a ansiedade paternal de querer ver o filho inserido na modernidade -um must nas conversas de pais que gostam de exaltar os "superpoderes" dos filhos- está expondo nossas crianças e adolescentes cada vez mais aos impulsos nefastos de predadores sexuais habilidosos em identificar fraquezas, apostando em um misto de curiosidade, impulsividade e carência de afeto e atenção típicos dos pais de nossos tempos.

A coisa piora quando entra em jogo o conceito de privacidade. Primeiro, crianças não devem ter privacidade em sua comunicação com estranhos, sejam eles de que idade forem. Os controles parentais disponíveis em toda e qualquer ferramenta de comunicação digital, incluindo ai os videogames com acesso à rede, estão lea para serem usados. Não são enfeites.

Precisamos, sim verificar os logs de mensagens e saber quais sites nossos filhos frequentam e que tipo de conteúdo estão tendo contato. São influências, boas ou ruins, mas que possuem um canal direto para as cabeças da garotada, sem filtros. Compre, tenha, seja mais do que o outro. seja sexy. seja superior. Como diz Washington Olivetto na coluna de Daniel Castro na Folha de São Paulo publicada em 22 de novembro de 2010, "É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade".

Se levarmos em conta que os principios que aprendemos em publicidade para seduzir e criar consumidores cegos, com corpos dóceis e vontades manipuláveis, podem e são portados para as relações humanas, fica claro que o cenário de vulnerabilidade de nossos filhos é real e vasto. Nossa obrigação é prepará-los para separarem o joio do trigo.

Quando um predador sexual, homem ou mulher, chega próximo à fragilidade emocional de nossos filhos a ponto de faze-los burlar nossa vigilância e confiança (quando existem) para aventuras que, via de regra, se traduzem em situações trágicas para as crianças é por que não cumprimos nosso papel de protetores como deveríamos. Sem desculpas.

A perigosa inversão de valores, demonstrada pela prática de deixar às crianças o duvidoso posto de capitães da tecnologia em casa ("nem sei ligar, não tenho paciência para isso, mas Fulaninho sabe tudo de informática"), como se isso fosse trazer algum benefício para suas formações sócio-psíquicas-, agrava esta situação de exposição aos perigos, não só para as crianças, como para todo o núcleo familiar.

Uma criança ou um adolescente magoado e complexado em busca de reconhecimento em seu grupo social pode facilmente revelar detalhes da rotina e do patrimônio familiar de forma a alertar meliantes de todo o tipo para ações nefastas. Quando produzi o documentário SEQUESTRO, tive depoimentos de vários sequestradores que procuravam suas vítimas em redes sociais. Na maioria dos casos, adolescentes exibicionistas.

Sem alarmismo, mas com os pés no chão, vale pensar em com a prática da liberdade digital em casa deve ser pensada em um cenário como o de hoje.Uma conversa franca sobre limites, que pode ser benéfica ao expor os assuntos que passam pela cabeça dos filhos, mas raramente tornam-se pautas de conversas familiares.

Nossas experiências online boas e ruins no campo social, erótico-afetivo e profissional devem ser analisadas e delas podemos tirar uma boa conclusão do que podemos proporcionar aos nossos filhos em termos de segurança e responsabilidade com as informações pessoais.

Uso a web e outros meios digitais para todo tipo de relacionamento desde 1994. Tive muitos blind dates onde eu era o sedutor, aquele que proporcionaria a experiência extraordinária, que não poderia ser evitada sob pena de arrependimento eterno. Menti para muitas mulheres apenas para ter prazer imediato, para servir ao meu desejo de conquista. E ter como alvo pessoas incapazes de discernir entre o adequado ou não, independentemente de formação acadêmica ou sócio-cultural era a coisa mais simples do mundo. Na época não havia defesa. Essas pessoas poderiam ser vítimas por carta. Mas eram mulheres adultas e eu não era um bandido sociopata. Mal menor.

Hoje já sabemos como identificar e desestimular os perpetradores de engenharia social com fins duvidosos.

Agora é hora de ensinarmos aos nossos filhos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

de olhos bem abertos



não sou careta. estou longe de ser moralista. aprecio a liberdade de expressão.

como homem midiático, já faz muito tempo que abandonei a ingenuidade de acredtitar em informação oferecida pelos grandes veículos de comunicação.

como pai, verifico cada link em que minha filha navega, em sua hora diária de internet.

mas não basta. quem gosta de disseminar a burrice o faz de forma cada vez mais sofisticadae cruel.

hoje recebi, logo pela manha, fotos forenses da menina que foi esquartejada em Curitiba.

não foi apenas uma foto. foram diversas, com toda a precisão anatômica dos cortes.

o rosto (a cabeça separada) em close, em várias das fotos.

os trajes que ela vestia ao morrer, cuidadosamente arrumados, como naquelas bonecas de papel.

quem disseminou essas imagens pode ser considerado um ser pensante?

um ser digno de ser considerado digitalmente incluído?

não mereceria o mesmo destino e pena de quem perpetrou o crime?

a pessoa em questão é um profissional de mídia, que trabalha para a Rede Globo.

sabe que cometeu crime previsto no estatuto da criança e do adolescente.

pode ser preso.

vai alegar inocência, vai dizer que apenas repassou as imagens como curiosidade.

triste.

triste, mas exemplifica bem quem são as pessoas que redigem as matérias que você, diariamente, lê nos supostos melhores jornais do país.

garotada classe média sem preparo. sem leituras. sem conhecimento. uma corja que os donos de jornais adoram. não reclamam. a boca está adoçada com as entradas grátis para as baladas, restaurantes e bocas-livres. com os prêmios e brindes oferecidos pelos anunciantes (tabu: ninguém confesa que adora ganhar celular de presente das operadoras...ou viajar "na faixa" para os lançamentos de produtos no exterior).

gente que fica feliz, quando recebe o "corte" do dia, feito pela publicidade e pelo marketing. o que sobra de espaço depois dos anúncios comercializados e matérias pagas é que estará disponível para a informação relevante.

diversas vezes vi redatores e repórteres comemorarem a carência de espaço editorial. poderiam, ufa, escrever menos.

pensar, refletir, questionar e fazer entender nosso tecido social é supérfulo nas principais redações brasileiras.

isso vale também para aquelas caras revistas mensais e semanais que você assina ou compra nas bancas.

formar opnião, hoje em dia, é equivalente a anestesiar cérebros. tocar o rebanho. jornalistas são pastores de ovelhas.

é consumir o sensacionalismo da tragédia e ser educado para sentir-se culpado pelo infortúnio alheio.

aconteceu novamente, agora com as chuvas em santa catarina.

minha filha, ficou impressionada. procurou imagens, por sugestão da professora. em sua ingenuidade, pediu-me para imprmir uma foto da casas submersas. a foto era do crime de Nova Orleans, cuja a culpa foi imputada ao furação de força desproporcional.

nada de explicar o motivo do acontecimento. a falta de preparo urbanistico e a carência de inteligência na gestão ambiental e na construção civil.

o que lhe foi oferecido é unidimensional. choveu, muita gente perdeu tudo na enchente. agora precisam da SUA ajuda. e tome números de contas bancárias, sem a menor garantia de que os recursos serão destinados a recuperação da região afetada.

e nossos impostos? eu já paguei pela tragédia. não preciso pagar novamente.

pois bem. cadê os professores para explicarem os motivos de tamanha enchente, 25 anos depois da região ter vivido o mesmo problema? os professores não sabem. tudo o que bostejam para os alunos foi o que conseguiram resumir dos textos mal-pesquisados de veja, época e outras publicações da mesma natureza.

perdem as crianças, vitimadas pela cultura do medo e da culpa. perdem os adultos, que insistem em assistir ao jornal nacional, como se fossem encontrar alguma informação relevante para o seu futuro em matérias editadas de 40 segundos de duração.

tentem explicar a operação farsesca em Mumbai, índia, em 40 segundos. tiros ao vivo. todos comentam nas ruas, ônibus, metrô. sequer imaginam como é a cultura local e suas intrincadas características. choram pelos ricos mortos e ignoram a existência do sistema de castas.

pior. a morte de um dos 300 homens mais ricos do mundo, vitimado por tiros, rendeu mais linhas do que a mulher grávida baleada na cabeça no Rio de Janeiro.

garanto que a maior parte dos leitores teve seu cotidiano mais afetado pela morte da mulher. mas choraram mais pelos mortos de munbai.

ficaram presos na equação "número de mortos X espaço de tempo". mais gente morre de forma cruel no Brasil. muito mais.

não interessa. afinal, eles moram na favela ao lado, e não estavam hospedados no hotel mais luxuoso de Mumbai.

poxa, gastaram tanto dinehiro para morrer assim?

meus coleguinhas jornalístas, na casa dos 20-30 anos, já arrumaram culpados, já encomendaram infográficos impressionantes (e repletos de erros históricos e geográfios) sobre os ataques "terroristas", e pior, já elegeram os heróis.

sim, uma vez que massacre, tragédia ou cataclisma sem heróis não rendem audiência, não dão "suite" ou rendem um número considerável de leitores.

basta traduzir um feed da reuters, da cnn ou da AFP e pronto. ufa, como trabalhei hoje!!!!

reprodutores de "fatos".

cadê o repórter curioso que poderia pedir para o seu editor uma passagem para tentar entender o acontecimento in loco?

não, dá muito trabalho. melhor publicar a traducão do texto redigido pelo estagiário da Reuters, ignorante sobre os acontecimentos na ásia...pô, marquei pelada e chope hoje!!!

a mesma garotada que escreve sobre a falta de fiscalização da lei seca, bate ponto depois do expediente no bar folhão, no estadão (belo pernil...), no filial e no hipódromo, na gávea. e tome cocaína com chopinho...

depois, pegam seus carros 1.0 comprados em 72 prestações e tornam-se candidatos a assunto da página policial, no dia seguinte.

são os mesmos que acusam de corporativistas as forças de segurança, mas que são incapazes de colocar os coleguinhas criminosos ou contraventores sob o holofote do jornalismo.

na folha, escrever pouco significava menor chance de errar, assim a premiaçnao que rende uma viagem para a europa, paga pelo jornal, para os melhores de cada editoria não fica comprometida

sim, os erros são cumulativos, e se um colega arrisca mais para informar melhor, pode prejudicar o preguiçoso conformado que será premiado.

não é diferente nos outros veículos que bonificam a obrigação de ser correto. todas as grandes redacões do país sofrem com o medo de informar e a moçada que está entrando agora no mercado de trabalho, principalmente aqueles que conseguem entrar para os "cursos de jornalismo" oferecidos pelos veículos mais imortantes, são adestrados para cumprirem sua missão de não fazer os jornais perderem dinheiro (anunciantes).

já se perguntaram o motivo de existir um jornal para cada perfil sócio-cultural?

liberdade de expressão?

não.

adestramento.

um país que brinca de falar em inclusão digital, mas que cria apenas novos consumidores de mídia eletrônica e de comércio eletrônico. casas bahia online. enforque-se em até 10 vezes,com juros.

não estimulam ninguém a produzir conteúdo. basta uma olhada no orkut e no youtube para ver a contribuição do cidadão brasileiro ao universo de informação digital.

e piora. alguém já leu nos principais jornais internacionais alguma matéria sobre as exigências exóticas de astros brasileiros no exterior? aqui ainda gastam laudas sobre as toalhas e a comida que a madonna pediu.

estudaram quatro anos para escrever sobre o paladar da madonna. certo. e nós pagamos por essas publicações.

estimulem seus filhos a escrever sobre o mundo. sobre eles. sobre as suas percepções do cotidiano.

estimulem essas criancas a não serem meros consumidores de conteúdo.

verbalizem que só existe inclusão digital quando sua participação online modifica a vida de outro ser humano.

o porteiro e a empregada terem e-mal não é inclusão digital.

laptop nas escolas do Rio de Janeiro não é inclusão digital.

acesso a internet comunitário, sem monitoria para a producão de cultura não é inclusão digital.

um presidente como o Lula, marionete que ignora a inteligência de milhões de brasileiros ao proferir e sustentar idioticessócio-político-econômicas, não pode estimular a inclusão digital.

é sandice.

continua...