quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para quando as tietes de Obama tornarem-se viúvas




Desde 2007 eu venho alertando a turma para o absurdo hiperdimensional da eleição de Obama. Cada vez mais as pessoas parecem não ter nocão de como se faz uma eleição nos EUA, e caem feito patinhos nas armadilhas midiáticas.

Para parar de falarem besteira, sugiro a leitura de "Packagin the Presidency", escrito por Kathleen Hall Jamieson, Ph.D e que custa apenas 22 dólares na Amazon.com. No link acima vocês podem ler de graça. Sem desculpas então para continuar falando bobagem.


Aliás, o instituto para o qual esse mulher brilhante trabalha também estuda os efeitos maléficos da mídia sobre a formação intelectual e moral de nossos filhos.

Mesmo que você tenha respostas prontas do tipo "mas eu cresci vendo meu pai bater na minha mãe, foder a minha irmã mais nova, a porrada, racismo, homofobia e trairagem comendo solta no pica-pau, tom e jerry, coyote e trapalhões e sou uma ótima pessoa, não sou racista nem violento", vale a pena ler os artigos e refletir sobre aquilo que lhe parece óbvio, mas está longe de ser espontâneo.

Escrevam para o seu comentarista de política externa no seu jornal favorito e perguntem se ele já leu. Se a resposta for evasiva, saiba que vai continuar lendo e relendo bobagens pelas quais você paga 2 reais toda manhã na banca mais próxima.

Vários posts depois, o homem está eleito e aidna vejo brasileiros vestindo em seus fihotes camisetas com a estampa do presidente POP, como se fosse um santo salvador.

Burrice.

Obama é apenas o novo retrato da escravidão, da submissão travestida de poder, caminhando na corda bamba para cumprir a agenda branca da chefia.

Como já lembrei, sua primeira mediada foi intensificar a guerra no Afeganistão, aos custo de bilhões de dólares. Dinheiro esse que a máquina de guerra, dominad por oligarquias brancas (me apresentem um entre os 100 maiores fabricantes de armas de guerra do mundo que tenha seu board de diretores e conselheiros formado por negros e hispânicos democratas...perda de tempo, não vão achar).

Minha filha mais velha estava prestes a completar 8 anos ao ser contaminada pela sanha de tietagem que assolou o Brasil, mas pude conversar a tempo e explicar que Obama não é um herói dos pretos. E muito menos para os pretos brasileiros.

Joaquim Barbosa, nosso ministro no STJ, esse sim merece loas pelo seu posicionamento como homem, cidadão e magistrado. Mas não aprecia a ribalta, as luzes vazias da fama. Está certo ele. O melhor que ele pode fazer é tentar ajudar a educar esse país pela palavra e pelo trabalho.

Cade os designers brasileiros para fazerem uma estampa vetorial deste homem preto? Ah, ninguém? Pois é....Hype de preto gringo é mais style...



A última do escravão, que é odiado por parte da sociedade influente e pelo governo paralelo americano, (leia-se agências de informação - ainda traduzidas como de "intelgência" pelo tosco jornalismo tupiniquim - militares de alto escalão e a direita mais ortodoxa) é negar ao mundo e aos americanos o direito de ver as imagens que a suposta guerra ao teror produziu: torturta sádica, com pouco efeito na obtebção de informações valiosas para deter a suposta ameaça terrorista orquestarda pelo islamismo radical e bárbaro.

Os agentes do Islã são bárbaros. Nós não. Nós fizemos isso por você!!!! Essa é a mensagem de Obama.

Obama só não é mais pateta do que Lula, Chavez e Castro. É um alento.

Assim, quando converso com minha filha sobre o nosso papel no mundo, tenho a dura tarefa de não deixar que ela cultue mitos vazios, facilmente estampados em camisetas antes de mesmo de sequer terem trabalhado em prol de mehoras significativas para o seu próprio povo.

O cara acabou de completar 100 dias de governo e a mídia brasileira foi incapaz de tecer comentários relevantes sobre a nova geopolitica sob a luz de um mundo sem medo dos EUA. Sabe o que os grandes jornais fizeram? Mandaram os correspondentes internacionais fazerem fichamento dos semanários americanos.

Para o dia a dia, mais fácil é comprar o direto de artigos publicados no New York Times e Washington Post.

vou propor um exercício simples, para situar o leitor quando a importância do jornalismo brasileiro e suas opniões no mundo.

Visitem o site dos dois jornais citados e vejam quantas mateerias e reportagens de diários brasileiros foram publicadas e tiveram seus direitos comprados. Comparem agora com o jornal diário que você lê. Faça a mesma coisa: anote as matérias estrangeiras.

Conclusão: o jornalismo brasileiro é incapaz de ajudar seus leitores em formação a pensar o mundo. Nossas crianças vivem com a ilusão de que fazem parte de uma comunidade global. Acam isso só porque viram cenas de guerra em seu videogame favorito ambientadas em cidades brasileiras.

Ou será que é por causa do Google ter página em português e o Orkut ser dominado por brasileiros de cueca?

Um mundo onde pretos da Somália desafiam barco de guerra das mais poderosas nações do mundo e sequestram, toda semana, navios mercantes que navegam no oceano índico.
Puxa, que dor de cabeça para os professores que ensinam criancas que cresceram vendo no Fantástico e no Globo Repórter as criancas da Somália morrendo de fome e toneladas de ajuda obtidas em shows de rock gigantescos, regados a cocaína em bom mocismo de mullet, como aquele praticado pelo tosquinho do Bono Vox.

Aqueles pretinhos magricelos cresceram com acesso a técnicas de combate, desejos de consumo e acesso a internet.

Mas aqui no Brasi, país rico e culto, benchmark de nação bem sucedida, assuntos espinhosos não devem chegar a mesa das famílias. Devem ficar escondidos em notinhas no jornal de embrulhar peixe, com espaço menor do que a meningite estio "CARAS" do filho da Claudia Leite.

As fotos que ilustram esse post mostram a tortura que tanto abominamos em nosso discurso sendo praticada pelos criadores das marcas e hábitos de consumo que sustentamos nos últimos 40 anos.

We love the american way of life.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Horizonte limitado




Ilustração com meus amores - Lia, Dora e Dani, em nossa praia: procurando informação e esperança em horizonte sombrio.
Foto: Felipe B 04/2009


Leitores do Blue Bus ficaram indgnados com o tom da imprensa brasileira, taxando-a de sensacionalista. Mas foram burros o bastante para comparar a ameaça de febre amarela, em 2007 e 2008, com a pandemia de swine flu (parece nome de banda indie ou de torcida jovem de time de futebol carioca).

A galera só consegue pensar até chegar a Búzios, e ignora que o norte do Brasil - já são 84 mil desabrigados apenas no Maranhão, a maioria crianças e jovens - está enfrentando a maior enchente dos últimos 50 anos (previamente anunciada pelo INPE e solenemente ignorada pela dupla Lula/Dilma, em turnê caça-votos pelo país).

Alguma dúvida que a porta de entrada do caos será por lá?

Conversar com nossos filhos e prepará-los para o choque de desinformação também é uma boa maneira de nos exercitarmos para enfrentar o ar blase dos fiscais da mídia diante do infortúnio.

Quando professores de primeiro grau possuem apenas as mal traçadas linhas dos jornais para se tornarem multiplicadores de informação, a coisa fica ainda mais perigosa.

MInha filha de 8 anos estuda em escola municipal, aqui no Rio de Janeiro. Imaginem como comunicar a boa parte da turma, aqueles que moram diante de um valão sem saneamento básico, com esgoto a céu aberto, que eles deverão mudar hábitos simples e corriqueiros de forma IMEDIATA.

Na zona oeste do Rio, porcos são animais criados em pequenos quintais, juntamente com outro bichinhos, sejam de estimação ou de consumo, como galinhas.

Será que as pessoas que juraram informar e fazer pensar não conseguem perceber que a menos de 10 km de suas casas existe a combinação PORCO+GALINHA+FALTA DE HIGIENE+CUMPRIMENTOS CALOROSOS+NÃO TO NEM AI generalizado?

A mulher que trabalha aqui em casa cozinhando e cuidando de minhas filhas mora no térreo do meu predio (é mulher do zelador) e desfruta do mesmo nível de saneamento que os demais moradores.

Eu estou tranquilo. Mas muitas das empregadas domésticas que frequentam outras senzalas da classe média moram em locais insalubres.

Se adicionarmos o quesito diversão, que, constantemente, adiciona a frequência a lugares LOTADOS e nada arejados, como um bom baile funk, no qual até 1500 jovens, trepam, dançam, fumam, transpiram a rodo, com proteção zero, já dá pra imaginar que as supostas 90 milhões de doses de Tamiflu que o Ministério da Saúde jura ter em estoque (é mentira!!!!!) não serão suficientes para atender a popiulação brasileira, mais notadamente, a ribeirinha, no norte do Brasil.

Vamos começar a ver a quantidade de ghosts aumentar nos perfis do Orkut...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gripe suína? Blame Canada!!

Durante boa parte dos anos 90 eu cuidei da programação do canal a cabo Multishow. Nossa equipe curtia muito sacanear os canadenses, motivados pelo mote de Eric Cartman, o personagem gordinho filho de uma puta (literalmente -a mãe dele era super vadia).

O tempo passou e o desenho animado perdeu sua força iconoclasta. Mas não é que o pequeno Cartman tinha razão?

Em meio a histeria relativa a gripe suína (acreditem, se a imprensa falasse realmente do que se trata, a maioria das pessoas enlouqueceria), poucos procuraram fazer o link com as últimas manifestações do H1N1 vírus causador da influenza. Pesquisar? Para que, se o O GLOBO e a FOLHA publicam infográficos com tudo que eu preciso saber? Não, melhor, só acredito na doença depois que sair na VEJA.

Bem, hoje, 26/4/2009, a deserta Cidade do México foi sacudida por um terremoto forte. Tudo parado. Forças de defesa civil mobilizadas para conter a gripe. Heheheh. Ah, coincidência...Claro...O HAARP é bobagem.

Em 13/4/2009 surgiram as primeiras mortes suspeitas na capital mexicana.

Em 17/4/2009, o departamento de estado e os orgãos de informação dos EUA deixaram Obama visitar a capital mexicana e ser ciceroneado pelo arqueólogo mais importante do México, Felipe Solis. Felipe Solis morreu de pneumonia (um dos sintomas da gripe suina) em...23/04/2009.

Segundo o governo mexicano, Solis já estava com pneumonia antes do surto de gripe suína. É claro que a política de segurança dos EUA permite que o presidente passe horas recebendo perdigotos e abraços de um cientista mexicano com doença respiratória, mesmo sabendo que a doença já matava no México desde o dia 13/4/2009.

Sequer traçaram um mapa relacionando com quem Solis conversou ou onde esteve em meados de março e abril de 2009. Natural.

Foram mais sutis ao matar Kennedy.

Ah, vocês não prestaram atenção nem ligaram os fatos ao ler os jornais? Que pena...Dilma, né?

Também ficou com pena dela e vai mudar seu voto? O mundo que se foda...

Tivemos a gripe das aves, na Ásia, Africa e Europa. A América enfrentou versões mais simples e menos letais da virose nos últimos cinco anos.

No Brasil, dengue, febre amarela e malária dominaram os noticiários. Em época de eleição, nos convenceram com carros fumaçê, desempregados não qualificados, travestidos em agentes de saúde, espalhando pozinho venenoso em nossos pneus velhos e vasos de planta. Alé, é claro, de propagandas caríssimas de TV. Tudo para provar que as administrações federal, estadual e municipal lutaram bravamente na prevenção contra essas enfermidades.

Bullshit!

O que importa mesmo é o cancer no suvaco da Dilma...Que peninha, não é? Mulher tão inocente sofrendo assim....

Pacifistas como somos, ignoramos em nossa grande maioria, os produtos destinados a guerra desenvolvidos em laboratórios civis e militares.

Guerra biológica é um tabu. Coisa de ficção científica. Manipulação geológica e meteorológica, como armas de destruição em massa, absurdos. É melhor acreditar no Tarô, Dr. Fritz e deus. Esses, sim, são repletos de credibilidade.

Mas você que tem parentes próximos nas forças armadas, pergunte com carinho sobre o assunto e prepare-se para ficar enojado com o que é possível fazer para matar seres humanos.

Nada disso é novo. Em 1918 a Alemanha conseguiu fazer o mundo provar o gostinho de produzir uma cepa de vírus capaz de matar 50 milhões de pessoas. Como não existia o fenômeno midiático de hoje, a coisa é difícil de ser contada por nossos parentes mais velhos. O único holocausto que nos é permitido lembrar é o de judeus nos anos 40, esse sim fundamental para a consolidação do sionismo.

Mas onde entram os canadenses nessa história? Em Janeiro de 2007, alguns dos melhores biogeneticistas canadenses decidiram estudar a composição do vírus da influenza responsável pela pandemia de 1918. Como não existiam tecidos humanos preservados da época, a única alternativa foi exumar um cadáver preservado em permafrost (um tipo de solo comum no norte do Canadá, com características que retardam o apodrecimento de tecidos animais), de uma vítima da gripe na época.

Se alguem ai lembra das aulas de biologia da escola, os vírus são a forma mais simples de vida e a mais facilmente manipulável para mutações geneticas. Uma vez inoculado em um hospedeiro, recombina seu DNA com o de outras cepas de forma quase imediata. Lindo mecanismo de sobrevivência.). Os canadenses reativaram um vírus de influenza e inocularam em macacos, assim poderiam saber que sintomas e reações o vírus provocava em mamiferos.

O resultado foi que em 24 horas os macacos tiveram o tecido da faringe e laringe destruídos (garganta, gente, garganta). A morte vinha em 48 horas, com a reação do sistema imunológico. Produzir enzimas e hormônios capazes de destruir os orgãos afetados. A pessoa morre afogada em seu prórpio sangue. Felizes da vida, os gênios canadenses divulgaram seus estudos, mas esqueceram de destruir a cepa.

Para encurtar uma história longa, enquanto o mundo era engabelado pela CNN, FOX, TV Globo e outras fontes de (des)informação com o esforço do governo Bush em encontrar armas de destruição em massa no no Oriente Médio, a turma do terror conseguiu a cepa e produziu um belo cenário de contaminação: liberar o virús na primavera de uma das cidades mais populosas do mundo, centro turístico mundial, aeroporto que é hub internacional, com cultura calorosa e propícia ao toque e aos beijinhos na face. E, principalemnte, vital para economia americana, com a fronteira aberta para os escravos mexicanos limparem as latrinas dos WASPS.

Resultado da cagada canadense: a Organização Mundial de Saúde estima que a gripe suína vá provocar 210 milhões de mortes.

Nossos filhos pequenos e nossas mães e avós que nos sustentam e tomam conta dos nossos pequenos de classe média não são as principais vítimas. O foco é matar homens entre 20 e 40 anos. Sim, aqueles que vão as frentes de batalha, que estão a frente das decisões e ações na maioria das grandes economias mundiais.

Nossos amigos da guerra conseguirm isso usando inteligência e baixa tecnologia: inocularam porcos com as versões humanas do H1N1, mais a aviária (reconhecidamente letal e capaz de infectar outros animais) e a dos porcos, com cepas asiáticas e europeias. O próprio porco serve de laboratório, recombinando o DNA dessas cepas com extrema facilidade. Outra característica interessante é o fato da versão suina da gripe ser transmissível pelo toque e contato com animais infectados, além de se propagar com eficácia por via aérea. Se alguém contaminado tocar em maçanetas, copos, alças de transportes públicos, corrimão ou espirrar no elevador, contaminação provável, em taxas acima de 90% de eficácia.

Arma perfeita.

Cidade de México: 20 milhões de habitantes, saneamento básico ridículo, metro e ônibus lotados, estádios lotados, missas lotadas, comida de rua, "perros" abandonados, suínos em criação doméstica e turístas descuidados procurando situações e experiências de vida exóticas.

Combine com a mais poderosa corrente do narcotráfico mundial implementando uma guerra que ja dura 7 meses na fronteira com as EUA e começando a ser combatida pela política flaciosa de Obama, o novo escravo do capital. Resultado: morte, em grande escala.

Relaxe. Não pode fazer nada além de evitar clubes de swing e outras muvucas (final do Estadual no Maraca nem pensar...), lavar bem as mãos, usar máscaras e luvas cirúrgicas no dia a dia. Uma espécie de Michael Jackson Cover, sem pedofilia.

Remédio?

Vacina nem pensar, e o único antiviral capaz de ameaçar o vírus é o Tamiflu, patenteado pela Roche e pouco disponível no planeta, abaixo da linha do Equador. Ainda assim, os efeitos colaterais podem levar a morte. A vrsão pediatrica tem uma taxa de sinistro menor, mas é igualmente perigosa. E cara.

Aqueles que engendraram esse ataque ainda foram espertos para entender que culturas com a brasileira e americana terão demora a entender que homens adultos deverão ser tratados ANTES de mulheres e crianças. Que utensílios domésticos contaminados, assim como roupas, deverão ser destruídos com calor acima de 71 graus.

Morrer, ok? Mas queimar minha calça da Diesel que custou 1500 reais nem pensar. Isso é coisa de pobre, vão dizer.

A melhor coisa a ser feita é consultar o manual de Ética e Ação em Caso de Pandemia, produzido em Maio de 2006 pela Organização Mundial de Saúde.

Se querem sobreviver, deixem deus de lado e usem a cabeça.

Ou esperem pelo jogral do Jornal Nacional dizendo que esta tudo sob controle. É só uma marolinha...

Em tempo: Senado, Câmara e Planalto possuem estoques emergênciais de Tamiflu. Seu posto de saúde tem?


Para saber mais (ou aquilo que os moleques da imprensa brasileira tem preguiça de procurar para informar você):

Terremotos e tempestades tropicais induzidas por eletromagnetismo e ondas gravitacionais

guerra geo-meteorológica

Oooops, chefe, errei a fórmula da vacina

O perigo do Tamiflu

Cientistas canadenses brilhantes fazendo merda em Janeiro de 2007

Mulheres e crianças....depois de mim, amigos!!! Relatório da Organização Mundial de Saúde sobre ação e ética em pandemias

Obama ganhou um presente de grego dos órgãos de segurança e espionagem dos EUA, duramente atacados pelas torturas durante o governo Bush

sábado, 11 de abril de 2009

Banho de Lua


Banho de Lua - Lia e Dora - Recreio, RJ 10/04/2009.
foto: Felipe B

Ontem, sob a luz da lua, acompanhamos, eu e Dani, as meninas em suas bikes, até a praia. Eu fui de skate, para aproveitar o asfalto liso da ciclovia. Nos esbaldamos na areia mesmo, curtindo a lua laranja subindo ao horizonte.

Os holofotes do calçadão testemunharam duas meninas sorrindo, felizes, transbordando em alegria.

Mergulharam com timidez, nas águas escuras e encapeladas. Rolaram em guerras de areia e esculturas frágeis ( - olha, pai, um peixe, fiz sem o molde!). Os cabelos, em cachos úmidos, guardando maresia e sonhos.

Hoje, quando fomos passear debike novamente, o trecho de areia em que estivemos fora coberto pela espuma de ondas belas e poderosas, de até 12 pés.

O retorno para casa foi alegre, energizado. E a noite de sono, embalada pelo sal ainda presente na pele morena de nossas doces meninas.

Ideias selvagens: entre jacarés, piranhas, crimes e comentários carolas.



(Rio, Recreio dos Bandeirantes) - Jacaré no Canal das Tachas, última parada antes da praia deliciosa que minha família curte unida. foto: Felipe B, Abril 2009


Vida entrando no eixos aqui no Rio, e entre mergulhos no mar, esquivando-me das matanças nas ruas da zona sul carioca e dos simpáticos e enormes jacarés nas ruas do meu bairro, agora tenho tempo para voltar aos posts e fazer algumas considerações.

Como devem ter percebido os leitores mais atentos, não faço réplicas aos comentários, tampouco apago as agressões e textos inconvenientes.

O motivo é que acredito ser aquele um espaço dos leitores, ávidos por refletirem sobre o que foi publicado.

Deixar os comentários livres para a leitura de todos também permite que tenhamos contato com a lucidez e livre pensamento de quem usa os meios digitais.

Ao mesmo tempo, constatamos que a livre circulação de idéias não impede que antigos dogmas e crenças sejam o esteio sócio-moral de um número imenso de pessoas, unidas e movidas pelo medo de mudar, de pensar diferente.

Os comentários mais agressivos foram propagados por dogmas e crenças religiosas, que, no Brasil, ganharam força de lei.

Nosso Estado (que deveria ser laico) foi erguido com base na conivência criminosa entre a mão de ferro e impiedosa da igreja católica e o poder político.

Lendo alguns comentários no post sobre o arcebispo de merda que queria destruir a vida e o futuro de uma garotinha de nove anos, vemos em 2009 gerações criadas sob o medo de deus (em caixa baixa, sempre, como notou uma leitora), culminando com o irracional culto à virgindade mariana.

Ela seria uma mulher deplorável ou Jesus (não, não é o da Madonna...é o outro, que parece o Romário, segundo estudos recentes) não seria um homem de valor se ela tivesse gozado muito e sacanamente - com José ou outras Marias - (ter mais de uma esposa era tradicional naquela região) durante a série de relações carnais, sob o céu estrelado (e sob os olhos de deus, vouyer, onipresente), animdas por música pagã e ânforas do excelente vinho local, levando a gloriosa esporrada que gerou o`Cara?

E pior do que o medo e o descarte da biologia da reprodução como algo divino, a cegueira em relação ao livre arbítrio, que gera comportamentos absurdos, tirando de nós a resposabilidade pelos nossos atos.

Gente obtusa, que vive acreditando que "só cristo salva" (maça+S também...), como um ingênuo leitor que, em seus doces comentários, acredita mesmo que balbuciar singelas orações em português diante de uma ameaça de morte violenta poderiam salvá-lo no último momento. Ou ajudar muito naquela prova de matemática para a qual não estudou.

Não temo deus. Tenho pena de gente que faz de algumas religiões, em particular as baseadas no cristianismo, uma bengala doutrinária, que prejudica milhões, que matou outros tantos milhões em nome de seu deus, que ignora a existência humana e geração de conhecimento antes do nascimento de Jesus.

Gente incapaz de entender a cultura judaica, o islã, as manifestaçõe espirituais africanas, polinésias e hindus. Gente que aceita santos cheios de nomes, roupas coloridas, realizações duvidosas, mas rejeita a beleza do animismo e das tradições espirituais matriarcais das culturas ditas pagãs, centralizadas em mulheres da antiguidade que não renegavam seus corpos, seu direto de gerar e manter a vida, de gozar e de comandar povos. Coisas que muitos incautos atribuem ao feminismo e a modernidade pós-industrial.

A igreja católica ajudou, sistematicamente, a apagar parte importante da história social, cultural e da intimidade da humanidade. Apoiou abertamente as principais iniciativas históricas de genocídio. Sim, matou gente em nome de deus.

Criou o papel da "mulher de segunda" na sociedade ocidental moderna.

É possível conceber uma existência na qual a voz da mulher seja de importância secundária? Vou deixar minhas filhas acreditarem em tal sandice? Quando minhas meninas perguntarem o motivo de não existirem mulheres ministrando missas e comandando o sacerdócio católico direi que o motivo é a violência do masculino sobre o feminino do cristianismo praticdo pela igreja (longe daquele que surgiu pelas palavras d`OCara).

Essa gente (?) agora quer atacar também a opção sexual das pessoas.

Justificaram a agressão aos negros e outros povos ao longo da história. Não tinhamos alma. Precisávamos de salvação divina.

Imagina, cultuavamos o sol? Bárbaros que eramos, navegavamos pelo mundo, sabendo ser a terra esférica. Mas não tinhamos alma e podíamos ser escravizados, em nome de deus.

Calaram-se diante da morte em massa de mulheres, crianças e homens judeus, 65 anos atrás. Históricamente, ontem. Hoje.

Calam-se hoje, 2009, aos massacres no Congo e Sudão. Choram pelas igrejas velhas que um fenômeno natural destruiu na Itália essa semana.

Agora, investem pesado naqueles que escolheram amar seus iguais. E aqueles que não conseguem pensar, repetem o preconceito aprendido na igreja, justificando-o como castigo de deus.

E pensar, que na época de meus antepassados, apenas não tinhamos direito a ter alma...

Tudo para não perder o poder, o enclave do Vaticano, a riqueza. A palavra do homem. A aniquilação do feminino.

Assim, eu, abertamente, critico o catolicismo, formalizado de forma cruel pela igreja católica no Brasil.

Os coloco no patamar mais podre de nossa composição social, pois colabora de forma inexorável para um país como o nosso continuar gerando favelas, pobreza, fome, população de rua, burrice, analfabetismo e toda sorte de mazelas que tornam a maior parte da população incapaz de gerar cultura, de pensar por conta própria, de refletir sobre o que lê (quando lê) e sobre o que lhe foi ensinado ao longo da vida. Não. Não podem pensar, imaginar, construir teses e idéias. Antes de tudo, precisam respeitar deus. Fala sério, não é?

Deixa esse povo ficar curtindo supostas noticias de 20 segundos sobre acontecimentos do mundo, do cotidiano, recitadas em forma de jogral por um carismático casal de apresentadores. Boa noite.

A força das palavras dos homens de batina é tanta, que até ícones da cultura popular de massas (que poderia ser rebelde, iconoclasta, iluminadora) como MVBill e o grupo paulistano Racionais, ambos capazes de criar uma revolução sem precedentes em suas comunidades, colocam tudo a perder quando citam deus e jesus em suas músicas, colocando-os acima de tudo (como ensinado pelo medo de seus pais) e mantendo os seus presos ao universo da favela, da pobreza, do gueto.

Como pode um homem negro, hoje, aceitar ser batizado na igreja católica? Lavagem cerebral. O mesmo deus que apoiou e financiou o comércio de escravos, tortura, matança, estupros de nativos negros da Africa.

Que nossos jovens da periferia não esqueçam que aquele deus humilha e manda matar em nome dele. E que esse viés jamais é ensinado nas aulas de catecismo, nas paróquias e pastorais espalhadas pelo mundo.

É dessa forma que encaro aqueles hipócritas que proferem ameaças nos comentários de um blog.

São burros demais para merecerem respostas.

De volta a programação normal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Farra na varanda


ao que leva a criatividade infantil.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

De volta. De novo. No Rio.


Agora no Rio.

Viemos morar no Recreio dos Bandeirantes. Tirando a praia, os jacarés enormes do Canal das Tachas (no caminho para a praia, no domingo, encontramos 3 juntos, ao sol), os caramujos africanos, e o pastel de feira ruim, é quase igual a São Paulo. Talvez seja o único lugar do Rio com padarias decentes, onde é possível encontrar um bom espresso e pães variados (até aquele pão do Outback tem, diariamente).

Vida nova, enfim.

E eu estou de novo com vocês. Fiquem sintonizados!

terça-feira, 10 de março de 2009

Cidade Maravilhosa


mãe e filha na varanda do mundo, Rua das Laranjeiras - RJ. 10/3/2009 - 00:42 de uma madrugada quente
Olympus E-420 with Zuiko Digital 14-42mm lens at 25.0mm
ISO 400 f/7.1 shutter 2.5sec
foto: FELIPE B | FOTOGRAFIA

estamos deixando são paulo, após cinco anos.

acabei de conseguir um apartamento, no Rio de Janeiro, para morar com minha família.

na cara da melhor praia da cidade, 150 metros quadrados, varanda enorme, no bairro besta onde vivem os jovens atores globais.

yes, we can.

e elas, podem?

quinta-feira, 5 de março de 2009

24 anos fazendo merda em nome de deus

O arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho é um merda.

Um merda.

Poderia até respeitar esse senhor, como um ser humano, mas não o farei.

É um merda. Burro. Nocivo aos brasileiros. Precisa ser contido, antes que seja tarde demais.

Se a nossa imprensa (a qual anda incapaz de compilar registros para o simples ato de informar e dar material para que os leitores reflitam) fizesse um levantamento sobre a vida desse facinora, desse criminoso, mostrariam para a população que esse palhaço já andou respondendo processos por suas injúrias e difamações.

Não pode ser levado a sério.

Ele já está acostumado a falar merda para prejudicar pessoas.

Você não vai encontrar isso nas matérias de jornal e TV essa semana. Uma pena.

Desde que substituiu Don Hélder Câmara (esse, um grande homem, de verdade que devotou sua vida pela liberade de expressão, em plena ditadura militar), como o arcebispo de Olinda e Recife, em 1985, esse bosta expulsou 20 padres progressistas, fechou o seminário Regional e o Instituto de Teologia e ainda acusou uma mulher de adultério (????).

E isso lá é atribuição de arcebispo?


O senhor José Cardoso Sobrinho completa em 2009 a louvável carreira de 24 anos fazendo merda em nome de deus.


É um santo, esse merda desse arcebispo.

Pessoas assim (e suas idéias) precisam ficar longe de minhas filhas, assim como suas doutrinas falaciosas.

Uma menina de 9 anos foi estrupada, seguidamente, pelo padastro. Engravidou. Eram gêmeos.

Frágil.

Franzina.

Fisicamente incapaz de fazer um expulsivo seguro.

Incapaz de entender a agressão recebida. Do padastro e do Arcebispo.

E mesmo que fosse, não é preciso ser muito inteligente para entender que meninas de 9 anos não devem ser mães.

Não devem dar a luz.

Não podem ter suas infâncias ceifadas em nome da "lei de deus". deus é o caralho!

Mas o senhor José Cardoso Sobrinho, um merda, usou seu suposto poder junto aos tacanhos seguidores da doutrina católica para agredir publicamente aqueles que decidiram salvar a vida da menina. Os médicos interromperam a gravidez.

Um direito de qualquer mulher. Básico.

Mas o patético e lamentável senhor José Cardoso Sobrinho acredita que a lei de deus está acima de lei humana.

Lei de deus?

Esse palhaço mora na ilha da fantasia?

Se ele caminhasse pelas ruas do próprio estado onde reside veria como a "lei de deus" trata os humanos.

Teria a coragem e hombriedade de trazer à tona o número de meninas, com menos de 10 anos de idade, que são diariamente violentadas, abusadas dentro de casa, na escola, nas ruas.

Mas o idiota acha que pode usar a "lei de deus" (que nojo) para agredir profissionais da saúde que trabalham sério e com a corda no pescoço para salvar a vida HUMANA. Para salvar uma criança. Como as minhas filhas. Como a sua.

Prefere ficar tomando vinho, contando história da carochinha sobre um nascimento numa manjedoura a partir de uma mãe virgem, vestindo-se com tecidos caros e masturbando-se para imagens banhadas a ouro.

Cade a porra do papa para dar um esporro púbico nesse boçal?

É mais fácil ficar no hype do outro que não acredita no holocausto?

Esse arcebispo queria condenar à morte uma menina de 9 anos de idade. Se fosse homem, pediria desculpas públicas aos médicos, à família e à menina.

Mas nao vai. Vai defender a lei de deus.

A mesma lei de deus que achava normal escravizar meus antepassados.

Gostaria que o suposto deus do senhor José Cardoso Sobrinho lhe desse um forte puxão de orelha.

Ou melhor: que o submetesse ao mesmo tratamento que a menina sofreu de seu padastro.

Sob supervisão de Jack Bauer, para não dar chance ao acaso.

Se bem que o senhor José Cardoso Sobrinho já deve estar acostumado.

Afinal, a instituição que ele tanto defende possui secular experiência na violação do corpo alheio em nome de deus.

terça-feira, 3 de março de 2009

Pintando o...1307


baixou o santopintor.

tinta na parede e no cabelo da Lia, depois de uma tarde lixando e pintando o apartamento.

Falta um dia ainda, para ficar tudo no esquema.

Amanhã vem a turma que lava os tapetes e o sofá, e promete remover rtodos os vestigios de suco, uvas, passas, comidinhas
e tudo mais que minhas filhas e o vizinho perdem entre as fendas do sofá.

a casa vai ficar aconchegante e fresquinha.

a parte boa é poder chamar os amigos para um bom filme, curtiir um espumante e bater papo sem medo de que todos achem a casa horrível.

da trabalho, mas vale a pena. muito.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Relato de Parto em Casa (publicado originalmente em setembro de 2006)

Volto a postar o relato de parto da Dora, pois tive problemas com o blogger e perdi muitos textos.

Fabi, essa é pra dar força para vocês, na chegada da Laura.

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"Só para lembrar: não existe criança grande demais que não permita parto normal. Parto normal não é causador de problemas para mãe nem para o bebê.
O mesmo vale para a cruel episiotomia. Médicos (as) cortam mulheres para facilitar o próprio trabalho e não para beneficiar mãe e bebê.

Evidentemente, existem situações extremas na qual o parto forçado (cesárea) é útil, mas não faz sentido caso o bebê tenha sido monitorado ao longo de toda a gravidez e tiver apresentado boa saúde.

Curiosamente, a maior parte dos médicos que sugerem o procedimento apontam para as mães supostos problemas de última hora. Até alegar o que o bebê tem unhas grandes ou está bebendo xixi na bolsa é dito as mães, como se isso não fosse algo normal. Tem também a máfia da "bolsa rompida". Gente, o bebê e a mãe podem ficar até 12 horas em trabalho de parto após o rompimento da bolsa, sem risco nenhum.


Com nossa primeira filha fomos ingênuos e acreditamos que mesmo com uma equipe de cirurgião plástico e anestesista a postos, o médico faria uma parto normal. Fomos enganados. Assisti ao parto, por exigência da Dani e cortei o cordão umbilical. Sacanamente, o médico me disse a mentira mais comum nessa hora "Viu, o cordão estava enrolado no pescoço". Minutos depois do parto, me chamou num canto e pediu os acertos para os auxiliares. O dele poderíamos acertar depois. Um pai nessa hora, emocionado e louco para ficar perto da mulher e do filho faz qualquer coisa. E os médicos sabem disso. Triste. Muito triste.

Em janeiro de 2006, o nascimento da Dora, nossa segunda filha, foi em casa, em paz, sem luzes feéricas ou o clima artificial de hotel cinco estrelas da Maternidade Perinatal, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde nasceu nossa filha mais velha.

É uma pena que a medicalização do parto tenha resultado numa certa inversão de valores.

Os planos de saúde reembolsam R$ 400 por parto para os médicos, não importando se é cesárea ou normal.

Vocês acham que os médicos vão escolher o quê?

Ficar horas (a maioria nem leva tanto tempo) esperando o expulsivo ou marcar hora para poder triplicar seus rendimentos por dia (um obstetra faz em média três cesáreas com hora marcada por dia).

Assim, a maioria da cesáreas ocorre em pacientes de classe média alta, nos planos superiores dos seguros de saúde. Justamente aqueles que pagam as internações em maternidades luxuosas...

Mas com o tempo e mais informação disponível, os pais poderão questionar mais os médicos durante o pré-natal, inclusive pedindo os prontuários de acompanhamento médico que justifiquem uma cesárea.

Nós decidimos que o nascimento de Dora seria em casa. No finalzinho da gravidez começamos a freqüentar o GAMA, um grupo de mulheres e mães, algumas profissionais da área da saúde, dedicadas a ensinar a mulher a resgatar o próprio corpo. Um trabalho belíssimo que merece todo o apoio que for possível dar. Nos encontros, outras mães e pais relatavam suas experiências com partos humanizados. Bonito de ouvir e bacana ver as pessoas se ajudando numa cidade gigante como São Paulo. Uma das questões que afligiam os casais era o fato dos planos de saúde não bancarem partos domiciliares. Para estes casos, a melhor opção é fazer uma poupança, assegurando os valores para cobrir os custos.

O médico escolhido por Dani providenciou toda a informação para que pudéssemos nos preparar para a chegada do bebê em casa. Detalhou o procedimento, indicou os exercícios e nos explicou a importância do plano de parto.

Barriga crescendo, os meses passando e muita gente surpresa ao descobrir nossa escolha. As pessoas imaginam um parto em casa como as cenas do antigo seriado Daniel Boone, com tinas de água fumegante, e tocos de madeira para morder (se bem que estes são substituídos pelos pobres braços da doulas na hora da dor).

Para quem não sabe, o parto domiciliar é feito com acompanhamento do obstetra, que trás os equipamentos necessários em caso de emergência. Também é feito um plano de parto, para que possa ser feita uma remoção para um hospital em caso extremo de risco de morte para o bebê e parturiente (o que é raríssimo).

O procedimento em algumas ocasiões é realizado por parteiras. Infelizmente cada vez menos mulheres abraçam essa ocupação tão bonita, que já ajudou a vir ao mundo tanta gente bacana.

É bom ter uma doula para o acompanhamento das necessidades da parturiente. Ajuda pra caramba, das massagens ao chazinho na hora difícil. Encoraja e ampara, num estilo "Lojas Marisa" (de mulher, pra mulher...Marisa, lembram?) deixando os maridos plenos para prover suporte emocional. Gosto de lembrar que doulas não fazem intervenções médicas, mas se um "bebê quiabo" chegar, daqueles que saem sem dor, elas podem segurar.

Em casa basta ter um espaço tranqüilo, arejado, asseado e repleto de amor.


Os futuros pais ficariam assustadas com os índices de infecção hospitalar nas maternidades. Nem mesmo as conceituadas escapam. Falarei sobre isso em outra ocasião. Em casa não existe risco de infecção hospitalar.

Iniciado o trabalho de parto, estar em casa faz com que a mulher fique mais tranqüila, pois não é preciso alterar a rotina e você estará no ambiente que mais gosta, que ajudou a criar. Para não assustar os amados pais com nossa decisão, Dani manteve segredo e importou uma tia do Rio. Sua presença ajudou a trazer tranqüilidade nas horas difíceis. E foram muitas, longas e exaustivas. Repletas de dor.

A vibe de estar entre os queridos também é boa demais. No hospital são tantos partos por dia que é impossível existir uma completa entrega das pessoas que trabalham ali. Tudo é pasteurizado e automático. A competência existe, mas falta carinho e atenção.

Em tempo: nada de toalhas quentes, como assistimos nos filmes. Precisa é de chuveiro bom, pois as dores são fortes pra cacete e não dá para a mulher não gritar. Ah, é bom avisar os vizinhos, se for morar em prédio. Nós esquecemos de avisar, daí já imaginou as especulações sobre a gritaria intermitente madrugada adentro...

Voltando: na madrugada do dia 14 para o dia 15, a bolsa estourou. Bebê mesmo, somente as cinco da manhã do dia 16 de fevereiro de 2006. Na manhã do dia 15 fomos a um hospital fazer a última cardiotoco (mede os batimentos do bebê e atesta que está tudo tranquilo, mesmo com a bolsa rompida), e as enfermeiras não acreditando que o parto seria em casa, desdenhavam, dizendo que Dani deveria ficar internada. Só uma das enfermeiras, uma simpática chilena fã de nosso médico, entendeu a beleza daquele momento.

O expulsivo é rápido e emocionante, mas esteticamente pode assustar alguns. Minha filha, na época com quatro anos, acordou as 4:00 da manhã para assistir tudo. Curtiu pra caramba. Parecia que ela tinha acabado de nascer também, pois estava peladinha, segurando o relógio para marcar a hora do nascimento da irmã.

A futura mãe usa um banquinho para ajudar na expulsão, ficando apoiada de cócoras. Muito mais fácil para sair o bebê. Dani não quis ver a cabecinha saindo. Eu vi.

No hospital te obrigam a ficar deitada, mesmo com muita dor. Nos momentos finais do parto, dificilmente um hospital ou maternidade deixa as pessoas mais queridas ficarem próximas. Algumas maternidades já possuem salas de parto, pagas a parte, onde é possível fazer procedimentos semelhantes.

Em casa outros recursos, como caminhar abraçado em movimentos de quadril ou usar a bola suíça ajudam pra caramba e tirando as contrações, podem ajudar a descontrair.

Rola muito sangue, por isso usamos lençóis descartáveis e é bom forrar o colchão com algo impermeável. Na correria, quando a bolsa estourou eu forrei a cama toda com o conteúdo do primeiro pacote que encontrei. Eram fraldas para o bebê.

Não precisa aspirar nada. O próprio aperto do expulsivo prepara os pulmõeszinhos para receber as primeiras doses ar atmosférico da vida do bebê e tira o muco que veio da vida uterina. É tudo automático e programado em nosso código genético. Quanto menos interferência, melhor.

Após o nascimento (e depois do mais uma vez eu cortar o cordão umbilical) o bebê foi logo para a mãe. Começa a mamar e fica ali, sujinho, bem ao lado dela. Amamentar é importante pois contrai o útero, facilitando a saída da placenta, que é removida completamente com ajuda do médico. Ele guarda o material para análise de laboratório.

Só te digo que chorei pra caramba, é emocionante demais. É ver a vida chegar num ambiente de paz, sem a mercantilização do nascimento. O choro, a respiração...Nossa, nem sei contar, só vendo.

Dani ficou bem fraca com a perda de sangue e o esforço, chegou a virar o olho. Me assustei, liguei para o médico e a doula, mas fui tranquilizado. No dia seguinte ela estava nova.

Se quiser, pode chamar um pediatra, mas não é necessário. Ele pode ver o bebê no dia seguinte.
É bom para quem é iniciante, pois é a hora de aprender a limpar o bebê, e entender as primeiras reações.

O médico deixará com você uma guia para ser preenchida e levada ao cartório atestando que o bebê nasceu de parto domiciliar assistido. Tive dificuldades para registrar, pois a indústria da medicalização do parto atrapalhou até nisso. No momento mais bonito da sua vida, suspeitam que você seqüestrou o recém-nascido. Tive que brigar. Nas maternidades montam até filiais de cartórios para registro.

Pesando tudo, planejar um parto domiciliar é fantástico. Uma família unida em torno de uma idéia, de um direito de minha mulher. A pequena Dora está uma bagunceira saudável, como vocês acompanham no blog e eu sou um cara realizado por ter ajudado minha mulher a vencer a barreira fictícia da impossibilidade do parto normal.

O importante é deixar registrado que mesmo uma mulher que tenha feito uma cesárea pode tentar o parto natural numa segunda gestação.


Quem faz o parto não é o médico. É a mulher. O parto é dela e todas as suas sensações e pedidos devem ser respeitados nessa hora. O hospital roubou da mulher o
direito a ter controle e decisões sobre o final da sua gestação. Daí hoje sabermos (ou sentirmos) tão pouco o que acontece dentro das nossas amadas.

Sei que faltou alguma coisa, não consigo lembrar de tudo. Assim, me autorizo a alterar este post se lembrar de mais detalhes."

Bons ouvidos

Bom gosto musical vem de berço: minha irmã agora no Gtalk, ouvindo The Kinks.

MInhas filhas tem curtido Ramones, Rancid e momentos de música clássica. E o amigo favorito da minha filha mais velha é louco por violino e piano. Boa parte da manhã de sábado é dedicada por ele a lapidação desse bom gosto.

Lia chegou a estudar violão na escola, mas deu uma parada. Quem sabe o fenômeno Mallu Magalhães não venha a inspirá-la...

Mas torço para ela ser menos pretensiosa e cantar melhor.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O retorno


Lia está com quase oito anos. Dora cruzou a barreira dos três. Inteligentes, questionadoras e sensíveis.

Imagine essa dupla sem escola, quase no final de fevereiro. Loucura em casa.

É que estamos voltando para o Rio de Janeiro. E, antes de sabermos exatamente o novo endereço, nada de selecionar o estabelecimento que vai receber nosssas meninas.

Dessa vez, para evitar os tropeços financeiros dos outros anos, vamos tentar pagar seis meses antecipados, caso as duas venham a estudar em escolas particulares.

Tenho me tornado favorável ao ensino público. O principal motivo é a carência de qualidade pedagógica em muitas escolas particulares, com currículos defasados e pasteurizados.

Virou moda "comprar" conteúdo programático de grandes grupos educacionais, quase como uma franquia.

O professor, munido de material padrão, obviamente fica menos estimulado a desafiar o processo cognitivo da molecada e acabam colaborando para formar uma geração de robôs voltados para o vestibular.

Outro incomodo frequente nas escolas particulares é a febre de consumo da classe média, personificada nos bens de consumos portados pelos pequenos.

Celular, MP3, video-game portátil, câmeras digitais. Não sou cotra nada disso. Mas o jogo do "eu tenho, você não tem" está cada vez mais precoce.

Na escola pública o próprio perfil sócio-cultural de alunos e pais se encarrega de corrigir certas distorções consumistas.

Efeito colaterais? Apenas a exarcebação do medo que temos do outro, do diferente, do supostamente pobre e sem formação intelectual-cultural.

É claro que não vou colocar minhas filhas em uma escola pública sem condições adequadas. Instalações, professores e alunos devem ser avaliados. Mas não demonizados.

E cá entre nós, sexo precoce, violência, funk e axé são coisas que nossas filhas enfrentam mesmo estudando em tradicionais escolas de elite.

E como...

Vamos lembrar que aqueles que criam pérolas como o big brother e outros produtos dessa natureza foram formados nas melhores escolas particulares do Brasil...

Veremos como o Rio de Janeiro vai nos receber...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

2009?

mudou alguma coisa?

os mesmos acidentes aéreos. a mesma violência contra mulheres. o mesmo nível abissal dos profissionais da grande imprensa.

o mesmo culto ao presidente pop star americano, o qual acaba de pedir mais U$200 milhões para ampliar a guerra no afeganistão.

o mesmo silêncio coletivo em relação ao que realmente importa.

sendo assim, o que devo conversar com minhas filhas?

decidi que elas precisam aprender como evitar virar "povo-gado", que não consegue ter consciência crítica.

cedo?

não. cidadania e ética precisam ser tão corriqueiras como beber água.

é, tenho trabalho duro pela frente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

de olhos bem abertos



não sou careta. estou longe de ser moralista. aprecio a liberdade de expressão.

como homem midiático, já faz muito tempo que abandonei a ingenuidade de acredtitar em informação oferecida pelos grandes veículos de comunicação.

como pai, verifico cada link em que minha filha navega, em sua hora diária de internet.

mas não basta. quem gosta de disseminar a burrice o faz de forma cada vez mais sofisticadae cruel.

hoje recebi, logo pela manha, fotos forenses da menina que foi esquartejada em Curitiba.

não foi apenas uma foto. foram diversas, com toda a precisão anatômica dos cortes.

o rosto (a cabeça separada) em close, em várias das fotos.

os trajes que ela vestia ao morrer, cuidadosamente arrumados, como naquelas bonecas de papel.

quem disseminou essas imagens pode ser considerado um ser pensante?

um ser digno de ser considerado digitalmente incluído?

não mereceria o mesmo destino e pena de quem perpetrou o crime?

a pessoa em questão é um profissional de mídia, que trabalha para a Rede Globo.

sabe que cometeu crime previsto no estatuto da criança e do adolescente.

pode ser preso.

vai alegar inocência, vai dizer que apenas repassou as imagens como curiosidade.

triste.

triste, mas exemplifica bem quem são as pessoas que redigem as matérias que você, diariamente, lê nos supostos melhores jornais do país.

garotada classe média sem preparo. sem leituras. sem conhecimento. uma corja que os donos de jornais adoram. não reclamam. a boca está adoçada com as entradas grátis para as baladas, restaurantes e bocas-livres. com os prêmios e brindes oferecidos pelos anunciantes (tabu: ninguém confesa que adora ganhar celular de presente das operadoras...ou viajar "na faixa" para os lançamentos de produtos no exterior).

gente que fica feliz, quando recebe o "corte" do dia, feito pela publicidade e pelo marketing. o que sobra de espaço depois dos anúncios comercializados e matérias pagas é que estará disponível para a informação relevante.

diversas vezes vi redatores e repórteres comemorarem a carência de espaço editorial. poderiam, ufa, escrever menos.

pensar, refletir, questionar e fazer entender nosso tecido social é supérfulo nas principais redações brasileiras.

isso vale também para aquelas caras revistas mensais e semanais que você assina ou compra nas bancas.

formar opnião, hoje em dia, é equivalente a anestesiar cérebros. tocar o rebanho. jornalistas são pastores de ovelhas.

é consumir o sensacionalismo da tragédia e ser educado para sentir-se culpado pelo infortúnio alheio.

aconteceu novamente, agora com as chuvas em santa catarina.

minha filha, ficou impressionada. procurou imagens, por sugestão da professora. em sua ingenuidade, pediu-me para imprmir uma foto da casas submersas. a foto era do crime de Nova Orleans, cuja a culpa foi imputada ao furação de força desproporcional.

nada de explicar o motivo do acontecimento. a falta de preparo urbanistico e a carência de inteligência na gestão ambiental e na construção civil.

o que lhe foi oferecido é unidimensional. choveu, muita gente perdeu tudo na enchente. agora precisam da SUA ajuda. e tome números de contas bancárias, sem a menor garantia de que os recursos serão destinados a recuperação da região afetada.

e nossos impostos? eu já paguei pela tragédia. não preciso pagar novamente.

pois bem. cadê os professores para explicarem os motivos de tamanha enchente, 25 anos depois da região ter vivido o mesmo problema? os professores não sabem. tudo o que bostejam para os alunos foi o que conseguiram resumir dos textos mal-pesquisados de veja, época e outras publicações da mesma natureza.

perdem as crianças, vitimadas pela cultura do medo e da culpa. perdem os adultos, que insistem em assistir ao jornal nacional, como se fossem encontrar alguma informação relevante para o seu futuro em matérias editadas de 40 segundos de duração.

tentem explicar a operação farsesca em Mumbai, índia, em 40 segundos. tiros ao vivo. todos comentam nas ruas, ônibus, metrô. sequer imaginam como é a cultura local e suas intrincadas características. choram pelos ricos mortos e ignoram a existência do sistema de castas.

pior. a morte de um dos 300 homens mais ricos do mundo, vitimado por tiros, rendeu mais linhas do que a mulher grávida baleada na cabeça no Rio de Janeiro.

garanto que a maior parte dos leitores teve seu cotidiano mais afetado pela morte da mulher. mas choraram mais pelos mortos de munbai.

ficaram presos na equação "número de mortos X espaço de tempo". mais gente morre de forma cruel no Brasil. muito mais.

não interessa. afinal, eles moram na favela ao lado, e não estavam hospedados no hotel mais luxuoso de Mumbai.

poxa, gastaram tanto dinehiro para morrer assim?

meus coleguinhas jornalístas, na casa dos 20-30 anos, já arrumaram culpados, já encomendaram infográficos impressionantes (e repletos de erros históricos e geográfios) sobre os ataques "terroristas", e pior, já elegeram os heróis.

sim, uma vez que massacre, tragédia ou cataclisma sem heróis não rendem audiência, não dão "suite" ou rendem um número considerável de leitores.

basta traduzir um feed da reuters, da cnn ou da AFP e pronto. ufa, como trabalhei hoje!!!!

reprodutores de "fatos".

cadê o repórter curioso que poderia pedir para o seu editor uma passagem para tentar entender o acontecimento in loco?

não, dá muito trabalho. melhor publicar a traducão do texto redigido pelo estagiário da Reuters, ignorante sobre os acontecimentos na ásia...pô, marquei pelada e chope hoje!!!

a mesma garotada que escreve sobre a falta de fiscalização da lei seca, bate ponto depois do expediente no bar folhão, no estadão (belo pernil...), no filial e no hipódromo, na gávea. e tome cocaína com chopinho...

depois, pegam seus carros 1.0 comprados em 72 prestações e tornam-se candidatos a assunto da página policial, no dia seguinte.

são os mesmos que acusam de corporativistas as forças de segurança, mas que são incapazes de colocar os coleguinhas criminosos ou contraventores sob o holofote do jornalismo.

na folha, escrever pouco significava menor chance de errar, assim a premiaçnao que rende uma viagem para a europa, paga pelo jornal, para os melhores de cada editoria não fica comprometida

sim, os erros são cumulativos, e se um colega arrisca mais para informar melhor, pode prejudicar o preguiçoso conformado que será premiado.

não é diferente nos outros veículos que bonificam a obrigação de ser correto. todas as grandes redacões do país sofrem com o medo de informar e a moçada que está entrando agora no mercado de trabalho, principalmente aqueles que conseguem entrar para os "cursos de jornalismo" oferecidos pelos veículos mais imortantes, são adestrados para cumprirem sua missão de não fazer os jornais perderem dinheiro (anunciantes).

já se perguntaram o motivo de existir um jornal para cada perfil sócio-cultural?

liberdade de expressão?

não.

adestramento.

um país que brinca de falar em inclusão digital, mas que cria apenas novos consumidores de mídia eletrônica e de comércio eletrônico. casas bahia online. enforque-se em até 10 vezes,com juros.

não estimulam ninguém a produzir conteúdo. basta uma olhada no orkut e no youtube para ver a contribuição do cidadão brasileiro ao universo de informação digital.

e piora. alguém já leu nos principais jornais internacionais alguma matéria sobre as exigências exóticas de astros brasileiros no exterior? aqui ainda gastam laudas sobre as toalhas e a comida que a madonna pediu.

estudaram quatro anos para escrever sobre o paladar da madonna. certo. e nós pagamos por essas publicações.

estimulem seus filhos a escrever sobre o mundo. sobre eles. sobre as suas percepções do cotidiano.

estimulem essas criancas a não serem meros consumidores de conteúdo.

verbalizem que só existe inclusão digital quando sua participação online modifica a vida de outro ser humano.

o porteiro e a empregada terem e-mal não é inclusão digital.

laptop nas escolas do Rio de Janeiro não é inclusão digital.

acesso a internet comunitário, sem monitoria para a producão de cultura não é inclusão digital.

um presidente como o Lula, marionete que ignora a inteligência de milhões de brasileiros ao proferir e sustentar idioticessócio-político-econômicas, não pode estimular a inclusão digital.

é sandice.

continua...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

da arte de saber compartilhar a maternidade

da pena das garotinhas que acham que maternidade enfeia a mulher. No processo de "burrice seletiva", as cabecinhas de tais moças só conseguem lembrar de exemplos desabonadores.

Os poucos neurônios não conseguem relacionar com maternidade mulheres belas e atuantes.

Fico impressionado com elas esquecem das milhares de mulheres lindas que têm um ou mais filhos. Algumas até famosas, mas a grande maioria as anônimas que encontramos no trabalho, no cinema, em shoppigns, na praia, sempre acompanhadas da prole.

Eu acho o máximo.

Além do mais, marcas de cesariana (é, ainda existem vítimas dessas quasesempre desnecessárias cirurgias...), peitos supostamente caídos (acreditem, vocês exageram...) estrias e celulite não são os detalhes que contam. Deve ser um infortúnio passar boa parte da vida ao lado de uma "porta", uma companheira burra mas com o corpo supostamente impecável. Triste, mesmo.

Tem que ser um homem muito babaca ou limitado para ficar sacaneando a mulher por ela estar "caída". Ah, vai casar com uma boneca inflável, pô!!!

Muitas dessas moças (hétero e homossexuais - entre as lésbicas e bi a cobrança para evitar a maternidade em prol da estética é ainda mais forte, mas não é politicamente correto falar nisso...) ainda estão no esquemão que envolve sofrer na balada pela atenção do outro e ainda depender da aprovação alheia. Usar o corpo é muito mais fácil do que recorrer à intelectualidade. E a insegurança que alimentam não deve proporcionar um sexo dos mais interessantes também...Tô fora.

Quem critica a maternidade, principalmente baseado em quesitos estéticos (fora os que defendem a teoria falaciosa da fome mundial...) demonstra uma clara tendência à intolerância e pouco respeito pela própria existência.

Imagino o que pensariam elas dessa mãe, uma bióloga carioca que decidiu usar o próprio corpo para garantir a sobrevida da filha que tem uma doença rara. Ela testa alimentos e substâncias que possam garantir um leite adequado à sua filha, que pode morrer ao ingerir algo inadequado. As seqüelas são um corpo com chagas e uma quase cegueira.

Mas a ligação com a vida está ali, plena. E, no fim, acho que é isso que conta.

Quanto a ajudar em casa, principalmente com os pequenos, fica a dica: mesmo as mulheres bem resolvidas eventualmente pintam as tarefas com tintas dramáticas. São tantas as dicas e cuidados e vontade de manter o controle que os homens que não são naturalmente devotados aos deveres domésticos se assustam.

Vale deixar rolar e não reclamar do jeito que fazemos as coisas. Como coloquei num dos últimos e mal-criados posts do meu blog, algumas vezes temos mais discernimento do que as mães para resolvermos certos problemas com os filhos e nas tarefas diárias. O motivo? Simplesmente porque percebemos as coisas de forma diferente, quebrando alguns paradigmas de puericultura e educação infantil.

Se quiserem ter o(a) companheiro(a) ajudando, deixem ele(ela) livre para tomar decisões. Funciona melhor e evita que se sintam "sob comando".

domingo, 16 de novembro de 2008

o brasil evoluído do século 21 permite o extermínio de meninas

como evidencia o nome do blog, tenho duas filhas pequenas.

eu poderia fzer cara de paisagem e atribuir tudo a uma mera coincidência ou versar longamente sobre as mazelas da natureza humana. não.

não dá para ficar calado. a situação é grave. e vai piorar.

curitiba é considerada a capital mais civilizada do brasil. os frios indicadores sócio-econômicos mostram uma cidade que superou os problemas das demais capitais brasileiras.

a origem italo-germânica de seus habitantes povoa o imáginário daqueles pouco versados em antropologia social.

sinal de inteligência. de educação. de prosperidade.

pois num intervalo de 11 dias deste corrente mês de novembro, três meninas entre 8 e 9 anos foram brutalmente assasinadas por homens.

brutalmente violentadas. estupro. sangue dor. perda.

isso na capital civilizada que é curitiba.

11 dias.

2008.

século 21.

nada surpreendente em um país onde ser do sexo feminino jea desperta suspeita.

no país onde alguns jornalistas de merda chegaram a insinuar que uma das meninas poderia ser a culpada de seu próprio infortúnio, apenas por usar um site de relacionamentos e ser articulada.

9 anos.

outro idiota que recebeu o direto de expressar suas bobagens em um dos pasquins que se auto-proclama o maior do país. culpou o sistema que não fornecia transporte escolar, fazendo com que a menina tivesse que usar o transporte público.

ou seja, os culpados são as vítimas.

cruel demais.

é tão atroz. mais atroz é saber que logo depois de dar essa notícia hoje a noite, patrícia poeta, mulher (deixaram ela passar dos 9 anos de idade sem morrer), vai chamar os gols da rodada, com um enorme sorriso no rosto.

brasil.

brasil que se acha capaz de falar mal do islamismo e dos costumes de algumas nações africanas que mutilam mulheres.

brasil.

que acha que a morte de uma criança pode ser explicada.

especialistas da tragédia.

a capa da principal revista semanal do brasil é um ator cocainômano que abandonou um folhetim fracasado para se tratar em miami.

outro dia, foi o merda do obama. poxa, menos três menininhas do terceiro-mundo para sacudir bandeirinhas dos EUA na próxima turnê mundial do político popstar.

as meninas assassinadas, violentadas e destruídas não terão esse prívilégio. ganharam madeira que vai apodrecer e terra pra caralho jogada sobre seus pequenos corpos violados e desprovidos de VIDA.

o privilégio de mostrar a verdadeira face deste país medieval, presidido por um palhaço, fantoche de merda, que representa bem onde chegaremos como nação.

como sociedade.

aos pais dessas crianças só posso deixar minhas lágrimas.

aos assassinos, meu orgulho de não ser religioso e poder tratá-los como merecem.

aos atores do jogo político-econômico, um aviso: o tempo está acabando.

minha paciência também.

sábado, 15 de novembro de 2008

ih, ó o cara aí, meu!


Tenho pensado muito em mei pai. sonhei com ele dia desses. tinha vindo em nossa casa, visitar as netas (não chegou a conhece-las). eu o abracei e disse que estava com muita saudade.
meu pai morreu em 1997, após lutar contra um cancer no abdomen implacável. morreu sofrendo, com dor. não fui ao enterro. odeio enterros.
desde então muita coisa aconteceu em minha vida, sendo a mais importante delas o nascimento de minhas filhas. e só então comecei a entender muti do que meu pai dizia e fazia.
descobri que sou parecido com ele. o que traz um certo conforto, apontando rumos que posso ou não tomar. que agora sei que posso escolher entre ser normal ou ser feliz.
quando eu nasci, meu pai já tinha 51 anos.
cultivava algumas amizades, era popular. em casa, autoritário. teve dificuldades com filhos libertários. primeiro, minhas irmãs mais velhas. depois, eu.
mas nunca deixou de nos amar, de nos apoiar, ainda que relutasse em aceitar nossos acaminhos e escolhas. era um homem muito inteligente e surpreendente. versado nas ciências do ocultismo, mestre maçon grau 33, quiromante e tarólogo. o mesmo cara que fora um herói de guerra, um advogado tardio, um corretor de imóveis, um comerciante e “professor pardal” em eletrônica.
o cara que me ensinou a dirigir, ainda moleque. que era capaz de sacar sua Colt 45 em discussões de trânsito. que levava toda a família para conhecer lugares distantes ao volante de nossa fumarenta Vemaguete com bancos vermelhos.
o cara que dirigia 200 quilômetros só para ver o filho quase afogado em uma sessão de surfe nas ondas violentas de Saquarema. o cara que recomendou que eu não exagerasse nas minhas masturbações pré-adolescentes, depois que, na véspera de uma viagem de férias, eu sai de um demorado sumiço no banheiro com o membro parecendo o personagem do filme O Homem Elefante. o cara superprotetor, mas que me deu uma moto quando moleque e quando fiz 18 me tirou o direito de usar veículos automotores. o cara que sabia que as mulheres seriam a maior fonte de distração de minha vida.
um mistério, o Seu Manoel.
mas hoje, é fácil lembrar dele como meu amado pai.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Senta que lá vêm história


A escola de minha filha menor convida, semanalmente, os pais das crianças para contarem histórias para a turminha. É uma oportunidade para as crianças tomarem contato com todos os modelos de família e suas características e peculiaridades.

No dia no qual seríamos os contadores, Lia decidiu assumir os trabalhos. Matou aula e preparou-se a manhã toda para contar uma historinha que faz o maior sucesso aqui em casa. O motivo é que eu sempre modifico o enredo toda vez que conto, o que garante risos noite adentro.

Lia contando e Dani reforçando os pontos do clássico Cachinhos Dourados capturaram a atencão da molecadinha.

Depois, saboreamos um suco de morango, a surpresa da Dora para seus familiares.

Foi uma tarde muito agradável e tomara que venha a se repetir.

domingo, 9 de novembro de 2008

Trocar e doar é amor pela vida

está acontecendo uma coisa muito bacana entre algumas pessoas de classe média, interligados pelos meios digitais.

A gente sempre guarda em casa alguma coisa que nunca mais vai usar, mas que ainda estea em bom estado,e, por isso, pode ser útil para alguém.

é claro que o primeiro impuslo é vender e tentar recuperar um troco, principalmente quando se trata de eletrônicos.

mas assim que você deixa a mesquinharia e o apego material bobo de lado, abre-se um universo de possibilidades, de cooperação e de respeito ao próximo e ao meio ambiente.

hoje, recebemos um doce de abóbora genial, feito pela Samanta, e de quebra, vieram umas roupas que eram de sua filha mais velha, agora uma adolescente de 13 anos.

Lia, minha filha de sete anos, é grandalhona e curtiu muito as "novas roupas". experimentou, vestiou uma composição listrada e desceu para brincar feliz da vida.

um gesto simples, que o esnobismo daqueles que não são nem ricos nem pobre fez demorar a ser aceito e respeitado

eu agradeço.

e fico feliz com a possibilidade de coisas que foram úteis e importantes para mim e minha família possam trazer um sorriso para alguém.

nosso sling teve um destino semelhante, e agora embala um bebê na Alemanha.

que essa energia continue a rolar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

torre de controle, mãe surtada avisa que vai decolar


voltar a postar sempre é estressante. os filhos mudaram. minhas meninas já são criaturas com personalidades distintas e necessidades exclusivas.

o caminho foi longo, com muito aprendizado. mas também, muita doutrinação.

não, nem tudo foi negativo.

sling, amamentação, dedicação à prole, cuidados com alimentação e educação na primeira infância.

mas porra, não somos máquinas.

fico chocado como mães que lutam por um mundo mais humano para suas crias podem ser tão cruéis com outras mulheres, que precisam achar seu espaço novamente.

no passado escrevi sobre isso, mas é hora de voltar ao tema.

tem gente que fica acuada entre a sogra careta e as amigas radicais.

sabe quando você PRECISA ter o seu peito de volta? quando a escolinha se torna fundamental para que você passe a existir novamente como mulher? naqueles momentos em que você quer ser dona da sua rotina?

pois é. muita gente escreve e palpita quando o assunto é parto natural (que defendo com unhas e dentes), amamentação exclusiva e coisas do gênero.

mas cadê a ajuda na hora de voltar a trepar? de voltar a sentir-se gostosa? de não ser apenas um peito com leite? de ter a liberdade de usar o seu tempo para não fazer nada.

não pense que a dedicação férrea à prole, se questionamentos vai ser 100% positiva.

vocie existe. indivíduo.

seu filho ou filha também.

de um espaço para que seu bebê de quase dois anos possa existir. outras crianças. outras doenças. outra relação com disciplina.

você não é brigada a completar TODAS as lacunas do manual da mãe moderna.

você quer trabalhar, flertar, ler, gozar, tudo isso sem ter o carimbo de mãe na testa.

e você pode.

você deve.

e pode ter certeza que sua cria vai agradecer.

não existe nada pior do que cumprir obrigações maternais quando se está sem saco.

foda-se que vão te olhar torto quando voce der um perdido

na hora do expulsivo ou do corte, na hora do bico rachado encarando os dentinhos, na hora dos cocôs intermináveis e da febre que não para é você ( ele(a)) quem está ali.

ou seja, palpites externos não são sequer bem-vindos.

alguém se oferece para ficar com sua cria enquanto você volta a alimentar sua cabeça com cultura e os outros aspectos da existência humana?

não deixe ninguém patrulhar você.

amamentou 6 meses? não quer mais? retome o seu peito.

ele é seu.

comemore sua menstruação.

celebre a plenitude do feminino, que transcende e não se limita à experiência maternal.

faça dos parceiros cúmplices nessa jornada de retomada do eu.

afinal, ser mãe não é padecer no paraíso.

vá voar, sem medo.

e deixe sua prole voar também

domingo, 10 de agosto de 2008

Maconha, minha filha, maconha!

lanta polêmica, a maconha. Para defender seu uso livre, cerca de 250 gatos pingados compareceram, na tarde de domingo último, a praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, para fumar um...digo, protestar pela liberação da erva (como se não tivéssemos nada mais importante para pleitear...).

Os combalidos e sem voz moradores das favelas do complexo do Alemão, Mineira, Chacrinha e Vila Cruzeiro, assim como as recentes vítimas inocentes de tiroteios entre traficantes e polícia, não foram ao fumacê. Ficaram vendo as imagens de seus mortos ilustrando uma revista eletrônica dominical.

Não bastasse a influência histórica, econômica e cultural em todas as sociedades civilizadas, a cannabis ainda merece ser discutida como um dos maiores bodes expiatórios daqueles que detém alguma forma de poder: juristas, médicos, políticos e donos de meios de comunicação.

Estes últimos juram de pés juntos que, com a venda da maconha liberada, viveremos em paz para sempre e as favelas, longe do tráfico, serão os lugares mais felizes do mundo, ainda que sem saneamento básico, nível de instrução e qualificação profissional abissal, e, ainda por cima, sem controle de natalidade.

Ou seja, o fluxo de empregadas domésticas de baixo custo, putinhas de rua em Copa ou em termas e mão de obra barata e descartável para os filmes e séries de TV do Fernando Meirelles estará assegurado.

Os políticos não gostam: como irão barganhar votos em uma favela feliz? A polícia odeia; "cadê o inimigo? Que moradores e comerciantes nossas milícias vão extorquir"?

Ingênuos, esqueçam. O tráfico de armas vai continuar, a violência -comandada do asfalto e personificada pelos atores do morro- também, a polícia dos ricos e remediados também, a hipocrisia também. Assim, vamos tirar o sofá da sala para evitar a traição dos infiéis...

E o problema não para na cidade, no suposto conforto e segurança do consumidor final.

Como nenhuma maconha distribuída em larga escala hoje no Brasil é orgânica, completamente livre de agrotóxicos e produzida um lavouras onde impera a justiça social, com relações trabalhistas decentes e manejo na terra com foco na preservação ambiental, acho pertinente soprar a fumaça para o alto e deixar uma larica de informação entrar nessa discussão.

Bahia, Pernambuco e algumas lavouras ao norte da América do Sul produzem coisas interessantes no campo da cannabis sativa. Mas para o consumidor desses produtos não é interessante discutir diferenças. "Imagina, daqui a pouco esse pessoal vai querer barganhar preço!", diriam os donos do bagulho.

Creio que minhas filhas terão a oportunidade de experimentar a erva, se quiserem, com menos hipocrisia em torno do assunto. Mas eu realmente espero que elas não tenham a ingenuidade de defender a "naturalidade" e inocuidade do produto. Sim, produto.

Darei força para a maconha livre desde que a qualidade do produto venha em primeiro lugar, assim como cercada de informação sobre a oferta de variedades. O brasileiro não consegue distinguir as diferentes espécies de cannabis (aliás, nem as de batata...) e raramente sabe que existem alternativas que produzem efeitos semelhantes e não são proibidas, como a Sálvia Divinorium. Consomem uma maçaroca disforme e prensada com tantos agentes químicos e sujeira, que se rigorosamente examinadas envergonhariam o bom e velho Marlboro que mata cowboy.

Se quiser algo diferente, amigo, só encomendando dos EUA, Turquia, Irã, Israel ou Holanda, pela internet.

Mas parece que a discussão sobre a origem não interessa. Nem sobre as variedades e formas de preparo, nem sobre o consumo responsável. Discutir a liberação como uma simples forma de reduzir a violência urbana é tão falacioso quanto irresponsável.

Imagina o que não passa na cabeça da moçada, que mal começou a se descobrir, tendo que fazer opção pela droga A ou B como norma de inclusão social e ritual de passagem.

Cruel e desnecessário. Acho que cabe a nós, pais, nos informarmos mais e melhor sobre as substâncias disponéveis para fazer a cabeça da moçada antes de condená-las e, sim, olhar de perto o que nossos filhos andam fazendo e pensando. Não para reprimir, mas sim para podermos orientá-los.

Afinal, irresponsável é o pai que não se preocupa com o perfil psíquico e emocional de sues filhos, onde uma mal diagnosticada TDAH, por exemplo, pode levar a problemas sérios de conduta, se associada ao consumo indiscriminado de drogas recreativas.

Leitora, você viu o que aconteceu com o Henry Sobel: o uso de drogas sem controle pode ser prejudicial até mesmo para as pessoas com compulsão por gravatas de seda de grifes italianas com o caráter mais ilibado...

Não me entendam mal. Sou a favor da liberação, mas não naive a ponto de achar que as relações sociais que envolvem o consumo de drogas irão melhorar. Vivemos um cenário de liberação com o álcool e o resultado está longe de ser dos melhores.

Clubes noturnos e restaurantes da moda nas principais cidades brasileiras vendem uísque e vodka falsificados, em grande quantidade. Alguém pune? Proponho um diálogo mais franco sobre como lidar com a questão.


Da ignorância

Não existe consumo consciente e saudável de maconha (ou qualquer outra droga recreativa) sem informação. E para isso é preciso leitura e consciência crítica para discernir entre o que é bom ou não. A maconha vendida no Brasil, de forma geral, é de péssima qualidade. Os hábitos de consumo ainda piores, quase sempre ligados ao consumo social.

A galera não sabe quais são as variedades e suas diferentes características de sabor, fumaça e duração de efeito, não sabem como podem evitar um anti-doping no trabalho, ou até mesmo pouco sabem sobre o uso medicinal e formas alternativas de ingerir THC, como adesivos para a pele, fitas sublinguais, alimentos, doces e balas produzidos com óleo de cânhamo.

Livros em português são poucos. Revistas especializadas brasileiras, desconheço. Salvo o trabalho competente de gente como a moçada da revista Super Interessante, da editora Abril, que sempre aborda o tema e chegou a editar um DVD (conteúdo estrangeiro, no entanto) sobre a história do consumo de cannabis, a garotada brasileira está a deriva num mar de lixo informativo na Internet.

Quem não souber jogar a bóia e remar até a margem certa, vai estar fadado a se reunir numa rodinha no play do prédio e fumar um baseadinho escondido, rapidinho, olhando para os lados e segurando para não tossir e alertar os defensores dos valores da família brasileira. Tsc Tsc Tsc.

Goze antes, fume depois

Não quero tal cenário para as minhas filhas. Assim como falamos de sexo, DST, bulimia, anorexia, álcool e violência, também temos a obrigação de conversar e esclarecer sobre prazer químico. Corremos o risco de ver nossas meninas fumando maconha (qualquer uma, de baixa qualidade) antes de começarem a ter uma vida sexual bacana e prazerosa (com qualquer um(a), de baixa qualidade??).

Acho uma temeridade a garotada procurar estímulo químico antes de gozar pela primeira vez. Infelizmente é muito comum. O mais comum.

Já não bastasse o horror de terem que iniciar suas vidas sexuais munidos de barreiras físicas (oferecem camisinhas ao invés de tentar convencer a moçada que vale a pena conhecer alguém, fazer exame, construir uma conexão emocional e daí ir trepar sem medo de gravidez indesejada ou doença X ou Y), ainda são obrigadas a enfrentar o bombardeio da mídia conservadora e burra com campanhas nojentas do tipo "droga mata: cuidado".

E a cerveja antes de dirigir? E quem trepa fora do relacionamento, em situações inconsequentes e não informa ao parceiro(a) que pode ter dado uma possível bobeada (ninguém é perfeito) brincado bareneaked com desconhecidos? Será que tais coisas também não trazem risco de vida?



"Vamu deixá essa mina lôca e detonar"

Quem foi adolescente e nunca ouviu colegas armando para fumar um baseado ou embebedar uma menina, antes de carregá-la para a cama, que atire a primeira pedra!

A molecada, 11, 12, 13 anos, arma de todas para "comer" as meninas. E o relaxamento químico é o maior aliado dessa turma ainda sem valores definidos e repleta de conceitos não discutidos em família. Seu laboratório social são nossas filhas. Por isso, tenho obrigação de proteger as minhas, conversando de peito aberto, quando chegar a hora. Não cerceando seu acesso aos estímulos e vicissitudes da vida adolescente, mas tornando-as aptas a entender as consequências e efeitos do uso.

E, preferencialmente, depois que elas já estiverem iniciadas na arte de vivenciar -com segurança e responsabilidade- os prazeres do próprio corpo e com corpos alheios.

Vamos ajudar nossas meninas a decidir se precisarão usar algo a mais para obter sensações de prazer. E também a dizer NÃO, e evitar aquelas interações que já conhecemos bem e sabemos dos resultados.

Uma garota esperta e informada dificilmente vai ficar com medo de ser chamada de "careta" pelas outras, por não querer entrar num carro dirigido por um bêbado depois de uma balada, por exemplo.

Nem vai precisar de "encher a lata" de Special K ou ecstasy numa rave para se sentir livre. Se estiver com vontade, faz na dela, em casa, sossegada, com amigos(as) de confiança e pessoas "do bem". Exatamente como se deve fazer numa boa siririca ou em uma trepada saudável.


Cheirou maconha e fumou cocaína

Digo mais: liberar a maconha e não a cocaína, o LSD, o ecstasy? Qual a justificativa? Quem já provou sabe que uma BOA cocaína, com controle de qualidade e consumida com rigor é uma ótima diversão para ADULTOS. E muito menos perigosa para terceiros do que o tão difundido uísque com redbull antes de dirigir...

Assim como não quero que minhas filhas sejam parceiras da agonia no sexo, também não quero que sejam enganadas por usuários e traficantes canalhas. É preciso ter conhecimento para se fazer escolhas. Até para não fumar, beber ou cheirar.

Quem sabe o efeito colateral não será positivo, com menos mulheres chegando frustradas aos 30, achando que se comportar com a inconsequência dos 17 anos é bacana, moderninho.

Acho que no futuro teremos menos blogueiras...

De onde vem a onda

Creio ser válido explicar as características da maconha, suas variedades, os conflitos sócio-políticos no campo e na cidade. Não esquecer a exploração do trabalhador rural, de discutir que culturas podem ser plantadas em rodízio com a maconha, para não esgotar a terra. E lutar contra o pouco apego dos produtores às práticas ecológicas, preocupados que estão com margens de lucro exorbitantes.

Salvo engano, não vi tal discussão levantada na mídia, com prazos e consequências para o consumidor final e para a economia.

Novamente, informação que não chegou ao destinatário, aos leitores de diários e periódicos, que com parcos conhecimentos, transformam ignorância em discurso tolo.

Nenhuma surpresa, considerando que o perfil de consumo é o mesmo daqueles que acreditam em "zeca-feira" e "boas" ou que pagam uma fortuna por (e acham chique) vinhos feitos com uva prosecco, dispensando os corretos e saborosos espumantes brasileiros e as cavas espanholas...

Aliás, alguém lembra de que variedade era a maconha das latas despejadas no litoral carioca pelo navio Solana Star, no saudoso verão "da lata"?

Postado por Felipe B às 5:09 PM

8 comentários:

Claudia disse...

Qdo eu digo que ter conhecido o Mothern e o LV e todas as pessoas que fazem parte desse pedaço da blogosfera me tornou uma pessoa melhor... Felipe, eu jamais teria pensado na marijuana (e as outras drogas e o cigarro, etc) pelo lado que vc pensou... ótimo material pra reflexão. Valeu!Bjs
9:38 AM
Budubudu disse...

Olha eu aqui de novo... também não quero ser naive, mas você falou dos adolescentes de uma forma meio pejorativa... a maioria dos meninos de onze, doze, treze anos pensam em muita besteira antes de querer dopar e "comer" as meninas. E também tem muita menina que é muito menos inocente que um menino de onze anos... Talvez é porque eu fui criada numa cidade pequenina (Recife) se comparada a São Paulo, Rio de Janeiro... eu acho que um o maior perigo é a banalização do alcool e para mim chega a ser vergonhosa a quantidade de comercial de cerveja ... mas isso ja é outra coisa. Seus argumentos sobre a legalização me fizeram refletir... nunca tinha pensado na importância da qualidade do produto!
5:34 PM
Priscilla disse...

Felipe, parabéns pela abordagem do assunto "maconha" e por trazer outros tantos tabus à tona, como o sexo por exemplo.
Esperemos que nossas filhas tenham clareza e lucidez qdo forem apresentadas `a tudo isso, acho que se a sociedade não contribuir para as coisas melhorarem, quem sabe nossa criação seja de muita valia para elas... que façamos a nossa parte em proporcionar a informação necessária para evitar danos e distorções...
Pela melhor qualidade do beck!!! Uhuhu!

Bjs

Pri
5:29 PM
mobile disse...

bem...o que dizer desse texto? o que dizer das expressoes e termo que voce usou? sim..voce ta mais que correto em alguns pontos...em outros meio "exagerado" como o algum comentario acima que diz dos "meninos de 11,12,13 anos.."

mas, no geral voce esta mais que certo. Nunca vi alguem expressar exatamente todas as coisas que eu penso em um blog/flog ou qlqr coisa que seja.

Esta de parabens.
o/
12:53 AM
Mariana disse...

Oi, Felipe! Parabéns pelas reflexões, embora eu não concorde muito com vários trechos, acho que há contradições.
A questão da adição química ligada a prazer jamais existiu na história da humanidade do modo que vivenciamos hj...e é tudo fruto do mercado, pois o lucro é altíssimo se pregando essa forma de "prazer" (questionável). Mesmo o uso de substâncias puras, de alta qualidade, traz revezes para o organismo, desde desequilíbrio hormonal (níveis de serotonina ou dopamina muito altos, que depois serão compensados com baixa no organismo até normalizar sua produção, por exemplo), desidratação, baixa glicêmica no cérebro(causa da larica, p.e.) e "n" efeitos colaterais deletérios.Além do mais, mesmo o consumidor da melhor cocaína não tem tanto controle assim sobre o quanto e quando usará...a maioria dos canabistas que conheço usa toda noite, caso contrário, parece que falta algo, e os efeitos do THC(mesmo da boa, importada) constante no corpo e na mente são visíveis e ruins.
O prazer real é outro, vem de outra fonte, não da adição química artificialmente inserida nos corpos e é isso que nossas filhas precisam desenvolver para terem mente e corpo sãos e em equilíbrio - o caminho mais certo para viverem felizes.
Abraço.
Mariana
3:26 PM
Anônimo disse...

Felipe,
Vc sabia que na Jamaica se d� maconha na mamadeira das crian�as para que elas cres�am mais inteligentes?� isso a� no BR somos muito desinformados!!
7:18 AM
Zooe disse...

Vc disse:"ingerir THC, como adesivos para a pele, fitas sublinguais, alimentos, doces e balas com óleo de cânhamo."
Isso seria ótimo, pois as famílias se ressentem de ter que inalar a fumaça dos cigarros, mas nem ligam se usamos lsd ou cocaína, pois é mais discreto e não incomoda terceiros, visto que optar por uma substância psicoativa é individual e não se pode obrigar terceiros a sertir os odores de qualquer cigarro!
8:27 AM
Sandra disse...

Olá, Felipe!
Gostei muito não só das suas reflexões, mas também das reflexões que elas me causaram. Você acabou de me apresentar um jeito diferente de pensar o beck, a partir de discussões mais inteligentes e politizadas do que as do tipo a-culpa-é-do-usuário.
Obrigada!
E parabéns!
Um abraço,
Sandra
5:27 PM

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Cabeça, ombro, joelho e pé

Uma das maiores dificuldades de um pai é saber que tamanho de roupa comprar para seus filhos.

Quem é que entende a numeração? 8, 10, 12...o que significam estes números misteriosos?

Esqueça tudo!! Seus problemas acabaram!!

Anote um método que pode ajudar a dar uma geral no enxoval dos pequenos, sem ter que recorrer aos conhecimentos da mãe, vó, ou amigas do trabalho.

1) Pegue aquela trena que está encostada na caixa de ferramentas e tire as medidas das roupas que vestem bem seus filhos. Escolhi algumas peças das meninas que possuem medidas chave, como ombros, cintura, tórax (varia de acordo com a modelagem, fiquem atentos), pescoço (para não incomodar e facilitar para vestir os menores no caso de roupas sem botões nessa região), largura das pernas da calça na altura das coxas (principalmente nas que não possuem botões depressão, no caso dos bebês que usam fraldas) e comprimento da parte interior da pernas, para facilitar em caso de ter que pedir bainha.

Para os pés, também vale medir, pois diferentes formas de sapato e tênis podem ficar mais largas ou apertadas. Sabendo quanto mede o pé, é só comparar com o calçado escolhido e deixar uma folga, fundamental para quem usa meia esportiva.

Em locais frios, que pedem luvas, as medidas das mãos também facilitam a compra. Meça do pulso até a ponta do dedo médio.

2) O segundo jeito é medir seus filhos, de dois em dois meses e anotar num papelzinho para guardar na carteira, ou anotar no PDA, celular, etc. É impressionante como eles crescem e modificam seus corpos em tão pouco tempo. Quando vir numa loja algo que acha bacana para as crias, é só consultar seu "banco de dados" e fazer a compra. É sério, funciona até para comprar a camisa de seu time favorito.

E ainda pode aproveitar a técnica para comprar roupas e calçados para os homens/mulheres que você gosta, sem medo de errar. Ela(e) vai adorar a surpresa.

Outro benefício é poder deixar a prole em casa, jogando Wii ou lendo Monteiro Lobato, e evitar a confusão nos provadores das lojas.

Medidas chave:

cabeça
pescoço
envergadura dos ombros
comprimento do braço até o punho
comprimento da perna
circunferência das coxas
cintura
circunferência da bacia (sempre com fraldas, no caso dos menores - isso evita comprar um número errado)

Lembrete: se possível, coloque até um centímetro a mais nas medidas, na esperança de fazer a roupa durar mais tempo.

Pronto: acabou a desculpa para não gastar seus suados trocados com roupas para seus filhotes.

Tomara que ajude vocês na hora de comprar, pelo menos, as inevitáveis fantasias de carnaval. Vi uma de Emília (a escolha da Lia) hoje, quando fui comprar umas calças e camisas para a Dorinha, mas fiquei em dúvida.

Vou medir a mais velha e depois volto à loja

Post sujeito a alteração. De tamanho.

o retorno

recuperando, bem devagar, antigos posts deletados.

muita coisa ainda vale a pena. outras serão revisadas.

vai ser duro, mas vou tentar.