quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Não podemos salvar 1600 sírios mortos. Mas podemos reduzir a morte anual de 300 mil mulheres. Vale? Por Felipe B

Supostamente, um crime de guerra matou 1600 homens, mulheres e crianças sufocados com gás. Ficamos chocados.

Tá.

Estamos escravizados pela noção do valor da vida humana de acordo com o impacto midiático. Não, não se trata de sermos burros ou culpados. O produto midiático é cuidadosamente pensado para ter esse efeito, chocar, anestesiar, nos tornar impotentes, em todas as demografias possíveis.

Assim, sofremos mais com o suposto crime de guerra no qual morreram 1600 pessoas do que com as 300 mil mortes anuais de mulheres com câncer no útero. E o mais impressionante é que, de fato, podemos ajudar a reduzir essa mortalidade feminina absurda. E podemos fazer isso apenas com palavras, até mesmo fora do Facebook e das demais redes sociais.

Para isso, é preciso saber ouvir o outro, entender o que impede essas mulheres de fazer exames preventivos e, a partir dessa compreensão, estabelecer uma empatia que permita sermos "invasivos do bem" e trocar ideias que possam ajudá-las a salvarem suas vidas. E ainda mais importante: que se tornem multiplicadoras, seja em suas próprias famílias, seja em suas comunidades.

E os desafios são muitos. 95% dos casos de câncer no útero demonstram que o vilão é o HPV. 70% deles causados pelas cepas HPV 16 e 18.

E para falar de HPV temos que conversar com mulheres estranhas sobre seus hábitos sexuais. E, muitas vezes, elas tratam os próprios hábitos sexuais como apenas mais uma tarefa doméstica, uma consequência do matrimônio ou da relação estável na qual estão envolvidas.

Nosso cenário: 35% das mulheres brasileiras nunca fizeram exame papanicolau.

Me assusta imaginar quantas não sabem o que é HPV e desconhecem sua relação com o câncer no colo do útero.

Se já é difícil levantar uma questão que envolva sexo e sexualidade com mulheres urbanas, descoladas, educadas, de classe média, imagine então ter que dialogar e ouvir mulheres da zona rural, muitas delas sufocadas por barreiras de cunho religioso e moral?

É uma dificuldade que precisa ser vencida se quisermos ajudar as mulheres a viverem com saúde.

E isso, sim, é mais importante do que especular sobre uma matança na guerra. É uma atitude humanitária que está ao nosso alcance. Conversar e empoderar mulheres de todas as demografias antes do condilomas surgirem.

Para começar, é preciso que se faça um ajuste da linguagem, se queremos quebrar barreiras.

Não tente entrar numa comunidade de prostitutas, por exemplo, e começar a falar de genitais sem empregar termos populares. Se quer ajudar, acostume-se a falar e ouvir sem choque como aquelas mulheres lidam com suas "bucetas", "rachas", "xoxotas", "buracos". Não é para chegarmos lá "cagando regra". É para entendermos como pensam e agem em seus cotidianos para que possamos conversar e disseminar informação útil para que se previnam. Para que possam estabelecer práticas entre seus clientes e parceiros que as preservem.

Vejam bem: para muitas dessas mulheres, o que acontece dos lábios vaginais para dentro é uma incógnita e raramente motivo de preocupação. Elas estão mais preocupadas com o que conseguem enxergar e ainda assim, dão preferências as análises visuais. Feridinhas e manchas. Nelas ou nos parceiros. Ainda assim, contaminam-se com frequência com DSTs que já deveriam estar extintas, como sífilis e gonorréia. E continuam a trabalhar assim.

Ou seja, falar de HPV é quase como falar de astronomia. Precisamos simplificar. E não adianta dar cartilha para quem não sabe ler. Adianta ouvir, atentamente. E a partir daí, conversar longamente. Sem pudores, sem pressa. Em todas as oportunidades possíveis. Até que a importância da prevenção e da higiene entre os atos, além do emprego das barreiras físicas esteja disseminado em seus repertórios, em sua própria linguagem.

Com as religiosas e as que tem barreiras sócio-morais mais rígidas, a situação é complicada, mas não impossível.

Ouvir. Descobrir quais são as brechas. O método de investigação ai é muito próximo daquele usado com mulheres que sofrem abuso sexual doméstico, mas não o percebem dessa forma. Estamos falando de mulheres que, em 2013, jamais questionaram seus marido e companheiros sobre seus hábitos sexuais fora do casamento.

São mulheres que, hoje, não tem estratégias de defesa, esperteza, para evitarem que um pau contaminado chegue da rua,  seja da amante, seja do puteiro, e entre direto dentro de suas bucetas. Não é preciso conflito nem quebra de paradigmas, o que seria uma utopia. Mas podemos, sim, disseminar esse "jogo do eu primeiro".

Se elas, infelizmente, não podem ou não querem dizer não, e se o uso da barreira física é impossível (seja camisinha feminina ou um diafragma, seja camisinha no marido ou companheiro), que usem o banheiro e apliquem um gel vaginal antiviral lá dentro, antes da relação começar. Defesa, defesa, defesa. Sabemos que é difícil. Mas podemos desistir?

Se existe um mínimo de diálogo, que se "insufle" o ego masculino, dizendo que o pau dele vai ficar "mais bonito e maior" se circuncidado. Vejam, não se trata aqui de redefinir os comportamentos íntimos e relações de gêneros. Tampouco de  promover abstinência sexual. Mas o ego masculino (e o machismo por ele gerado) mata mulheres. Ponto.

Trata-se de salvar mulheres, antes de tudo. Sim, pode ser um começo de mudanças nas relações, mas não posso ser ingênuo a ponto de achar que vamos salvar o mundo em um pacote só. Quero primeiro salvar vidas. E não provocar que essas mesmas vidas venham a ser perdidas por um tiro ou facada de um machista.

É importante que essas mulheres construam um "repertório de guerrilha", que salve primeiro os seus corpos e das suas iguais, que possa ser disseminado em toda as oportunidades de conversas femininas, seja na quemese, seja na hora da reunião com a consultora da Avon. Estão sozinhas, podem conversar, que coloquem essas questões em pauta.

Da mesma forma não adianta tentarmos "moralizar" as jovens mulheres que usam o corpo como ferramenta de aceitação social, seja no ambiente urbano (as meninas do funk…), seja no ambiente rural. Precisamos jogar com as palavras dela. Sim, é bacana educação sexual em sala de aula, mas é preciso ouvir essas meninas no ambiente privado, no olho no olho, estabelecer um jogo de confiança e promover a aproximação delas com as mulheres de suas famílias, para que construam mais do que discursos repetidos.

Elas precisam construir estratégias de defesa. Precisa ser normal uma mãe, tia ou irmã mais velha poder dizer para as meninas da família que aquela saída estratégica para uma "mijadinha" depois do ato sexual é uma atitude obrigatória, já entrando naquelas estratégias simples de cuidados pessoais, para livrar-se de secreções masculinas prejudiciais. Obviamente, não "limpa" tudo, mas é melhor do que nada.

E que esse repertório chegue logo aos ouvidos das meninas de 10,11 anos de idade. E que chegue como "boas práticas" aos meninos de 8,9, 10, 11 anos. A única maneira de mudar esse cenário é ter uma geração de homens que não aprenda a ser menos machista conceitualmente, mas sim na prática, no cotidiano. E, principalmente, em sua noção de relações íntimas. Meninos que aprendam, desde cedo, a observarem-se e entenderem que podem estar seguros ou não para ter contato com uma mulher.

Passar de mãe pra filho que higiene é mais importante do que beijar bem. Do que tamanho de pau. Tem que começar em casa. Meninos precisam saber que prevenção contra o HPV é OBRIGAÇÃO DE TODO HOMEM. E quem tem que colocar isso na cabeça dos meninos, desde cedo, é a família.

E, até onde sei, meninos novinhos, bem novinhos, costumam escutar suas mães. Nossos meninos precisam saber (e disseminar, e repetir para os amigos, e tornar esse conhecimento senso comum entre a molecada) que metade dos homens do planeta tem HP e boa parte desses levam consigo o HPV 16 e 18, os vilões invisíveis que matam as mulheres que amamos. E que nos matam também, quando os recebemos de volta, inclusive via sexo oral (câncer na boca e garganta…).

Abro uma digressão para falar de um cenário ainda mais delicado: relações lésbicas, sejam elas dentro de um ambiente urbano repleto de informação ou na obscuridade de um Brasil rural preconceituoso e hermético (tá bom, nossa cena urbana não difere muito nesse sentido).

Convivo intimamente com mulheres lésbicas e bissexuais há 25 anos. Em todos os tipos de relação e conjunção que possam imaginar: casais, trios, mulheres que trepam com outras e outros, mulheres que são fiéis, mulheres que são promíscuas, mulheres envolvidas em relações de poliamor. Em comum a esse caleidoscópio de possibilidades erótico-afetivas está o fato de que todos temos segredos. E em relações lésbicas, alguns segredos beiram o tabu.

Falamos de violência física e moral contra as homossexuais, mas não falamos das intra-violências das relações, como guardar segredo sobre o uso compartilhado de consolos, vibradores ou mesmo penetração com homens fora das relações "oficiais". O jogo do segredo, no campo comportamental não será questionado aqui. Todos temos.

Mas quando a saúde feminina está em jogo, quando existe incerteza quanto à saúde da parceira eventual, manda o bom senso preservar a outra. E nós sabemos que quando a tequila faz efeito, a última coisa que fazemos é um exame detalhado ou checagem de antecedentes. E entre mulheres, aquele "banheirão" ou "perdido" eventual são ainda mais frequentes do que em relações heterossexuais. Sim, aquela dedada inocente na desconhecida e a sacanagem suprema de enfiar a mesma mão na menina que você fica/ namora, que te encheu de orgulho na balada e apimentou a relação de vocês é um comportamento de risco. E, sim, é importante pensar nisso. Muito.

Ah, meninos, ainda na mesma digressão: o HPV também é vilão quando se fala de câncer anal. Não, não fuja do assunto não. É fato. Ou seja, se a sua praia é pau, pulso, brinquedos, cinemão, banheirão, dark room, fique ligado: você sabe que não vai dar conta de adivinhar quem tem e quem não tem, não é mesmo? Porra, brother, tu é inteligente. Morrer de tesão não é o mesmo que deixar o tesão de matar. Pense nisso.

O mesmo vale para as meninas mais novas que envolvem-se em jogos sexuais: realmente acredito que o repertório que assegure a defesa do corpo tenha que ser desenvolvido e disseminado antes que a vida sexual ou os jogos de afirmação social (com sexo, bebida, alteradores de consciência…) se iniciem.

Eu quero que minhas filhas possam trepar com as mulheres e homens que elas escolherem, mas munidas de todas as estratégias para que possam fazer o que quiserem sem perder o prazer espontâneo ou prejudicar a saúde. E que possam disseminar essas boas práticas entre seus parceiros e parceiras.

A gente pode e deve ajudar a reduzir essa mortalidade absurda de mais de 300 000 mulheres por ano. Mas temos que ter coragem. E senso de indignação. O mesmo que demonstramos quando assistimos uma matança como essa na Síria.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Crianças matam, pais se omitem: seguimos juntos na ilha da fantasia da família perfeita.

Lamento muito pelas famílias que insistem em argumentar que seus parentes adolescentes não poderiam cometer crimes hediondos por serem "bonzinhos" ou "quietinhos".  Pior ainda: atribuir "às forças do mal". Bando de patetas.

Ao mesmo tempo que rogam inocência, não querem mergulhar no universo obscuro que pode girar em torno de uma criança. Seus segredos. Seus medos. Seus conflitos. E como essa mistura pode dar em um caldo complicado quando aliada a falta de discernimento relativo aos conteúdos e a natural influência externa.

Isso, claro, quando a própria família não é O problema.

A responsabilidade pelos contextualização dos conteúdos aos quais nossos filhos tem alcance é EXCLUSIVAMENTE NOSSA. Não é a escola. Não é o pai do amiguinho ou amiguinha. Somos nós que temos a obrigação de perguntar, sempre, o que a criança viu, o que aconteceu, com o que ela teve contato.

E as formas de fazer essa investigação não podem ser a de uma investigação policia. O medo e o receio no rosto dos pais é uma máquina de estabelecer bloqueios. E quando crimes assim acontecem, sufocamos ainda mais as crianças, fechando ainda mais o canal de diálogo.

Não é o conteúdo "violento" que cria os "monstrinhos". E a falta de interesse dos pais em criar condições para o diálogo sobre tais conteúdos, sejam eles livros, filmes, games, sites, apps.

Minhas filhas serão assassinas por terem lido os livros e assistido ao filme "The Hunger Games"? Não sei. Mas tenho um papel fundamental em fazer as separações entre realidade e fantasia literária/cinematográfica.

De acordo com cada faixa etária e capacidade intelectual, psicológica, estudar, consultar especialistas e entender como construir um ambiente de confiança mútua e respeito para que elas possam expor dúvidas e receber proteção. E, quanto ao aprendizado, é um caminho de mão dupla.

Minhas filhas se tornarão viciadas em sexo ou candidatas a vítimas de abuso sexual ao se depararem acidentalmente (ou em buscas movidas pela curiosidade) com pornografia na Internet? Não sei, mas tenho um papel vital em mediar esses contatos com seus períodos de vida e maturidade emocional.

No caso do ambiente digital, quem não monitora o que seus filhos andam lendo ou conversando cedo ou tarde vai enfrentar problemas. Não existe ambiente seguro e isolado de predadores. E predadores nem sempre são as pessoas distantes, que existem apenas nas páginas de jornais. Podem ter idade semelhante. Podem ser vítimas reproduzindo comportamentos.

Em nossa época tínhamos pornografia, predadores sexuais e toda sorte de ameaças. Mas o volume e a facilidade ao acesso sem controle era infinitamente menor. A chance de uma criança de sete anos topar com um conteúdo de bestialismo, morte ou sexo com crianças era muito, muito remota. Videos e revistas sobre tais temas eram quase inexistentes e de difícil alcance. E difíceis de esconder.

Hoje, não. Ao alcance de um clique. Ou pesquisa por comando de voz. E qualquer criança sabe apagar um histórico de navegador.

As ferramentas de controle que temos a OBRIGAÇÃO de habilitar nos dão um mapa completo de suas navegações ou conversas. Muito além do histórico. Registro de IPs e horários. Registro de diálogos. Não é invasão de privacidade. Enquanto viver em minha casa, sob minha responsabilidade e for menor de idade, vai ter que seguir regras. Simples assim. E regras precisam ser transparentes.

Como sugestão, façam um teste agora.

Nada mais inocente do que o Youtube, certo? Quem ai não tem filhos que passam boa parte do dia vendo Carrossel, Violeta ou outras porcarias dessas, seja no computador, tablets ou smart tvs?

Então digitem uma palavra comum no cotidiano de qualquer família, como "esposa", por exemplo".

Contem-me do resultado.

E ai, entenderam? Caiu a ficha? Pois é.

E, depois, me digam se não devem usar o filtro de conteúdo presente no You Tube, Google, DuckDuckGo e até mesmo nos sistemas operacionais e roteadores, bloqueando palavras específicas e IPs de determinados sites que, como adultos, conhecemos bem.

Se você tem wifi em casa, é possível ter o acesso dos adultos livre e limitar o dos dispositivos das crianças (celular/ smartphone, iPod, câmeras digitais com acesso wifi, tablets e afins).

Vai emprestar o tablet? Bloqueie conteúdo. Dá trabalho? Muito menos do que lidar com filhos menores nas páginas policiais.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vai conversar com sua filha agora ou vai esperar o sangue ser derramado?

No Brasil o cenário não é melhor do que na Índia quanto aos abusos sexuais em crianças. Principalmente da classe média para cima. Não vamos nos iludir. O relatório tem 82 páginas. Mas é leitura obrigatória para pais e mães, principalmente aqueles que estão decidindo agora se terão filhos.

Não procure ameaças fora de casa, apenas. Tente identificá-las em seu círculo seguro antes. Tapar o sol com a peneira não adiantará muito depois que os crimes acontecerem.

Vejam, não estou falando de meninas de 11, 12 anos que começaram a vida sexual de forma precoce, mas de maneira saudável e bem orientada, seja através da masturbação, seja através de relacionamentos eróticos-afetivos com outros meninos e meninas de faixa etária semelhante.

Nossas filhas usam a intenet, tem contato com as próprias sensações eróticas e conversam sobre o assunto na escola, com suas amigas. Sim, elas sabem o que acontece e o que as interessa. Somente não precisam tomar decisões antes que a própria vontade as conduiza a isso.

Fomos crianças e pré-adolescentes também. Temos nossas lembranças e sabemos bem como são as coisas...

Falo aqui do abuso sistemático e predatório de meninas de 2, 3, 4, 5 anos de idade, que é feito de maneira muitas vezes lenta e gradual, sempre com a coação, silenciosa ou não, como ferramenta.

Ficar em silêncio não ajuda em nada. Em nenhuma classe social.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Sistema de #cotas, atalhos evolutivos ou como pular do espaço sem para quedas. por Felipe B

Acabo de assistir "Space Dive", um documentário da National Geographic/ BBC, dirigido por Colin Barr.

Estou chorando. Muito mais do que chorei no dia em que Felix Baumgartner pulou do espaço. Naquela ocasião só importava o feito e seu apelo midiático.

Aqueles que assistiram ao vivo ou tiveram apenas a chance de ver o feito comentado na MSM não imaginaram o imenso trabalho de back office que permitiu a quebra daquele recorde, a realização daquela conquista humana.

O documentário acompanha a trajetória de quatro anos até a realização do salto. É uma aula de PMI e sobre gestão de pessoas em times de trabalho. Um tratado sobre limites humanos.

Erros e acertos.

Uma prova de que não existem atalhos quando o que está em jogo é fazer o que a maioria das pessoas considera impossível.

Mas o meu choro não é por causa da manipulação emocional impecável que o diretor/roteirista conseguiu imprimir ao filme.

Meu choro é provocado pela raiva que me dá perceber que o sistema de cotas JAMAIS levará as pessoas que caem nessa armadilha ao mind set correto para estabelecer metas ambiciosas, no tempo correto, com os agentes certos realizando as suas funções.

Choro pelo tempo que estamos perdendo com o sistema de cotas ao não incentivarmos a superação através do esforço, do alavancamento de talentos em áreas-chave do pensamento humano.

No final, nos sobra a estátistica das migalhas, comparação de notas de cotistas com aquelas dos alunos do sistema universal. Uma fantasia perigosa, com dados cuidadosamente escolhidos para desenhar um quadro favorável.

Mas resultados, ideias, novas tecnologias, novos métodos e teorias para lidar com nossas mazelas sociais e desafios tecnológicos, start ups capazes de revolucionar a maneira com a qual o Brasil e o mundo lidam com o conhecimento e suas possibildiades, nada disso saiu da pena (ou dos teclados) de cotistas.

E se nada for feito com urgência, tudo continuará igual. Uma imensa massa de manobra com diploma de nível superior. Agradecidos. Corpos dóceis ao bel prazer dos sistemas de poder. Mentes dóceis, incapazes de transgredir para elevar os patamares da existênca humana.

As lágrimas secam, mas o trabalho, não. Muito para ser feito. Para convencer essa massa enganada que escola pública não é impeditivo para ascender intelectualmente, socialmente ou profissionalmente.

A única limitação é deixar alguém com uma caneta nas mãos decidir por você como será o seu futuro.

Aqueles técnicos (sim, técnicos. São necessários para qualquer país que sonhe em superar suas dificuldades) e engenheiros responsáveis pelo feito de Felix Baumgartner sabem o valor de ter a frustração como combustível para a superação.

Estão tirando esse elemento importante da vida dos cotistas. Estão querendo atalhos onde eles não podem existir.

Falta foco. Falta planejamento. Falta meta.

Pular do espaço é possível. Mas com o sistema de cotas, estão fazendo o Brasil saltar do espaço. Sem paraquedas.

Ainda dá tempo de abortar a missão e fazer direito.

Falta é vontade política.

Assassinos de mulheres a solta... dentro de casa.

Tenho insistido em relatar os casos de estupro e feminicídio para que se entenda a diferença dessas ocorrências em relação à violência cotidiana na Brasil. Matar, torturar, agredir e humilhar mulheres, tolhendo a sua existência plena sob um duvidoso prisma moral e comportamental virou uma prática sistemática no século 21.

Mas ainda é tempo de mudar.

Oferecer mecanismos que não tornem a mulher agredida vítima duas vezes (no ato da agressão e na busca por justiça, quando não raramente são consideradas culpadas pelo ato hediondo) é um caminho fundamental para começarmos a virar o jogo.

Que nossas meninas cresçam sabendo que podem viver de forma livre sem terem que receber "punição" por seu gênero.

O jornal O Globo de 20/12/2013 publicou números alarmantes sobre estupro no Brasil. Com foco no aumento de denúncias

Felizmente nossos números ainda estão longe dos EUA e Suécia, onde o estupro é uma epidemia, mas existem salvaguardas para que precisa denunciar esse crime. Não podemos relaxar. Deixar cair no esquecimento.

Até pelo fato do perigo não estar apenas lá fora, na rua, nos casos extremos. A maioria dos agressores está dentro de casa. Membros da família. E que contam com o acobertamento de outras mulheres no mesmo grupo familiar.

Temos uma pequena India dentro de nossas casas, com um código de (falta) ética e humanidade bem diferente na vida privada do que aquele que é assumido na esfera pública.

E em qualquer classe social. Com agressores e mulheres não-solidárias com as vítimas (coniventes com os agressores, seja por concordarem com o ato ou por serem coagidas) que ostentam formação superior.

Não é apenas uma questão de educação. É uma ideologia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Estupro, feminícidio e infanticídio: epidemia

Começo o dia falando, mais uma vez, em estupro, feminícidio e infanticídio. Crimes que desmonstram claramente o nosso nível corrente de evolução social.

Infelizmente. Dessa vez a vítima tem dois anos de idade. Vão considerá-la culpada também, como fizeram com a moça em São Paulo?

A bebê foi violentada até a morte, aqui mesmo, no Rio de Janeiro, essa cidade linda e humana. Não, não feche os olhos.

Realmente alguém acredita que 30 anos de cadeia vão recuperar o sujeito que fez isso, o próprio padrasto? Ou o clamor popular leva a mudança imediata das leis, com castração química e incapacitação social do agressor ou logo os algozes não terão direito a justiça alguma. Morrerão nas mãos de cidadãos comuns.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Não usem o prazer feminino como justificativa para o seu ódio

Condutas sexuais de natureza particular ("Ela pede tapa na cara", "Ela é submissa", "Ela trepa com dois ou mais") NÃO justificam um estupro. Nossas filhas podem e devem gozar como quiserem sem terem que morrer por isso.

Abra as pernas, feche a boca e tente não morrer: como ser uma jovem mulher em São Paulo. Por Felipe B

Você possui o escritório de advocacia mais influente do país. Seus jovens sócios, mulheres e homens com menos de 40 anos que se acham os donos de São Paulo e ostentam salários mensais acima de 100 mil reais, decidem brincar com a vida e autoestima de uma menina de 21 anos começando a carreira como estagiária na empresa.

O combinado é sacanear a menina, certos da impunidade. Domínio dos meandros legais que fazem os algozes terem a certeza da impunidade. O ônus da prova ficará todo com a vítima.

Você é informado sobre o crime (apesar de seus jovens sócios e demais advogados influentes não olharem essa questão através do mesmo prisma moral dos pobres mortais) e aciona o departamento de gerenciamento de crise para preparar uma ação de acobertamento, caso alguma denúncia seja feita. O primeiro passo é escrutinar a vida sexual da vítima e catalogar qualquer "desvio de conduta". Prepare um rol de testemunhas pagas a peso de ouro. Também prepare a compra do silêncio da vítima, ameaçando-a de ter a carreira encerrada em qualquer instituição de peso caso leve adiante a vontade de fazer justiça.

Enquanto isso os jovens sócios se regozijam do crime perfeito, da arte de terem sacaneado a novata. Provavelmente algumas das sócias, ex-estagiárias também estão rindo. Não é uma questão de gênero. É uma questão de poder.

Ao mesmo tempo que comemoram a impunidade, os jovens sócios ainda estão eufóricos por serem os responsáveis pelo escritório ter recebido o prêmio de Ëscritório do Ano no Brasil, pela consagrada publicação International Financial Law Review. Além de serem jovens e donos do mundo, agora o bônus será polpudo.

Mas a vítima não suporta a pressão. Decide pelo suicídio, em um dos bairros mais nobres da capital.

Merda no ventilador. Departamento de gestão de crise pesa a mão. Quem der prosseguimento na apuração pode perder alguns de seus maiores anunciantes. MSM fica calada. Alguns delegados também.

A vítima morreu três vezes: no ato da agressão, na impossibilidade de obter justiça e na destruição de sua imagem pública.

O escritório fará de tudo para manter a blindagem em seus jovens sócios criminosos e assassinos. Afinal, eles são a fonte de prosperidade do negócio, com sua agressividade e falta de ética. Estão ali para vencer. Para atropelarem os fracos que não aguentam os ritos de passagem para o mundo do poder sem limites, no qual uma jovem mulher não passa de mero brinquedo descartável.

Afinal, a temporada de contratação de novos estagiários já está aberta. E elas vão continuar correndo atrás do sonho.

Não é um livro de Scott Turow. Não teremos um herói para desvendar esse crime e fazer justiça. Vai tudo ser varrido para debaixo do tapete.

Não existe nada para ser visto aqui! Vão lamentar a morte da universitária na India. Vão, vão, seus pobres!

É São Paulo, 30 de dezembro de 2012.

Que merda.

Feliz 2013.

2012: o ano do feminicídio ainda não terminou

Para ilustrar meu texto da semana passada sobre nossa hipocrisia ao olhar com revolta o estupro http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1208114-estagiaria-de-direito-morre-apos-suposto-estupro-em-sp.shtmlna India.

Somos piores, mas calamos nossas mazelas.

No blog Pai de Menina passei o ano falando sobre o feminicidio sistemático praticado em todas as classes sociais no Brasil.

Queria muito não ter que falar sobre esse tema em 2013.

Mas será impossível.

No caso da vítima de estupro no Brasil, a violência é multiplicada. É muito cruel uma mulher precisar provar que não provocou a agressão, muitas vezes, sendo tratada com desconfiança por outras mulheres.

Pode estar bebada e nua. Pode estar consciente e ter começado uma situação erótica. Não é não. Toda mulher tem o direito de parar o sexo na hora que quiser. Toda mulher tem o direito de não ter seu corpo violado.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

É bom.

Fazer café da manha para a pré-adolescente.
Mandar largar o livro viciante e ir para a escola.
Dar café da manhã para criança pequena, dengosa com o ouvido doendo. Lembrar a criança pequena de estudar para a prova de ciências.
Ficar atento a otite da criança.
Mandar arrumar o quarto.
Arrumar a mochila da escola.
Mandar para o banho.
Desembaraçar o cabelo, com chororô.
Inventar almoço.





"Pai, esse feijão tá gelado! Mamãe e a Rute nunca erram a comida".

Levar na escola.
Lavar a louça.
Pegar roupa na lavanderia.
Aspirar a casa.
Tirar pó.
Arrumar almoço para a pré-adolescente.
Mandar pré-adolescente arrumar o quarto.
Lembrar a pré-adolescente estudar antes de jogar.
Arrumar um alimento rápido pra mim.
Entre uma tarefa e outra, atender o cliente, revisar roteiros, orientar equipe online e por telefone e fechar roteiro de um novo programa.
Pegar criança na escola.
Pensar no jantar.
Operacionalizar o jantar.
Conversar e dar uns beijos no conjuge.
Ler.
Estudar.
Ver referências.
Dormir.
Voar as 07:37.

E tem gente que faz isso todo dia. Sinistro.

sábado, 6 de outubro de 2012

Negros à beira de um ataque de nervos. E de imbecilidade. Por Felipe B.

A imbecilidade está chegando a um limite mais do que perigoso. Esses editais limitados a negros são uma afronta à inteligência humana. Chega dessa cultura da segregação, ainda mais custeada pelo Estado. O país não deve NADA aos negros.

Quem tem uma dívida a pagar é a sociedade, que tolera as instituições (ainda existentes) por trás do comércio de escravos e da indústria baseada em plantations, sim.

Nossa indústria do açúcar é um bom exemplo.

Mas isso ninguém quer discutir

, pois quem deveria pagar a conta são os judeus e a Igreja Católica, que engedraram e exploraram convenientemente essa forma de exploração humana. Suas fortunas hoje são herança macabra do maior Holocausto da história.

Todas as plantations escravocatas eram de judeus. Todas as companhias de navegação escravocrata eram de judeus. Todas as tripulações dos navios negreiros era de judeus. Todos os leiloeiros de escravos, dois dois lados do Atlântico eram judeus.

O melhor é que os excelentes historiadores judeus catalogaram cada passo dessa empreitada ao longo da história em compêndios belissímos e disponíveis nas bibliotecas de qualquer boa universidade.

Praticamente todos os engenhos eram de judeus, muitos deles, cristãos-novos, mais dificeis de identificar, mas devidamente catalogados em obras como "Segredos Internos - Engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835", de Stuart B. Schwartz, editado aqui pela Companhia das Letras.

Fala merda quem afirma que o Estado deve pagar pela conta da escravidão, apoiando medidas anticonstitucionais e segregatórias, como cotas raciais e editais exclusivos para negros. Deveriam estudar e informar-se. E, ai sim, cobrar a conta de que realmente deve.

Mas a negada prefere não ler. Prefere choramingar pelos cantos e passar o tempo com o rabo preso jogando nas cadeiras de uma lan house. Pedindo esmola e benção ao invés de buscar educação e competências.

Vão se foder!

Preferem tapar o sol com a peneira.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Racismo contra meninas negras. A cara do Brasil. Em 2012.

Brasil. Julho de 2012. Contagem. Minas Gerais. Avó racista e destemperada quer saber o motivo da escola ter deixado o neto dela dançar quadrilha com uma menina "preta, feia, horrorosa, negra suja", de 4 anos de idade. O delegado quer tampar o sol com a peneira.  Acusação: injúria. Só. Brasil, lugar lamentável para se viver quando se é preto. Vou melhorar essa porra.  Ah, vou.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

CREMERJ não consegue entender que o parto domiciliar é mais seguro do que maternidades contaminadas e desumanas

E mais uma vez o CREMERJ prefere distorcer a realidade para esconder o cenário aterrador das maternidades do Rio de Janeiro. São maternidades assim, com alta taxa de mortalidade neo natal e materna, que os médicos do conselho regional de medicina acham melhores para uma família ter seus filhos do que uma residência, o quarto da própria família gestante.

Caros conselheiros do CREMERJ, onde estão os "dados científicos, as "pesquisas"e as "estatísticas" que demonstrem que a taxa de mortalidade em partos domiciliares no Rio de Janeiro supera a carnificina que acontece nas maternidades do Estado do Rio, só em 2012?


MATERNIDADES: SEGURAS OU MORTAIS?

Vejam o ambiente que o CREMERJ e outros conselhos regionais de medicina acham seguros e adequados para as gestantes brasileiras.



Aguardo as "pesquisas científicas" que justifiquem essa falta de respeito ao ser humano.

Quem é que é criminoso mesmo?

Essas são as pessoas que condenam o parto domiciliar.

E isso, essas pocilgas comandadas por gente que trata a mulher como mercadoria, é o que eles propoem como solução.

Gestantes com o pre-natal em dia e sem complicações: informem-se sobre os problemas reais que uma gestação pode apresentar e percam o medo de ter filhos em casa.

Não deixem nenhum dono da verdade de jaleco branco decidir por você o que é melhor para sua família.

Caça às bruxas no Rio de Janeiro: CREMERJ e a criminalização do parto domiciliar humanizado

A resolução do CREMERJ que proibe médicos de auxiliarem partos domiciliares "previamente acordados", uma violação grave do direito da mulher, demonstra mais uma vez como o Rio de Janeiro parou no tempo e segue incapaz de alinhar-se com o pnsamento vigente nos países que evam saúde pública a sério.

O parto domiciliar, um ambiente mais seguro e tranquilo para partos normais do que as nossas maternidades contaminadas (inclusive algumas de alto padrão).

Agora a mulher que não optar pelo risco da infecção hospitalar e desumanização do parto, será considerada uma criminosa, assim como os médicos e auxiliares de saúde que prestarem atendimento domiciliar.

Todos os países do mundo que levam saúde pública a sério e que procuram estar em sintonia com as sugestões da Organização Mundial de Saúde, estimulam o parto normal domiciliar, principalmente na segunda gestação.

Brasil, Chile e Austrália seguem na contramão, levando ao extremo a cultura da cesárea eletiva e todo o seu aparato comercial (a corja de anestesistas e cirurgiões plásticos que forma a comitiva do obstetra que faz mais de um parto por dia, com hora marcada).

Sabemos como andam em péssimo estado as materniadades brasileiras. O Rio de Janeiro não foge a essa regra: fiscalização precária e instalações sub-humanas.

Não bastasse esse fato, ainda existe, forte, uma cultura da cesárea que penaliza as mulheres de baixa renda, que precisam lidar com cobranças de pessoas não esclarecidas numa dos momentos mais importantes de sua vida, a gestação e seu momento final.

O CREMERJ não parece sensibilizado com a quantidade de cortes desnecessários feito em jovens mulheres. Parece ignorar a quantidade absurda de recém-nascidos mortos em maternidades nessa cidade apenas em 2012, vítimas de infecções hospitalares.

A medicalização do parto é um anacronismo que precisa ser combatido, com urgência. Demonstra claramente os efeitos de uma baixo nível educacional, do alcance limitado das ideias progressistas entre a população brasileira.

É tácito o descopromisso de um número cada vez maior de médicos com a espera necessária para um parto normal conveniente para mãe e bebê.

Em nossa primeira gestação, tive o desprazer de ouvir -ignoraram minha presença na sala de esperada Perinatal e falaram abertamente sobre o seu "negócio'-, como era "chato ter que ficar esperando ëssas mães que cismam que vão ter uma parto normal". A equipe: anestesista, cirurgião plástico (que não haviamos chamado) e o famosos obstetra tratavam aquele momento com desdém.

Ainda fui cobrado do acerto "por fora" com o anestesista e o cirúrgião plástico ("se for necessário usar, claro") ali, em pé. Ora, é claro que eles NUNCA pretenderam esperar nosso parto. Esses caras já sairam de casa na certeza de que fariam uma cesárea. Nós, só descobrimos na hora do parto. Daí, ams mentiras clássicas de cordão enrolado e outros papos furados, enquanto rasgavam minha mulher e falavam sobre um jogo de futebol.

Éramos um negócio, apenas. Naquele 23 de abril, aquela famosa equipe de médicos da zona sul carioca ganhou muito dinheiro, abrindo a esmo outros casais inexperientes, que confiaram na palavra do médico, que jurou apoiar o parto normal. Que não havia detectado nenhum "problema"no pré-natal, mas que na sala de parto levou a cabo o plano diário de conseguir dinheiro fácil, já articulado com sua equipe.

Já publiquei aqui o relato de parto de nossa segunda filha. Uma experiência diferente, sem mentiras e repleta de carinho e respeito. Em casa.

O mais triste é ver a manipulação na nota do CREMERJ, que numa inversão da informação, fala em "alerta mundial contra os perigos do parto domiciliar", enquanto trata-se justamente do contrário.

Cita de forma equivocada um óbito na Austrália, mas não cita as dezenas de óbitos em materniadades no Rio de Janeiro, que, supostamente, deveriam ter sido fiscalaizadas em suas condições pelo mesmo CREMERJ que invoca "bases científicas" e o "juramento de salvar vidas a qualquer custo"
para realizar essa verdadeira caça às bruxas.

A premissa do "e se alguma coisa der errado?" é falaciosa, pois nem sempre o ambiente hospitalar e o preparo das equipes é capaz de solucionar de forma satisfatória condições extremas que podem levar a óbito mãe e recém-nascido. Se o pré-natal for realizado de forma criteriosa, as supostas "surpresas" estarão sob controle.

Não estamos falando de prematuros, de partos múltiplos ou de outros complicadores.

Estamos defendendo o direito de mães que fizeram um pre-natal completo e esclarecedor e sabem da perfeita saúde de sua prole, que permita a elas realizarem seus partos em um ambeinte com o mínimo de drogas, de medicalização, com respeito e atenção humana.

Sim, a motivação desse repúdio ao parto domiciliar é corporativista, retrógrada e fere claramente o direito da mulher de esco;her o melhor para si própria.

Se quiserem ler estudos realmente relevantes (o CREMERJ, claro, não divulga suas "bases científicas") sugiro a literatura disponível no site da OMS.

Jovens casais, decidam o que querem para a sua getação. Esse momento é de vocês e ninguém pode interferir.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

Filhota de seis anos fazendo aquela pesquisa clássica "branco, negro e índio", que a pedagogia tradicional ainda insiste em usar para "educar" crianças sobre as questões de etnia no Brasil.

Ela pega uma edição qualquer de Época e folheia: "branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

Não posso deixar que ela cresça achando que a solução para a conquista de espaço social e cívico venha através do sistema de cotas.

Posicionem-se, senhores. Criem. Inovem. Saiam das sombras por mérito e não por esmolas.

Ou seus filhos e os filhos de seus filhos farão a mesma pesquisa em 2112, e a garotinha do futuro vai dizer ao receber informações da nuvem globoal em seu dispositivo de exibição de conteúdo: "branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, branco, negro, branco, branco, branco, branco...".

Cesariana desnecessária em massa: o Brasil na lanterna mundial da civilidade em saúde pública

Não gosto de marchas. Nenhuma. Acho chato e atrapalham quem não tem interesse no assunto, ou por que exercem o direito de cultivar a própria ignorância ou por não necessitarem lidar com questões de esfera incompatível com suas necessidades cotidianas.

Dito isso, fica mais fácil dizer: países civilizados apoiam o parto domiciliar, mesmo após a primeira gestação.

Países primitivos, nos quais o corporativismo supera os benefícios de uma noção humaniária de saúde pública, apostam em cesarianas em massa.

Lucrativas e rápidas, chegam travestidas com o rótulo da conveniência, da "liberdade de escolha" da mulher e outras loas. Mas sabemos que não são todas as mulheres que, de fato", podem escolher. Para a maioria, ceder à cesariana é compulsório.

Bebês não são melhores ou piores filhos se chegam de um jeito ou de outro. Se amados pelos pais, está valendo.

Mas o recado sobre parto domiciliar ser um DIREITO não é para as esclarecidas que se sentem agredidas por não serem respeitadas em sua opção pela cesárea eletiva.

No Brasil, desde os anos 70, surgiu a cultura equivocada de que parto normal é "coisa de pobre", "coisa de índio".

Dá para perceber o estrago feito nos últimos 40 anos. Ter o parto igual ao da "patroa" virou algo quase obrigatório. Sim, como o vestido da novela que vira moda.

O problema é que existe um número imenso de mulheres influentes que não percebe como seu modelo pode não ser adequado para mulheres que ainda não dominam a própria intelectualidade, a ponto de não poderem dizer "não" a um médico que mais do que recomenda, obriga mulheres a fazerem cesarianas desnecessárias.

Existe uma indústria: cirurgões plásticos, anestesistas, obstetras, que fatura alto com a linha de montagem do bisturi. Eu fui vítima desse tipo de medicina canhestra em nossa primeira gestação. Não nos respeitaram.

Na segunda gestação nos libertamos e fizemos o parto domiciliar, humanizado.

Amo igualmente minhas duas filhas. Não é uma guerra de  "estilos", preferências ou modismos. É uma constatação que foge à realidade da maioria das mulheres de classe média e classe média alta: as condições hospitalares para a maioria das gestantes do país, de baixa renda, trazem riscos BRUTAIS para mães e bebês.

As casas dessas mulheres são muito mais seguras do que salas de parto em nossa rede hospitalar de acesso ao cidadão comum.

Espero que Austrália, Chile e Brasil um dia consigam vencer essa maldição que os coloca na condição de triste liderança mundial na indústria da cesariana conveniente para o sistema médico.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Semana Mundial do Parto Humanizado: por uma maternidade segura para toda mulher

Essa é a Semana Mundial do Parto Humanizado. Os que pouco entendem de  manipulação midiática não sabem o bombardeio que essa prática recebe.

Afinal, o discurso supostamente científico da medicina comercial impede que uma discussão mais humana, que possa envolver pessoas de todos os níveis intelectuais, seja levado a mais mães. Quando uma rede de maternidades ou uma entidade de classe ataca, querem mais é uma reação acalorada, que torna quase "freaks" aqueles que apoiam o princípio da maternidade segura, com participação ativa do casal parturiente.

Mas evitem discutir parto humanizado de forma apaixonada, sem fundamentos e estatísticas em mãos.
Preparem-se antes de falar. Sejamos sábios.

Consultar o site da Organização Mundial de Saúde sobre o tema é um bom começo para quem quer ajudar a elevar o nível do debate, uma questão além do foro íntimo, e sim de saúde pública.

Crianças nascidas via cesariana correm mais risco de desenvolverem obesidade na primeira infância. Veja o motivo.

Na hora de optar por uma cesárea eletiva, sem necessidade, vale a pena pensar não só em infecção hospitalar e outras complicações, mas também na saúde futura do bebê. Belo estudo da Dra Susanna Huh, pesquisadora da Division of Gastroenterology and Nutrition no Children Hospital Boston sobre como crianças nascidas de cesariana correm risco maior de desenvolver obesidade na primeira infância.

Deveriam discutir esse assunto abertamente com casais grávidos por aqui.

O Brasil precisa reduzir imediatamente essa epidemia de cesareas desnecessárias.

Pelo fim do "Zé Gotinha"

Com a volta da poliomielite na Europa, na China e em vários países da Africa, vai começar de novo a vacinação global em massa. Muito cuidado. Por aqui ainda se usa a vacina oral, com vírus vivo.

O governo jurou que no segundo semestre será injetável. Como não dá para confiar na turma de Dilma, se puderem pagar pela injetável, feita de vírus mortos, melhor.

Apesar da boa intenção, grande parte dos casos de ressurgimento da doença foram causados pelo maldito "Zé Gotinha". A injetável é segura.

Em tempo: se você é um adulto que lida com pessoas de regiões infectadas ou vai viajar para esses lugares, faça o ciclo de vacinação com seis meses de antecedência. Essa doença não tem cura e desabilita a jato. Vai doer seu braço, mas é melhor do que confiar nas gotinhas do governo.