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sábado, 5 de outubro de 2013

Dois estupros de crianças. Duas realidades. O lado B do Rio de Janeiro que ninguém quer ver.

Dois estupros (entre as centenas da semana) marcaram o Rio de Janeiro nos últimos dias: uma menina de 9 e uma menina de 12 foram violentadas.

A menina de 9 foi estuprada e estrangulada por um facínora de 22. Ela saiu de uma festa de aniversário com a família e voltou para buscar o brinde, que havia esquecido. Todos se conheciam. Ninguém desconfiou do novo morador, trabalhador, jardineiro.

Ele cometera crime semelhante no Nordeste, 5 anos atrás. Ela não vai voltar para relatar os minutos de terror, as mordidas sofridas, a violação e o estrangulamento que abreviou sua vida.

A menina de 12 foi estuprada por um grupo de meninos entre 13 e 16 anos. Sobreviveu, mas não sem sequelas. Fizeram um vídeo com o estupro e espalharam para os colegas da escola, via WhatsApp. Todos os agressores filhos de pais ilibados, estudando em escola cara, de elite, todo mundo acima de qualquer suspeita.

O agressor da menina de 9 foi preso. A comunidade do local no qual a menina morava, a Rocinha, revoltou-se e cobrou solução.

Os agressores da menina de 12 estão protegidos. A comunidade na qual a menina mora, um condomínio classe média alta no Itanhangá, Barra da Tijuca, prefere esconder o crime sob o manto da inconsequência adolescente. "Coisa de criança, sabe?" ou "A menina era safadinha mesmo, uma putinha. Afinal, o que ela foi fazer na casa dos meninos?". Conhecemos bem esse papo, não?

Eu nunca me canso desse assunto. Passei boa parte de 2010, 2011 e 2012 escrevendo sobre o tema no blog Pai de Menina.

As famílias brasileiras estão dando liberdade equivocada para seus filhos. A partir do momento que alguém sob sua responsabilidade pode violentar alguém, em sua própria casa e na mesma noite exibir o vídeo com o crime em redes sociais, sem que os pais saibam, algo está fora de controle.

Esses estupradores vão ganhar presentes. Seus pais vão pagar intercâmbios e tirá-los do país. Voltarão com a ficha limpa.

O vídeo da menina nunca mais vai parar de rodar as redes sociais e canais de distribuição de vídeos. É impossível. Ela terá que conviver com essa mácula na sua vida.

Sem falso moralismo, mas não custa nada prestar atenção no nossos filhos andam fazendo, seja na vida, seja online.

Digo e repito: até os 18 anos, se mora em minha casa, é sustentado por mim e usa recursos que eu pago, não vai ter privacidade digital. E, sim, terá que dar satisfação de seus passos.

Uma medida que não assegura que nada irá acontecer. Mas que faz com que eu não fuja da responsabilidade parental.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Assassinos de mulheres a solta... dentro de casa.

Tenho insistido em relatar os casos de estupro e feminicídio para que se entenda a diferença dessas ocorrências em relação à violência cotidiana na Brasil. Matar, torturar, agredir e humilhar mulheres, tolhendo a sua existência plena sob um duvidoso prisma moral e comportamental virou uma prática sistemática no século 21.

Mas ainda é tempo de mudar.

Oferecer mecanismos que não tornem a mulher agredida vítima duas vezes (no ato da agressão e na busca por justiça, quando não raramente são consideradas culpadas pelo ato hediondo) é um caminho fundamental para começarmos a virar o jogo.

Que nossas meninas cresçam sabendo que podem viver de forma livre sem terem que receber "punição" por seu gênero.

O jornal O Globo de 20/12/2013 publicou números alarmantes sobre estupro no Brasil. Com foco no aumento de denúncias

Felizmente nossos números ainda estão longe dos EUA e Suécia, onde o estupro é uma epidemia, mas existem salvaguardas para que precisa denunciar esse crime. Não podemos relaxar. Deixar cair no esquecimento.

Até pelo fato do perigo não estar apenas lá fora, na rua, nos casos extremos. A maioria dos agressores está dentro de casa. Membros da família. E que contam com o acobertamento de outras mulheres no mesmo grupo familiar.

Temos uma pequena India dentro de nossas casas, com um código de (falta) ética e humanidade bem diferente na vida privada do que aquele que é assumido na esfera pública.

E em qualquer classe social. Com agressores e mulheres não-solidárias com as vítimas (coniventes com os agressores, seja por concordarem com o ato ou por serem coagidas) que ostentam formação superior.

Não é apenas uma questão de educação. É uma ideologia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Estupro, feminícidio e infanticídio: epidemia

Começo o dia falando, mais uma vez, em estupro, feminícidio e infanticídio. Crimes que desmonstram claramente o nosso nível corrente de evolução social.

Infelizmente. Dessa vez a vítima tem dois anos de idade. Vão considerá-la culpada também, como fizeram com a moça em São Paulo?

A bebê foi violentada até a morte, aqui mesmo, no Rio de Janeiro, essa cidade linda e humana. Não, não feche os olhos.

Realmente alguém acredita que 30 anos de cadeia vão recuperar o sujeito que fez isso, o próprio padrasto? Ou o clamor popular leva a mudança imediata das leis, com castração química e incapacitação social do agressor ou logo os algozes não terão direito a justiça alguma. Morrerão nas mãos de cidadãos comuns.

domingo, 23 de outubro de 2011

Estereótipos na TV: munição para criminosos

Continua acontecendo. Na cidade que vai receber s Jogos Olímpicos de 2016. Uma cidade que deveria ser plural ao lidar com suas diferenças, mas que enconde em suas entranhas uma guerra racial, um vontade inglória de limpeza étnica.

Negros, só como serviçais, futebolistas, esportistas de destaque ou artistas. Outras manifestações são falsamente toleradas por uma parcela da sociedade que se não significativa numéricamente, o é em suas relações com o poder estabelecido. Perigosos por serem da classe ainda dominante. Perigosos por serem temidos por aqueles que deveriam nos proteger.

Uma senhora agredida é vista como "curiosidade". Como se ser chamado de "negro macaco" fosse algo que devesse merecer perdão. Não o é.

Essas pessoas que cresceram rindo dos Mussuns e Macalés da vida acham normal violentar a negritude usando referências desagradáveis. Como se fossemos o lixo das etnias, "acostumados" a sermos agredidos grauitamente.

Incrível, mas tem gente que não só acha normal, como acha aceitável.

Eu não acho. Eu não tolero. Eu vou lutar contra os racistas até o fim da minha vida.